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TEXTO I
Violência contra a Criança
A agressão doméstica é apontada como a principal causa das denúncias de violência contra a criança no país, segundo informações de ONGs brasileiras. Estima-se que ocorram cerca de 500 mil agressões por ano contra criança de até 14 anos, ou seja, quase uma por minuto. Uma em cada três crianças espancadas tem até cinco anos e muitas delas são recém-nascidas. Em 90% dos casos a violência acontece dentro de casa.
Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil registra cerca de 50 mil casos de violência sexual por ano, contra crianças e adolescentes. Mas, de acordo com especialistas, os índices oficiais representam apenas 10% do total de ocorrências.
Em 1999, de acordo com pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo, 78 ONGs de 16 estados brasileiros recebem um total de 6,7 mil denúncias de maus-tratos infantis, número 13 vezes maior que o registrado em 1996.
Relatório da Anistia Internacional de 2000 aponta que crianças brasileiras continuam sendo vítimas de execuções por parte da polícia e de esquadrões da morte em alguns estados, como Acre, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
Quanto aos adolescentes infratores, grande parte está detida em condições que violam o Estatuto da Criança e do Adolescente, como revela relatório sobre a Fundação Estadual do Bem- Estar do Menor (Febem) de São Paulo, elaborado em 2000 pelo Centro de Justiça Global, Movimento Nacional de Direitos Humanos, pela Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura e pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo. O documento estima que mais de 700 internos sofreram agressões cometidas por funcionários da Febem entre novembro de 1999 e maio de 2000. Em média, três internos são espancados ou torturados por dia nas dependências da instituição.
(Guia da Cidadania. Almanaque Abril 2001. P. 31)
Como “recém-nascidas”, estão escritas de acordo com a ortografia oficial:
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TEXTO II
Contra o Crime Organizado
Sociólogos, educadores, psicólogos e outros estudiosos há muito vêm debatendo a questão da violência no País. A exclusão social, levada a efeito de maneira acelerada nos últimos 40 anos, é uma das principais causas desse descalabro. A falta de perspectiva leva facilmente crianças e jovens a se tornarem presas fáceis dos tentáculos dos narcotraficantes.
Nos morros e favelas do Rio de Janeiro, de São Paulo e de outros centros urbanos do País, o crime organizado ocupa o espaço deixado pelo Estado. É o traficante que, em algumas ocasiões, fornece emprego, proteção e assistência social a setores da população completamente marginalizados para, em contrapartida, exigir silêncio e cumplicidade dessas comunidades desassistidas. O filme Cidade de Deus é o retrato realista desse quadro de miséria e abandono.
A impunidade dos criminosos é também apontada como causa do quadro de violência que assusta o Brasil. Há necessidade de uma legislação mais severa que atinja não apenas os gerentes do narcotráfico que moram nas favelas. É preciso que se chegue aos barões dessa atividade ilícita e que nem sempre vivem no Complexo do Alemão, no Borel ou na Cidade de Deus. Há alguns em endereços mais elegantes do Rio de Janeiro e de outras cidades.
Há necessidade de uma profunda reforma na sociedade. A corrupção precisa ser extirpada dos órgãos públicos – Polícia e Justiça, inclusive – de maneira exemplar. Houve mudanças positivas neste sentido nos últimos anos, mas a sociedade exige muito mais. Está em jogo a sobrevivência das instituições e da própria Nação.
(Jornal O Povo. 16 mar. 2003)
De acordo com o texto, é correto deduzir que:
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TEXTO II
Direito à Segurança
Todo cidadão tem direito à segurança individual, definida na Constituição como garantia de inviolabilidade de domicílio, de propriedade e de sigilo de correspondência. Além disso, há a segurança jurídica, que garante o direito de ser considerado inocente(I), enquanto não for julgado culpado, e de ser punido de acordo com a lei que estava em vigor, quando o crime foi praticado. Destinada à preservação da ordem pública, da integridade das pessoas e do patrimônio, a segurança jurídica deve ser aplicada com base nas leis que definam os crimes e punições para quem praticá-los. Ninguém pode ser preso sem ser em flagrante ou sem que haja ordem judicial de prisão – a exceção é para os casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. Mesmo quando a prisão está dentro da lei, sua realização deve respeitar a inviolabilidade do domicílio – a casa do cidadão está legalmente acima de qualquer violação. Toda pessoa tem o direito de não se manifestar ao ser presa e de ter sua prisão comunicada à autoridade judicial e aos familiares. Caso não tenha meios(II) para contratar um advogado, o Estado deve fornecer defensores gratuitos. A lei reconhece a instituição do júri e a sua competência para julgamentos dos crimes dolosos, isto é, com intenção, contra a vida. O Estado se compromete a indenizar o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença.
Estes crimes não têm fiança: a prática do racismo, da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, além da ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o estado democrático. A lei garante o respeito à integridade física e moral dos presos. A pena será cumprida em estabelecimentos determinados de acordo com o tipo de crime, a idade e o sexo. Garante também condições para que as presidiárias possam permanecer com os filhos durante a fase de amamentação(III).
(Guia da Cidadania. Almanaque Abril 2001. P. 8)
Com relação à sintaxe do período, está correto o que se afirma na opção:
I - “que garante o direito de ser considerado inocente”,
II - “Caso não tenha meios”,
III - “para que as presidiárias possam permanecer com os filhos durante a fase de amamentação”,
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TEXTO I
Comportamento Anti-Social: a Agressão
Deixando de lado preocupações estritamente numéricas, poderíamos iniciar nossa abordagem da agressão de forma bastante trivial. Se quiséssemos, por exemplo, eleger um assunto que ocupasse, atualmente, um lugar especial nas conversas cotidianas entre as pessoas, em casa, entre amigos, nos espaços públicos ou no trabalho, poderíamos apontar, sem medo de errar, a agressão e a violência humanas. Chega mesmo a ser surpreendente a “disputa” entre os interlocutores para ver quem mais acumula experiências pessoais, como vítimas ou espectadores, de assaltos, sequestros, ofensas, brigas, atos de vandalismo, crimes e assim por diante. Os casos se sucedem quase sempre acompanhados por uma descrição minuciosa da extraordinária capacidade do homem em causar danos e maus-tratos em seus semelhantes, de forma gratuita, deliberada ou vingativa, e com requintes de crueldade, frieza ou destempero. Quantos de nós não se sentem atraídos por essas histórias e avidamente interessados em ver de perto esses incidentes? Fala-se até que as próprias crianças, hoje em dia, não mais demonstram qualquer perplexidade como testemunhas de cenas reais ou de ficção, que exibem atrocidades sem limites. E, pior ainda, são elas, muitas vezes, os próprios protagonistas dessas cenas de violência.
Se ampliássemos nossa curiosidade e quiséssemos saber que tópico mais absorve as manchetes de jornais e revistas, os programas de televisão, os filmes e livros de sucesso, teríamos seguramente a mesma resposta. O mundo moderno e globalizado nos permite afirmar que se trata, lamentavelmente, de uma tendência quase universal, as exceções ficando por conta de comunidades restritas e isoladas do alcance da tecnologia e do progresso.
Vivemos, então, numa era de violência e agressão ímpares na história da humanidade? Certamente, a violência não é um fenômeno recente, já que ela se faz presente na história da humanidade, em todas as épocas e em todos os lugares. E seriam esses fenômenos irreversíveis em sua marcha, mesmo diante do altíssimo nível de desenvolvimento jamais alcançado pelo homem? Seria desnecessário dizer, mas nem todo progresso é para melhor nem todos os seus benefícios revertem em prol do ser humano. Algumas investidas que se fazem contra o próprio homem, “em nome desse progresso”, nos levam a descrer, em certos momentos, da capacidade humana em discernir entre atos “inteligentes” e atos “primitivos”.
A exacerbada “espetacularização” do fenômeno da agressão na mídia em geral e a iminência de sua “naturalização” – denunciam os estudiosos dessa problemática – obscurecem as perspectivas de convívio social satisfatório pela incontrolabilidade de sua ocorrência e de seus efeitos nefastos e destrutivos. Filósofos, juristas, cientistas políticos, sociólogos e psicólogos debruçam-se, já há algum tempo, sobre o estudo do comportamento agressivo na tentativa de decifrá-lo e, assim, impedir sua progressão e suas consequências. No entanto, a despeito do avanço do conhecimento em tantos setores, com pouco ainda se pode contar, nessa área específica, que possa ser aplicado com sucesso para deter o ritmo vertiginoso da escalada da violência.
(Aroldo Rodrigues e outros. Psicologia Social. P. 204-5)
Com relação às classes de palavras, foram empregadas com o mesmo valor:
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TEXTO II
Contra o Crime Organizado
Sociólogos, educadores, psicólogos e outros estudiosos há muito vêm debatendo a questão da violência no País. A exclusão social, levada a efeito de maneira acelerada nos últimos 40 anos, é uma das principais causas desse descalabro. A falta de perspectiva leva facilmente crianças e jovens a se tornarem presas fáceis dos tentáculos dos narcotraficantes.
Nos morros e favelas do Rio de Janeiro, de São Paulo e de outros centros urbanos do País, o crime organizado ocupa o espaço deixado pelo Estado. É o traficante que, em algumas ocasiões, fornece emprego, proteção e assistência social a setores da população completamente marginalizados para, em contrapartida, exigir silêncio e cumplicidade dessas comunidades desassistidas. O filme Cidade de Deus é o retrato realista desse quadro de miséria e abandono.
A impunidade dos criminosos é também apontada como causa do quadro de violência que assusta o Brasil. Há necessidade de uma legislação mais severa que atinja não apenas os gerentes do narcotráfico que moram nas favelas. É preciso que se chegue aos barões dessa atividade ilícita e que nem sempre vivem no Complexo do Alemão, no Borel ou na Cidade de Deus. Há alguns em endereços mais elegantes do Rio de Janeiro e de outras cidades.
Há necessidade de uma profunda reforma na sociedade. A corrupção precisa ser extirpada dos órgãos públicos – Polícia e Justiça, inclusive – de maneira exemplar. Houve mudanças positivas neste sentido nos últimos anos, mas a sociedade exige muito mais. Está em jogo a sobrevivência das instituições e da própria Nação.
(Jornal O Povo. 16 mar. 2003)
Está corretamente empregado o sinal de crase em:
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TEXTO I
Comportamento Anti-Social: a Agressão
Deixando de lado preocupações estritamente numéricas, poderíamos iniciar nossa abordagem da agressão de forma bastante trivial. Se quiséssemos, por exemplo, eleger um assunto que ocupasse, atualmente, um lugar especial nas conversas cotidianas entre as pessoas, em casa, entre amigos, nos espaços públicos ou no trabalho, poderíamos apontar, sem medo de errar, a agressão e a violência humanas. Chega mesmo a ser surpreendente a “disputa” entre os interlocutores para ver quem mais acumula experiências pessoais, como vítimas ou espectadores, de assaltos, sequestros, ofensas, brigas, atos de vandalismo, crimes e assim por diante. Os casos se sucedem quase sempre acompanhados por uma descrição minuciosa da extraordinária capacidade do homem em causar danos e maus-tratos em seus semelhantes, de forma gratuita, deliberada ou vingativa, e com requintes de crueldade, frieza ou destempero. Quantos de nós não se sentem atraídos por essas histórias e avidamente interessados em ver de perto esses incidentes? Fala-se até que as próprias crianças, hoje em dia, não mais demonstram qualquer perplexidade como testemunhas de cenas reais ou de ficção, que exibem atrocidades sem limites. E, pior ainda, são elas, muitas vezes, os próprios protagonistas dessas cenas de violência.
Se ampliássemos nossa curiosidade e quiséssemos saber que tópico mais absorve as manchetes de jornais e revistas, os programas de televisão, os filmes e livros de sucesso, teríamos seguramente a mesma resposta. O mundo moderno e globalizado nos permite afirmar que se trata, lamentavelmente, de uma tendência quase universal, as exceções ficando por conta de comunidades restritas e isoladas do alcance da tecnologia e do progresso.
Vivemos, então, numa era de violência e agressão ímpares na história da humanidade? Certamente, a violência não é um fenômeno recente, já que ela se faz presente na história da humanidade, em todas as épocas e em todos os lugares. E seriam esses fenômenos irreversíveis em sua marcha, mesmo diante do altíssimo nível de desenvolvimento jamais alcançado pelo homem? Seria desnecessário dizer, mas nem todo progresso é para melhor nem todos os seus benefícios revertem em prol do ser humano. Algumas investidas que se fazem contra o próprio homem, “em nome desse progresso”, nos levam a descrer, em certos momentos, da capacidade humana em discernir entre atos “inteligentes” e atos “primitivos”.
A exacerbada “espetacularização” do fenômeno da agressão na mídia em geral e a iminência de sua “naturalização” – denunciam os estudiosos dessa problemática – obscurecem as perspectivas de convívio social satisfatório pela incontrolabilidade de sua ocorrência e de seus efeitos nefastos e destrutivos. Filósofos, juristas, cientistas políticos, sociólogos e psicólogos debruçam-se, já há algum tempo, sobre o estudo do comportamento agressivo na tentativa de decifrá-lo e, assim, impedir sua progressão e suas consequências. No entanto, a despeito do avanço do conhecimento em tantos setores, com pouco ainda se pode contar, nessa área específica, que possa ser aplicado com sucesso para deter o ritmo vertiginoso da escalada da violência.
(Aroldo Rodrigues e outros. Psicologia Social. P. 204-5)
A passagem “na tentativa de decifrá-lo e, assim, impedir sua progressão e suas consequências”, revela circunstâncias de:
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TEXTO I
Violência contra a Criança
A agressão doméstica é apontada como(a) a principal causa das denúncias de violência contra a criança no país, segundo(b) informações de ONGs brasileiras. Estima-se que ocorram cerca de 500 mil agressões por ano contra criança de até 14 anos, ou seja, quase uma por minuto. Uma em cada três crianças espancadas tem até cinco anos e muitas delas são recém-nascidas. Em 90% dos casos a violência acontece dentro de casa.
Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil registra cerca de 50 mil casos de violência sexual por ano, contra crianças e adolescentes. Mas, de acordo com(b) especialistas, os índices oficiais representam apenas 10% do total de ocorrências.
Em 1999, de acordo com pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo, 78 ONGs de 16 estados brasileiros recebem um total de 6,7 mil denúncias de maus-tratos infantis, número 13 vezes maior que(a) o registrado em 1996.
Relatório da Anistia Internacional de 2000 aponta que crianças brasileiras continuam sendo vítimas de execuções por parte(c) da polícia e de esquadrões da morte em alguns estados, como(d) Acre, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
Quanto aos(c) adolescentes infratores, grande parte está detida em condições que violam o Estatuto da Criança e do Adolescente, como revela relatório sobre(d) a Fundação Estadual do Bem- Estar do Menor (Febem) de São Paulo, elaborado em 2000 pelo Centro de Justiça Global, Movimento Nacional de Direitos Humanos, pela Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura e pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo. O documento estima que mais de 700 internos sofreram agressões cometidas por funcionários da Febem entre novembro de 1999 e maio de 2000. Em média, três internos são espancados ou torturados por dia nas dependências da instituição.
(Guia da Cidadania. Almanaque Abril 2001. P. 31)
Têm o mesmo valor semântico:
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TEXTO I
Violência contra a Criança
A agressão doméstica é apontada como a principal causa das denúncias de violência contra a criança no país, segundo informações de ONGs brasileiras. Estima-se que ocorram cerca de 500 mil agressões por ano contra criança de até 14 anos, ou seja, quase uma por minuto. Uma em cada três crianças espancadas tem até cinco anos e muitas delas são recém-nascidas. Em 90% dos casos a violência acontece dentro de casa.
Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil registra cerca de 50 mil casos de violência sexual por ano, contra crianças e adolescentes. Mas, de acordo com especialistas, os índices oficiais representam apenas 10% do total de ocorrências.
Em 1999, de acordo com pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo, 78 ONGs de 16 estados brasileiros recebem um total de 6,7 mil denúncias de maus-tratos infantis, número 13 vezes maior que o registrado em 1996.
Relatório da Anistia Internacional de 2000 aponta que crianças brasileiras continuam sendo vítimas de execuções por parte da polícia e de esquadrões da morte em alguns estados, como Acre, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
Quanto aos adolescentes infratores, grande parte está detida em condições que violam o Estatuto da Criança e do Adolescente, como revela relatório sobre a Fundação Estadual do Bem- Estar do Menor (Febem) de São Paulo, elaborado em 2000 pelo Centro de Justiça Global, Movimento Nacional de Direitos Humanos, pela Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura e pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo. O documento estima que mais de 700 internos sofreram agressões cometidas por funcionários da Febem entre novembro de 1999 e maio de 2000. Em média, três internos são espancados ou torturados por dia nas dependências da instituição.
(Guia da Cidadania. Almanaque Abril 2001. P. 31)
Com relação às classes de palavras, o que foi empregado nas linhas 11, 14 e 18. São:
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TEXTO II
A Família e as Drogas
Muitos pais, ao se perguntarem por que seus filhos se drogam, não notam que a procura da resposta tende a incluí-los. É comum, em famílias com estrutura geradora de patologias, que o fenômeno não seja percebido com facilidade. É necessário, muitas vezes, que o quadro se agrave para que os outros participantes do grupo familiar se dêem conta de sua inclusão na problemática. Em muitos grupos, e na grande maioria no de adolescentes, experimentam-se drogas, sem, entretanto, evoluírem para uma toxicomania. Até porque, nessa etapa da vida, as pressões do grupo e a necessidade de contestação sistemática como uma prática de liberdade levam rapazes e moças a experimentarem drogas. Isto não quer dizer que todos se tornarão dependentes, ou que venham de famílias, como diz Kalina, pré-aditivas.
Na origem de qualquer drogação, estão a falta de amor e o abandono – a verdadeira origem dessa grave patologia. A utilização da droga, seja de qual espécie for, é sempre um sintoma que denuncia um grave comprometimento com a possibilidade de se lidar com a frustração. O acúmulo de frustrações, as quais desde a mais tenra infância atormentam uma pessoa, a leva a uma total intolerância com o seu viver, com o seu dia-a-dia. Essa vida insuportável é aliviada através da utilização de uma droga, possivelmente como vê ou via seus pais fazerem, muitas vezes de forma socialmente bem aceita, através de um Lexotan, um Rohipnol, um Whisky para relaxar. Ou seja, o efeito psicológico desejado é sempre o de um anestésico para a angústia, mesmo que o efeito físico-químico seja diverso. É comum que anúncios de bebidas e cigarros venham sempre associados a sucesso, dinheiro, felicidade no amor, através de belos homens ou mulheres. É a vida de sucesso, de felicidade plena, ou seja: sem frustrações – o ideal maníaco da felicidade eterna e ininterrupta! Contudo essa não é a forma como o ser humano vive: a angústia irrompe e com ela temos que nos haver – nem todos suportam isso, daí os anestésicos sob a forma do uso continuado de drogas, as mais diferentes. O adolescente é presa fácil desse tipo de apelo: ele também quer ter sucesso, aparecer como importante e crescido. São, contudo, as drogas ditas oficiais as que, na verdade, mais trazem problemas de internações no âmbito da saúde pública: o cigarro, na área de pneumologia, e a bebida, na saúde mental. Normalmente o adolescente começa bebendo, e os pais achando graça do porre do filho – já é homem, pode beber! Contudo, se fumar maconha, escandaliza a todos.
Em muitas casas, em vez de biblioteca na sala, encontramos o bar, ou o bar como altar, onde se fomenta uma cultura do álcool – uma idolatria muitas vezes de funestas conseqüências. É extremamente corriqueiro e até de bom tom oferecer-se uma bebida, quase sempre alcoólica, para a visita que chega. A pergunta é feita, de preferência no diminutivo – quer uma cervejinha, um whiskyzinho, uma batidinha? –, forma que se usa para negar o conteúdo perigoso do álcool. Apesar de sabermos que comer e beber em conjunto sempre foi uma forma que os seres humanos utilizaram para reforçar os laços sociais e religiosos, é necessário também lembrar que, em certas condições, isso pode se tornar uma prática de finalidade oposta, ou seja, não de reforçar, mas de cortar os laços. Grupos de usuários geralmente mantêm-se fechados, inclusive procurando evitar a saída de qualquer membro, devido à intensa inveja que essa saída produz. Os laços com os de fora, com os caretas, não são desejáveis, até porque o grupo se fecha em torno de um discurso extremamente pobre, no qual a temática da droga e seus efeitos é preponderante.
(Luiz Alberto Pinheiro de Freitas. Adolescência, Família e Drogas. P. 42-4)
Como “com o seu dia-a-dia”, e eles se esforçam dia a dia, as expressões destacadas estão corretamente empregadas em:
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Ciro Gomes, candidato derrotado à Presidência, faz parte hoje da equipe do governo Lula, ocupando o Ministério:
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