Foram encontradas 160 questões.
Professora Fernanda leciona Educação Física, nas turmas de 8º e 9º ano, ela planeja suas aulas de forma que o conhecimento possibilite ao estudante realizar de forma autônoma determinada prática corporal, dentro ou fora da escola. A dimensão do conhecimento trabalhada por Fernanda, de acordo a BNCC é:
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Observe o quadro abaixo:
CATEGORIAS | BRINCADEIRAS | JOGOS | ESPORTES |
Diversão | São as mais lúdicas das atividades. | O divertimento está presente em grau menor do que na brincadeira, mas em grau maior do que no esporte. | Atividade com pouca presença de divertimento, pois há cobrança extrema de resultados. Sofrem influência da mídia, da política, da economia, etc. |
Regras | Sem regras fixas. São estipuladas e desfeitas pelos próprios participantes. | Por princípio, há uma sistematização de regras fixas, as quais são importantes para a organização e a motivação em jogar. | As regras são rígidas e universais, organizadas por instâncias superiores aos interesses individuais dos jogadores (Confederações, Federações, Ligas, etc.). |
Ações | Diversão e liberdade de ação, com alto grau de espontaneidade. | Perda de espontaneidade absoluta, seguindo uma ordem estruturada. | A disputa física e a competição são os principais elementos do esporte. |
Resultados | Não há preocupação com resultados ou recompensas extrínsecas. O prazer está no fazer, e não no que se fez. | Existem jogos competitivos e jogos não competitivos. Os primeiros aproximam-se mais do esporte. Os não competitivos aproximam-se das brincadeiras. | Há a necessidade de um alto grau de habilidade, rendimento, especialização e treinamento. |
Formas de jogar | Todas as categorias podem ser individuais ou coletivas. | ||
Exemplos | Fazer embaixadinhas (em sua forma desesportivizada) ou criar outras formas de brincar com uma bola. | Jogo do 3 dentro, 3 fora ou jogo da dupla de pênalti. | Partida do Campeonato Brasileiro ou Copa do Mundo de Futebol. |
O quadro apresenta as principais características de brincadeiras, jogos e esportes relacionadas ao lazer. As informações contidas nele comprovam que
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Karla professora de Educação Física do 7º ano, compreende a vivência das práticas, sem que o aluno precise, necessariamente, experimentá-las corporalmente. A ideia de Karla é que o estudante, por meio das aulas, seja capaz de apreender as manifestações culturais que a prática permite tematizar. Qual a dimensão do conhecimento, segundo a BNCC, é trabalhada pela professora Karla?
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As dimensões do conhecimento, expressas na BNCC, também favorecem a compreensão da profundidade do tratamento que deve ser dado a um objeto, ao definir, de acordo com os níveis de ensino, se a proposta é experimentar, fruir, refletir sobre a ação, analisar, construir valores, compreender, ou mesmo chegar ao nível de protagonismo. O professor Mateus vincula a tematização das práticas corporais à aprendizagem de valores e normas voltadas ao exercício da cidadania, em prol de uma sociedade democrática. Nessa dimensão, a proposta é assegurar a superação de estereótipos e preconceitos expressos nas práticas corporais. Qual a dimensão do conhecimento é trabalhada dentro da perspectiva do professor Matheus?
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Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental, a grande mudança da Educação Física é a entrada do componente na área de Linguagem e tratado no âmbito da cultura. Assim, além dos próprios movimentos a serem trabalhados em determinada prática, as expressões culturais também passam a ser objeto de conhecimento da Educação Física. A BNCC categoriza as práticas corporais em seis unidades temáticas que aparecem ao longo de todo o Ensino Fundamental, que são:
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Na educação, como em outras áreas da vida as pessoas se encontram em um eterno aprendizado, o qual é construído através do corpo. E saber interpretar esse aprendizado é fazer-se sentir, agir, pensar e percebese , o corpo enquanto ferramenta de identidade nós chamamos de corporeidade. Com base nos seus estudos sobre corpo e movimento, analise os itens abaixo:
I- Corporeidade são relações humanas de qualquer ordem que geram situações reais de mundo de indivíduo para indivíduo.
II- A corporeidade é a vivência do corpo nas mais diversas dimensões sejam elas: física, espiritual, cultural, social, ideológica, política e econômica, onde o corpo se dá de maneira interna e externa ao mundo.
III- A corporeidade na escola é de fundamental importância ser manifestada pelas crianças, permitindo a elas interpretar através do corpo o mundo em sua volta como um canal que constrói e reconstrói conhecimento.
IV- A corporeidade do corpo é muito mais do que um ser biológico. A corporeidade é o conhecimento movido pelo corpo enquanto consciência crítica de suas ações, produzindo conhecimento.
V- A cultura corporal de movimento sendo uma prática corporal com seus conteúdos no âmbito escolar, pode contribuir apenas para o desenvolvimento psicomotor.
É incorreto, o que se afirma em:
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Hoje a Educação Física é entendida como uma área de conhecimento da Cultura Corporal de movimento e deve cuidar do corpo não como algo mecânico, visando apenas o desenvolvimento do aspecto físico, independentemente dos demais, como era anteriormente, décadas atrás, mas sim na perspectiva de sua relação com os outros sistemas: o mental, o emocional, o estético, o religioso entre outros. Sobre a Educação Física e a cultura do movimento, considere as assertivas abaixo, colocando V para verdadeira e F para falsa.
( ) A Educação Física para o movimento é a utilização de atividades físicas, motoras e recreativas, com o objetivo de desenvolver a motricidade geral do educando.
( ) A Educação Física visa o ensino e o aprimoramento das capacidades físicas (força, velocidade, etc.) e capacidades motoras de base (coordenação, lateralidade, noção espacial), bem como habilidades específicas, no que insere as técnicas de movimento. A educação centra-se no movimento.
( ) A Educação Física pelo movimento, é um instrumento do processo de aprendizagem que facilita a transmissão de conteúdos ligados ao aspecto cognitivo.
( ) O objetivo central da educação pelo movimento é contribuir no desenvolvimento psicomotor da criança, o que não depende do desenvolvimento de sua personalidade para o sucesso escolar.
A alternativa que apresenta a sequência correta é:
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Alimentação saudável
“Nós somos aquilo que comemos”. Nossa alimentação determina a energia que teremos para passar o dia, como vamos nos relacionar com as atividades e até mesmo com as pessoas. Trabalhar fora ou por longos períodos normalmente faz com que maus hábitos alimentares sejam criados. Seja por falta de tempo ou conveniência, comer o que estiver mais acessível, mesmo que sejam alimentos processados e junk foods, acaba se tornando uma solução simples.
Entretanto, solucionar a fome dessa forma só trará mais problemas, além de influenciar o mau desempenho no trabalho. Se a alimentação não for variada, não será fornecida a quantidade de nutrientes necessários para que você tenha saúde, gerando doenças relacionadas à carência nutritiva.
JÚNIOR, José. Alimentação saudável. Disponível em: <https://bit.ly/2JyqGbq>. Acesso em: 17 jan. 2021.
A frase inicial do texto, “Nós somos aquilo que comemos”, chama a atenção para o fato de que a saúde depende de hábitos saudáveis, nesse sentido distingue a alimentação como fator determinante para
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A Educação Física proporciona o aprimoramento do desenvolvimento motor, principalmente na motricidade do aluno. São habilidades que devem ser trabalhadas na Educação Física visando o desenvolvimento motor, exceto:
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Considere o texto abaixo para responder as questões de 06 a 10
MISSA DO GALO
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, _______ muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos ________ missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo ________ meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era ______ do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, _________ estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. s dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e __________ escravas riam _________ socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se _________ hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
- Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me __________ mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto __________ casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.
- Ainda não foi? Perguntou ela.
- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.
- Que paciência!
Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:
- Não! qual! Acordei por acordar.
Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.
- Mas a hora já ___________ha de estar próxima, disse eu.
- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.
- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.
- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.
- Justamente: é muito bonito.
- Gosta de romances?
- Gosto.
- Já leu a Moreninha?
- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.
- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?
Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.
- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição?
Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranquilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas ideias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.
- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...
Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:
- Mais baixo! Mamãe pode acordar.
E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:
- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.
- Eu também sou assim.
- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.
Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.
- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.
- Foi o que lhe aconteceu hoje.
- Não, não, atalhou ela.
Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:
- Mais baixo, mais baixo...
Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.
- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.
Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.
- São bonitos, disse eu.
- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.
- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.
- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.
A ideia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.
Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.
- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.
Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a ideia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.
Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"
- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.
- Já serão horas? perguntei.
- Naturalmente.
- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.
-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.
E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.
Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis -
Coleção Pretígio - Ediouro - s/d.
Analise as proposições abaixo:
I- No período, “Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um...” a forma verbal destacada está conjugada no pretérito perfeito do indicativo.
II- No período, “Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, ...” a forma verbal penso está conjugada no presente do indicativo, já a forma verbal fechei está conjugada no pretérito perfeito do indicativo e a forma verbal contava está conjugada no pretérito imperfeito do indicativo.
III- No período, “Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá...”a forma verbal destacada está conjugada no pretérito imperfeito do subjuntivo.
IV- No período, “Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha...” a forma verbal fizesse está conjugada no pretérito imperfeito do subjuntivo, já a forma verbal fui está conjugada no pretérito perfeito do indicativo e a forma verbal tornei está conjugada no pretérito perfeito do indicativo.
Está ou estão correta(s)
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