Foram encontradas 564 questões.
Leia o artigo de opinião a seguir e responda a
questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
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questão.
O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
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No Rio de Janeiro, moradores da Penha transformaram a praça em necrotério improvisado, expondo à luz do dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado que o Estado insiste em varrer para as sombras.
I. No período analisado, há três orações;
II. O termo “que o Estado” poderia ser retirado do período para melhorar a construção sintático-semântica;
III. O termo “à luz do dia” exerce função sintática de adjunto adverbial no período;
IV. A vírgula que intercala o termo “No Rio de Janeiro” é desnecessária no período.
Após análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas apenas:
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O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
o-massacre-na-penha-obriga-o-pais-a-escolher/
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O massacre na Penha obriga o país a escolher
Amarílis Costa
(Doutoranda em direitos humanos na Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo)
Enquanto isso, 132 casas amanhecem mais
vazias no Complexo da Penha. E, nessa máquina de
moer gente, morrem também os policiais — homens
pobres, filhos de mulheres que choram do mesmo
lado da trincheira. Não existe vencedor numa guerra
em que o povo perde. Sangramos todos nós. E,
ainda assim, o país não parou diante da pilha de
corpos. A cena de guerra não esvaziou o ponto de
ônibus. Como diria a canção de Criolo, retomamos
as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos
e sorrir esta morna rebeldia.
Criolo, poeta da sobrevivência, escreveu
sem saber que seu refrão seria prenúncio. No Rio
de Janeiro, moradores da Penha transformaram a
praça em necrotério improvisado, expondo à luz do
dia aquilo que o genocídio negro institucionalizado
que o Estado insiste em varrer para as sombras.
Na madrugada de 29 de outubro de 2025, mais de
setenta corpos foram levados por mãos calejadas até
a Praça São Lucas. Corpos de jovens, corpos sem
nome, corpos com documentos no bolso e dignidade
arrancada à bala. O governo contabiliza sessenta e
quatro. A Defensoria fala em cento e trinta e dois.
Entre um número e outro, há o abismo das vidas que
o Estado decide não contar.
Quando o governador se apressa em
declarar “sucesso” à operação, o verbo não se
refere à segurança pública — mas à manutenção da
política de extermínio. É o sucesso de um projeto
antigo, minuciosamente descrito por Ana Flauzina
em Corpo Negro Caído no chão: o sistema penal
como braço operativo do Estado genocida. As mortes
nas favelas não são exceções; são procedimentos,
relatórios, índices que alimentam a indústria da bala,
o discurso moralista e a necropolítica. O Estado
antinegro não apenas mata — ele administra a morte,
calcula o risco, racionaliza a ausência. E quando o
povo da Penha leva os corpos à praça, realiza um
gesto profundamente subversivo: rompe o pacto de silêncio, restitui humanidade ao cadáver e denuncia
o País.
O nome da ação policial — Operação
Contenção — é um ato falho. Flauzina nos ensina que
o racismo é o eixo metodológico do sistema penal.
Eu acrescentaria: é o projeto ontológico do Estado
brasileiro. Enquanto os helicópteros sobrevoam, a
democracia racial implode. Enquanto o governador
sorri, o solo absorve o sangue negro, como tem
feito há séculos. Enquanto as câmeras filmam a
apreensão de fuzis, as famílias apreensivas choram
a perda do que o Direito não alcança nomear.
Essas mortes não são apenas estatísticas,
são expressões do que denomino dano de anulação
existencial. Cada corpo tombado é uma biografia
interrompida pela lógica de um Estado que se
reserva o direito de decidir quem vive e quem
morre. A anulação começa antes da morte: na
escola sucateada, na ausência de saneamento, no
olhar armado da polícia. O crime não é a causa, é
o pretexto. O corpo negro é o crime em si, o alvo
preferencial de um Estado que naturalizou a sua
eliminação.
Não há como invocar a expressão “Estado
Democrático de Direito” enquanto o mais elementar
dos direitos, o de existir, permanece suspenso nas
favelas. Sem responsabilização, sem reparação,
sem ruptura, o país seguirá orbitando o abismo
moral que ele próprio cavou. Enquanto o trono da
branquitude permanecer intocado, seguiremos
lavando copos, contando corpos e sorrindo o riso
amargo da resistência. Porque, como entoa Criolo,
“se fosse pra ter medo dessa estrada, eu não taria há
tanto tempo nessa caminhada”. E é nessa travessia
ensanguentada que o Brasil decidirá se quer ser
nação ou necrotério.
Precisamos refletir que a eleição de 2026 se
avizinha, e com ela a urgência de encarar o projeto
em curso — aquele que nem mesmo a ADPF das
Favelas conseguiu frear. No trono da justiça, uma
cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece
vazia, e essa vacância ecoa o anseio profundo de
um país por uma mulher negra naquele espaço de
poder.
No Brasil, o verbo existir se conjuga em
sangue. Cada gota derramada grita um nome que o
Estado não quer ouvir. No altar profano do chão da
favela, onde repousam os filhos que a nação renega,
este sangue escorre e desenha o mapa real do Brasil
– um país que administra a morte com precisão
burocrática e chama isso de política pública.
Nós sobreviventes seguiremos tentando,
entre o choro e o aço, reinventar o verbo existir.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/
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Analise as frases abaixo, retiradas de Pestana
(2023), e assinale a alternativa em que o uso do
acento grave, representativo da crase, é facultativo:
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Pestana (2023, p. 619) aponta que “As orações
subordinadas adverbiais são chamadas assim
porque exercem função sintática própria de advérbio
em relação à oração principal. Isto é, elas exercem
a função de adjunto adverbial. São iniciadas pelas
conjunções subordinativas [...].”. Dentre os períodos
retirados da gramática de Pestana (2023), assinale
alternativa que apresenta de forma destacada uma
oração subordinada adverbial concessiva:
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Leia o texto a seguir e responda a questão.
Precisamos falar sobre a “adultização”
dos adultos
Francisco Escorsim
Ah, a “adultização” das crianças! Enquanto
escrevo, algumas milhares de pessoas estão
postando sobre o vídeo do tal Felca, esquecidas
dos likes que deram às centenas de mini-influencers por aí.
E muitos desses preocupados são pais que,
embora apregoem a proteção infantil, não veem
problema em ostentar seus próprios filhos como
troféus, em uma busca inconfessada por likes em
seus perfis pessoais, transformando a infância em
conteúdo e, paradoxalmente, adultizando-a em
nome da própria validação.
O que dizer, então, de políticos que advogam
pela liberdade sexual de qualquer ser vivo e,
de repente, aparecem chocadíssimos com as
consequências da sexualização precoce? Acredite
quem quiser.
Sendo direto: se queremos realmente encarar
o problema da “adultização” das crianças, então
temos de começar por adultizar os adultos. Sim,
você leu certo. Proponho uma campanha nacional
de “Adultização de Adultos”.
Comecemos observando o nosso próprio
umbigo digital. Basta um contratempo qualquer
e lá vai você postar: “Não acredito que isso
aconteceu comigo!” Se vem um comentário mais
ácido em algo que você postou ou contra algo de
que você gosta, como reage? A vaidade ferida é
mais forte e se manifesta em toda a sua glória, com
direito a lamúrias, ares de vítima e até uma certa
birra virtual: “Gente, eu só queria paz e um boleto
pago. É pedir muito?”
Onde está a resiliência que tantos
pregam, a capacidade de lidar com frustrações e
adversidades sem desabar (e desabafar)? Será
que realmente amadureceu quem se comporta
virtualmente trocando o choro no cantinho da parede
pelo mimimi nas redes sociais, as patadas no chão
por tweets irados, e a chupeta pelo smartphone que
nos isola em nossa bolha de conforto e indignação
seletiva?
E o que dizer dessa ânsia por validação, que
parece ter contaminado gerações e transformado
a vida em um palco incessante? A foto do prato
de comida antes de comer, com filtros e legendas
elaboradas; os 30 stories do treino na academia,
revelando alguém mais ocupado em registrar o suor
do que em realmente suar, legendando “tá pago”;
o narrador de cada detalhe da sua rotina para uma
plateia invisível de followers, buscando aplausos
para cada passo; as fotos e vídeos de shows a que
não se assiste e dos quais nem se participa mais, apenas se registra para postar depois. E etc. etc. etc.
Se não foi compartilhado, não teve valor?
Se não tem like, não existiu? É sinal de maturidade
quem trocou o diário de adolescente, escondido
debaixo do colchão, pelo Instagram, escancarando
tudo para o mundo, com a “popularidade” virando
um projeto de vida?
E como pais, somos adultos? Não se tornou
rara aquela figura imponente e carinhosa que sabe
dizer “não” com amor e firmeza, que estabelece
limites claros e inegociáveis para o bem-estar e a
formação do caráter? Em contraste, ou talvez como
consequência, abundam pais que têm medo de dizer
“não” para não “traumatizar” o filho, cedendo a cada
capricho e transformando a casa em um reino sem
rei. Não faltam mães cúmplices das tolas vaidades
da filha para ser a sua “melhor amiga”, diluindo a
autoridade e a responsabilidade de guiar. A linha
entre ser pai/mãe e ser “parça” ficou tão tênue que,
às vezes, não se sabe mais quem está educando
quem.
E a nossa responsabilidade digital com
nossos filhos? Ah, mas é tão fofo no feed... O bebê
na banheira, a criança cantando no carro, fazendo
compras no supermercado, o boletim escolar do
primogênito com a nota máxima em Matemática...
Tudo vira conteúdo, espetáculo. E depois? Quem
paga a conta da exposição? A criança que, daqui
a 10, 15 anos, constata que teve sua infância
inteira eternizada (e talvez ridicularizada ou usada
indevidamente) na internet sem seu consentimento,
sem ter voz sobre sua própria narrativa digital?
Se compartilhamos toda e qualquer coisa
que aparece na tela, sem questionar a fonte, sem
discernir o que é real do que é fabricado, sem pensar
nas consequências de longo prazo, como vamos
ensinar nossos filhos a filtrar o que é bom, o que
é verdade, o que é relevante em um oceano de
informações e desinformações? Afinal, o exemplo
arrasta. E arrasta para onde? Para um futuro onde
a privacidade é uma lenda e a superficialidade a
regra?
Eu sei, a proposta de “adultização dos
adultos” não tem como escapar de parecer um
sermão moralista ou um dedo em riste, com o
propositor parecendo se colocar no papel de adulto
na sala. Não sou, cometo erros e deslizes também
como pai, tropeço na vaidade nas redes sociais.
Ser adulto não é ser perfeito, mas ter consciência
de sua imperfeição e da responsabilidade por tentar
ser melhor. É uma responsabilidade ativa: assumir
as rédeas da própria vida, das próprias escolhas e,
principalmente, da proteção e educação dos filhos,
sem delegar tudo à “bolha” digital, à escola, à babá
eletrônica ou a projetos de lei censurando redes
sociais.
É sobre afiar o senso crítico, para não sermos
meros consumidores passivos de informação e
tendências vazias, ensinando nossos filhos, pelo
exemplo, a questionar, a discernir e a construir seu próprio pensamento. É sobre estabelecer limites
e consistência para si e para eles, com amor,
mostrando que ser adulto é também ser guia,
referência e porto seguro, e que o “não” dito com
carinho é tão importante quanto o “sim” dado com
um sorriso.
Eis aí uma revolução silenciosa,
sem hashtags ou dancinhas virais, mas com chance
de ter resultados mais profundos e duradouros na
formação de uma nova geração. Que a nossa própria
“adultização” seja, portanto, a melhor homenagem
à infância que queremos proteger e o legado mais
valioso que podemos deixar. O mundo agradece, e
as crianças, mais ainda.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br
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Precisamos falar sobre a “adultização”
dos adultos
Francisco Escorsim
Ah, a “adultização” das crianças! Enquanto
escrevo, algumas milhares de pessoas estão
postando sobre o vídeo do tal Felca, esquecidas
dos likes que deram às centenas de mini-influencers por aí.
E muitos desses preocupados são pais que,
embora apregoem a proteção infantil, não veem
problema em ostentar seus próprios filhos como
troféus, em uma busca inconfessada por likes em
seus perfis pessoais, transformando a infância em
conteúdo e, paradoxalmente, adultizando-a em
nome da própria validação.
O que dizer, então, de políticos que advogam
pela liberdade sexual de qualquer ser vivo e,
de repente, aparecem chocadíssimos com as
consequências da sexualização precoce? Acredite
quem quiser.
Sendo direto: se queremos realmente encarar
o problema da “adultização” das crianças, então
temos de começar por adultizar os adultos. Sim,
você leu certo. Proponho uma campanha nacional
de “Adultização de Adultos”.
Comecemos observando o nosso próprio
umbigo digital. Basta um contratempo qualquer
e lá vai você postar: “Não acredito que isso
aconteceu comigo!” Se vem um comentário mais
ácido em algo que você postou ou contra algo de
que você gosta, como reage? A vaidade ferida é
mais forte e se manifesta em toda a sua glória, com
direito a lamúrias, ares de vítima e até uma certa
birra virtual: “Gente, eu só queria paz e um boleto
pago. É pedir muito?”
Onde está a resiliência que tantos
pregam, a capacidade de lidar com frustrações e
adversidades sem desabar (e desabafar)? Será
que realmente amadureceu quem se comporta
virtualmente trocando o choro no cantinho da parede
pelo mimimi nas redes sociais, as patadas no chão
por tweets irados, e a chupeta pelo smartphone que
nos isola em nossa bolha de conforto e indignação
seletiva?
E o que dizer dessa ânsia por validação, que
parece ter contaminado gerações e transformado
a vida em um palco incessante? A foto do prato
de comida antes de comer, com filtros e legendas
elaboradas; os 30 stories do treino na academia,
revelando alguém mais ocupado em registrar o suor
do que em realmente suar, legendando “tá pago”;
o narrador de cada detalhe da sua rotina para uma
plateia invisível de followers, buscando aplausos
para cada passo; as fotos e vídeos de shows a que
não se assiste e dos quais nem se participa mais, apenas se registra para postar depois. E etc. etc. etc.
Se não foi compartilhado, não teve valor?
Se não tem like, não existiu? É sinal de maturidade
quem trocou o diário de adolescente, escondido
debaixo do colchão, pelo Instagram, escancarando
tudo para o mundo, com a “popularidade” virando
um projeto de vida?
E como pais, somos adultos? Não se tornou
rara aquela figura imponente e carinhosa que sabe
dizer “não” com amor e firmeza, que estabelece
limites claros e inegociáveis para o bem-estar e a
formação do caráter? Em contraste, ou talvez como
consequência, abundam pais que têm medo de dizer
“não” para não “traumatizar” o filho, cedendo a cada
capricho e transformando a casa em um reino sem
rei. Não faltam mães cúmplices das tolas vaidades
da filha para ser a sua “melhor amiga”, diluindo a
autoridade e a responsabilidade de guiar. A linha
entre ser pai/mãe e ser “parça” ficou tão tênue que,
às vezes, não se sabe mais quem está educando
quem.
E a nossa responsabilidade digital com
nossos filhos? Ah, mas é tão fofo no feed... O bebê
na banheira, a criança cantando no carro, fazendo
compras no supermercado, o boletim escolar do
primogênito com a nota máxima em Matemática...
Tudo vira conteúdo, espetáculo. E depois? Quem
paga a conta da exposição? A criança que, daqui
a 10, 15 anos, constata que teve sua infância
inteira eternizada (e talvez ridicularizada ou usada
indevidamente) na internet sem seu consentimento,
sem ter voz sobre sua própria narrativa digital?
Se compartilhamos toda e qualquer coisa
que aparece na tela, sem questionar a fonte, sem
discernir o que é real do que é fabricado, sem pensar
nas consequências de longo prazo, como vamos
ensinar nossos filhos a filtrar o que é bom, o que
é verdade, o que é relevante em um oceano de
informações e desinformações? Afinal, o exemplo
arrasta. E arrasta para onde? Para um futuro onde
a privacidade é uma lenda e a superficialidade a
regra?
Eu sei, a proposta de “adultização dos
adultos” não tem como escapar de parecer um
sermão moralista ou um dedo em riste, com o
propositor parecendo se colocar no papel de adulto
na sala. Não sou, cometo erros e deslizes também
como pai, tropeço na vaidade nas redes sociais.
Ser adulto não é ser perfeito, mas ter consciência
de sua imperfeição e da responsabilidade por tentar
ser melhor. É uma responsabilidade ativa: assumir
as rédeas da própria vida, das próprias escolhas e,
principalmente, da proteção e educação dos filhos,
sem delegar tudo à “bolha” digital, à escola, à babá
eletrônica ou a projetos de lei censurando redes
sociais.
É sobre afiar o senso crítico, para não sermos
meros consumidores passivos de informação e
tendências vazias, ensinando nossos filhos, pelo
exemplo, a questionar, a discernir e a construir seu próprio pensamento. É sobre estabelecer limites
e consistência para si e para eles, com amor,
mostrando que ser adulto é também ser guia,
referência e porto seguro, e que o “não” dito com
carinho é tão importante quanto o “sim” dado com
um sorriso.
Eis aí uma revolução silenciosa,
sem hashtags ou dancinhas virais, mas com chance
de ter resultados mais profundos e duradouros na
formação de uma nova geração. Que a nossa própria
“adultização” seja, portanto, a melhor homenagem
à infância que queremos proteger e o legado mais
valioso que podemos deixar. O mundo agradece, e
as crianças, mais ainda.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br
I. Na oração em análise, temos um sujeito simples em que o núcleo, morfologicamente, é um pronome indefinido.
II. Quanto ao predicado, temos um predicado verbal.
III. Na oração em análise, o verbo, quanto à transitividade, classifica-se como verbo transitivo direto.
IV. O verbo copulativo “vira” liga o sujeito ao predicativo do sujeito.
Após análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas:
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir e responda a questão.
Precisamos falar sobre a “adultização”
dos adultos
Francisco Escorsim
Ah, a “adultização” das crianças! Enquanto
escrevo, algumas milhares de pessoas estão
postando sobre o vídeo do tal Felca, esquecidas
dos likes que deram às centenas de mini-influencers por aí.
E muitos desses preocupados são pais que,
embora apregoem a proteção infantil, não veem
problema em ostentar seus próprios filhos como
troféus, em uma busca inconfessada por likes em
seus perfis pessoais, transformando a infância em
conteúdo e, paradoxalmente, adultizando-a em
nome da própria validação.
O que dizer, então, de políticos que advogam
pela liberdade sexual de qualquer ser vivo e,
de repente, aparecem chocadíssimos com as
consequências da sexualização precoce? Acredite
quem quiser.
Sendo direto: se queremos realmente encarar
o problema da “adultização” das crianças, então
temos de começar por adultizar os adultos. Sim,
você leu certo. Proponho uma campanha nacional
de “Adultização de Adultos”.
Comecemos observando o nosso próprio
umbigo digital. Basta um contratempo qualquer
e lá vai você postar: “Não acredito que isso
aconteceu comigo!” Se vem um comentário mais
ácido em algo que você postou ou contra algo de
que você gosta, como reage? A vaidade ferida é
mais forte e se manifesta em toda a sua glória, com
direito a lamúrias, ares de vítima e até uma certa
birra virtual: “Gente, eu só queria paz e um boleto
pago. É pedir muito?”
Onde está a resiliência que tantos
pregam, a capacidade de lidar com frustrações e
adversidades sem desabar (e desabafar)? Será
que realmente amadureceu quem se comporta
virtualmente trocando o choro no cantinho da parede
pelo mimimi nas redes sociais, as patadas no chão
por tweets irados, e a chupeta pelo smartphone que
nos isola em nossa bolha de conforto e indignação
seletiva?
E o que dizer dessa ânsia por validação, que
parece ter contaminado gerações e transformado
a vida em um palco incessante? A foto do prato
de comida antes de comer, com filtros e legendas
elaboradas; os 30 stories do treino na academia,
revelando alguém mais ocupado em registrar o suor
do que em realmente suar, legendando “tá pago”;
o narrador de cada detalhe da sua rotina para uma
plateia invisível de followers, buscando aplausos
para cada passo; as fotos e vídeos de shows a que
não se assiste e dos quais nem se participa mais, apenas se registra para postar depois. E etc. etc. etc.
Se não foi compartilhado, não teve valor?
Se não tem like, não existiu? É sinal de maturidade
quem trocou o diário de adolescente, escondido
debaixo do colchão, pelo Instagram, escancarando
tudo para o mundo, com a “popularidade” virando
um projeto de vida?
E como pais, somos adultos? Não se tornou
rara aquela figura imponente e carinhosa que sabe
dizer “não” com amor e firmeza, que estabelece
limites claros e inegociáveis para o bem-estar e a
formação do caráter? Em contraste, ou talvez como
consequência, abundam pais que têm medo de dizer
“não” para não “traumatizar” o filho, cedendo a cada
capricho e transformando a casa em um reino sem
rei. Não faltam mães cúmplices das tolas vaidades
da filha para ser a sua “melhor amiga”, diluindo a
autoridade e a responsabilidade de guiar. A linha
entre ser pai/mãe e ser “parça” ficou tão tênue que,
às vezes, não se sabe mais quem está educando
quem.
E a nossa responsabilidade digital com
nossos filhos? Ah, mas é tão fofo no feed... O bebê
na banheira, a criança cantando no carro, fazendo
compras no supermercado, o boletim escolar do
primogênito com a nota máxima em Matemática...
Tudo vira conteúdo, espetáculo. E depois? Quem
paga a conta da exposição? A criança que, daqui
a 10, 15 anos, constata que teve sua infância
inteira eternizada (e talvez ridicularizada ou usada
indevidamente) na internet sem seu consentimento,
sem ter voz sobre sua própria narrativa digital?
Se compartilhamos toda e qualquer coisa
que aparece na tela, sem questionar a fonte, sem
discernir o que é real do que é fabricado, sem pensar
nas consequências de longo prazo, como vamos
ensinar nossos filhos a filtrar o que é bom, o que
é verdade, o que é relevante em um oceano de
informações e desinformações? Afinal, o exemplo
arrasta. E arrasta para onde? Para um futuro onde
a privacidade é uma lenda e a superficialidade a
regra?
Eu sei, a proposta de “adultização dos
adultos” não tem como escapar de parecer um
sermão moralista ou um dedo em riste, com o
propositor parecendo se colocar no papel de adulto
na sala. Não sou, cometo erros e deslizes também
como pai, tropeço na vaidade nas redes sociais.
Ser adulto não é ser perfeito, mas ter consciência
de sua imperfeição e da responsabilidade por tentar
ser melhor. É uma responsabilidade ativa: assumir
as rédeas da própria vida, das próprias escolhas e,
principalmente, da proteção e educação dos filhos,
sem delegar tudo à “bolha” digital, à escola, à babá
eletrônica ou a projetos de lei censurando redes
sociais.
É sobre afiar o senso crítico, para não sermos
meros consumidores passivos de informação e
tendências vazias, ensinando nossos filhos, pelo
exemplo, a questionar, a discernir e a construir seu próprio pensamento. É sobre estabelecer limites
e consistência para si e para eles, com amor,
mostrando que ser adulto é também ser guia,
referência e porto seguro, e que o “não” dito com
carinho é tão importante quanto o “sim” dado com
um sorriso.
Eis aí uma revolução silenciosa,
sem hashtags ou dancinhas virais, mas com chance
de ter resultados mais profundos e duradouros na
formação de uma nova geração. Que a nossa própria
“adultização” seja, portanto, a melhor homenagem
à infância que queremos proteger e o legado mais
valioso que podemos deixar. O mundo agradece, e
as crianças, mais ainda.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br
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Precisamos falar sobre a “adultização”
dos adultos
Francisco Escorsim
Ah, a “adultização” das crianças! Enquanto
escrevo, algumas milhares de pessoas estão
postando sobre o vídeo do tal Felca, esquecidas
dos likes que deram às centenas de mini-influencers por aí.
E muitos desses preocupados são pais que,
embora apregoem a proteção infantil, não veem
problema em ostentar seus próprios filhos como
troféus, em uma busca inconfessada por likes em
seus perfis pessoais, transformando a infância em
conteúdo e, paradoxalmente, adultizando-a em
nome da própria validação.
O que dizer, então, de políticos que advogam
pela liberdade sexual de qualquer ser vivo e,
de repente, aparecem chocadíssimos com as
consequências da sexualização precoce? Acredite
quem quiser.
Sendo direto: se queremos realmente encarar
o problema da “adultização” das crianças, então
temos de começar por adultizar os adultos. Sim,
você leu certo. Proponho uma campanha nacional
de “Adultização de Adultos”.
Comecemos observando o nosso próprio
umbigo digital. Basta um contratempo qualquer
e lá vai você postar: “Não acredito que isso
aconteceu comigo!” Se vem um comentário mais
ácido em algo que você postou ou contra algo de
que você gosta, como reage? A vaidade ferida é
mais forte e se manifesta em toda a sua glória, com
direito a lamúrias, ares de vítima e até uma certa
birra virtual: “Gente, eu só queria paz e um boleto
pago. É pedir muito?”
Onde está a resiliência que tantos
pregam, a capacidade de lidar com frustrações e
adversidades sem desabar (e desabafar)? Será
que realmente amadureceu quem se comporta
virtualmente trocando o choro no cantinho da parede
pelo mimimi nas redes sociais, as patadas no chão
por tweets irados, e a chupeta pelo smartphone que
nos isola em nossa bolha de conforto e indignação
seletiva?
E o que dizer dessa ânsia por validação, que
parece ter contaminado gerações e transformado
a vida em um palco incessante? A foto do prato
de comida antes de comer, com filtros e legendas
elaboradas; os 30 stories do treino na academia,
revelando alguém mais ocupado em registrar o suor
do que em realmente suar, legendando “tá pago”;
o narrador de cada detalhe da sua rotina para uma
plateia invisível de followers, buscando aplausos
para cada passo; as fotos e vídeos de shows a que
não se assiste e dos quais nem se participa mais, apenas se registra para postar depois. E etc. etc. etc.
Se não foi compartilhado, não teve valor?
Se não tem like, não existiu? É sinal de maturidade
quem trocou o diário de adolescente, escondido
debaixo do colchão, pelo Instagram, escancarando
tudo para o mundo, com a “popularidade” virando
um projeto de vida?
E como pais, somos adultos? Não se tornou
rara aquela figura imponente e carinhosa que sabe
dizer “não” com amor e firmeza, que estabelece
limites claros e inegociáveis para o bem-estar e a
formação do caráter? Em contraste, ou talvez como
consequência, abundam pais que têm medo de dizer
“não” para não “traumatizar” o filho, cedendo a cada
capricho e transformando a casa em um reino sem
rei. Não faltam mães cúmplices das tolas vaidades
da filha para ser a sua “melhor amiga”, diluindo a
autoridade e a responsabilidade de guiar. A linha
entre ser pai/mãe e ser “parça” ficou tão tênue que,
às vezes, não se sabe mais quem está educando
quem.
E a nossa responsabilidade digital com
nossos filhos? Ah, mas é tão fofo no feed... O bebê
na banheira, a criança cantando no carro, fazendo
compras no supermercado, o boletim escolar do
primogênito com a nota máxima em Matemática...
Tudo vira conteúdo, espetáculo. E depois? Quem
paga a conta da exposição? A criança que, daqui
a 10, 15 anos, constata que teve sua infância
inteira eternizada (e talvez ridicularizada ou usada
indevidamente) na internet sem seu consentimento,
sem ter voz sobre sua própria narrativa digital?
Se compartilhamos toda e qualquer coisa
que aparece na tela, sem questionar a fonte, sem
discernir o que é real do que é fabricado, sem pensar
nas consequências de longo prazo, como vamos
ensinar nossos filhos a filtrar o que é bom, o que
é verdade, o que é relevante em um oceano de
informações e desinformações? Afinal, o exemplo
arrasta. E arrasta para onde? Para um futuro onde
a privacidade é uma lenda e a superficialidade a
regra?
Eu sei, a proposta de “adultização dos
adultos” não tem como escapar de parecer um
sermão moralista ou um dedo em riste, com o
propositor parecendo se colocar no papel de adulto
na sala. Não sou, cometo erros e deslizes também
como pai, tropeço na vaidade nas redes sociais.
Ser adulto não é ser perfeito, mas ter consciência
de sua imperfeição e da responsabilidade por tentar
ser melhor. É uma responsabilidade ativa: assumir
as rédeas da própria vida, das próprias escolhas e,
principalmente, da proteção e educação dos filhos,
sem delegar tudo à “bolha” digital, à escola, à babá
eletrônica ou a projetos de lei censurando redes
sociais.
É sobre afiar o senso crítico, para não sermos
meros consumidores passivos de informação e
tendências vazias, ensinando nossos filhos, pelo
exemplo, a questionar, a discernir e a construir seu próprio pensamento. É sobre estabelecer limites
e consistência para si e para eles, com amor,
mostrando que ser adulto é também ser guia,
referência e porto seguro, e que o “não” dito com
carinho é tão importante quanto o “sim” dado com
um sorriso.
Eis aí uma revolução silenciosa,
sem hashtags ou dancinhas virais, mas com chance
de ter resultados mais profundos e duradouros na
formação de uma nova geração. Que a nossa própria
“adultização” seja, portanto, a melhor homenagem
à infância que queremos proteger e o legado mais
valioso que podemos deixar. O mundo agradece, e
as crianças, mais ainda.
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