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De onde vem minha habilidade no futebol

Por Fabrício Carpinejar


Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as palavras retiradas do texto às suas respectivas classes gramaticais.
Coluna 1 1. Adjetivo. 2. Advérbio. 3. Conjunção. 4. Pronome.
Coluna 2 ( ) Bem (l. 01). ( ) Minha (l. 01). ( ) Imaginários (l. 04). ( ) Ou (l. 06).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

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De onde vem minha habilidade no futebol

Por Fabrício Carpinejar


Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na boca”, retirado do texto, assinale a alternativa que apresenta a correta classificação do termo sublinhado.
 

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Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No fragmento “Diante da piada pronta, precisava ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro”, retirado do texto, o autor utiliza duas vezes a figura de linguagem denominada:
 

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Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Segundo o exposto pelo texto, assinale a alternativa correta.
 

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Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

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levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. Os irmãos do autor e ele contavam apenas com um par de abrigos para o ano, sem possibilidade de substituição caso um deles se estragasse durante as brincadeiras.
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II. Quando um abrigo estragava, os pais do autor enviavam o abrigo danificado para a costureira, com o propósito de colocar remendo de couro, demonstrando uma atitude considerada cafona pelo autor.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
 

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O Programa do Governo Federal que tem como pilares estruturantes o respeito às diferenças constitutivas das mulheres e de suas interseccionalidades raciais, étnicas, de orientação sexual e de identidade de gênero, das pessoas com deficiência, geracionais, regionais e de territórios. Destacam-se, dessa forma, as mulheres pertencentes a grupos que sofreram injustiças históricas e sofrem com os impactos dessas injustiças praticadas no passado pela escravização, como são as mulheres indígenas, negras (pretas e pardas) e quilombolas. O Programa oferta cursos de qualificação profissional, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Qual é o nome desse Programa?
 

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Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.




(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a- minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o fragmento “As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume”, retirado do texto, assinale a alternativa que apresenta a correta classificação do sujeito.
 

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De onde vem minha habilidade no futebol

Por Fabrício Carpinejar

Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.




(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a- minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o fragmento “A quadra da escola em que estudei no ensino fundamental — Escola Municipal Imperatriz Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita”, retirado do texto, o verbo sublinhado é classificado como:
 

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Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.




(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a- minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que NÃO poderia substituir corretamente o vocábulo “cômica” (l. 02).
 

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e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.




(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a- minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Sobre o texto, analise as assertivas a seguir:
I. O autor demonstra resistência física ao jogar futebol, evitando quedas e mantendo-se de pé mesmo diante de adversidades como carrinhos, trombadas e voadoras. II. A resiliência do autor em não se entregar no jogo de futebol é atribuída a um trauma pessoal que o condicionou a evitar cair durante as partidas. III. A escola em que o autor estudou no Ensino Médio tinha uma quadra de piche e brita, o que pode ter contribuído para o desenvolvimento de sua habilidade em se manter de pé e evitar quedas no futebol.
Quais estão corretas?
 

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