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De onde vem minha habilidade no futebol

Por Fabrício Carpinejar


Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Segundo o exposto pelo texto, assinale a alternativa correta.
 

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De onde vem minha habilidade no futebol

Por Fabrício Carpinejar


Quem já me viu jogando futebol — sim, eu jogo bem, apesar da minha postura inofensiva

e cômica de gafanhoto — sabe que evito cair. Não tombo com facilidade. Não rolo no chão. Posso

levar peteleco no calcanhar, carrinho, trombada, voadora, e faço de tudo para me manter de pé.

Cambaleio, porém jamais me entrego. Tento me segurar em corrimões imaginários ou nas costas

dos meus adversários.

Eu mesmo me driblo, se for o caso. Prefiro seguir adiante a cavar uma falta ou um pênalti

e parar o jogo.

Minha resiliência partiu de um trauma, que me condicionou a jamais beijar o gramado na

boca.

A quadra da escola em que estudei no Ensino Fundamental — Escola Municipal Imperatriz

Leopoldina, no bairro Petrópolis — era simplesmente de piche e brita.

Uma BR seria mais convidativa. Uma pista de aeroporto seria mais confortável.

As pedras saltavam do solo escuro, pequenas lâminas e facas refletindo o sol.

Cair ali somente em último caso. Não fingia, não me dava ao luxo de fazer cera.

Eu me desequilibrava, tonteava, e permanecia ereto, de queixo erguido, aos trancos e

barrancos.

Tinha que sobreviver. Tinha noção do quanto custaria cada queda. Ficaria absolutamente

esfolado, como presunto fatiado em guilhotina de açougue.

Você não se machucava, você se acidentava. Tão grave quanto cair de uma moto.

As feridas terminavam absolutamente infeccionadas com o betume.

Havia a necessidade de limpar a pele com água oxigenada — e como ardia — e depois

pincelar camadas de mercúrio-cromo — e como ardia.

As sequelas continuavam doendo na hora de tomar o banho e de dormir.

Minha habilidade com a bola foi forjada a evitar aquela sensação da calça colando no corpo.

Nenhum band-aid era capaz de cobrir os ferimentos. Ao me machucar, sofria para colocar

ou tirar a roupa.

Isso quando o abrigo não rasgava por inteiro e vinha o suplício. Pois meus irmãos e eu

contávamos com um par de abrigos para o ano, e os pais não compravam outro.

Se estragávamos um deles em nossas peladas indevidas durante o recreio, a família

mandava para a costureira com o propósito cafona de colocar remendo de couro.

Começava o bullying. Vivíamos vestidos para uma festa junina.

Lembro que uma vez rasguei os fundilhos da calça descendo um barranco e, para minha

surpresa, recebi de volta a peça com um remendo de couro no traseiro.

Eu entrava na escola já com uma sela embutida em mim. Diante da piada pronta, precisava

ser, pelo menos, rápido como um cavalo nas notas, e nunca lento como um burro.

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/de-onde-vem-a-minhahabilidade-no-futebol-cluwxbocp00bg01czsf1xfzxe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. Os irmãos do autor e ele contavam apenas com um par de abrigos para o ano, sem possibilidade de substituição caso um deles se estragasse durante as brincadeiras.
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II. Quando um abrigo estragava, os pais do autor enviavam o abrigo danificado para a costureira, com o propósito de colocar remendo de couro, demonstrando uma atitude considerada cafona pelo autor.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
 

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3315231 Ano: 2024
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) é uma legislação fundamental para garantir o direito à educação de qualidade para todos os cidadãos brasileiros, incluindo os surdos. No caso da educação bilíngue de surdos, a LDB:
I. Reconhece a Libras como língua de sinais oficial no Brasil, o que significa que os surdos têm o direito de serem educados na sua língua natural. II. Assegura o direito dos surdos à educação bilíngue, ou seja, a possibilidade de aprender a Libras sinalizada e escrita, isentando a obrigatoriedade em Língua Portuguesa, de forma a facilitar a aprendizagem e o desenvolvimento bilíngue dos estudantes. III. Estabelece diretrizes para a formação de professores de educação bilíngue de surdos, garantindo que esses profissionais estejam capacitados para atuar de forma eficaz no ensino de surdos. IV. Preconiza a inclusão dos surdos no sistema educacional regular, garantindo que esses estudantes tenham principal função da LDB.
Quais estão corretas?
 

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3315230 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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No Brasil, nas duas últimas décadas, políticas afirmativas promoveram conquistas sociais para as comunidades surdas, acarretando avanços que levaram à expansão do mercado de trabalho para intérpretes e tradutores de língua brasileira de sinais e língua portuguesa. Quais são os requisitos necessários para se tornar um tradutor e intérprete da Líbras, segundo a regulamentação da profissão?
 

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3315229 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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A regulamentação da profissão do tradutor e intérprete da libras foi uma conquista importante da comunidade surda, tendo como principal objetivo:
 

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3315228 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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Qual é o principal objetivo das políticas de inclusão para surdos?
 

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3315227 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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Qual dos seguintes aspectos influencia significativamente a aquisição da linguagem por crianças surdas?
 

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3315226 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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De acordo com as Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, qual é o papel da escola em relação à cultura e identidade surda?
 

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3315225 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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Em relação aos aspectos linguísticos da Língua Brasileira de Sinais (Libras), assinale a alternativa correta.
 

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3315224 Ano: 2024
Disciplina: Libras
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Cidreira-RS
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Qual dos seguintes fatores podem afetar negativamente a aquisição da linguagem por crianças surdas?
 

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