Foram encontradas 260 questões.
Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
Provas
Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,
logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano
Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando
responder à questão 23, uma pergunta de
interpretação de texto que citava duas músicas suas:
“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).
“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,
disse Caetano — que acabou preferindo a D (o
gabarito indicava B).
A cena lembra uma entrevista de 2012, com o
pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor
da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na
cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa
mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis
de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas
Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de
aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas
certas, mas o processo de pensar.”
Rubem considerava o vestibular uma
aberração, e não julgava possível reinventar esse
modelo de seleção para torná-lo realmente justo.
Rubem argumenta que os vestibulares forçam
as escolas a montarem seus currículos e sistemas de
avaliação com o objetivo de treinar os alunos para
esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,
então, passa a achar que inteligência é sinônimo de
gabaritar uma prova.
Na cabeça dos pais mais durões, educação é
sinônimo de memorização. Diretores e professores
exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes
no começo do ano com a lista de aprovados para
cursos de nível superior, sem consideração pela
violência psicológica infligida aos supostos maus
alunos.
É de se admitir que o Enem foi um avanço em
relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque
os alunos fazem uma única prova para concorrer a
várias instituições, o que amplia um bocado o leque
de opções. Mas também porque o Enem se esforça
para ser mais interpretativo que conteudista: várias
questões são autossuficientes, dependem só do que
está escrito na prova, e não de conhecimento prévio
extremamente específico.
Mesmo assim, ainda se trata de uma prova
exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma
redação em moldes muitos restritivos — que mede
mais o quanto o candidato treinou para o Enem do
que sua real capacidade de se expressar em
português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez
ano que vem.
Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).
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- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
O livro físico tem sido uma ferramenta
pedagógica confiável ao longo da história da
educação. Entretanto, a comparação entre o livro
impresso e a leitura por meio de mídias eletrônicas
como tablets, computadores ou leitores digitais (e-
readers) provoca reações apaixonadas entre usuários
ávidos por tecnologias digitais e bibliófilos. Muitos
educadores sustentam que a leitura de livros físicos
permite que os alunos desenvolvam habilidades de
concentração, imaginação e reflexão crítica.
Uma das principais vantagens do livro físico é a
sensação tátil que ele oferece aos leitores. Estudos
indicam que a interação com um livro impresso ativa
áreas sensoriais do cérebro que podem não ser
estimuladas da mesma forma pela leitura digital. A
sensação de virar uma página, sentir o peso do livro e
até mesmo o cheiro das páginas contribui para uma
experiência de aprendizado mais rica e memorável.
Experiências práticas de inserção de livros
digitais como plataformas únicas no ensino básico
têm-se mostrado ineficientes e ineficazes, podendo,
inclusive, agravar situações de baixo nível de leitura na
idade adequada.
Soma-se à questão do manuseio do livro físico
a possibilidade de interação manual com os objetos
de escrita. Segundo os pesquisadores Anne Mangen e
Jean-Luc Velay, da Universidade de Stavanger, na
Noruega, escrever à mão fortalece o processo de
aprendizagem, ao passo que, ao digitar no
computador, esse processo é de fato comprometido.
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”,
realizada em 2020, evidencia que, ao menos entre os
apreciadores de literatura, 70% preferem os livros
físicos. Assim, o papel parece estar longe de se esvair!
Quem não verifica o quanto já leu e o quanto
falta ler pela quantidade de páginas que ainda resta
para a conclusão do livro?!
Outro fator interessante é a posição física do
texto em relação às páginas. Para pessoas que
desenvolvem uma comunicação
predominantemente visual com a realidade, é
comum a lembrança da posição e da imagem do
texto nas páginas, fenômeno não observado na leitura
em equipamentos de leitura digital.
Uma vantagem indiscutível dos livros digitais
consiste no preço a ser pago por uma obra e na
praticidade em comprar e obter acesso imediato. É
evidente que a obra digital será sensivelmente mais
barata que o livro físico por todas as questões de
produção e logística envolvidas, aspecto que pode
apontar para uma democratização da oferta de obras
diversas, visto que o acesso às plataformas digitais
está cada vez maior.
Não devemos ser saudosistas na manutenção
de uma plataforma em detrimento das novas, sob o
risco de defendermos os pergaminhos em vez dos
livros que lhes sobrepujaram, mas devemos observar
tecnicamente as vantagens e desvantagens de uma e
de outra plataforma.
Márcio S. Vieira. Muito além de uma paixão. Escrita Viva, ano 8, ed. 103, Editora Escala, 2023 (com adaptações)
Provas
O livro físico tem sido uma ferramenta
pedagógica confiável ao longo da história da
educação. Entretanto, a comparação entre o livro
impresso e a leitura por meio de mídias eletrônicas
como tablets, computadores ou leitores digitais (e-
readers) provoca reações apaixonadas entre usuários
ávidos por tecnologias digitais e bibliófilos. Muitos
educadores sustentam que a leitura de livros físicos
permite que os alunos desenvolvam habilidades de
concentração, imaginação e reflexão crítica.
Uma das principais vantagens do livro físico é a
sensação tátil que ele oferece aos leitores. Estudos
indicam que a interação com um livro impresso ativa
áreas sensoriais do cérebro que podem não ser
estimuladas da mesma forma pela leitura digital. A
sensação de virar uma página, sentir o peso do livro e
até mesmo o cheiro das páginas contribui para uma
experiência de aprendizado mais rica e memorável.
Experiências práticas de inserção de livros
digitais como plataformas únicas no ensino básico
têm-se mostrado ineficientes e ineficazes, podendo,
inclusive, agravar situações de baixo nível de leitura na
idade adequada.
Soma-se à questão do manuseio do livro físico
a possibilidade de interação manual com os objetos
de escrita. Segundo os pesquisadores Anne Mangen e
Jean-Luc Velay, da Universidade de Stavanger, na
Noruega, escrever à mão fortalece o processo de
aprendizagem, ao passo que, ao digitar no
computador, esse processo é de fato comprometido.
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”,
realizada em 2020, evidencia que, ao menos entre os
apreciadores de literatura, 70% preferem os livros
físicos. Assim, o papel parece estar longe de se esvair!
Quem não verifica o quanto já leu e o quanto
falta ler pela quantidade de páginas que ainda resta
para a conclusão do livro?!
Outro fator interessante é a posição física do
texto em relação às páginas. Para pessoas que
desenvolvem uma comunicação
predominantemente visual com a realidade, é
comum a lembrança da posição e da imagem do
texto nas páginas, fenômeno não observado na leitura
em equipamentos de leitura digital.
Uma vantagem indiscutível dos livros digitais
consiste no preço a ser pago por uma obra e na
praticidade em comprar e obter acesso imediato. É
evidente que a obra digital será sensivelmente mais
barata que o livro físico por todas as questões de
produção e logística envolvidas, aspecto que pode
apontar para uma democratização da oferta de obras
diversas, visto que o acesso às plataformas digitais
está cada vez maior.
Não devemos ser saudosistas na manutenção
de uma plataforma em detrimento das novas, sob o
risco de defendermos os pergaminhos em vez dos
livros que lhes sobrepujaram, mas devemos observar
tecnicamente as vantagens e desvantagens de uma e
de outra plataforma.
Márcio S. Vieira. Muito além de uma paixão. Escrita Viva, ano 8, ed. 103, Editora Escala, 2023 (com adaptações)
Provas
O livro físico tem sido uma ferramenta
pedagógica confiável ao longo da história da
educação. Entretanto, a comparação entre o livro
impresso e a leitura por meio de mídias eletrônicas
como tablets, computadores ou leitores digitais (e-
readers) provoca reações apaixonadas entre usuários
ávidos por tecnologias digitais e bibliófilos. Muitos
educadores sustentam que a leitura de livros físicos
permite que os alunos desenvolvam habilidades de
concentração, imaginação e reflexão crítica.
Uma das principais vantagens do livro físico é a
sensação tátil que ele oferece aos leitores. Estudos
indicam que a interação com um livro impresso ativa
áreas sensoriais do cérebro que podem não ser
estimuladas da mesma forma pela leitura digital. A
sensação de virar uma página, sentir o peso do livro e
até mesmo o cheiro das páginas contribui para uma
experiência de aprendizado mais rica e memorável.
Experiências práticas de inserção de livros
digitais como plataformas únicas no ensino básico
têm-se mostrado ineficientes e ineficazes, podendo,
inclusive, agravar situações de baixo nível de leitura na
idade adequada.
Soma-se à questão do manuseio do livro físico
a possibilidade de interação manual com os objetos
de escrita. Segundo os pesquisadores Anne Mangen e
Jean-Luc Velay, da Universidade de Stavanger, na
Noruega, escrever à mão fortalece o processo de
aprendizagem, ao passo que, ao digitar no
computador, esse processo é de fato comprometido.
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”,
realizada em 2020, evidencia que, ao menos entre os
apreciadores de literatura, 70% preferem os livros
físicos. Assim, o papel parece estar longe de se esvair!
Quem não verifica o quanto já leu e o quanto
falta ler pela quantidade de páginas que ainda resta
para a conclusão do livro?!
Outro fator interessante é a posição física do
texto em relação às páginas. Para pessoas que
desenvolvem uma comunicação
predominantemente visual com a realidade, é
comum a lembrança da posição e da imagem do
texto nas páginas, fenômeno não observado na leitura
em equipamentos de leitura digital.
Uma vantagem indiscutível dos livros digitais
consiste no preço a ser pago por uma obra e na
praticidade em comprar e obter acesso imediato. É
evidente que a obra digital será sensivelmente mais
barata que o livro físico por todas as questões de
produção e logística envolvidas, aspecto que pode
apontar para uma democratização da oferta de obras
diversas, visto que o acesso às plataformas digitais
está cada vez maior.
Não devemos ser saudosistas na manutenção
de uma plataforma em detrimento das novas, sob o
risco de defendermos os pergaminhos em vez dos
livros que lhes sobrepujaram, mas devemos observar
tecnicamente as vantagens e desvantagens de uma e
de outra plataforma.
Márcio S. Vieira. Muito além de uma paixão. Escrita Viva, ano 8, ed. 103, Editora Escala, 2023 (com adaptações)
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