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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,

logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano

Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando

responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

A expressão “Mesmo assim” (linha 44) exprime
 

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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,

logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano

Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando

responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

Considerando as relações de concordância verbal estabelecidas no texto, assinale a alternativa correta.
 

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logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano

Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando

responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

Na linha 38, a expressão “um bocado” exerce a função sintática de
 

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Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando

responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

Assinale a alternativa que apresenta uma proposta de reescrita gramaticalmente correta e com o mesmo sentido do seguinte período do texto: “Mas Kepler levou anos para chegar até elas.” (linhas 15-16).
 

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logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano

Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando

responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

Assinale a alternativa em que o verbo lembrar está empregado com o mesmo sentido que ele transmite no primeiro período do segundo parágrafo do texto.
 

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responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

A respeito das ideias veiculadas no texto, assinale a alternativa correta.
 

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Na manhã de uma segunda-feira de novembro,

logo após o primeiro dia do Enem de 2023, Caetano

Veloso apareceu de pijama em um vídeo, tentando

responder à questão 23, uma pergunta de

interpretação de texto que citava duas músicas suas:

“Alegria, Alegria” (1968) e “Anjos Tronchos” (2021).

“Quando li, achei que eram todas as alternativas”,

disse Caetano — que acabou preferindo a D (o

gabarito indicava B).

A cena lembra uma entrevista de 2012, com o

pedagogo Rubem Alves, que foi professor e pró-reitor

da graduação da Unicamp. “O vestibular criou na

cabeça de todo mundo que existe uma resposta certa

mesmo”, ele disse, dois anos antes de morrer. “As leis

de Kepler você pode decorar em dez minutos. Mas

Kepler levou anos para chegar até elas. O processo de

aprendizado é isto: não é a busca pelas respostas

certas, mas o processo de pensar.”

Rubem considerava o vestibular uma

aberração, e não julgava possível reinventar esse

modelo de seleção para torná-lo realmente justo.

Rubem argumenta que os vestibulares forçam

as escolas a montarem seus currículos e sistemas de

avaliação com o objetivo de treinar os alunos para

esses testes, e não com o fim de educar. A sociedade,

então, passa a achar que inteligência é sinônimo de

gabaritar uma prova.

Na cabeça dos pais mais durões, educação é

sinônimo de memorização. Diretores e professores

exaltam os bons alunos — é praxe pendurar cartazes

no começo do ano com a lista de aprovados para

cursos de nível superior, sem consideração pela

violência psicológica infligida aos supostos maus

alunos.

É de se admitir que o Enem foi um avanço em

relação aos vestibulares tradicionais. Primeiro porque

os alunos fazem uma única prova para concorrer a

várias instituições, o que amplia um bocado o leque

de opções. Mas também porque o Enem se esforça

para ser mais interpretativo que conteudista: várias

questões são autossuficientes, dependem só do que

está escrito na prova, e não de conhecimento prévio

extremamente específico.

Mesmo assim, ainda se trata de uma prova

exaustiva de múltipla escolha, acompanhada de uma

redação em moldes muitos restritivos — que mede

mais o quanto o candidato treinou para o Enem do

que sua real capacidade de se expressar em

português. Acordou em um dia ruim? Tente outra vez

ano que vem.

Bruno Vaiano. Vestibular: um modelo de seleção fracassado. Superinteressante, ed. 459, Editora Abril, jan./2024 (com adaptações).

Entende-se do texto que Caetano Veloso
 

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3284479 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Ibest
Orgão: Pref. Cristalina-GO
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O livro físico tem sido uma ferramenta

pedagógica confiável ao longo da história da

educação. Entretanto, a comparação entre o livro

impresso e a leitura por meio de mídias eletrônicas

como tablets, computadores ou leitores digitais (e-

readers) provoca reações apaixonadas entre usuários

ávidos por tecnologias digitais e bibliófilos. Muitos

educadores sustentam que a leitura de livros físicos

permite que os alunos desenvolvam habilidades de

concentração, imaginação e reflexão crítica.

Uma das principais vantagens do livro físico é a

sensação tátil que ele oferece aos leitores. Estudos

indicam que a interação com um livro impresso ativa

áreas sensoriais do cérebro que podem não ser

estimuladas da mesma forma pela leitura digital. A

sensação de virar uma página, sentir o peso do livro e

até mesmo o cheiro das páginas contribui para uma

experiência de aprendizado mais rica e memorável.

Experiências práticas de inserção de livros

digitais como plataformas únicas no ensino básico

têm-se mostrado ineficientes e ineficazes, podendo,

inclusive, agravar situações de baixo nível de leitura na

idade adequada.

Soma-se à questão do manuseio do livro físico

a possibilidade de interação manual com os objetos

de escrita. Segundo os pesquisadores Anne Mangen e

Jean-Luc Velay, da Universidade de Stavanger, na

Noruega, escrever à mão fortalece o processo de

aprendizagem, ao passo que, ao digitar no

computador, esse processo é de fato comprometido.

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”,

realizada em 2020, evidencia que, ao menos entre os

apreciadores de literatura, 70% preferem os livros

físicos. Assim, o papel parece estar longe de se esvair!

Quem não verifica o quanto já leu e o quanto

falta ler pela quantidade de páginas que ainda resta

para a conclusão do livro?!

Outro fator interessante é a posição física do

texto em relação às páginas. Para pessoas que

desenvolvem uma comunicação

predominantemente visual com a realidade, é

comum a lembrança da posição e da imagem do

texto nas páginas, fenômeno não observado na leitura

em equipamentos de leitura digital.

Uma vantagem indiscutível dos livros digitais

consiste no preço a ser pago por uma obra e na

praticidade em comprar e obter acesso imediato. É

evidente que a obra digital será sensivelmente mais

barata que o livro físico por todas as questões de

produção e logística envolvidas, aspecto que pode

apontar para uma democratização da oferta de obras

diversas, visto que o acesso às plataformas digitais

está cada vez maior.

Não devemos ser saudosistas na manutenção

de uma plataforma em detrimento das novas, sob o

risco de defendermos os pergaminhos em vez dos

livros que lhes sobrepujaram, mas devemos observar

tecnicamente as vantagens e desvantagens de uma e

de outra plataforma.

Márcio S. Vieira. Muito além de uma paixão. Escrita Viva, ano 8, ed. 103, Editora Escala, 2023 (com adaptações)

O pronome “lhes” (linha 57) retoma
 

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3284478 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Ibest
Orgão: Pref. Cristalina-GO
Provas:

O livro físico tem sido uma ferramenta

pedagógica confiável ao longo da história da

educação. Entretanto, a comparação entre o livro

impresso e a leitura por meio de mídias eletrônicas

como tablets, computadores ou leitores digitais (e-

readers) provoca reações apaixonadas entre usuários

ávidos por tecnologias digitais e bibliófilos. Muitos

educadores sustentam que a leitura de livros físicos

permite que os alunos desenvolvam habilidades de

concentração, imaginação e reflexão crítica.

Uma das principais vantagens do livro físico é a

sensação tátil que ele oferece aos leitores. Estudos

indicam que a interação com um livro impresso ativa

áreas sensoriais do cérebro que podem não ser

estimuladas da mesma forma pela leitura digital. A

sensação de virar uma página, sentir o peso do livro e

até mesmo o cheiro das páginas contribui para uma

experiência de aprendizado mais rica e memorável.

Experiências práticas de inserção de livros

digitais como plataformas únicas no ensino básico

têm-se mostrado ineficientes e ineficazes, podendo,

inclusive, agravar situações de baixo nível de leitura na

idade adequada.

Soma-se à questão do manuseio do livro físico

a possibilidade de interação manual com os objetos

de escrita. Segundo os pesquisadores Anne Mangen e

Jean-Luc Velay, da Universidade de Stavanger, na

Noruega, escrever à mão fortalece o processo de

aprendizagem, ao passo que, ao digitar no

computador, esse processo é de fato comprometido.

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”,

realizada em 2020, evidencia que, ao menos entre os

apreciadores de literatura, 70% preferem os livros

físicos. Assim, o papel parece estar longe de se esvair!

Quem não verifica o quanto já leu e o quanto

falta ler pela quantidade de páginas que ainda resta

para a conclusão do livro?!

Outro fator interessante é a posição física do

texto em relação às páginas. Para pessoas que

desenvolvem uma comunicação

predominantemente visual com a realidade, é

comum a lembrança da posição e da imagem do

texto nas páginas, fenômeno não observado na leitura

em equipamentos de leitura digital.

Uma vantagem indiscutível dos livros digitais

consiste no preço a ser pago por uma obra e na

praticidade em comprar e obter acesso imediato. É

evidente que a obra digital será sensivelmente mais

barata que o livro físico por todas as questões de

produção e logística envolvidas, aspecto que pode

apontar para uma democratização da oferta de obras

diversas, visto que o acesso às plataformas digitais

está cada vez maior.

Não devemos ser saudosistas na manutenção

de uma plataforma em detrimento das novas, sob o

risco de defendermos os pergaminhos em vez dos

livros que lhes sobrepujaram, mas devemos observar

tecnicamente as vantagens e desvantagens de uma e

de outra plataforma.

Márcio S. Vieira. Muito além de uma paixão. Escrita Viva, ano 8, ed. 103, Editora Escala, 2023 (com adaptações)

Quanto à sua tipologia predominante, o texto apresentado classifica-se como
 

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3284477 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Ibest
Orgão: Pref. Cristalina-GO
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O livro físico tem sido uma ferramenta

pedagógica confiável ao longo da história da

educação. Entretanto, a comparação entre o livro

impresso e a leitura por meio de mídias eletrônicas

como tablets, computadores ou leitores digitais (e-

readers) provoca reações apaixonadas entre usuários

ávidos por tecnologias digitais e bibliófilos. Muitos

educadores sustentam que a leitura de livros físicos

permite que os alunos desenvolvam habilidades de

concentração, imaginação e reflexão crítica.

Uma das principais vantagens do livro físico é a

sensação tátil que ele oferece aos leitores. Estudos

indicam que a interação com um livro impresso ativa

áreas sensoriais do cérebro que podem não ser

estimuladas da mesma forma pela leitura digital. A

sensação de virar uma página, sentir o peso do livro e

até mesmo o cheiro das páginas contribui para uma

experiência de aprendizado mais rica e memorável.

Experiências práticas de inserção de livros

digitais como plataformas únicas no ensino básico

têm-se mostrado ineficientes e ineficazes, podendo,

inclusive, agravar situações de baixo nível de leitura na

idade adequada.

Soma-se à questão do manuseio do livro físico

a possibilidade de interação manual com os objetos

de escrita. Segundo os pesquisadores Anne Mangen e

Jean-Luc Velay, da Universidade de Stavanger, na

Noruega, escrever à mão fortalece o processo de

aprendizagem, ao passo que, ao digitar no

computador, esse processo é de fato comprometido.

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”,

realizada em 2020, evidencia que, ao menos entre os

apreciadores de literatura, 70% preferem os livros

físicos. Assim, o papel parece estar longe de se esvair!

Quem não verifica o quanto já leu e o quanto

falta ler pela quantidade de páginas que ainda resta

para a conclusão do livro?!

Outro fator interessante é a posição física do

texto em relação às páginas. Para pessoas que

desenvolvem uma comunicação

predominantemente visual com a realidade, é

comum a lembrança da posição e da imagem do

texto nas páginas, fenômeno não observado na leitura

em equipamentos de leitura digital.

Uma vantagem indiscutível dos livros digitais

consiste no preço a ser pago por uma obra e na

praticidade em comprar e obter acesso imediato. É

evidente que a obra digital será sensivelmente mais

barata que o livro físico por todas as questões de

produção e logística envolvidas, aspecto que pode

apontar para uma democratização da oferta de obras

diversas, visto que o acesso às plataformas digitais

está cada vez maior.

Não devemos ser saudosistas na manutenção

de uma plataforma em detrimento das novas, sob o

risco de defendermos os pergaminhos em vez dos

livros que lhes sobrepujaram, mas devemos observar

tecnicamente as vantagens e desvantagens de uma e

de outra plataforma.

Márcio S. Vieira. Muito além de uma paixão. Escrita Viva, ano 8, ed. 103, Editora Escala, 2023 (com adaptações)

Em relação ao ato de basear-se na quantidade de páginas ainda a serem lidas para saber o quanto já se leu e o quanto se falta ler de um livro, o autor, ao finalizar o sexto parágrafo com o sinal de pontuação “?!”, demonstra que
 

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