Foram encontradas 40 questões.
A arte da paciência
'Fui apresentada a meu atual namorado 44 anos
atrás, e nunca mais nos vimos, até que nos
reencontramos e aconteceu. Demorou?'
Esperar é um verbo que conjugo sem
dificuldade. Não lembro de nenhum instante da minha
vida em que tenha conquistado algo na hora exata em
que o desejei — tudo pra mim demora. Começando pela
infância, ela própria. Houvesse opção, eu teria crescido
mais rápido, mas não havia. Então me distraí andando
de bicicleta em volta da quadra, brincando com bonecas
que tinham um único vestido e colecionando livrinhos
de história, enquanto aguardava o mundo adulto me puxar para o outro lado, onde eu escreveria meus
próprios livros, usaria os vestidos que quisesse e daria
algumas voltas pelo mundo, não só no quarteirão.
Foi um processo lento. Nunca fui desbravadora,
pioneira, essas palavras que dão consistência a um
currículo. Mais cautelosa que impulsiva, fui subindo
cada degrau lentamente, um a um — inclusive
retrocedendo alguns — e deu tudo certo, vem dando.
Quando caí em mim, já era expert em paciência.
Passei a confiar no tempo. Hoje, sei que ele nunca traz
minhas “encomendas” no ato. Confabula antes com os
astros e só então decide quando será a entrega. A mim,
resta tocar a vida e aguardar com a casa limpa, bebida
gelada, flores nos vasos.
Paciência não é preguiça. A pessoa paciente não
espera sentada. Ela continua em movimento e tropeça
em meia dúzia de erros até ser encontrada pelo acerto.
Respeita o relógio do destino. Fui apresentada a meu
atual namorado 44 anos atrás, e nunca mais nos vimos,
até que nos reencontramos e aconteceu. Demorou?
Aconteceu pontualmente, nós é que não sabíamos,
ainda, que a hora certa estava programada para mais
tarde.
A maturidade ajuda a lapidar a paciência. Tenho
procurado ser mais dócil com minhas filhas, apesar da
ansiedade natural de todas as mães — e com minhas
orquídeas, cujos brotos estão custando a abrir. Mais
tolerante com meus pais, que apresentam as dificuldades
inerentes à sua idade, e paciente comigo mesma, que
sempre dependi de algumas convicções antes de agir, e
elas têm sido mais raras, as dúvidas se acumulam. E
mesmo quando as tenho — convicções — não bastam
que sejam só minhas. (...) Mas a paciência é uma arte.
Enquanto espero, escuto Lenine: “mesmo quando tudo
pede um pouco mais de calma/até quando o corpo pede
um pouco mais de alma/a vida não para”. Talvez
tenhamos que aguardar mais quatro anos, talvez apenas
mais uns 20 dias. Respiremos fundo.
Martha Medeiros. A arde da paciência. O globlo /
10/2022
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A arte da paciência
'Fui apresentada a meu atual namorado 44 anos
atrás, e nunca mais nos vimos, até que nos
reencontramos e aconteceu. Demorou?'
Esperar é um verbo que conjugo sem
dificuldade. Não lembro de nenhum instante da minha
vida em que tenha conquistado algo na hora exata em
que o desejei — tudo pra mim demora. Começando pela
infância, ela própria. Houvesse opção, eu teria crescido
mais rápido, mas não havia. Então me distraí andando
de bicicleta em volta da quadra, brincando com bonecas
que tinham um único vestido e colecionando livrinhos
de história, enquanto aguardava o mundo adulto me puxar para o outro lado, onde eu escreveria meus
próprios livros, usaria os vestidos que quisesse e daria
algumas voltas pelo mundo, não só no quarteirão.
Foi um processo lento. Nunca fui desbravadora,
pioneira, essas palavras que dão consistência a um
currículo. Mais cautelosa que impulsiva, fui subindo
cada degrau lentamente, um a um — inclusive
retrocedendo alguns — e deu tudo certo, vem dando.
Quando caí em mim, já era expert em paciência.
Passei a confiar no tempo. Hoje, sei que ele nunca traz
minhas “encomendas” no ato. Confabula antes com os
astros e só então decide quando será a entrega. A mim,
resta tocar a vida e aguardar com a casa limpa, bebida
gelada, flores nos vasos.
Paciência não é preguiça. A pessoa paciente não
espera sentada. Ela continua em movimento e tropeça
em meia dúzia de erros até ser encontrada pelo acerto.
Respeita o relógio do destino. Fui apresentada a meu
atual namorado 44 anos atrás, e nunca mais nos vimos,
até que nos reencontramos e aconteceu. Demorou?
Aconteceu pontualmente, nós é que não sabíamos,
ainda, que a hora certa estava programada para mais
tarde.
A maturidade ajuda a lapidar a paciência. Tenho
procurado ser mais dócil com minhas filhas, apesar da
ansiedade natural de todas as mães — e com minhas
orquídeas, cujos brotos estão custando a abrir. Mais
tolerante com meus pais, que apresentam as dificuldades
inerentes à sua idade, e paciente comigo mesma, que
sempre dependi de algumas convicções antes de agir, e
elas têm sido mais raras, as dúvidas se acumulam. E
mesmo quando as tenho — convicções — não bastam
que sejam só minhas. (...) Mas a paciência é uma arte.
Enquanto espero, escuto Lenine: “mesmo quando tudo
pede um pouco mais de calma/até quando o corpo pede
um pouco mais de alma/a vida não para”. Talvez
tenhamos que aguardar mais quatro anos, talvez apenas
mais uns 20 dias. Respiremos fundo.
Martha Medeiros. A arde da paciência. O globlo /
10/2022
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É sabido que a mudança de sentido de um verbo pode
acarretar diferentes classificações de predicado.
Nesse sentido, assinale a alternativa correta a
respeito do que se afirmar quanto ao verbo “virar”,
considerando:
1º) “a crise econômica, o desemprego e a falta de
oportunidades têm levado milhares de trabalhadores e
trabalhadoras a se
virarem
para ter alguma renda”
2º) “O Brasil
virou
o país da informalidade”
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Dos trechos abaixo, assinale a alternativa em que
NÃO há erro de pontuação.
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[...] toda a atividade comunicativa de um locutor, numa
situação de comunicação determinada, englobando não
só o conjunto de enunciados por ele produzidos em tal
situação - ou os seus e de seu interlocutor , no caso do
diálogo - como também o evento de sua enunciação.
TRAVAGLIA, L. C, 2009.
A partir da leitura do excerto, podemos reconhecer que ele traz a definição de:
A partir da leitura do excerto, podemos reconhecer que ele traz a definição de:
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No Brasil há variações que são baseadas no local
onde o falante mora. Por exemplo, a abóbora é muito
em diferentes regiões é nomeada como: jerimum,
abóbora-moranga, moranga, entre outros. Dessa
forma, assinale a alternativa que nomeia esse
fenômeno.
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O hipertexto permite, mediante os links nele
indexados, o acesso a inúmeros outros hipertextos
que circulam pela rede. Nesse sentido, quando o
hipertexto utiliza desse traço, está diante de uma
característica marcante denominada:
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Eu amanheci nervosa. Porque eu queria ficar em casa,
mas eu não tinha nada para comer....Eu não ia comer
porque o pão era pouco. Será que é só eu que levo esta
vida? O que posso esperar do futuro? Um leito em
Campos do Jordão. Eu quando estou com fome quero
matar o Janio, quero enforcar o Adhemar e queimar o
Juscelino. As dificuldades corta o afeto do povo pelos
políticos.
Maria Carolina de Jesus. Quarto de despejo: diário de
uma favelada
Assinale a alternativa que apresenta um aspecto que NÃO se relaciona com o sentido do trecho acima.
Assinale a alternativa que apresenta um aspecto que NÃO se relaciona com o sentido do trecho acima.
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O plano chinês para monitorar – e premiar – o comportamento de seus cidadãos
Imagine que todas as suas atividades e comportamentos são monitorados e pontuados em uma grande base de dados nacional: desde sua informação fiscal, até o tempo que você passa jogando videogame.
O cenário acima poderia ter saído do romance clássico de George Orwell, 1984, em que os cidadãos estão sempre sob vigilância de uma entidade chamada de "o grande irmão". Lembra também um episódio da série de TV Black Mirror, no qual cada atividade dos personagens rende "pontos" em um futuro distópico. Mas não é ficção. Esta é uma política de Estado em planejamento na China.
O governo chinês está construindo um onipresente "sistema de crédito social", através do qual o comportamento de cada um dos seus 1,3 bilhão de cidadãos será pontuado em uma espécie de ranking de confiança.
Por enquanto, trata-se de um projeto piloto do qual participam oito companhias chinesas. Com a autorização do estado, elas emitem suas próprias pontuações de "crédito social".
Mas até o ano de 2020, todos os chineses estarão obrigatoriamente inclusos nesta enorme base de dados, e receberão pontuação de acordo com sua conduta.
Por enquanto, o projeto existe em formato piloto mas a ideia do governo é tê-lo em breve como ferramenta aplicável a todos os cidadãos.
Em um longo documento de 2014, o Conselho de Estado chinês explica que o plano do crédito social visa "forjar um ambiente na opinião pública em que a confiança será valorizada", acrescentando que "o sistema recompensará aqueles que reportarem atos de abuso de confiança".
A base de dados nacional concentrará uma ampla variedade de informações sobre cada cidadão. Será possível saber se uma pessoa paga seus impostos e multas em dia, se seus títulos acadêmicos são legítimos, etc.
Haverá também um grande grupo de pessoas que passará por um escrutínio ainda mais pesado, dependendo da profissão que exercem. A lista inclui professores, contadores, jornalistas, médicos e guias turísticos.
Críticos do projeto classificam o sistema de crédito social como "um pesadelo" e "orwelliano". Mas há quem acredite que um sistema como este é necessário na China.
Os sistemas de crédito constroem confiança entre os cidadãos, defende Wen Quan, uma blogueira que escreve sobre temas de tecnologia e finanças.
"Sem um sistema, um estelionatário pode cometer um crime em um lugar e logo depois fazer o mesmo em outra região do país. Os sistemas de crédito tornam público o histórico de uma pessoa. (O sistema) construirá uma sociedade melhor e mais justa", diz ela.
Uma das empresas que participa do projeto piloto é a Sesame Credit, a ala financeira do site de vendas online Alibaba, o maior do mundo hoje.
A empresa usa sua gigantesca base de dados de consumidores para criar rankings de "crédito social". A escala é alimentada pelas transações financeiras feitas com o sistema de pagamentos do Alibaba.
A companhia não divulga exatamente como calcula a pontuação de cada cliente, dizendo que se trata de um "algoritmo complexo".
As autoridades chinesas monitoram o andamento do projeto piloto de forma muito cuidadosa. O sistema do governo não funcionará exatamente como o das empresas privadas, mas adotará características dos algoritmos desenvolvidos pelas empresas privadas.
Por enquanto, a participação no projeto é voluntária, mas a Sesame divulga o cadastro enfatizando os benefícios de obter um bom "crédito social". A empresa incentiva seus clientes a compartilhar a boa pontuação com os amigos e inclusive com potenciais pares românticos. Pontuar bem no programa dá acesso a uma série de benefícios, desde descontos em hotéis ou aluguel de carros até acesso a apólices de seguro ou a obtenção mais célere de vistos.
Mas o que acontece quando a pontuação é ruim? Esta é a parte "preocupante", segundo Rachel Botsman, autora do livro "Who Can You Trust" (algo como "Em quem você pode confiar", em uma tradução livre). A obra trata do sistema de crédito social da China.
"Se a sua pontuação de confiança cai abaixo de certo nível, toda a sua vida pode ser impactada. Desde a escola que seus filhos poderão frequentar até os empregos que você poderá escolher e o tipo de empréstimo bancário que você poderá obter", disse Botsman em um programa televisivo co-produzido pela BBC.
"As transgressões podem ter ocorrido na sua vida, mas o seu comportamento poderia ter impacto em seus filhos ou netos durante décadas", diz Botsman.
(BBC mundo. Adaptado. https://www.bbc.com. Acesso em
16/05/2023)
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O plano chinês para monitorar – e premiar – o comportamento de seus cidadãos
Imagine que todas as suas atividades e comportamentos são monitorados e pontuados em uma grande base de dados nacional: desde sua informação fiscal, até o tempo que você passa jogando videogame.
O cenário acima poderia ter saído do romance clássico de George Orwell, 1984, em que os cidadãos estão sempre sob vigilância de uma entidade chamada de "o grande irmão". Lembra também um episódio da série de TV Black Mirror, no qual cada atividade dos personagens rende "pontos" em um futuro distópico. Mas não é ficção. Esta é uma política de Estado em planejamento na China.
O governo chinês está construindo um onipresente "sistema de crédito social", através do qual o comportamento de cada um dos seus 1,3 bilhão de cidadãos será pontuado em uma espécie de ranking de confiança.
Por enquanto, trata-se de um projeto piloto do qual participam oito companhias chinesas. Com a autorização do estado, elas emitem suas próprias pontuações de "crédito social".
Mas até o ano de 2020, todos os chineses estarão obrigatoriamente inclusos nesta enorme base de dados, e receberão pontuação de acordo com sua conduta.
Por enquanto, o projeto existe em formato piloto mas a ideia do governo é tê-lo em breve como ferramenta aplicável a todos os cidadãos.
Em um longo documento de 2014, o Conselho de Estado chinês explica que o plano do crédito social visa "forjar um ambiente na opinião pública em que a confiança será valorizada", acrescentando que "o sistema recompensará aqueles que reportarem atos de abuso de confiança".
A base de dados nacional concentrará uma ampla variedade de informações sobre cada cidadão. Será possível saber se uma pessoa paga seus impostos e multas em dia, se seus títulos acadêmicos são legítimos, etc.
Haverá também um grande grupo de pessoas que passará por um escrutínio ainda mais pesado, dependendo da profissão que exercem. A lista inclui professores, contadores, jornalistas, médicos e guias turísticos.
Críticos do projeto classificam o sistema de crédito social como "um pesadelo" e "orwelliano". Mas há quem acredite que um sistema como este é necessário na China.
Os sistemas de crédito constroem confiança entre os cidadãos, defende Wen Quan, uma blogueira que escreve sobre temas de tecnologia e finanças.
"Sem um sistema, um estelionatário pode cometer um crime em um lugar e logo depois fazer o mesmo em outra região do país. Os sistemas de crédito tornam público o histórico de uma pessoa. (O sistema) construirá uma sociedade melhor e mais justa", diz ela.
Uma das empresas que participa do projeto piloto é a Sesame Credit, a ala financeira do site de vendas online Alibaba, o maior do mundo hoje.
A empresa usa sua gigantesca base de dados de consumidores para criar rankings de "crédito social". A escala é alimentada pelas transações financeiras feitas com o sistema de pagamentos do Alibaba.
A companhia não divulga exatamente como calcula a pontuação de cada cliente, dizendo que se trata de um "algoritmo complexo".
As autoridades chinesas monitoram o andamento do projeto piloto de forma muito cuidadosa. O sistema do governo não funcionará exatamente como o das empresas privadas, mas adotará características dos algoritmos desenvolvidos pelas empresas privadas.
Por enquanto, a participação no projeto é voluntária, mas a Sesame divulga o cadastro enfatizando os benefícios de obter um bom "crédito social". A empresa incentiva seus clientes a compartilhar a boa pontuação com os amigos e inclusive com potenciais pares românticos. Pontuar bem no programa dá acesso a uma série de benefícios, desde descontos em hotéis ou aluguel de carros até acesso a apólices de seguro ou a obtenção mais célere de vistos.
Mas o que acontece quando a pontuação é ruim? Esta é a parte "preocupante", segundo Rachel Botsman, autora do livro "Who Can You Trust" (algo como "Em quem você pode confiar", em uma tradução livre). A obra trata do sistema de crédito social da China.
"Se a sua pontuação de confiança cai abaixo de certo nível, toda a sua vida pode ser impactada. Desde a escola que seus filhos poderão frequentar até os empregos que você poderá escolher e o tipo de empréstimo bancário que você poderá obter", disse Botsman em um programa televisivo co-produzido pela BBC.
"As transgressões podem ter ocorrido na sua vida, mas o seu comportamento poderia ter impacto em seus filhos ou netos durante décadas", diz Botsman.
(BBC mundo. Adaptado. https://www.bbc.com. Acesso em
16/05/2023)
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