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O lixo não começa na lixeira
Por Jaques Paes
“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise os períodos a seguir, retirados do texto:
1. “Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra cívico do nosso tempo.
2. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta.
3. Essa lógica simbólica caminha junto a um dilema ético.
Em relação aos verbos sublinhados, assinale a alternativa INCORRETA.
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O lixo não começa na lixeira
Por Jaques Paes
“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Em relação aos mecanismos de coesão referencial, analise as assertivas a seguir:
I. A expressão “essa lógica” (l. 04-05) retoma a ideia de “dizer que cada escolha de consumo conta” (l. 04).
II. O pronome pessoal “ele” em “como se ele tivesse liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto” (l.09-10) retoma o termo “consumidor” (l. 09).
III. O pronome possessivo “Seu” em “Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura” (l. 25-26) refere-se a “indivíduo” (l. 24).
IV. O pronome oblíquo “o” em “E a ausência de políticas públicas sólidas apenas o reforça” (l. 35 e 36) retoma o termo “lixo”.
Quais estão corretas?
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O lixo não começa na lixeira
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“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas 02, 13 e 18.
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cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando as ocorrências do vocábulo “assim” no trecho retirado do texto “Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim”, qual é a sua classificação morfológica?
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O lixo não começa na lixeira
Por Jaques Paes
“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Em relação à classificação dos sujeitos, analise as assertivas abaixo:
I. Há um sujeito oracional no período “É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta”.
II. Há um sujeito elíptico na oração “não compramos o objeto em si”.
III. Há um sujeito composto na oração “O design, com obsolescência programada, materiais não recicláveis e excesso de volume, amplia o problema”.
Quais estão corretas?
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O lixo não começa na lixeira
Por Jaques Paes
“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com o texto.
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O lixo não começa na lixeira
Por Jaques Paes
“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
O mantra “Faça sua parte” é apelativo e, convenientemente, dirigido:
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O lixo não começa na lixeira
Por Jaques Paes
“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra
cívico do nosso tempo. O apelo ..... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo
reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de
sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa
lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade
para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento
individual.
Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado
são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse
liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos
já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim.
Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um
valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ..... ideia de fazer a coisa certa. Essa
lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa
pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para
quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a
moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.
A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos .....
reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas
isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos?
Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos,
desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens
excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos,
que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a
análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de
alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não
sozinho. Culpado? Não exatamente.
Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta.
Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O
lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo
anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não
criamos.
Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria –
insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não
recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas
apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”,
mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o exposto no texto, analise as assertivas abaixo:
I. A cadeia produtiva e o mercado responsabilizam o consumidor pelo lixo gerado.
II. Apesar da presença de fatores estruturais no estímulo ao consumo e à geração do lixo, a cobrança recai sobre o consumidor, que não tem responsabilidade sobre o ciclo de produção dos produtos.
III. Os indivíduos têm uma parte de responsabilidade na produção de lixo, mas não são culpados pelo lixo gerado, pois não projetam e nem fabricam os produtos disponíveis para o consumo.
Quais estão corretas?
Provas
Provas
Em defesa do dicionário
Por William Campos da Cruz

(CRUZ, William Campos da. Tudo converge para o texto: gramática, escrita e leitura. 1ª ed. - Rio de Janeiro: Eleia Editora, 2024 – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. A vírgula 1 foi utilizada para isolar adjunto adverbial deslocado, sendo, nesse caso, de uso facultativo.
II. As vírgulas 2 e 3 foram empregadas para isolar um termo de valor meramente explicativo.
III. A vírgula 4 foi empregada para separar orações coordenadas.
Quais estão corretas?
Provas
Caderno Container