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A arte de ser feliz (Crônica 2)
Eva
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um
chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
Completa corretamente as lacunas a seguir:
Já ___________ algum tempo, eu ainda era criança e lembro que __________ neste local muitas árvores e flores. Hoje, só __________ aglomerados de cimento.
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A arte de ser feliz (Crônica 2)
Eva
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um
chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
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Houve um tempo em que a minha janela se abria para um
chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
Completa corretamente as lacunas:
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Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
__________ muito tempo eu não via ___________ paisagem da minha janela. __________ última vez que __________ abri, foi para assistir _________ manifestação política __________ duas quadras daqui.
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Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
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chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
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chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
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chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
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Eva
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um
chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
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A arte de ser feliz (Crônica 2)
Eva
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um
chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.
Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias
límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o
pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para
onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em
que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E
que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria
ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma
ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À
sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada
uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não
podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não
a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam
com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava
do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma
cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno
jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e
o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão
umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E
eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água
que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que
estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(in "Escolha seu sonho", Cecilia Meireles)
I. Os quatro parágrafos iniciais começam com o mesmo vocábulo, tal recurso é bastante utilizado no âmbito da literatura, mas, em se tratando de uma crônica, conota pobreza no repertório linguístico.
II. As paisagens existentes "na janela" sugerem as várias perspectivas do expectador e dependem, entre outros fatores, da passagem do tempo da voz narrativa.
III. Expectativa e expectativa se misturam em profusão de beleza e poesia, realidade e fantasia ao demonstrar que a realidade é filtro de uma cosmovisão singular.
IV. Tempo e espaço se transformam, desejos e realizações mudam de direção, mas a capacidade de absorver referências exteriores com sororidade permanece inalterada.
V. O texto mostra a disparidade existente entre olhar e ver, enquanto aquele requer esforço deliberado de focar, este é a capacidade de captar imagem com os olhos.
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