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3794641 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Na escuridão miserável
   Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
   – O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
   – Nada não senhor – respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
   – O que é que você está me olhando aí?
   – Nada não senhor – repetiu.– Tou esperando o ônibus...
   – Onde é que você mora?
   – Na Praia do Pinto.
   – Vou para aquele lado. Quer uma carona?
   Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
   – Entra aí, que eu te levo.
   Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
   – Como é o seu nome?
   – Teresa.
   – Quantos anos você tem, Teresa?
   – Dez.
   – E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
   – A casa da minha patroa é ali.
   – Patroa? Que patroa?
   Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
   – Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
   – Você já jantou?
   – Não. Eu almocei.
   – Você não almoça todo dia?
   – Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
   – E quando não tem?
   – Quando não tem, não tem – e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos – um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês:
   – Mas não te dão comida lá? – perguntei, revoltado.
   – Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
   – E quanto é que você ganha?
   Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
   – Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
    – Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, obrigado.
    Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto.
(SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro. Sabiá, 1972.)
– Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto.” (31º§) É possível depreender, pela suspensão do pensamento enfatizada pelas reticências, que o narrador mostra-se:
 

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3794640 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Na escuridão miserável
   Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
   – O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
   – Nada não senhor – respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
   – O que é que você está me olhando aí?
   – Nada não senhor – repetiu.– Tou esperando o ônibus...
   – Onde é que você mora?
   – Na Praia do Pinto.
   – Vou para aquele lado. Quer uma carona?
   Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
   – Entra aí, que eu te levo.
   Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
   – Como é o seu nome?
   – Teresa.
   – Quantos anos você tem, Teresa?
   – Dez.
   – E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
   – A casa da minha patroa é ali.
   – Patroa? Que patroa?
   Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
   – Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
   – Você já jantou?
   – Não. Eu almocei.
   – Você não almoça todo dia?
   – Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
   – E quando não tem?
   – Quando não tem, não tem – e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos – um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês:
   – Mas não te dão comida lá? – perguntei, revoltado.
   – Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
   – E quanto é que você ganha?
   Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
   – Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
    – Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, obrigado.
    Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto.
(SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro. Sabiá, 1972.)
A linguagem figurada consiste em uma ferramenta ou modalidade de comunicação que utiliza figuras de linguagem para expressar um sentido não literal de um determinado enunciado. A linguagem figurada é usada para dar mais expressividade ao discurso, para tornar mais amplo o significado de uma palavra. Há exemplo de linguagem figurada em:
 

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3794639 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Na escuridão miserável
   Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
   – O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
   – Nada não senhor – respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
   – O que é que você está me olhando aí?
   – Nada não senhor – repetiu.– Tou esperando o ônibus...
   – Onde é que você mora?
   – Na Praia do Pinto.
   – Vou para aquele lado. Quer uma carona?
   Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
   – Entra aí, que eu te levo.
   Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
   – Como é o seu nome?
   – Teresa.
   – Quantos anos você tem, Teresa?
   – Dez.
   – E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
   – A casa da minha patroa é ali.
   – Patroa? Que patroa?
   Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
   – Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
   – Você já jantou?
   – Não. Eu almocei.
   – Você não almoça todo dia?
   – Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
   – E quando não tem?
   – Quando não tem, não tem – e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos – um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês:
   – Mas não te dão comida lá? – perguntei, revoltado.
   – Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
   – E quanto é que você ganha?
   Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
   – Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
    – Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, obrigado.
    Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto.
(SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro. Sabiá, 1972.)
A coerência textual tem a ver com o conteúdo do texto, sua organização e sua articulação. Entender um texto é atribuir coerência a ele, é processá-lo com os conhecimentos e a habilidade de interpretação que se tem. Dessa forma, há uma inadequação sobre a acepção das palavras em:
 

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3794638 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Na escuridão miserável
   Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
   – O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
   – Nada não senhor – respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
   – O que é que você está me olhando aí?
   – Nada não senhor – repetiu.– Tou esperando o ônibus...
   – Onde é que você mora?
   – Na Praia do Pinto.
   – Vou para aquele lado. Quer uma carona?
   Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
   – Entra aí, que eu te levo.
   Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
   – Como é o seu nome?
   – Teresa.
   – Quantos anos você tem, Teresa?
   – Dez.
   – E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
   – A casa da minha patroa é ali.
   – Patroa? Que patroa?
   Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
   – Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
   – Você já jantou?
   – Não. Eu almocei.
   – Você não almoça todo dia?
   – Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
   – E quando não tem?
   – Quando não tem, não tem – e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos – um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês:
   – Mas não te dão comida lá? – perguntei, revoltado.
   – Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
   – E quanto é que você ganha?
   Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
   – Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
    – Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, obrigado.
    Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto.
(SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro. Sabiá, 1972.)
O título é uma síntese precisa do texto, cuja função é estratégica na sua articulação: ele nomeia o texto após sua produção, sugere o sentido do mesmo, desperta o interesse do leitor para o tema, estabelece vínculos com informações textuais e extratextuais, e contribui para a orientação da conclusão à que o leitor deverá chegar. A expressão metafórica “na escuridão miserável” – título da crônica se refere:
 

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3794637 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Na escuridão miserável
   Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
   – O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
   – Nada não senhor – respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
   – O que é que você está me olhando aí?
   – Nada não senhor – repetiu.– Tou esperando o ônibus...
   – Onde é que você mora?
   – Na Praia do Pinto.
   – Vou para aquele lado. Quer uma carona?
   Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
   – Entra aí, que eu te levo.
   Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
   – Como é o seu nome?
   – Teresa.
   – Quantos anos você tem, Teresa?
   – Dez.
   – E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
   – A casa da minha patroa é ali.
   – Patroa? Que patroa?
   Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
   – Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
   – Você já jantou?
   – Não. Eu almocei.
   – Você não almoça todo dia?
   – Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
   – E quando não tem?
   – Quando não tem, não tem – e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos – um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês:
   – Mas não te dão comida lá? – perguntei, revoltado.
   – Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
   – E quanto é que você ganha?
   Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
   – Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
    – Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, obrigado.
    Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto.
(SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro. Sabiá, 1972.)
– O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.” (2º§) O que leva o cronista a supor que a menina “queria esmola”?
 

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3794636 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Na escuridão miserável
   Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava, enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar, através do vidro da janela, junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
   – O que foi, minha filha? – perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
   – Nada não senhor – respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
   – O que é que você está me olhando aí?
   – Nada não senhor – repetiu.– Tou esperando o ônibus...
   – Onde é que você mora?
   – Na Praia do Pinto.
   – Vou para aquele lado. Quer uma carona?
   Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
   – Entra aí, que eu te levo.
   Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade, ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
   – Como é o seu nome?
   – Teresa.
   – Quantos anos você tem, Teresa?
   – Dez.
   – E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
   – A casa da minha patroa é ali.
   – Patroa? Que patroa?
   Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
   – Hoje saí mais cedo. Foi jantarado.
   – Você já jantou?
   – Não. Eu almocei.
   – Você não almoça todo dia?
   – Quando tem comida pra levar, eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
   – E quando não tem?
   – Quando não tem, não tem – e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos – um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês:
   – Mas não te dão comida lá? – perguntei, revoltado.
   – Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado, mamãe disse pra eu não pedir.
   – E quanto é que você ganha?
   Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro. Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
   – Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? – perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
    – Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras e aí noutro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados pode parar que é aqui moço, obrigado.
    Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto.
(SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro. Sabiá, 1972.)
Segundo Maria da Garça Costa Val, “textualidade é a característica fundamental dos textos, orais ou escritos, que faz com que eles sejam percebidos como textos. Não é inerente a eles, pois uma mesma sequência linguística, falada ou escrita, pode ser considerada como texto legítimo por uns e parecer um absurdo, sem sentido, para outros”. Em relação ao texto, é improvável inferir que o cronista:
 

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3794795 Ano: 2024
Disciplina: Braille
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
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A representação a seguir, em braille, refere-se à palavra:

Enunciado 4657376-1

Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
3794791 Ano: 2024
Disciplina: Braille
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
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Sabe-se que Dorina Nowill é uma fundação brasileira que trabalha com a inclusão social de pessoas cegas e com baixa visão. Uma das formas que a fundação realiza essa inclusão é por meio da produção e distribuição gratuita de livros em braille, falados e digitais acessíveis. Mais informações podem ser encontradas no site da instituição: https://fundacaodorina.org.br/. Assinale a alternativa que apresenta esse endereço grafado corretamente em braile.

Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
3794657 Ano: 2024
Disciplina: Pedagogia
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Nova Iguaçu-RJ
Conforme as disposições gerais da educação básica, no capítulo II seção I da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


( ) A carga horária mínima anual será de oitocentas horas para o ensino fundamental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver;


( ) A classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita: por promoção, por transferência e independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino.


( ) Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se facultativo o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.


( ) Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.


A sequência está correta em
Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
Analise as situações hipotéticas a seguir, considerando que todos os personagens são servidores públicos efetivos lotados nos quadros da Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu.

I. Mirtes é professora e exerce seu mister em sala de aula.

II. Berto é professor e exerce a função de orientação e controle da execução de atividades de natureza técnico-administrativa pedagógica.

III. Aurora é professora e participa da elaboração e aplicação das diretrizes, orientação e controle do processo educacional.

IV. Gertrudes é professora e responsável pelas diretrizes, orientação e controle do processo educacional.


De acordo com a Lei Municipal nº 3.526/2003, quanto à função de cada professor, assinale a associação correta.
Questão Anulada

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