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1598285 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Texto III

DEFENESTRAÇÃO


Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa

vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia

Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem,

5 tudo se complicaria.

— Os hermeneutas estão chegando!

— Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e

frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até

10 que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô...

— O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

15 Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água.

Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de

procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas

pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das

20 mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa.

Haveria assim defenestradores profissionais.

25 Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?

"Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma

ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a

30 palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir.

"Defenestração" vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo

pela janela.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

35 Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e

lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra

para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as

drogas, suprimido a tempo.

40 [...]

Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e

defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


VERISSIMO, Luis Fernando. In: O Analista de Bagé [Adaptado]. Porto Alegre: L&PM, 1992.


De acordo com o texto III, responda às questões de números 38 a 44.

Em “E aí está o Aurelião que não me deixa mentir” (l. 31), o fenômeno linguístico que permite a nomeação de um objeto a partir de uma relação de contiguidade com outro chama-se:

 

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1598283 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Texto III

DEFENESTRAÇÃO


Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa

vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia

Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem,

5 tudo se complicaria.

— Os hermeneutas estão chegando!

— Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e

frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até

10 que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô...

— O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

15 Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água.

Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de

procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas

pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das

20 mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa.

Haveria assim defenestradores profissionais.

25 Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?

"Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma

ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a

30 palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir.

"Defenestração" vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo

pela janela.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

35 Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e

lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra

para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as

drogas, suprimido a tempo.

40 [...]

Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e

defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


VERISSIMO, Luis Fernando. In: O Analista de Bagé [Adaptado]. Porto Alegre: L&PM, 1992.


De acordo com o texto III, responda às questões de números 38 a 44.

O texto estrutura-se, predominantemente, com uma tipologia narrativa, sendo classificado como uma crônica, porque tem como propriedade característica ser um(a):

 

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1598282 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Texto III

DEFENESTRAÇÃO


Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa

vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia

Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem,

5 tudo se complicaria.

— Os hermeneutas estão chegando!

— Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e

frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até

10 que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô...

— O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

15 Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água.

Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de

procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas

pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das

20 mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa.

Haveria assim defenestradores profissionais.

25 Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?

"Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma

ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a

30 palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir.

"Defenestração" vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo

pela janela.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

35 Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e

lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra

para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as

drogas, suprimido a tempo.

40 [...]

Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e

defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


VERISSIMO, Luis Fernando. In: O Analista de Bagé [Adaptado]. Porto Alegre: L&PM, 1992.


De acordo com o texto III, responda às questões de números 38 a 44.

Em “Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão.” (l. 9), a oração destacada se liga à seguinte com determinada relação de sentido, que se caracteriza por uma ideia de:

 

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1598281 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
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Texto III

DEFENESTRAÇÃO


Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa

vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia

Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem,

5 tudo se complicaria.

— Os hermeneutas estão chegando!

— Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e

frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até

10 que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô...

— O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

15 Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água.

Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de

procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas

pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das

20 mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa.

Haveria assim defenestradores profissionais.

25 Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?

"Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma

ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a

30 palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir.

"Defenestração" vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo

pela janela.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

35 Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e

lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra

para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as

drogas, suprimido a tempo.

40 [...]

Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e

defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


VERISSIMO, Luis Fernando. In: O Analista de Bagé [Adaptado]. Porto Alegre: L&PM, 1992.


De acordo com o texto III, responda às questões de números 38 a 44.

No trecho “Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.” (l. 41 - 42), o emprego da forma verbal destacada é expressivo na construção da sentença porque marca:

 

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1598280 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Texto I

enunciado 1598280-1


Texto II

enunciado 1598280-2

Disponível em: http://portal.inep.gov.br/ Acesso em: 7 ago. 2019.



De acordo com os textos I e II, responda às questões de números 36 e 37.

A linguagem cumpre diferentes funções nos processos de comunicação. A função que predomina nos folhetos do INEP:

 

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1598279 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Texto I

enunciado 1598279-1


Texto II

enunciado 1598279-2

Disponível em: http://portal.inep.gov.br/ Acesso em: 7 ago. 2019.



De acordo com os textos I e II, responda às questões de números 36 e 37.

Nesses cartazes de comemoração dos 20 anos do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), são utilizados recursos verbais para transmitir determinada mensagem. Considerando o nível de linguagem empregado, é possível concluir que o (a):

 

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1598278 Ano: 2019
Disciplina: Educação Artística
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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A encenação de “Vestido de Noiva”, em 1953, realizada pela companhia Os Comediantes, é considerada um marco do Moderno Teatro Brasileiro. A peça, escrita por Nelson Rodrigues, revolucionou o teatro brasileiro, gerando significativas mudanças na estética da cena, tais como:

 

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1598277 Ano: 2019
Disciplina: Educação Artística
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Na primeira metade do século XX, despontaram dramaturgos que se insurgiram nas décadas de 1950 e 1960, apresentando em suas peças os temas da realidade e da cultura nacional, em contraste com o forte predomínio do repertório estrangeiro, presente na cena nacional brasileira. Entre os autores desse período, destacam-se:

 

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1598276 Ano: 2019
Disciplina: Educação Artística
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Em relação à Comédia dell’Arte, é INCORRETO afirmar que:

 

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1598275 Ano: 2019
Disciplina: Educação Artística
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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A respeito do Teatro Elisabetano, é INCORRETO afirmar que:

 

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