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Foram encontradas 438 questões.

Texto I:


OS SEM-CELULAR


Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil


O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta

encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/grandes corporações que serve para

manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999

vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive

5.quando, silenciosamente, comemora: “Humm, rosquinhas.”

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização

com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de

associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha

chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o

10.Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí,

um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos

fundadores e por conta de certos escândalos – como telefones pessoais vibrando durante a reunião

de diretoria. [...]

15.É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante

de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal

preestabelecido, como o hino do Palmeiras ou Adocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para

atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A

senha para a instauração da balbúrdia será: “É o meu! É o meu!”, e nós, os 37, assistiremos ao

20.espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas. [...]

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada

inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com

estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo

como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: “Com ou

25.sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular

mudou definitivamente as nossas vidas – e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu

potencial.”

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. “Com ou sem

radiação” virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para

30.receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de

haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas

e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta. [...]

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A

quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: ALÔ? ESTÁ ME

35.ESCUTANDO? ESTOU ENTRANDO NUM TÚNEL. E em seguida passa a fornecer informações em

tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa

que JÁ VOU CHEGAR, ESTOU NA FRENTE DO CASTELINHO, e, pouco depois: ACABEI DE

PASSAR NO PONTO DO FRANGÃO, MAIS UNS CINCO MINUTOS… É comum mentirem: em

Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. [...] Quando menos se espera, o bate-papo

40.já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que

ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas. [...]

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de

toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas

calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a

45.andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos

que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando

mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem

estava em outra era geológica e pergunta: “Quem?”, alcançando o assunto com dois meses de

atraso.

50.Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não

pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e

salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho, mas desejam

se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta

54.de casa, desde que não saibam “que botão eu aperto para atender”.



Adaptado de: BARBARA, Vanessa. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/os-sem-celular/

Acesso em: 26 jul. 2019.


Considerando o texto I, responda às questões de números 1 a 10.

Em “Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios” (l. 28), o valor semântico da conjunção sublinhada expressa uma ideia de:

 

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Texto I:


OS SEM-CELULAR


Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil


O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta

encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/grandes corporações que serve para

manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999

vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive

5.quando, silenciosamente, comemora: “Humm, rosquinhas.”

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização

com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de

associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha

chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o

10.Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí,

um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos

fundadores e por conta de certos escândalos – como telefones pessoais vibrando durante a reunião

de diretoria. [...]

15.É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante

de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal

preestabelecido, como o hino do Palmeiras ou Adocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para

atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A

senha para a instauração da balbúrdia será: “É o meu! É o meu!”, e nós, os 37, assistiremos ao

20.espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas. [...]

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada

inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com

estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo

como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: “Com ou

25.sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular

mudou definitivamente as nossas vidas – e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu

potencial.”

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. “Com ou sem

radiação” virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para

30.receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de

haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas

e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta. [...]

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A

quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: ALÔ? ESTÁ ME

35.ESCUTANDO? ESTOU ENTRANDO NUM TÚNEL. E em seguida passa a fornecer informações em

tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa

que JÁ VOU CHEGAR, ESTOU NA FRENTE DO CASTELINHO, e, pouco depois: ACABEI DE

PASSAR NO PONTO DO FRANGÃO, MAIS UNS CINCO MINUTOS… É comum mentirem: em

Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. [...] Quando menos se espera, o bate-papo

40.já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que

ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas. [...]

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de

toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas

calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a

45.andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos

que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando

mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem

estava em outra era geológica e pergunta: “Quem?”, alcançando o assunto com dois meses de

atraso.

50.Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não

pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e

salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho, mas desejam

se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta

54.de casa, desde que não saibam “que botão eu aperto para atender”.



Adaptado de: BARBARA, Vanessa. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/os-sem-celular/

Acesso em: 26 jul. 2019.


Considerando o texto I, responda às questões de números 1 a 10.

No trecho “e nós, os 37, assistiremos ao espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas.” (l. 19 - 20), o verbo assistir, transitivo indireto no enunciado destacado, apresenta-se com o sentido de ver ou presenciar. Entretanto, pode assumir outros comportamentos sintáticos, conforme a sua regência verbal. O verbo muda de sentido, conforme a regência, em:

 

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Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil


O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta

encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/grandes corporações que serve para

manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999

vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive

5.quando, silenciosamente, comemora: “Humm, rosquinhas.”

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização

com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de

associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha

chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o

10.Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí,

um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos

fundadores e por conta de certos escândalos – como telefones pessoais vibrando durante a reunião

de diretoria. [...]

15.É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante

de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal

preestabelecido, como o hino do Palmeiras ou Adocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para

atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A

senha para a instauração da balbúrdia será: “É o meu! É o meu!”, e nós, os 37, assistiremos ao

20.espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas. [...]

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada

inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com

estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo

como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: “Com ou

25.sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular

mudou definitivamente as nossas vidas – e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu

potencial.”

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. “Com ou sem

radiação” virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para

30.receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de

haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas

e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta. [...]

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A

quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: ALÔ? ESTÁ ME

35.ESCUTANDO? ESTOU ENTRANDO NUM TÚNEL. E em seguida passa a fornecer informações em

tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa

que JÁ VOU CHEGAR, ESTOU NA FRENTE DO CASTELINHO, e, pouco depois: ACABEI DE

PASSAR NO PONTO DO FRANGÃO, MAIS UNS CINCO MINUTOS… É comum mentirem: em

Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. [...] Quando menos se espera, o bate-papo

40.já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que

ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas. [...]

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de

toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas

calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a

45.andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos

que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando

mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem

estava em outra era geológica e pergunta: “Quem?”, alcançando o assunto com dois meses de

atraso.

50.Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não

pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e

salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho, mas desejam

se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta

54.de casa, desde que não saibam “que botão eu aperto para atender”.



Adaptado de: BARBARA, Vanessa. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/os-sem-celular/

Acesso em: 26 jul. 2019.


Considerando o texto I, responda às questões de números 1 a 10.

No trecho “Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada inteiramente a partir de um gerador automático de artigos [...]” (l. 21 - 22), a palavra destacada pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelo sinônimo:

 

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Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil


O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta

encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/grandes corporações que serve para

manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999

vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive

5.quando, silenciosamente, comemora: “Humm, rosquinhas.”

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização

com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de

associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha

chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o

10.Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí,

um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos

fundadores e por conta de certos escândalos – como telefones pessoais vibrando durante a reunião

de diretoria. [...]

15.É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante

de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal

preestabelecido, como o hino do Palmeiras ou Adocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para

atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A

senha para a instauração da balbúrdia será: “É o meu! É o meu!”, e nós, os 37, assistiremos ao

20.espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas. [...]

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada

inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com

estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo

como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: “Com ou

25.sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular

mudou definitivamente as nossas vidas – e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu

potencial.”

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. “Com ou sem

radiação” virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para

30.receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de

haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas

e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta. [...]

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A

quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: ALÔ? ESTÁ ME

35.ESCUTANDO? ESTOU ENTRANDO NUM TÚNEL. E em seguida passa a fornecer informações em

tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa

que JÁ VOU CHEGAR, ESTOU NA FRENTE DO CASTELINHO, e, pouco depois: ACABEI DE

PASSAR NO PONTO DO FRANGÃO, MAIS UNS CINCO MINUTOS… É comum mentirem: em

Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. [...] Quando menos se espera, o bate-papo

40.já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que

ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas. [...]

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de

toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas

calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a

45.andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos

que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando

mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem

estava em outra era geológica e pergunta: “Quem?”, alcançando o assunto com dois meses de

atraso.

50.Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não

pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e

salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho, mas desejam

se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta

54.de casa, desde que não saibam “que botão eu aperto para atender”.



Adaptado de: BARBARA, Vanessa. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/os-sem-celular/

Acesso em: 26 jul. 2019.


Considerando o texto I, responda às questões de números 1 a 10.

Em “De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem estava em outra era geológica e pergunta: ‘Quem?’, alcançando o assunto com dois meses de atraso.” (l. 48 - 49), a figura de linguagem presente neste trecho é a:

 

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Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil


O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta

encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/grandes corporações que serve para

manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999

vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive

5.quando, silenciosamente, comemora: “Humm, rosquinhas.”

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização

com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de

associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha

chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o

10.Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí,

um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos

fundadores e por conta de certos escândalos – como telefones pessoais vibrando durante a reunião

de diretoria. [...]

15.É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante

de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal

preestabelecido, como o hino do Palmeiras ou Adocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para

atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A

senha para a instauração da balbúrdia será: “É o meu! É o meu!”, e nós, os 37, assistiremos ao

20.espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas. [...]

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada

inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com

estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo

como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: “Com ou

25.sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular

mudou definitivamente as nossas vidas – e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu

potencial.”

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. “Com ou sem

radiação” virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para

30.receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de

haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas

e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta. [...]

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A

quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: ALÔ? ESTÁ ME

35.ESCUTANDO? ESTOU ENTRANDO NUM TÚNEL. E em seguida passa a fornecer informações em

tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa

que JÁ VOU CHEGAR, ESTOU NA FRENTE DO CASTELINHO, e, pouco depois: ACABEI DE

PASSAR NO PONTO DO FRANGÃO, MAIS UNS CINCO MINUTOS… É comum mentirem: em

Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. [...] Quando menos se espera, o bate-papo

40.já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que

ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas. [...]

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de

toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas

calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a

45.andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos

que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando

mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem

estava em outra era geológica e pergunta: “Quem?”, alcançando o assunto com dois meses de

atraso.

50.Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não

pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e

salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho, mas desejam

se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta

54.de casa, desde que não saibam “que botão eu aperto para atender”.



Adaptado de: BARBARA, Vanessa. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/os-sem-celular/

Acesso em: 26 jul. 2019.


Considerando o texto I, responda às questões de números 1 a 10.

No termo “sem-celular”, a preposição “sem” é empregada com o mesmo valor do prefixo presente em:

 

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Texto I:


OS SEM-CELULAR


Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil


O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta

encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/grandes corporações que serve para

manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999

vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive

5.quando, silenciosamente, comemora: “Humm, rosquinhas.”

Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização

com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de

associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha

chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o

10.Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí,

um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.

Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos

fundadores e por conta de certos escândalos – como telefones pessoais vibrando durante a reunião

de diretoria. [...]

15.É fácil reconhecer as vítimas deles. Vejam como ficam desorientados, remexendo suas bolsas diante

de qualquer ruído, mesmo quando a gente imita som de telefone com a boca. Diante de um sinal

preestabelecido, como o hino do Palmeiras ou Adocica, de Beto Barbosa, todos sairão correndo para

atender seus respectivos telemóveis e receberão ordens de aplicar petelecos uns aos outros. A

senha para a instauração da balbúrdia será: “É o meu! É o meu!”, e nós, os 37, assistiremos ao

20.espetáculo com um sorriso no rosto, tranquilos e gabolas. [...]

Outro dia, li numa revista institucional uma matéria definitiva sobre as benesses do celular, elaborada

inteiramente a partir de um gerador automático de artigos: cinco páginas de puro senso comum, com

estatísticas aleatórias e frases de efeito a cada fim de parágrafo. O texto, que de resto era profundo

como uma bateria de telefone portátil, terminava, triunfantemente, da seguinte maneira: “Com ou

25.sem radiação, símbolo de status, objeto funcional ou companheiro virtual, não importa: o celular

mudou definitivamente as nossas vidas – e o seu alcance ainda nem chegou perto de todo o seu

potencial.”

Como se pode ver, o celular realmente frita os neurônios. Em questão de minutos. “Com ou sem

radiação” virou o mote do nosso grêmio, que se gaba de ter um telefone fixo, de disco, só para

30.receber ligações dos advogados da Cooperativa de Telefonia Móvel. Também temos orgulho de

haver eleito Edson Celulari como inimigo número um da classe, num congresso que durou três horas

e terminou com uma feirinha de artesanato e papéis de carta. [...]

Em geral, o dono de uma linha iniciada com 6, 7, 8 ou 9 costuma estrear a engenhoca no ônibus. A

quem interessar possa, se é que isso algum dia interessaria a alguém, ele grita: ALÔ? ESTÁ ME

35.ESCUTANDO? ESTOU ENTRANDO NUM TÚNEL. E em seguida passa a fornecer informações em

tempo real sobre o itinerário. É esse o grande barato do telefone móvel: anunciar ao pessoal de casa

que JÁ VOU CHEGAR, ESTOU NA FRENTE DO CASTELINHO, e, pouco depois: ACABEI DE

PASSAR NO PONTO DO FRANGÃO, MAIS UNS CINCO MINUTOS… É comum mentirem: em

Copacabana, dizem que estão quase chegando no Méier. [...] Quando menos se espera, o bate-papo

40.já virou briga, com direito a descrição dos mais recentes escândalos extraconjugais. O chato é que

ninguém está autorizado a levantar a mão e tirar suas dúvidas. [...]

Como se não bastasse, os proprietários de celular são comprovadamente culpados por acidentes de

toda sorte, como o entupimento involuntário de privadas e o congestionamento de pedestres nas

calçadas. O fenômeno ocorre quando um ou mais transeuntes atendem uma chamada e passam a

45.andar mais devagar, descrevendo um movimento de cambaleante zigue-zague, para desespero dos

que estão atrás. É ruim, mas nada é pior do que tentar conversar com alguém que está mandando

mensagens. De quando em quando, o sujeito levanta a cabeça, faz a tradicional pausa de quem

estava em outra era geológica e pergunta: “Quem?”, alcançando o assunto com dois meses de

atraso.

50.Nosso grêmio está aceitando novos membros. A prioridade é para quem nunca teve um celular e não

pretende ter, nem sob o seu cadáver, mesmo que seja justamente para chamar a emergência e

salvar a própria vida. Também podem se candidatar aqueles que possuem o aparelho, mas desejam

se recuperar, os ex-nomofóbicos (dependentes patológicos) e os que o deixam desligado na gaveta

54.de casa, desde que não saibam “que botão eu aperto para atender”.



Adaptado de: BARBARA, Vanessa. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/os-sem-celular/

Acesso em: 26 jul. 2019.


Considerando o texto I, responda às questões de números 1 a 10.

No subtítulo “Nós, os 37, somos as únicas pessoas livres do Brasil”, as vírgulas foram empregadas para separar o:

 

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1598365 Ano: 2019
Disciplina: Matemática
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Sobre o lado AB de um quadrado ABCD, de 10cm de lado, marca-se um ponto P tal que AP=4cm. Traçam-se os segmentos PC e PD e a diagonal AC, que intersecta PD no ponto Q. Nessas condições, a área do triângulo PCQ, em cm², equivale a:

Enunciado 1598365-1

Nessas condições, o valor de f(f(−2)) é:

Questão Anulada

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1598284 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CEPUERJ
Orgão: Pref. Queimados-RJ
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Texto III

DEFENESTRAÇÃO


Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa

vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia

Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.

Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem,

5 tudo se complicaria.

— Os hermeneutas estão chegando!

— Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e

frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até

10 que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô...

— O que é que você quer dizer com isso?

Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

15 Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água.

Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de

procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas

pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das

20 mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa.

Haveria assim defenestradores profissionais.

25 Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?

"Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma

ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a

30 palavra exata.

Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir.

"Defenestração" vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo

pela janela.

Ato de atirar alguém ou algo pela janela!

35 Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e

lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra

para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as

drogas, suprimido a tempo.

40 [...]

Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e

defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


VERISSIMO, Luis Fernando. In: O Analista de Bagé [Adaptado]. Porto Alegre: L&PM, 1992.


De acordo com o texto III, responda às questões de números 38 a 44.

Em “Devo tê-la usado uma ou outra vez” (l. 26 - 27), a acentuação gráfica do termo destacado justifica-se pela mesma regra empregada no seguinte vocábulo:

Questão Anulada

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