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Foram encontradas 588 questões.

2563386 Ano: 2018
Disciplina: Libras
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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De acordo com Quadros e Karnopp (2004, p. 51), “a língua de sinais brasileira como as outras línguas sinais, é basicamente produzida pelas mãos, embora movimentos do corpo e da face também desempenhem funções”. Assim, seus principais parâmetros fonológicos correspondem corretamente à descrição da alternativa:

 

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2563385 Ano: 2018
Disciplina: Libras
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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“Se a língua de sinais é uma língua natural adquirida de forma espontânea pela pessoa surda em contato com pessoas que usam essa língua e se a língua oral é adquirida de forma sistematizada, então as pessoas surdas têm direito de ser ensinadas na língua sinais. A proposta bilíngue busca captar esse direito” (QUADROS, 1997, p. 27). Nesse sentido, a educação de surdos descreve uma proposta bilíngue, que envolve as línguas descritas de forma correta na alternativa:

 

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2563384 Ano: 2018
Disciplina: Libras
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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“Todas as pesquisas desenvolvidas nos últimos anos sobre a aquisição da ASL evidenciam que essa pode ser comparada à aquisição das línguas orais em muitos sentidos. Considerando que o processo de aquisição da linguagem de sinais em crianças surdas é análogo ao processo de aquisição das línguas faladas” (QUADROS, 1997, p. 70). Nesse sentido, esse processo está subdividido em estágios de aquisição, que estão corretamente descritos na alternativa:

 

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2563383 Ano: 2018
Disciplina: Libras
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Em relação ao decreto 5626/2005, que regulamenta a lei nº 10436/2002, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as afirmativas falsas.

( ) Considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras.

( ) A Libras deve ser inserida como disciplina curricular optativa nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

( ) As instituições de educação superior devem incluir a Libras como objeto de ensino, pesquisa e extensão nos cursos de formação de professores para a educação básica, nos cursos de Fonoaudiologia e nos cursos de Tradução e Interpretação de Libras- Língua Portuguesa.

( ) O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas, não deve ser incluído como disciplina curricular nos cursos de formação de professores para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental, de nível médio e superior, bem como nos cursos de licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa.

( ) A modalidade oral da Língua Portuguesa, na educação básica, não deve ser ofertada aos alunos surdos ou com deficiência auditiva, mesmo que seja em turno distinto ao da escolarização e mesmo que preveja ações integradas, entre as áreas da saúde e da educação. Nesse caso, fica resguardado o direito de opção da família ou do próprio aluno por essa modalidade.

Sobre as afirmativas acima, assinale a alternativa que contém a sequência correta das letras, de cima para baixo.

 

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2563382 Ano: 2018
Disciplina: Braille
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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De acordo com a Lei 10436/02, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais- Libras, considere as afirmações abaixo:

I. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil e do mundo.

II. As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde não tem a obrigatoriedade de garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.

III. O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.

IV. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.

Estão incorretas as afirmações:

 

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2563381 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

A fim de incentivar e despertar o prazer pela leitura e pela literatura, é indispensável o papel do professor como mediador da relação texto/leitor. Para tanto, é importante que ele conheça e respeite a idade e interesses do leitor que influenciam a preferência por diversos textos. Bordini e Aguiar, citando Richard Bamberguer, destacam cinco idades da leitura abrangendo a infância e a adolescência.

Nesse sentido, numere a coluna da esquerda de acordo com a da direita, relacionando a descrição dos níveis de leitura constantes na coluna da esquerda com as idades da coluna da direita.

(1) “Idade em que o leitor, de posse de uma mentalidade mágica vai buscar nos contos de fadas, lendas, a simbologia necessária para elaborar suas vivências e resolver seus conflitos.”

( ) 5ª fase - (14 a 17 anos)

(2) “Idade dos livros ilustrados e dos versos infantis, por seu ritmo, seus sons. É a fase do egocentrismo, em que a criança faz pouca distinção entre o mundo interno e o externo.”

( ) 4ª fase - (12 a 14 anos)

(3) “Idade das histórias de aventuras ou fase de leitura apsicológica factual, orientada para as sensações. Interesse por enredos sensacionalistas, personagens diabólicos, histórias de gangues.”

( ) 3ª fase - (9 a 12 anos)

(4) “Anos de maturidade ou desenvolvimento da esfera lítero-estética de leitura. Descoberta do mundo interior e o mundo dos valores. Interesse por conteúdo intelectual, vocacional, literatura engajada, viagens, biografias.”

( ) 1ª fase - (de 2 a 5 ou 6 anos)

(5) “Idade da história ambiental e da leitura factual. Nessa fase intermediária, a criança começa a orientar-se para o mundo real. Persiste, ainda, vestígios do pensamento mágico. Há interesse por sagas e aventuras.”

( ) 2ª fase - (5 a 8 ou 9 anos)

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos números, de cima para baixo.

 

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2563380 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

Analise as afirmações a seguir, atribuindo 100 pontos para cada afirmação correta e 50 pontos para cada afirmação incorreta. Na sequência, assinale a alternativa que contém a soma correspondente a todos os pontos.

( ) O aparelho fonador é constituído por três sistemas: o sistema respiratório, o sistema fonatório e o sistema articulatório. As partes do corpo humano utilizadas para a produção da fala, como os pulmões, alvéolos pulmonares, úvula, dentes, língua, cavidade glotal, entre outros, têm outras funções primárias, sendo a produção da fala uma função secundária desses órgãos.

( ) O som produzido com algum tipo de obstrução nas cavidades supraglotais, de maneira que haja obstrução total ou parcial da passagem da corrente de ar, podendo ou não haver fricção, denomina-se segmento consonantal. Na produção de um segmento vocálico, não há obstrução ou fricção no trato vocal. As vogais são, portanto, sons resultantes da livre passagem do ar no aparelho fonador.

( ) As vogais do alfabeto fonético do português brasileiro totalizam doze possibilidades de ocorrência, incluindo a nasalização dos fonemas /a/, /e/, /i/, /o/ e /u/. Para esses doze fonemas vocálicos, existe um sistema gráfico correspondente, constituído de 5 símbolos (letras).

( ) A gagueira é uma disfluência (= não fluência) em que o fluir normal da fala é interrompido por repetições involuntárias e/ou prolongamentos de sons, sílabas, palavras ou frases, bem como por pausas silenciosas involuntárias. Esse transtorno decorre na maioria dos casos de sérias patologias, como câncer de garganta ou de pulmão, ou de fissuras palatinas, além de sérios transtornos emocionais e psicológicos.

( ) A dislexia é um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita (disgrafia) e soletração. É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula e está associada a fatores como: má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Por esses múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar.

 

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2563379 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

No segundo parágrafo do texto, a autor diz que: “Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto.” Todo texto, porém, só se garante por sua textualidade. Nesse sentido considere os itens a seguir e, na sequência, marque a alternativa correta.

I. De acordo com VAL (1995), chama-se textualidade o conjunto de características que fazem com que um texto seja verdadeiramente um texto, e não apenas uma sequência de frases. Conforme Beaugrande e Dressler (1983), citados pela autora, os fatores responsáveis pela textualidade, em número de sete, estão ligados ao material conceitual e linguístico do texto e aos fatores pragmáticos envolvidos no processo sociocomunicativo.

II. Relacionando os conceitos de texto e textualidade, pode-se dizer que a unidade textual se constrói por três aspectos: o sociocomunicativo (através dos fatores pragmáticos, como a intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade); o aspecto semântico (através da coerência) e o aspecto formal (através da coesão).

III. Enquanto a coerência e a coesão se relacionam com o material conceitual e linguístico do texto, a intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a informatividade e a intertextualidade têm relação com os fatores envolvidos no processo sociocomunicativo.

 

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2563378 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

Considere as assertivas abaixo e, a seguir, marque a alternativa correta:

I. Segundo a teoria Behaviorista de aquisição da linguagem, a criança é uma “tábula rasa”, isto é, só desenvolve seu conhecimento linguístico por meio de estímulo-resposta, imitação e reforço. O principal representante dessa teoria é Piaget.

II. De acordo com o Cognitivismo, a aquisição e o desenvolvimento da linguagem são processos vinculados à cognição. Essa teoria foi defendida por Chomsky, o qual estabelece uma relação entre linguagem e mente.

III. A teoria Sociointeracionista defende a ideia de que todo conhecimento se constrói socialmente pela aprendizagem nas relações com os outros. O desenvolvimento da linguagem tem origem social e o principal representante dessa teoria é Vygostsky.

IV. Para Saussure, a língua é uma instituição social no qual aquilo que é significado está arbitrariamente associado com aquilo que significa (significante e significado), ideia da qual resulta um de seus princípios mais famosos, que é o da arbitrariedade do signo.

V. A efetivação das fases do processo de aquisição da linguagem pela criança está associada a vários fatores extralinguísticos, como: classe social da família da criança, grau de escolaridade dos pais, origem, contato com bens culturais, local onde reside, entre outros fatores afins.

VI. Conforme alguns pesquisadores do processo de aquisição da linguagem, o balbucio está ligado à maturação biológica, já que mesmo as crianças surdas balbuciam. O balbucio das crianças surdas começa na mesma época em que começa o balbucio de crianças normais, porém termina um pouco mais cedo.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2563377 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

“As crianças não acordam uma bela manhã com uma gramática perfeitamente formulada na cabeça ou sabendo todas ‘as regras’ de convívio social e comunicativo. A língua é adquirida por fases e diz-se que cada fase sucessiva se aproxima mais da gramática do adulto. A observação de crianças em diferentes áreas linguísticas do mundo revela que as fases são muito semelhantes, possivelmente universais. [...] Algumas fases podem sobrepor-se durante um período curto, embora muitas vezes se tenha observado uma transição bastante rápida de uma fase para a outra”. (Fromkin e Rodman, Introdução à Linguagem, 1993, p. 352-353).

Considerando as fases de aquisição da linguagem pela criança, relacione corretamente as descrições da coluna da direita de acordo com as fases descritas na coluna da esquerda.

( 1 ) Fase do balbucio

( ) Produções linguísticas semelhantes a frases, com estruturas hierarquizadas de constituintes semelhantes às estruturas sintáticas presentes nas frases da gramática de uma pessoa adulta.

( 2 ) Fase holofrástica

( ) Os sons produzidos nesse período incluem os sons da linguagem humana, com a produção de vogais e de consoantes, em estruturas silábicas simples (CV).

( 3 ) Fase de duas palavras

( ) A criança se vale de uma única palavra para expressar seus desejos. Essa palavra tem o valor de uma sentença.

( 4 ) Fase do telégrafo para o infinito

( ) Nessa fase, os enunciados são compostos basicamente por palavras de conteúdo (substantivo, verbo, adjetivo), ficando excluídos os funtores (palavras com pouca carga semântica e facilmente previsíveis). A criança estabelece entre as palavras usadas uma relação sintática e semântica.

A sequência numérica correta, de cima para baixo, é a da alternativa:

 

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