Foram encontradas 280 questões.
O que é mesmo a língua brasileira?
Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: julho de 2025.)
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O que é mesmo a língua brasileira?
Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
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Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
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Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
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Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
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Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: julho de 2025.)
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O que é mesmo a língua brasileira?
Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: julho de 2025.)
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O que é mesmo a língua brasileira?
Nos últimos tempos, voltou ao debate a ideia de que o português do Brasil deve ser tratado como uma língua distinta
daquela falada em Portugal. Os defensores dessa proposta, no entanto, não parecem assumir uma perspectiva nacionalista,
como se poderia imaginar à primeira vista. Não é essa a questão, nem de longe. O que parece alimentar a tese da língua brasi
leira hoje, no século 21, é a valorização da oralidade, naturalmente suscetível a grande variação tanto regional como diastrática.
Enfatizam-se as diferenças colhidas no registro distenso da língua a pretexto de valorizar a diversidade, agora mais relevante
que a unidade. A diversidade seria “real” e a unidade seria “fictícia”.
Com base nesse olhar, atento mais às mudanças que às permanências, propõe-se uma atualização do cânone da língua
padrão, que estaria ultrapassado. Assim, as obras literárias consagradas deixariam de ser o modelo de correção gramatical,
papel que passaria a ser desempenhado pelo texto jornalístico e pela produção acadêmica. Em tese, a mudança de corpus não
deveria fazer grande diferença, pois tanto jornalistas como graduandos, mestrandos, doutorandos e professores universitários
fazem uso da norma padrão sistematizada nas gramáticas. Ou não?
Sim e, às vezes, não. Grandes jornais costumam ter manuais de orientação editorial, que, baseados nas gramáticas, servem
para tirar dúvidas de quem escreve contra o relógio no dia a dia. Há muito tempo, porém, dispensaram a figura do revisor (ou
do “copidesque”), atividade que já foi exercida – em tempos ainda mais distantes – por gente do quilate de Graciliano Ramos,
José Saramago e Machado de Assis, entre outros que conhecemos pelo brilho de suas obras literárias.
O fato é que, sem o revisor, a tendência é haver menos rigor no uso da norma padrão. Há, sem dúvida, jornalistas que se
revelam exímios escritores (não faltam exemplos), mas outros ainda estão ganhando experiência. Claro está que todos, indistin
tamente, participariam desse novo cânone. Na prática, o que eram “erros gramaticais”, às vezes mero fruto de lapso, ganharia
status de modelo de correção. Não é demasiado lembrar que a atividade do jornalista não se resume a escrever, o que, de saída,
o distingue de escritores propriamente ditos. Estes últimos é que se ocupam de fato de burilar a linguagem, explorando a pleni
tude de seus recursos. Sempre foi assim.
Os textos produzidos por estudantes universitários, por vezes, refletem falhas da formação escolar anterior – e quem o diz
são os próprios professores que leem os trabalhos deles. Alguns orientadores sugerem a alunos que submetam seus trabalhos
à revisão profissional, mas muitos outros não o fazem. Além disso, frequentemente esses trabalhos são revisados por outros
estudantes, em busca de um “bico” para arredondar o orçamento. O resultado é novamente a irregularidade.
O novo cânone seria, então, muito abrangente. Naturalmente, para ser “novo”, teria de assegurar a pureza do corpus,
liberto da interferência de algum tacanho revisor de texto. Não por acaso, os revisores vêm sendo tachados de “elitistas” e até
de “reacionários”. Seriam, no plano específico de sua atividade, defensores da “unidade fictícia” em detrimento da “diversidade
real” e, no plano geral, defensores de uma tradição que, por muitos motivos, deveria ser questionada.
Em outras palavras, a posição “progressista” no debate é a que introduz como modelo de correção gramatical os textos
jornalísticos e universitários em “estado puro”, que, afinal, sem a interferência fantasmagórica do revisor, seriam a expressão
“real” da língua da camada culta da população. Com esse modelo, por certo, não nos livramos do “elitismo”, mas, talvez, apenas
dos revisores.
Não vamos negar que haja revisores de mão pesada, pouco sensíveis ao estilo de algum escritor, mas é falso tomá-los
como padrão da profissão. O revisor não é um mero “caçador de erros”, muito menos alguém que decore meia dúzia de regras
gramaticais e se gabe de suposta sapiência para diminuir o valor alheio. Existe gente séria fazendo trabalho sério nessa área,
gente que estuda, pesquisa, consulta, confere, mas atua longe dos holofotes, como o simpático personagem da “História do
Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Ao defender, na sua atividade, o conhecimento consolidado nas gramáticas, o revisor usa como modelo não o seu estilo
pessoal (como parece fazer quem advoga em causa própria), mas um patrimônio coletivo constituído pela tradição cultural.
Demonizar esse profissional, sob o duvidoso pretexto de “democratizar” a língua, é perda de tempo. Ao que tudo indica, esse
“novo cânone”, se sair do discurso fácil de ser “curtido” nas redes sociais, vai enfrentar grandes dificuldades técnicas, se não a
total impossibilidade de concretização. Com objetivos pouco claros, pode ser apenas uma batalha fadada a ser inglória.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: julho de 2025.)
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Em uma escola da rede municipal de ensino de Uberlândia, a equipe pedagógica analisa os resultados de uma avaliação diagnóstica aplicada no início do ano letivo. Os dados indicam que muitos alunos do 5º ano do ensino fundamental apresentam
dificuldades de leitura e escrita. A analista pedagógica responsável propõe a reorganização do planejamento didático com foco
no desenvolvimento da competência leitora, sugerindo a flexibilização de turmas em ciclos de aprendizagem e a implementação de estratégias de acompanhamento pedagógico integradas ao cotidiano da sala de aula. Considerando as normativas dispostas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº 9.394/1996), a proposta da analista se fundamenta em:
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O conhecimento das tendências pedagógicas possibilita ao profissional da educação planejar práticas mais críticas, consci
entes e contextualizadas, considerando diferentes concepções de ensino, aprendizagem e formação humana. Nesse sentido,
é correto afirmar que tal compreensão permite reconhecer que:
I. As pedagogias críticas defendem que a escola deve promover a reflexão sobre as contradições sociais, articulando conteú dos escolares ao contexto histórico e à realidade vivida pelos alunos.
II. As pedagogias pós-críticas ou pós-modernas valorizam a pluralidade cultural, os saberes locais e as identidades, questio nando a noção de currículo universal e a ideia de uma cultura escolar neutra.
III. Nas pedagogias progressistas, a aprendizagem é concebida como processo ativo, no qual o educando constrói o conheci mento em interação com o meio, em oposição à simples transmissão de conteúdos.
IV. As pedagogias liberais, em geral, priorizam a formação técnica e profissional imediata, buscando atender às demandas do mercado de trabalho.
Está correto o que se afirma em
I. As pedagogias críticas defendem que a escola deve promover a reflexão sobre as contradições sociais, articulando conteú dos escolares ao contexto histórico e à realidade vivida pelos alunos.
II. As pedagogias pós-críticas ou pós-modernas valorizam a pluralidade cultural, os saberes locais e as identidades, questio nando a noção de currículo universal e a ideia de uma cultura escolar neutra.
III. Nas pedagogias progressistas, a aprendizagem é concebida como processo ativo, no qual o educando constrói o conheci mento em interação com o meio, em oposição à simples transmissão de conteúdos.
IV. As pedagogias liberais, em geral, priorizam a formação técnica e profissional imediata, buscando atender às demandas do mercado de trabalho.
Está correto o que se afirma em
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