Foram encontradas 125 questões.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Casa de vô
Todo avô toma remédio, usa dentadura e tira soneca
depois do almoço. O meu, não.
Não toma pílula nem xarope. E, à tarde, fica acordado,
brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
Texto Adaptado
VICHESSI, Beatriz. Casa de vô. In: Nova Escola
− Contos (Leitor
Iniciante). São Paulo: Nova Escola, 2010. Disponível em:
https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/CxpHhuwPTXCPgcx
nC2mpdYvJzjcqsBFzQ8wyZPA2uYwXtGhQjwKKV7aDuKFz/contos-leit
oriniciante.pdf . Acesso em: 31 dez. 2025.
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Não toma pílula nem xarope. E, à tarde, fica acordado,
brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
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VICHESSI, Beatriz. Casa de vô. In: Nova Escola
− Contos (Leitor
Iniciante). São Paulo: Nova Escola, 2010. Disponível em:
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
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− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
Texto Adaptado
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Iniciante). São Paulo: Nova Escola, 2010. Disponível em:
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
Texto Adaptado
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
Texto Adaptado
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depois do almoço. O meu, não.
Não toma pílula nem xarope. E, à tarde, fica acordado,
brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
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− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de
semana. E quase nunca está em casa. De calça
comprida (enquanto todas as avós do mundo usam
saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
você perto de mim.
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brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de
resto é diferente.
Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda
avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para
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semana. E quase nunca está em casa. De calça
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saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.
Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o
papagaio e os cachorros conversam misturando latidos,
uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel
pelo chão. É a brincadeira do Pisei.
− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.
Vovô explica sua invenção:
− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e
comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir
perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem
pisar em mais pedaços.
Eu começo.
− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando
os olhos.
− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de
caminhar um tiquinho.
− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do
trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso
abrir os olhos para responder. É quebra de regra.
− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.
− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.
Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de
praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela
sendo armada e das folhas nas mãos dele.
Sigo.
− Pisei?
E nada.
Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos.
Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um
abraço de vitória.
− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo,
meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos
braços dele.
− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele
explica, sorrindo.
− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter
colado os pedacinhos no chão e recomeçado...
− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com
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VICHESSI, Beatriz. Casa de vô. In: Nova Escola
− Contos (Leitor
Iniciante). São Paulo: Nova Escola, 2010. Disponível em:
https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/CxpHhuwPTXCPgcx
nC2mpdYvJzjcqsBFzQ8wyZPA2uYwXtGhQjwKKV7aDuKFz/contos-leit
oriniciante.pdf . Acesso em: 31 dez. 2025.
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