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Foram encontradas 320 questões.

3324003 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS

Pensando o Brasil

Talvez eu devesse escrever "Pensando no Brasil", significando duplamente quem, neste país, pensa e quem pensa sobre o Brasil. Seja como for, pensamos que vimos tudo, e nos enganamos. Assim, recentemente no Rio peguei um taxista bem idoso, perto dos 80 anos. Valente, falante, devotadamente dirigia seu carro aos trancas, e discorria sem parar sobre as belezas da cidade e da vida no Brasil. Nunca se discutam as belezas do Rio, mas, nesta fase de obras e manifestações pululando por toda parte, até respirar fica difícil, quanto mais movimentar-se, cumprir horários e compromissos. O taxista, porém, estava numa felicidade transbordante e dizia (cito(a)-o com todo o respeito e quero(a) dizer que não são opiniões minhas, mas dele ):"Eu acho(a) este tempo agora maravilhoso. Sou um matuto, vim O para cá aos 18 anos, tenho 78, mas ainda sou um matuto. Só que hoje sou um matuto feliz, porque nos primeiros tempos de Rio eu passava dias sem comer; hoje estou sempre de barriga cheia, e nos domingos meu filho ainda assa(a) uma picanha."

Essa obsessão pela picanha dominical perpassou todo o seu monólogo. "Gente como a madame (era eu) e a garota (era a jornalista que me acompanhava) são de outra classe, não entendem isso do povo, o povão como eu. Para nós não importa(b) se os caras lá de cima estão roubando(b), se as pessoas piores vão(b) para os postos mais importantes, se as autoridades estão mentindo(b), se o Brasil deve(b) para os estrangeiros: para nós interessa que a nossa barriga está cheia(c) e nossos filhos estão na escola(c)." A jornalista tentou argumentar que muitas vezes a escola estava em péssimas condições, faltavam professores, cadernos, livros, até giz, mas ele não desistiu do seu entusiasmo: "Isso não importa; nem que sejam dois dias por semana, meus netos estão na escola, a gente tem a barriga cheia e, nos domingos, meu filho assa uma picanha."

Pensei que, da sua perspectiva, ele tinha razão e talvez por isso nada mude tão cedo por aqui. A imensa maioria não lê, não só por ser analfabeta ou sem tempo para isso, mas também porque pouco lhe significam ideologias ou ética, nem quer saber, por exemplo, se agora professores de faculdade de medicina não vão precisar ter mestrado nem doutorado e instituições que foram ícones começam a desmoronar também. Eles pensam em suas dificuldades imediatas, que nem sempre consigo imaginar, em suas razões que não posso contestar - é isso também o nosso país, assim pensado por tantos de seus filhos.

Minha segunda reflexão - com todo o respeito pela jovem em questão - é o fato de uma moça, cantora ou bailarina, ser considerada, numa questão dada por um professor de ensino médio, uma "pensadora do Brasil". Sou preconceituosa? Em algumas coisas, confesso que sou. Não sei se o professor quis fazer ironia ou falava sério, mostrando uma realidade tão triste quanto barrigas vazias, gente parindo ou morrendo no chão, os assassinatos, a violência cotidiana, réus de vários processos indicados para cargos importantes e toda a loucura solta.

Quem profissionalmente pensava o Brasil e nos informava sobre ele, tentando nos manter lúcidos, anda nos tropeços: o lpea era inamovível, indiscutível, mas explode no país aquele erro grotesco sobre mulheres que merecem ser estupradas. Diante da gritaria geral, volta atrás(e): foi um erro. Quantas informações essenciais para nossos trabalhos e estudos terão sido(d) apenas um erro, um errinho e baseados nele erramos também? Vejo uma netinha na imprensa dizendo que se pretende começar a cercear o IBGE: seus dados sobre o Brasil não andam agradando. E, assim , pessoas e instituições aos poucos vão-se desmanchando no ar. Quem pensa, no Brasil já não sabe o que pensar; quem pensava estar certo se atrapalhou, e nós, que queremos pensar, e acertar, estamos aturdidos. Somos antipatriotas? Somos alienados, ignorantes, rabugentos? Somos provavelmente apenas brasileiros desejosos de mudanças. Talvez nada se consiga, mas sempre há aquela última esperança. E, se tudo der errado, restará(d) a picanha do domingo. (Por Lya Luft, Veja, edição 2.370, ano 47, n. 17, 23 de abril de 2014, p. 22. Com adaptações).

Mediante análise do emprego de tempos e modos verbais no texto, é correto afirmar que:

 

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3324002 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS

Pensando o Brasil

Talvez eu devesse escrever "Pensando no Brasil", significando duplamente quem, neste país, pensa e quem pensa sobre o Brasil. Seja como for, pensamos que vimos tudo, e nos enganamos. Assim, recentemente no Rio peguei um taxista bem idoso, perto dos 80 anos. Valente, falante, devotadamente dirigia seu carro aos trancas, e discorria sem parar sobre as belezas da cidade e da vida no Brasil. Nunca se discutam as belezas do Rio, mas, nesta fase de obras e manifestações pululando por toda parte, até respirar fica difícil, quanto mais movimentar-se, cumprir horários e compromissos. O taxista(b), porém, estava numa felicidade transbordante e dizia (cito-o com todo o respeito e quero dizer que não são opiniões minhas, mas dele ):"Eu acho este tempo agora maravilhoso. Sou um matuto, vim O para cá aos 18 anos, tenho 78, mas ainda sou um matuto. Só que hoje sou um matuto feliz, porque nos primeiros tempos de Rio eu passava dias sem comer; hoje estou sempre de barriga cheia, e nos domingos meu filho ainda assa uma picanha."

Essa obsessão pela picanha dominical perpassou todo o seu monólogo. "Gente como a madame (era eu) e a garota (era a jornalista que me acompanhava) são de outra classe(a), não entendem isso do povo, o povão(a) como eu. Para nós não importa se os caras lá de cima estão roubando, se as pessoas piores vão para os postos mais importantes, se as autoridades estão mentindo, se o Brasil deve para os estrangeiros: para nós interessa que a nossa barriga está cheia e nossos filhos estão na escola." A jornalista tentou argumentar que muitas vezes a escola estava em péssimas condições, faltavam professores, cadernos, livros, até giz, mas ele não desistiu do seu entusiasmo: "Isso não importa; nem que sejam dois dias por semana, meus netos estão na escola, a gente tem a barriga cheia e, nos domingos, meu filho assa uma picanha."

Pensei que, da sua perspectiva, ele(b) tinha razão e talvez por isso nada mude tão cedo por aqui. A imensa maioria(e) não lê, não só por ser analfabeta ou sem tempo para isso, mas também porque pouco lhe(b) significam ideologias ou ética, nem quer saber, por exemplo, se agora professores de faculdade de medicina(d) não vão precisar ter mestrado nem doutorado e instituições que foram ícones começam a desmoronar também. Eles(d,e) pensam em suas dificuldades imediatas, que nem sempre consigo imaginar, em suas razões que não posso contestar - é isso também o nosso país, assim pensado por tantos de seus filhos.

Minha segunda reflexão - com todo o respeito pela jovem em questão - é o fato de uma moça, cantora ou bailarina, ser considerada, numa questão dada por um professor de ensino médio, uma "pensadora do Brasil". Sou preconceituosa? Em algumas coisas, confesso que sou. Não sei se o professor quis fazer ironia ou falava sério, mostrando uma realidade tão triste quanto barrigas vazias, gente parindo ou morrendo no chão, os assassinatos, a violência cotidiana, réus de vários processos indicados para cargos importantes e toda a loucura solta.

Quem profissionalmente pensava o Brasil e nos informava sobre ele, tentando nos manter lúcidos, anda nos tropeços: o lpea era inamovível, indiscutível, mas explode no país aquele erro grotesco sobre mulheres que merecem ser estupradas. Diante da gritaria geral, volta atrás: foi um erro. Quantas informações essenciais para nossos trabalhos e estudos terão sido apenas um erro, um errinho e baseados nele erramos também? Vejo uma netinha na imprensa(c) dizendo que se pretende começar a cercear o IBGE: seus(c) dados sobre o Brasil não andam agradando. E, assim , pessoas e instituições aos poucos vão-se desmanchando no ar. Quem pensa, no Brasil já não sabe o que pensar; quem pensava estar certo se atrapalhou, e nós, que queremos pensar, e acertar, estamos aturdidos. Somos antipatriotas? Somos alienados, ignorantes, rabugentos? Somos provavelmente apenas brasileiros desejosos de mudanças. Talvez nada se consiga, mas sempre há aquela última esperança. E, se tudo der errado, restará a picanha do domingo. (Por Lya Luft, Veja, edição 2.370, ano 47, n. 17, 23 de abril de 2014, p. 22. Com adaptações).

Sobre relações de coesão referencial estabelecidas no texto é possível afirmar que:

 

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3324001 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS

Pensando o Brasil

Talvez eu devesse escrever "Pensando no Brasil", significando duplamente quem, neste país, pensa e quem pensa sobre o Brasil. Seja como for, pensamos que vimos tudo(a), e nos enganamos. Assim, recentemente no Rio peguei um taxista bem idoso, perto dos 80 anos. Valente, falante, devotadamente dirigia seu carro aos trancas, e discorria sem parar sobre as belezas da cidade e da vida no Brasil. Nunca se discutam as belezas do Rio, mas, nesta fase de obras e manifestações pululando por toda parte, até respirar fica difícil(b), quanto mais movimentar-se, cumprir horários e compromissos. O taxista, porém, estava numa felicidade transbordante e dizia (cito-o com todo o respeito e quero dizer que não são opiniões minhas, mas dele ):"Eu acho este tempo agora maravilhoso. Sou um matuto, vim O para cá aos 18 anos, tenho 78, mas ainda sou um matuto(c). Só que hoje sou um matuto feliz, porque nos primeiros tempos de Rio eu passava dias sem comer; hoje estou sempre de barriga cheia, e nos domingos meu filho ainda assa uma picanha(c)."

Essa obsessão pela picanha dominical perpassou todo o seu monólogo. "Gente como a madame (era eu) e a garota (era a jornalista que me acompanhava) são de outra classe, não entendem isso do povo, o povão como eu. Para nós não importa se os caras lá de cima estão roubando, se as pessoas piores vão para os postos mais importantes, se as autoridades estão mentindo, se o Brasil deve para os estrangeiros: para nós interessa que a nossa barriga está cheia e nossos filhos estão na escola." A jornalista tentou argumentar que muitas vezes a escola estava em péssimas condições, faltavam professores, cadernos, livros, até giz, mas ele não desistiu do seu entusiasmo: "Isso não importa; nem que sejam(e) dois dias por semana, meus netos estão na escola, a gente tem a barriga cheia e, nos domingos, meu filho assa uma picanha."

Pensei que, da sua perspectiva, ele tinha razão e talvez por isso nada mude tão cedo por aqui. A imensa maioria não lê, não só por ser analfabeta ou sem tempo para isso, mas também porque pouco lhe significam ideologias ou ética, nem quer saber, por exemplo, se agora professores de faculdade de medicina não vão precisar ter mestrado nem doutorado(e) e instituições que foram ícones começam a desmoronar também. Eles pensam em suas dificuldades imediatas, que nem sempre(e) consigo imaginar, em suas razões que não posso contestar - é isso também o nosso país, assim pensado por tantos de seus filhos.

Minha segunda reflexão - com todo o respeito pela jovem em questão - é o fato de uma moça, cantora ou bailarina, ser considerada, numa questão dada por um professor de ensino médio, uma "pensadora do Brasil". Sou preconceituosa? Em algumas coisas, confesso que sou. Não sei se o professor quis fazer ironia ou falava sério, mostrando uma realidade tão triste quanto barrigas vazias, gente parindo ou morrendo no chão, os assassinatos, a violência cotidiana, réus de vários processos indicados para cargos importantes e toda a loucura solta.

Quem profissionalmente pensava o Brasil e nos informava sobre ele, tentando nos manter lúcidos, anda nos tropeços: o lpea era inamovível, indiscutível, mas explode no país aquele erro grotesco sobre mulheres que merecem ser estupradas. Diante da gritaria geral, volta atrás: foi um erro. Quantas informações essenciais para nossos trabalhos e estudos terão sido apenas um erro, um errinho(d) e baseados nele erramos também? Vejo uma netinha(d) na imprensa dizendo que se pretende começar a cercear o IBGE: seus dados sobre o Brasil não andam agradando. E, assim , pessoas e instituições aos poucos vão-se desmanchando no ar. Quem pensa, no Brasil já não sabe o que pensar; quem pensava estar certo se atrapalhou, e nós, que queremos pensar, e acertar, estamos aturdidos. Somos antipatriotas? Somos alienados, ignorantes, rabugentos? Somos provavelmente apenas brasileiros desejosos de mudanças. Talvez nada se consiga, mas sempre há aquela última esperança. E, se tudo der errado, restará a picanha do domingo. (Por Lya Luft, Veja, edição 2.370, ano 47, n. 17, 23 de abril de 2014, p. 22. Com adaptações).

A compreensão de um texto depende também, dentre outros aspectos, da identificação de sentidos produzidos por estruturas linguísticas ou da significação de palavras ou expressões. Assim, assinale a alternativa que traz o comentário correto.

 

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3324000 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS

Pensando o Brasil

Talvez eu devesse escrever "Pensando no Brasil", significando duplamente quem, neste país, pensa e quem pensa sobre o Brasil. Seja como for, pensamos que vimos tudo, e nos enganamos. Assim, recentemente no Rio peguei um taxista bem idoso, perto dos 80 anos. Valente, falante, devotadamente dirigia seu carro aos trancas, e discorria sem parar sobre as belezas da cidade e da vida no Brasil. Nunca se discutam as belezas do Rio, mas, nesta fase de obras e manifestações pululando por toda parte, até respirar fica difícil, quanto mais movimentar-se, cumprir horários e compromissos(a). O taxista, porém, estava numa felicidade transbordante e dizia (cito-o com todo o respeito e quero dizer que não são opiniões minhas, mas dele ):"Eu acho este tempo agora maravilhoso. Sou um matuto, vim O para cá aos 18 anos, tenho 78, mas ainda sou um matuto. Só que hoje sou um matuto feliz, porque nos primeiros tempos de Rio eu passava dias sem comer; hoje estou sempre de barriga cheia, e nos domingos meu filho ainda assa uma picanha."

Essa obsessão pela picanha dominical perpassou todo o seu monólogo. "Gente como a madame (era eu) e a garota (era a jornalista que me acompanhava) são de outra classe, não entendem isso do povo, o povão como eu. Para nós não importa se os caras lá de cima estão roubando, se as pessoas piores vão para os postos mais importantes, se as autoridades estão mentindo, se o Brasil deve para os estrangeiros: para nós interessa que a nossa barriga está cheia e nossos filhos estão na escola." A jornalista tentou argumentar que muitas vezes a escola estava em péssimas condições, faltavam professores, cadernos, livros, até giz, mas ele não desistiu do seu entusiasmo: "Isso não importa; nem que sejam dois dias por semana, meus netos estão na escola, a gente tem a barriga cheia e, nos domingos, meu filho assa uma picanha."

Pensei que, da sua perspectiva, ele tinha razão e talvez por isso nada mude tão cedo por aqui. A imensa maioria não lê, não só por ser analfabeta ou sem tempo para isso(b,c,d), mas também porque pouco lhe significam ideologias ou ética(b,c,e), nem quer saber, por exemplo, se agora professores de faculdade de medicina não vão precisar ter mestrado nem doutorado e instituições que foram ícones começam a desmoronar também. Eles pensam em suas dificuldades imediatas, que nem sempre consigo imaginar, em suas razões que não posso contestar - é isso também o nosso país, assim pensado por tantos de seus filhos.

Minha segunda reflexão - com todo o respeito pela jovem em questão - é o fato de uma moça, cantora ou bailarina(e), ser considerada, numa questão dada por um professor de ensino médio, uma "pensadora do Brasil". Sou preconceituosa? Em algumas coisas, confesso que sou. Não sei se o professor quis fazer ironia ou falava sério(d), mostrando uma realidade tão triste quanto barrigas vazias(a), gente parindo ou morrendo no chão(d), os assassinatos, a violência cotidiana, réus de vários processos indicados para cargos importantes e toda a loucura solta.

Quem profissionalmente pensava o Brasil e nos informava sobre ele, tentando nos manter lúcidos, anda nos tropeços: o lpea era inamovível, indiscutível, mas explode no país aquele erro grotesco sobre mulheres que merecem ser estupradas. Diante da gritaria geral, volta atrás: foi um erro. Quantas informações essenciais para nossos trabalhos e estudos terão sido apenas um erro, um errinho - e baseados nele erramos também? Vejo uma netinha na imprensa dizendo que se pretende começar a cercear o IBGE: seus dados sobre o Brasil não andam agradando. E, assim , pessoas e instituições aos poucos vão-se desmanchando no ar. Quem pensa, no Brasil já não sabe o que pensar; quem pensava estar certo se atrapalhou, e nós, que queremos pensar, e acertar, estamos aturdidos. Somos antipatriotas? Somos alienados, ignorantes, rabugentos? Somos provavelmente apenas brasileiros desejosos de mudanças. Talvez nada se consiga, mas sempre há aquela última esperança. E, se tudo der errado, restará a picanha do domingo. (Por Lya Luft, Veja, edição 2.370, ano 47, n. 17, 23 de abril de 2014, p. 22. Com adaptações).

O reconhecimento das relações de sentido estabelecidas no texto é um dos requisitos para sua compreensão. Assinale a alternativa em que o comentário sobre a relação nela mencionada está correto.

 

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3323999 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS

Pensando o Brasil

Talvez eu devesse escrever "Pensando no Brasil", significando duplamente quem, neste país, pensa e quem pensa sobre o Brasil. Seja como for, pensamos que vimos tudo, e nos enganamos. Assim, recentemente no Rio peguei um taxista bem idoso, perto dos 80 anos. Valente, falante, devotadamente dirigia seu carro aos trancas, e discorria sem parar sobre as belezas da cidade e da vida no Brasil. Nunca se discutam as belezas do Rio, mas, nesta fase de obras e manifestações pululando por toda parte, até respirar fica difícil, quanto mais movimentar-se, cumprir horários e compromissos. O taxista, porém, estava numa felicidade transbordante e dizia (cito-o com todo o respeito e quero dizer que não são opiniões minhas, mas dele ):"Eu acho este tempo agora maravilhoso. Sou um matuto, vim O para cá aos 18 anos, tenho 78, mas ainda sou um matuto. Só que hoje sou um matuto feliz, porque nos primeiros tempos de Rio eu passava dias sem comer; hoje estou sempre de barriga cheia, e nos domingos meu filho ainda assa uma picanha."

Essa obsessão pela picanha dominical perpassou todo o seu monólogo. "Gente como a madame (era eu) e a garota (era a jornalista que me acompanhava) são de outra classe, não entendem isso do povo, o povão como eu. Para nós não importa se os caras lá de cima estão roubando, se as pessoas piores vão para os postos mais importantes, se as autoridades estão mentindo, se o Brasil deve para os estrangeiros: para nós interessa que a nossa barriga está cheia e nossos filhos estão na escola." A jornalista tentou argumentar que muitas vezes a escola estava em péssimas condições, faltavam professores, cadernos, livros, até giz, mas ele não desistiu do seu entusiasmo: "Isso não importa; nem que sejam dois dias por semana, meus netos estão na escola, a gente tem a barriga cheia e, nos domingos, meu filho assa uma picanha."

Pensei que, da sua perspectiva, ele tinha razão e talvez por isso nada mude tão cedo por aqui. A imensa maioria não lê, não só por ser analfabeta ou sem tempo para isso, mas também porque pouco lhe significam ideologias ou ética, nem quer saber, por exemplo, se agora professores de faculdade de medicina não vão precisar ter mestrado nem doutorado e instituições que foram ícones começam a desmoronar também. Eles pensam em suas dificuldades imediatas, que nem sempre consigo imaginar, em suas razões que não posso contestar - é isso também o nosso país, assim pensado por tantos de seus filhos.

Minha segunda reflexão - com todo o respeito pela jovem em questão - é o fato de uma moça, cantora ou bailarina, ser considerada, numa questão dada por um professor de ensino médio, uma "pensadora do Brasil". Sou preconceituosa? Em algumas coisas, confesso que sou. Não sei se o professor quis fazer ironia ou falava sério, mostrando uma realidade tão triste quanto barrigas vazias, gente parindo ou morrendo no chão, os assassinatos, a violência cotidiana, réus de vários processos indicados para cargos importantes e toda a loucura solta.

Quem profissionalmente pensava o Brasil e nos informava sobre ele, tentando nos manter lúcidos, anda nos tropeços: o lpea era inamovível, indiscutível, mas explode no país aquele erro grotesco sobre mulheres que merecem ser estupradas. Diante da gritaria geral, volta atrás: foi um erro. Quantas informações essenciais para nossos trabalhos e estudos terão sido apenas um erro, um errinho - e baseados nele erramos também? Vejo uma netinha na imprensa dizendo que se pretende começar a cercear o IBGE: seus dados sobre o Brasil não andam agradando. E, assim , pessoas e instituições aos poucos vão-se desmanchando no ar. Quem pensa, no Brasil já não sabe o que pensar; quem pensava estar certo se atrapalhou, e nós, que queremos pensar, e acertar, estamos aturdidos. Somos antipatriotas? Somos alienados, ignorantes, rabugentos? Somos provavelmente apenas brasileiros desejosos de mudanças. Talvez nada se consiga, mas sempre há aquela última esperança. E, se tudo der errado, restará a picanha do domingo. (Por Lya Luft, Veja, edição 2.370, ano 47, n. 17, 23 de abril de 2014, p. 22. Com adaptações).

Assinale a alternativa em que se demonstra adequada compreensão de sentidos ou ideias articulados no texto.

 

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3324314 Ano: 2013
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS
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A Empresa VG Ltda realiza vendas de 60 unidades das mercadorias que havia adquirido, no mesmo período, com margem líquida de 20% sobre o valor da venda, incluso o ICMS de 15%. O setor de compras registrou as compras de 80 unidades no valor total de R$ 9.600,00, com 15% de ICMS incluso. É correto afirmar que:

Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
3324313 Ano: 2013
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS
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Empresa "GW" Ltda registra os seguintes fatos contábeis no decorrer do exercício:

► Pagamento de despesa de aluguel em cheque, no valor de R$ 1.200,00, com juros passivos de R$ 120,00.

► Recebimento de duplicatas a receber por meio de crédito em conta, no valor de R$ 5.500,00, com juros ativos de R$ 100,00.

► Baixa de Duplicatas descontadas no valor de R$ 3.500,00. É correto afirmar que:

Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
3324312 Ano: 2013
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS
Provas:

Determinada empresa dispõe no seu balancete de verificação as seguintes informações:

Contas

VALOR - R$ Contas

VALOR - R$

Despesas com Aluguéis

2.200,00 Aluguéis a Pagar

3.500,00

Móveis e Utensílios

15.000,00 Despesas com Salários

6.800,00

ICMS a Recolher

6.300,00 Despesas Materiais Consumo

3.200,00

Despesas com ICMS

8.500,00 Máquinas e equipamentos

50.000,00

PIS E COFINS a Recolher

4.800,00 Duplicatas a Receber

37.000,00

Bancos conta Movimento

46.200,00 Estoques

37.400,00

Salários a Pagar

8.300,00 Receitas brutas

64.200,00

Caixa

18.600,00 Fornecedores

36.300,00

Capital Social

130.000,00 Custos das Merc. Vendidas

35.800,00

Lucros Acumulados

14.500,00 Despesas com tributos s/
vendas

7.200,00

É correto afirmar que o Capital Circulante Líquido da empresa é de:

Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
3324311 Ano: 2013
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS
Provas:

Quanto aos métodos de avaliação de Estoque é correto afirmar que a utilização do método de custeio:

Questão Anulada

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3324310 Ano: 2013
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: FAPEC
Orgão: SEFAZ-MS
Provas:

A seguir demonstra-se diversas contas contabilizadas em determinada Empresa Comercial, apurando no final de cada período os saldos respectivos.

Contas Janeiro R$ Fevereiro R$ Março R$

Bancos conta Movimento

42.000,00 52.400,00

57.200,00

Salários a Pagar

7.200,00 52.400,00

8.200,00

Caixa

16.500,00

27.400,00

32.300,00

Capital Social

90.000,00 90.000,00

90.000,00

Lucros Acumulados

Despesa com ICMS

6.300,00 6.700,00

6.900,00

Móveis e Utensílios

35.000,00 35.000,00

35.000,00

Duplicatas a Receber

18.600,00 22.100,00

35.600,00

Estoques

28.100,00 33.400,00

37.200,00

Receitas brutas

60.300,00 66.400,00

65.600,00

Fornecedores

29.100,00 33.500,00

34.300,00

Custos das Mercadorias Vendidas

32.500,00 34.600,00

32.900,00

Imóveis

60.000,00 60.000,00

60.000,00

Sabendo-se que o valor do Ativo e Passivo do mês de março resulta na importância de R$ 257.300,00, é correto afirmar que a conta de Lucros Acumulados apresenta saldo, respectivamente nos meses de janeiro, fevereiro e março, de:

Questão Anulada

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