Foram encontradas 50 questões.
Procrastinação: entenda essa inimiga. E livre-se dela.
Adiar tarefas importantes em prol de atividades inúteis é uma tendência universal, com raízes biológicas.
Mas quando o problema se torna crônico pode (e vai) arruinar sua carreira. Conheça as causas
da procrastinação e veja estratégias científicas para combatê-la. Só não deixe para ler depois.
“O homem que adia o trabalho está sempre a lutar com desastres.”
A frase é da obra “Os trabalhos e os dias”, do poeta grego
Hesíodo
, que viveu e escreveu no século 8 a.C. No texto
em questão, ele aconselha o seu irmão
Perses
, com quem tem desavenças, sobre a questão do trabalho – alertando-o
para nunca deixar as tarefas importantes para depois.
“Não adies para amanhã nem depois de amanhã, pois não enche o celeiro o homem negligente, nem aquele que adia:
a atenção faz o trabalho prosperar”, continua o poeta.
A obra grega em questão é tão antiga quanto os trechos mais ancestrais da Bíblia, escritos na mesma época. E registra
a luta da humanidade contra um demônio persistente: a procrastinação – o ato de não deixar para amanhã aquilo que
pode ser feito depois de amanhã.
Pior. Tecnologias que facilitam a vida sempre trouxeram como efeito colateral um convite ao adiamento sem fim.
Em 1920, por exemplo, a escritora inglesa
Virginia Woolf
reclamou sobre estar perdendo tempo demais com as novidades
de sua época em vez de se concentrar naquilo que realmente importava. “Planejei uma manhã de escrita tão boa, e gastei
a nata do meu cérebro no telefone”, escreveu em seu diário.
Tudo bem,
Mrs. Woolf.
Até este texto foi finalizado poucas horas antes do prazo derradeiro – em parte por conta da
procrastinação deste que vos escreve.
A culpa não é (só) nossa. A procrastinação é um fenômeno universal e atemporal porque tem causas biológicas,
psicológicas e sociais. Embora alguns sofram mais com ela do que outros, ninguém consegue fugir totalmente da tentação
de adiar tarefas.
Na dúvida, culpe
Darwin
. Humanos não são muito afeitos a tarefas cuja recompensa só vem em longo prazo. “Nosso
cérebro é bom em escolher o que nos traz benefício no aqui e agora”, explica Claudia Feitosa-Santana, neurocientista pela
Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro “Eu controlo como eu me sinto” (2021). “Tudo que é visto como algo
que está lá no futuro, o cérebro é bom em literalmente não escolher”.
Curtir memes no
TikTok
, jogar um
game
ou ver aquele episódio a mais de uma série na Netflix à 1h da manhã trazem doses
de prazer e felicidade instantaneamente. Adiantar o relatório, estudar para a prova ou organizar o guarda-roupas são tarefas
que, além de desagradáveis, seguem uma lógica de longo prazo – e podem (quase) sempre ser deixadas para depois. O lado
primitivo do seu cérebro sempre vai preferir gastar energia e atenção com algo que traga resultado imediato.
Os primatas do gênero
Homo
, que deram origem à nossa espécie, evoluíram por dois milhões de anos em ambiente
selvagem. Nossa massa cinzenta foi forjada ali, não no relativo conforto da civilização. E segue programada para viver sob
aquelas condições. Gastar energia com tarefas que só trarão algum benefício lá na frente simplesmente não é a melhor
opção para um cérebro que está a todo momento tentando achar comida e fugir de predadores. O melhor mesmo é focar
no agora.
Mas claro que nosso cérebro também tem um lado 100% racional – é o córtex pré-frontal, a parte que, como o nome
diz, fica bem na frente da nossa cabeça. Ele é responsável por aquilo que nos diferencia dos animais – o pensamento a
longo prazo, o planejamento. O córtex pré-frontal sabe que estudar matemática, ler um pouquinho por dia e adiantar o
trabalho para não deixar acumular em cima do prazo são decisões importantes.
A procrastinação, no fim das contas, é o resultado de uma briga entre a parte primitiva do cérebro, que quer guardar sua
energia para missões mais imediatistas, e a parte racional, que puxa para empreitadas desagradáveis, mas necessárias. E o
resultado às vezes é um “
bug
” que faz a gente travar, sem saber se inicia ou não a tarefa – tudo isso enquanto sente culpa e
tensão, porque seu córtex pré-frontal faz questão de te lembrar que deveria estar na ação.
Mas, para ser justo, apontar o dedo para
Darwin
não é lá a melhor desculpa. É que as origens biológicas são apenas
uma parte da causa – e nem são as mais relevantes. O vício de adiar até o último momento não afeta todo mundo de
maneira igual. “Embora todo mundo procrastine, nem todo mundo é um procrastinador”, diz
Joseph Ferrari
, professor de
psicologia da Universidade de Chicago (EUA).
Uma das estratégias mais indicadas para vencer a procrastinação é tentar vencer a ideia de que as tarefas são difíceis
ou desafiadoras demais. Lembra daquele conceito de que, quanto mais procrastinamos, mais a bola de neve aumenta e
parece ameaçadora? Para evitar isso, quebre as obrigações em missões menores, e vá cumprindo-as uma a uma ao longo
de todo o prazo. Ao vencer as primeiras etapas, as restantes vão se tornando menos e menos amedrontadoras – afinal,
você percebe que consegue cumpri-las mais rápido do que pensava.
Nessa mesma lógica, é preciso elencar o que fazer primeiro. Gastar tempo com atividades fáceis e deixar o grosso
para o final do prazo é justamente uma estratégia de procrastinação. E fazer o mais difícil primeiro serve de incentivo
para matar o resto – na lógica do “o pior já passou”. Também dá para aplicar a estratégia das recompensas aqui. Para
cada “etapa” da empreitada cumprida com antecedência, se dê algum benefício – uma pausa maior, um episódio da série,
uma partida de seu
game
favorito etc. Se você estiver numa posição de liderança, considere o mesmo para toda a equipe.
Para aquelas tarefas pequenas e simples, a dica é encaixá-las nos momentos em que a produção de outras atividades
já está rolando, de modo que elas não fiquem sendo eternamente procrastinadas.
Outra dica realista é aceitar um pouco de procrastinação. Como vimos, ela é um comportamento universal, que não
será 100% evitável. Mesmo rotinas saudáveis e organizadas, com períodos de descanso e lazer bem encaixados, vão eventualmente encontrar a tentação de deixar atividades para depois do planejado inicialmente.
(
Bruno Carbinatto
.
Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/desenvolvimento-pessoal/procrastinacao-entenda-essa-inimiga-e-livre-se-dela/. Acesso
em: 20/07/2023. Fragmento.)
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Procrastinação: entenda essa inimiga. E livre-se dela.
Adiar tarefas importantes em prol de atividades inúteis é uma tendência universal, com raízes biológicas.
Mas quando o problema se torna crônico pode (e vai) arruinar sua carreira. Conheça as causas
da procrastinação e veja estratégias científicas para combatê-la. Só não deixe para ler depois.
“O homem que adia o trabalho está sempre a lutar com desastres.”
A frase é da obra “Os trabalhos e os dias”, do poeta grego
Hesíodo
, que viveu e escreveu no século 8 a.C. No texto
em questão, ele aconselha o seu irmão
Perses
, com quem tem desavenças, sobre a questão do trabalho – alertando-o
para nunca deixar as tarefas importantes para depois.
“Não adies para amanhã nem depois de amanhã, pois não enche o celeiro o homem negligente, nem aquele que adia:
a atenção faz o trabalho prosperar”, continua o poeta.
A obra grega em questão é tão antiga quanto os trechos mais ancestrais da Bíblia, escritos na mesma época. E registra
a luta da humanidade contra um demônio persistente: a procrastinação – o ato de não deixar para amanhã aquilo que
pode ser feito depois de amanhã.
Pior. Tecnologias que facilitam a vida sempre trouxeram como efeito colateral um convite ao adiamento sem fim.
Em 1920, por exemplo, a escritora inglesa
Virginia Woolf
reclamou sobre estar perdendo tempo demais com as novidades
de sua época em vez de se concentrar naquilo que realmente importava. “Planejei uma manhã de escrita tão boa, e gastei
a nata do meu cérebro no telefone”, escreveu em seu diário.
Tudo bem,
Mrs. Woolf.
Até este texto foi finalizado poucas horas antes do prazo derradeiro – em parte por conta da
procrastinação deste que vos escreve.
A culpa não é (só) nossa. A procrastinação é um fenômeno universal e atemporal porque tem causas biológicas,
psicológicas e sociais. Embora alguns sofram mais com ela do que outros, ninguém consegue fugir totalmente da tentação
de adiar tarefas.
Na dúvida, culpe
Darwin
. Humanos não são muito afeitos a tarefas cuja recompensa só vem em longo prazo. “Nosso
cérebro é bom em escolher o que nos traz benefício no aqui e agora”, explica Claudia Feitosa-Santana, neurocientista pela
Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro “Eu controlo como eu me sinto” (2021). “Tudo que é visto como algo
que está lá no futuro, o cérebro é bom em literalmente não escolher”.
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ou ver aquele episódio a mais de uma série na Netflix à 1h da manhã trazem doses
de prazer e felicidade instantaneamente. Adiantar o relatório, estudar para a prova ou organizar o guarda-roupas são tarefas
que, além de desagradáveis, seguem uma lógica de longo prazo – e podem (quase) sempre ser deixadas para depois. O lado
primitivo do seu cérebro sempre vai preferir gastar energia e atenção com algo que traga resultado imediato.
Os primatas do gênero
Homo
, que deram origem à nossa espécie, evoluíram por dois milhões de anos em ambiente
selvagem. Nossa massa cinzenta foi forjada ali, não no relativo conforto da civilização. E segue programada para viver sob
aquelas condições. Gastar energia com tarefas que só trarão algum benefício lá na frente simplesmente não é a melhor
opção para um cérebro que está a todo momento tentando achar comida e fugir de predadores. O melhor mesmo é focar
no agora.
Mas claro que nosso cérebro também tem um lado 100% racional – é o córtex pré-frontal, a parte que, como o nome
diz, fica bem na frente da nossa cabeça. Ele é responsável por aquilo que nos diferencia dos animais – o pensamento a
longo prazo, o planejamento. O córtex pré-frontal sabe que estudar matemática, ler um pouquinho por dia e adiantar o
trabalho para não deixar acumular em cima do prazo são decisões importantes.
A procrastinação, no fim das contas, é o resultado de uma briga entre a parte primitiva do cérebro, que quer guardar sua
energia para missões mais imediatistas, e a parte racional, que puxa para empreitadas desagradáveis, mas necessárias. E o
resultado às vezes é um “
bug
” que faz a gente travar, sem saber se inicia ou não a tarefa – tudo isso enquanto sente culpa e
tensão, porque seu córtex pré-frontal faz questão de te lembrar que deveria estar na ação.
Mas, para ser justo, apontar o dedo para
Darwin
não é lá a melhor desculpa. É que as origens biológicas são apenas
uma parte da causa – e nem são as mais relevantes. O vício de adiar até o último momento não afeta todo mundo de
maneira igual. “Embora todo mundo procrastine, nem todo mundo é um procrastinador”, diz
Joseph Ferrari
, professor de
psicologia da Universidade de Chicago (EUA).
Uma das estratégias mais indicadas para vencer a procrastinação é tentar vencer a ideia de que as tarefas são difíceis
ou desafiadoras demais. Lembra daquele conceito de que, quanto mais procrastinamos, mais a bola de neve aumenta e
parece ameaçadora? Para evitar isso, quebre as obrigações em missões menores, e vá cumprindo-as uma a uma ao longo
de todo o prazo. Ao vencer as primeiras etapas, as restantes vão se tornando menos e menos amedrontadoras – afinal,
você percebe que consegue cumpri-las mais rápido do que pensava.
Nessa mesma lógica, é preciso elencar o que fazer primeiro. Gastar tempo com atividades fáceis e deixar o grosso
para o final do prazo é justamente uma estratégia de procrastinação. E fazer o mais difícil primeiro serve de incentivo
para matar o resto – na lógica do “o pior já passou”. Também dá para aplicar a estratégia das recompensas aqui. Para
cada “etapa” da empreitada cumprida com antecedência, se dê algum benefício – uma pausa maior, um episódio da série,
uma partida de seu
game
favorito etc. Se você estiver numa posição de liderança, considere o mesmo para toda a equipe.
Para aquelas tarefas pequenas e simples, a dica é encaixá-las nos momentos em que a produção de outras atividades
já está rolando, de modo que elas não fiquem sendo eternamente procrastinadas.
Outra dica realista é aceitar um pouco de procrastinação. Como vimos, ela é um comportamento universal, que não
será 100% evitável. Mesmo rotinas saudáveis e organizadas, com períodos de descanso e lazer bem encaixados, vão eventualmente encontrar a tentação de deixar atividades para depois do planejado inicialmente.
(
Bruno Carbinatto
.
Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/desenvolvimento-pessoal/procrastinacao-entenda-essa-inimiga-e-livre-se-dela/. Acesso
em: 20/07/2023. Fragmento.)
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Adiar tarefas importantes em prol de atividades inúteis é uma tendência universal, com raízes biológicas.
Mas quando o problema se torna crônico pode (e vai) arruinar sua carreira. Conheça as causas
da procrastinação e veja estratégias científicas para combatê-la. Só não deixe para ler depois.
“O homem que adia o trabalho está sempre a lutar com desastres.”
A frase é da obra “Os trabalhos e os dias”, do poeta grego
Hesíodo
, que viveu e escreveu no século 8 a.C. No texto
em questão, ele aconselha o seu irmão
Perses
, com quem tem desavenças, sobre a questão do trabalho – alertando-o
para nunca deixar as tarefas importantes para depois.
“Não adies para amanhã nem depois de amanhã, pois não enche o celeiro o homem negligente, nem aquele que adia:
a atenção faz o trabalho prosperar”, continua o poeta.
A obra grega em questão é tão antiga quanto os trechos mais ancestrais da Bíblia, escritos na mesma época. E registra
a luta da humanidade contra um demônio persistente: a procrastinação – o ato de não deixar para amanhã aquilo que
pode ser feito depois de amanhã.
Pior. Tecnologias que facilitam a vida sempre trouxeram como efeito colateral um convite ao adiamento sem fim.
Em 1920, por exemplo, a escritora inglesa
Virginia Woolf
reclamou sobre estar perdendo tempo demais com as novidades
de sua época em vez de se concentrar naquilo que realmente importava. “Planejei uma manhã de escrita tão boa, e gastei
a nata do meu cérebro no telefone”, escreveu em seu diário.
Tudo bem,
Mrs. Woolf.
Até este texto foi finalizado poucas horas antes do prazo derradeiro – em parte por conta da
procrastinação deste que vos escreve.
A culpa não é (só) nossa. A procrastinação é um fenômeno universal e atemporal porque tem causas biológicas,
psicológicas e sociais. Embora alguns sofram mais com ela do que outros, ninguém consegue fugir totalmente da tentação
de adiar tarefas.
Na dúvida, culpe
Darwin
. Humanos não são muito afeitos a tarefas cuja recompensa só vem em longo prazo. “Nosso
cérebro é bom em escolher o que nos traz benefício no aqui e agora”, explica Claudia Feitosa-Santana, neurocientista pela
Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro “Eu controlo como eu me sinto” (2021). “Tudo que é visto como algo
que está lá no futuro, o cérebro é bom em literalmente não escolher”.
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, jogar um
game
ou ver aquele episódio a mais de uma série na Netflix à 1h da manhã trazem doses
de prazer e felicidade instantaneamente. Adiantar o relatório, estudar para a prova ou organizar o guarda-roupas são tarefas
que, além de desagradáveis, seguem uma lógica de longo prazo – e podem (quase) sempre ser deixadas para depois. O lado
primitivo do seu cérebro sempre vai preferir gastar energia e atenção com algo que traga resultado imediato.
Os primatas do gênero
Homo
, que deram origem à nossa espécie, evoluíram por dois milhões de anos em ambiente
selvagem. Nossa massa cinzenta foi forjada ali, não no relativo conforto da civilização. E segue programada para viver sob
aquelas condições. Gastar energia com tarefas que só trarão algum benefício lá na frente simplesmente não é a melhor
opção para um cérebro que está a todo momento tentando achar comida e fugir de predadores. O melhor mesmo é focar
no agora.
Mas claro que nosso cérebro também tem um lado 100% racional – é o córtex pré-frontal, a parte que, como o nome
diz, fica bem na frente da nossa cabeça. Ele é responsável por aquilo que nos diferencia dos animais – o pensamento a
longo prazo, o planejamento. O córtex pré-frontal sabe que estudar matemática, ler um pouquinho por dia e adiantar o
trabalho para não deixar acumular em cima do prazo são decisões importantes.
A procrastinação, no fim das contas, é o resultado de uma briga entre a parte primitiva do cérebro, que quer guardar sua
energia para missões mais imediatistas, e a parte racional, que puxa para empreitadas desagradáveis, mas necessárias. E o
resultado às vezes é um “
bug
” que faz a gente travar, sem saber se inicia ou não a tarefa – tudo isso enquanto sente culpa e
tensão, porque seu córtex pré-frontal faz questão de te lembrar que deveria estar na ação.
Mas, para ser justo, apontar o dedo para
Darwin
não é lá a melhor desculpa. É que as origens biológicas são apenas
uma parte da causa – e nem são as mais relevantes. O vício de adiar até o último momento não afeta todo mundo de
maneira igual. “Embora todo mundo procrastine, nem todo mundo é um procrastinador”, diz
Joseph Ferrari
, professor de
psicologia da Universidade de Chicago (EUA).
Uma das estratégias mais indicadas para vencer a procrastinação é tentar vencer a ideia de que as tarefas são difíceis
ou desafiadoras demais. Lembra daquele conceito de que, quanto mais procrastinamos, mais a bola de neve aumenta e
parece ameaçadora? Para evitar isso, quebre as obrigações em missões menores, e vá cumprindo-as uma a uma ao longo
de todo o prazo. Ao vencer as primeiras etapas, as restantes vão se tornando menos e menos amedrontadoras – afinal,
você percebe que consegue cumpri-las mais rápido do que pensava.
Nessa mesma lógica, é preciso elencar o que fazer primeiro. Gastar tempo com atividades fáceis e deixar o grosso
para o final do prazo é justamente uma estratégia de procrastinação. E fazer o mais difícil primeiro serve de incentivo
para matar o resto – na lógica do “o pior já passou”. Também dá para aplicar a estratégia das recompensas aqui. Para
cada “etapa” da empreitada cumprida com antecedência, se dê algum benefício – uma pausa maior, um episódio da série,
uma partida de seu
game
favorito etc. Se você estiver numa posição de liderança, considere o mesmo para toda a equipe.
Para aquelas tarefas pequenas e simples, a dica é encaixá-las nos momentos em que a produção de outras atividades
já está rolando, de modo que elas não fiquem sendo eternamente procrastinadas.
Outra dica realista é aceitar um pouco de procrastinação. Como vimos, ela é um comportamento universal, que não
será 100% evitável. Mesmo rotinas saudáveis e organizadas, com períodos de descanso e lazer bem encaixados, vão eventualmente encontrar a tentação de deixar atividades para depois do planejado inicialmente.
(
Bruno Carbinatto
.
Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/desenvolvimento-pessoal/procrastinacao-entenda-essa-inimiga-e-livre-se-dela/. Acesso
em: 20/07/2023. Fragmento.)
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Procrastinação: entenda essa inimiga. E livre-se dela.
Adiar tarefas importantes em prol de atividades inúteis é uma tendência universal, com raízes biológicas.
Mas quando o problema se torna crônico pode (e vai) arruinar sua carreira. Conheça as causas
da procrastinação e veja estratégias científicas para combatê-la. Só não deixe para ler depois.
“O homem que adia o trabalho está sempre a lutar com desastres.”
A frase é da obra “Os trabalhos e os dias”, do poeta grego
Hesíodo
, que viveu e escreveu no século 8 a.C. No texto
em questão, ele aconselha o seu irmão
Perses
, com quem tem desavenças, sobre a questão do trabalho – alertando-o
para nunca deixar as tarefas importantes para depois.
“Não adies para amanhã nem depois de amanhã, pois não enche o celeiro o homem negligente, nem aquele que adia:
a atenção faz o trabalho prosperar”, continua o poeta.
A obra grega em questão é tão antiga quanto os trechos mais ancestrais da Bíblia, escritos na mesma época. E registra
a luta da humanidade contra um demônio persistente: a procrastinação – o ato de não deixar para amanhã aquilo que
pode ser feito depois de amanhã.
Pior. Tecnologias que facilitam a vida sempre trouxeram como efeito colateral um convite ao adiamento sem fim.
Em 1920, por exemplo, a escritora inglesa
Virginia Woolf
reclamou sobre estar perdendo tempo demais com as novidades
de sua época em vez de se concentrar naquilo que realmente importava. “Planejei uma manhã de escrita tão boa, e gastei
a nata do meu cérebro no telefone”, escreveu em seu diário.
Tudo bem,
Mrs. Woolf.
Até este texto foi finalizado poucas horas antes do prazo derradeiro – em parte por conta da
procrastinação deste que vos escreve.
A culpa não é (só) nossa. A procrastinação é um fenômeno universal e atemporal porque tem causas biológicas,
psicológicas e sociais. Embora alguns sofram mais com ela do que outros, ninguém consegue fugir totalmente da tentação
de adiar tarefas.
Na dúvida, culpe
Darwin
. Humanos não são muito afeitos a tarefas cuja recompensa só vem em longo prazo. “Nosso
cérebro é bom em escolher o que nos traz benefício no aqui e agora”, explica Claudia Feitosa-Santana, neurocientista pela
Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro “Eu controlo como eu me sinto” (2021). “Tudo que é visto como algo
que está lá no futuro, o cérebro é bom em literalmente não escolher”.
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game
ou ver aquele episódio a mais de uma série na Netflix à 1h da manhã trazem doses
de prazer e felicidade instantaneamente. Adiantar o relatório, estudar para a prova ou organizar o guarda-roupas são tarefas
que, além de desagradáveis, seguem uma lógica de longo prazo – e podem (quase) sempre ser deixadas para depois. O lado
primitivo do seu cérebro sempre vai preferir gastar energia e atenção com algo que traga resultado imediato.
Os primatas do gênero
Homo
, que deram origem à nossa espécie, evoluíram por dois milhões de anos em ambiente
selvagem. Nossa massa cinzenta foi forjada ali, não no relativo conforto da civilização. E segue programada para viver sob
aquelas condições. Gastar energia com tarefas que só trarão algum benefício lá na frente simplesmente não é a melhor
opção para um cérebro que está a todo momento tentando achar comida e fugir de predadores. O melhor mesmo é focar
no agora.
Mas claro que nosso cérebro também tem um lado 100% racional – é o córtex pré-frontal, a parte que, como o nome
diz, fica bem na frente da nossa cabeça. Ele é responsável por aquilo que nos diferencia dos animais – o pensamento a
longo prazo, o planejamento. O córtex pré-frontal sabe que estudar matemática, ler um pouquinho por dia e adiantar o
trabalho para não deixar acumular em cima do prazo são decisões importantes.
A procrastinação, no fim das contas, é o resultado de uma briga entre a parte primitiva do cérebro, que quer guardar sua
energia para missões mais imediatistas, e a parte racional, que puxa para empreitadas desagradáveis, mas necessárias. E o
resultado às vezes é um “
bug
” que faz a gente travar, sem saber se inicia ou não a tarefa – tudo isso enquanto sente culpa e
tensão, porque seu córtex pré-frontal faz questão de te lembrar que deveria estar na ação.
Mas, para ser justo, apontar o dedo para
Darwin
não é lá a melhor desculpa. É que as origens biológicas são apenas
uma parte da causa – e nem são as mais relevantes. O vício de adiar até o último momento não afeta todo mundo de
maneira igual. “Embora todo mundo procrastine, nem todo mundo é um procrastinador”, diz
Joseph Ferrari
, professor de
psicologia da Universidade de Chicago (EUA).
Uma das estratégias mais indicadas para vencer a procrastinação é tentar vencer a ideia de que as tarefas são difíceis
ou desafiadoras demais. Lembra daquele conceito de que, quanto mais procrastinamos, mais a bola de neve aumenta e
parece ameaçadora? Para evitar isso, quebre as obrigações em missões menores, e vá cumprindo-as uma a uma ao longo
de todo o prazo. Ao vencer as primeiras etapas, as restantes vão se tornando menos e menos amedrontadoras – afinal,
você percebe que consegue cumpri-las mais rápido do que pensava.
Nessa mesma lógica, é preciso elencar o que fazer primeiro. Gastar tempo com atividades fáceis e deixar o grosso
para o final do prazo é justamente uma estratégia de procrastinação. E fazer o mais difícil primeiro serve de incentivo
para matar o resto – na lógica do “o pior já passou”. Também dá para aplicar a estratégia das recompensas aqui. Para
cada “etapa” da empreitada cumprida com antecedência, se dê algum benefício – uma pausa maior, um episódio da série,
uma partida de seu
game
favorito etc. Se você estiver numa posição de liderança, considere o mesmo para toda a equipe.
Para aquelas tarefas pequenas e simples, a dica é encaixá-las nos momentos em que a produção de outras atividades
já está rolando, de modo que elas não fiquem sendo eternamente procrastinadas.
Outra dica realista é aceitar um pouco de procrastinação. Como vimos, ela é um comportamento universal, que não
será 100% evitável. Mesmo rotinas saudáveis e organizadas, com períodos de descanso e lazer bem encaixados, vão eventualmente encontrar a tentação de deixar atividades para depois do planejado inicialmente.
(
Bruno Carbinatto
.
Disponível em: https://vocesa.abril.com.br/desenvolvimento-pessoal/procrastinacao-entenda-essa-inimiga-e-livre-se-dela/. Acesso
em: 20/07/2023. Fragmento.)
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Questão presente nas seguintes provas
Em 02/05/2023, um produto foi vendido e o seu valor de R$ 30.000,00 seria recebido a prazo com acréscimo de juros simples
de 3% ao mês. O contrato de venda previa que o comprador pagaria o valor nominal da dívida por meio de uma única duplicata
em 02/10/2023. Porém, a empresa vendedora, passando por dificuldades de caixa, compareceu a uma instituição financeira
e descontou a duplicata no dia 02/08/2023. A instituição financeira utilizou uma taxa de desconto comercial simples de 10%
ao mês e, então, liberou à empresa vendedora o valor líquido deduzido do desconto. Considerando exclusivamente as informações apresentadas, assinale o valor líquido liberado pela instituição financeira em 02/08/2023.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
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Questão presente nas seguintes provas
Determinado equipamento no valor de R$ 120.000,00 foi adquirido por uma empresa por meio de financiamento com taxa
de juros compostos de 3% ao trimestre embutida no valor das prestações. A instituição financeira que concedeu o financiamento informou que ele será liquidado em seis prestações trimestrais consecutivas utilizando-se do Sistema Francês de
Amortização. Sabe-se que a primeira prestação será paga seis meses após a efetivação do financiamento e está previsto que
os juros serão capitalizados e acrescidos ao saldo devedor durante este período. Considerando exclusivamente as informações
apresentadas, assinale a alternativa que mais se aproxima do valor total dos juros a apropriar que a empresa compradora
deverá contabilizar no reconhecimento inicial da aquisição do veículo.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
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Questão presente nas seguintes provas
Um produto no valor de R$ 10.437,63 foi comprado em 10/06/2023 para pagamento a prazo por meio de seis duplicatas com
juros simples de 1% ao mês embutidos, conforme o seguinte cronograma de pagamentos:
Sabe-se que, no dia 10/09/2023, imediatamente após ter efetuado o pagamento da 3ª duplicata, uma renegociação foi realizada e as três últimas duplicatas seriam trocadas por somente uma única, para vencimento em 10/01/2024, também com juros simples de 1% ao mês embutidos. Considerando exclusivamente as informações apresentadas e que não há qualquer capitalização de juros na renegociação, assinale a alternativa que mais se aproxima do valor desta única duplicata a ser quitada em 10/01/2024.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
Sabe-se que, no dia 10/09/2023, imediatamente após ter efetuado o pagamento da 3ª duplicata, uma renegociação foi realizada e as três últimas duplicatas seriam trocadas por somente uma única, para vencimento em 10/01/2024, também com juros simples de 1% ao mês embutidos. Considerando exclusivamente as informações apresentadas e que não há qualquer capitalização de juros na renegociação, assinale a alternativa que mais se aproxima do valor desta única duplicata a ser quitada em 10/01/2024.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
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Questão presente nas seguintes provas
Um veículo com valor de tabela de R$ 150.000,00 pode ser adquirido em uma concessionária exclusivamente nas seguintes
condições de pagamento:
• Opção 1 : à vista por R$ 148.000,00; ou
• Opção 2 : entrada de 50% do valor de tabela e o restante em três prestações postecipadas, mensais, iguais e consecutivas. Caso escolha essa opção de pagamento, o consumidor ainda terá que pagar, três meses após a terceira prestação, uma parcela adicional de R$ 10.000,00.
Considerando exclusivamente as informações apresentadas, e que na data da aquisição do veículo o consumidor tenha à sua disposição somente o valor para pagamento à vista, assinale a taxa efetiva mensal de juros compostos implícita, caso o consumidor escolha adquirir o veículo por meio da Opção 2 ao invés da Opção 1.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
• Opção 1 : à vista por R$ 148.000,00; ou
• Opção 2 : entrada de 50% do valor de tabela e o restante em três prestações postecipadas, mensais, iguais e consecutivas. Caso escolha essa opção de pagamento, o consumidor ainda terá que pagar, três meses após a terceira prestação, uma parcela adicional de R$ 10.000,00.
Considerando exclusivamente as informações apresentadas, e que na data da aquisição do veículo o consumidor tenha à sua disposição somente o valor para pagamento à vista, assinale a taxa efetiva mensal de juros compostos implícita, caso o consumidor escolha adquirir o veículo por meio da Opção 2 ao invés da Opção 1.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos.)
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Uma determinada pessoa realizará três depósitos anuais, iguais e consecutivos no valor de R$ 50.000,00 cada, em uma aplicação financeira que remunera uma taxa de juros compostos de 15% ao ano. Sabe-se que os três depósitos efetivados nesta
aplicação financeira permanecerão rendendo juros para permitir à pessoa realizar futuramente saques mensais, iguais e consecutivos de forma perpétua. Outra informação é que, após cada saque, o saldo remanescente na aplicação financeira continuará rendendo juros compostos a uma taxa de 1,1715% ao mês (equivalente mensal da taxa de 15% ao ano inicialmente
contratada). Considerando exclusivamente as informações apresentadas, e que o primeiro saque seria realizado cinco anos
após o primeiro depósito, assinale a alternativa que mais se aproxima do valor máximo de cada saque mensal que a pessoa
poderá realizar.
( Para os cálculos admita o ano comercial com 360 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos .)
( Para os cálculos admita o ano comercial com 360 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos .)
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O preço do produto
A
é R$ 10.000,00. A loja em que esse produto é comercializado oferece aos clientes a opção de pagá-lo com
uma entrada de R$ 4.000,00 (no ato da compra) e o restante do preço do produto para pagamento parcelado em prestações
iguais, mensais e consecutivas, com taxa mensal efetiva de juros compostos equivalente a uma taxa de 4% ao bimestre embutida no valor dessas prestações. Sabe-se que um cliente deseja adquirir o produto
A
; todavia, solicita à loja que o valor de cada
prestação mensal seja o mais próximo possível de R$ 800,00, tendo em vista que este valor representa a sua disponibilidade
máxima de dinheiro para pagamento mensal de cada prestação. Considerando exclusivamente as informações apresentadas,
e que a primeira prestação seria paga dois meses após o pagamento da entrada, assinale a alternativa que evidencia
corretamente o número inteiro exato de prestações, e o respectivo valor máximo aproximado de cada uma, que o cliente
deveria pagar referente à parte parcelada da dívida.
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos. Admita, ainda, que log 2 0,84852927= –0,23696367 e log 2 1,01980390 = 0,02829176.)
(Para os cálculos admita o mês comercial com 30 dias e desconsidere qualquer incidência de impostos. Admita, ainda, que log 2 0,84852927= –0,23696367 e log 2 1,01980390 = 0,02829176.)
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