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752391 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TJ-DFT
01 Mesmo com os avanços na área de segurança, os
crimes virtuais, ou cibercrimes, continuam causando muitos
problemas financeiros, como mostrou um estudo feito pela
04 empresa de segurança Norton no ano de 2012. De acordo com
o estudo, somente no Brasil, os prejuízos superam a casa dos
R$ 15 bilhões por ano. No mundo todo, esse valor sobe para
07 cerca de R$ 220 bilhões. Entre os motivos para esses números
expressivos, estão o aumento de ataques a dispositivos móveis
e redes sociais e a própria lentidão do sistema no combate aos
10 crimes.
O estudo revela que, com a prosperidade da economia
brasileira e a crescente aquisição de computadores e celulares,
13 o Brasil tem-se mostrado um alvo importante para os
criminosos, além de se apresentar como origem de grande parte
dos ataques no mundo. Nesse quesito, o país está em quarto
16 lugar no ranque mundial, atrás apenas dos Estados Unidos da
América, da China e da Índia. A tradição social do país pode
contribuir para esse fato, já que sítios de relacionamento como
19 Facebook, Orkut e Twitter são populares também entre os
criminosos. Eles conseguem angariar informações pessoais
sobre as vítimas e ainda utilizam as plataformas para
22 disseminar ameaças. A pesquisa mostra que os usuários da
Internet, em geral, ainda não se preocupam em checar links
antes de compartilhá-los ou desconectar-se dos sítios ao deixar
25 de navegar neles, e não têm ideia se suas configurações são
públicas ou privadas.
A pesquisa indica, ainda, que 30% das pessoas no
28 mundo não pensam sobre o cibercrime, por não acreditarem
que poderiam ser vítimas desse tipo de ação, enquanto 21%
admitem não tomar quaisquer medidas de segurança quando
31 estão online. De fato, os usuários nem sequer têm percepção da
própria situação: 51% não entendem como funcionam os
procedimentos de segurança virtual e não sabem reconhecer se
34 seus sistemas estão infectados, 55% não têm certeza se seu
computador está livre de ameaças e 48% utilizam apenas um
antivírus básico. A esse respeito, um dos responsáveis pelo
37 estudo afirma: “É como andar rápido em uma rodovia sem um
cinto de segurança.” No entanto, ele reconhece que, aos
poucos, as pessoas estão se educando: 89% já apagam emails
40 suspeitos.

Bruno do Amaral. Perdas com cibercrimes chegam a R$ 15 bi no Brasil por ano.
Internet: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias (com adaptações).

De acordo com as ideias do texto,
o Brasil ocupa a quarta posição mundial no ranque de países-alvo de crimes virtuais.
 

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752390 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TJ-DFT

O Ministério Público Federal impetrou mandado de

segurança contra a decisão do juízo singular que, em sessão

plenária do tribunal do júri, indeferiu pedido do impetrante

para que às testemunhas indígenas fosse feita a pergunta sobre

em qual idioma elas se expressariam melhor, restando incólume

a decisão do mesmo juízo de perguntar a cada testemunha se

ela se expressaria em português e, caso positiva a resposta,

colher-se-ia o depoimento nesse idioma, sem prejuízo do

auxílio do intérprete.

No caso relatado, estava em jogo, na sessão plenária

do tribunal do júri, o direito linguístico das testemunhas

indígenas de se expressarem em sua própria língua, ainda que

essas mesmas pessoas possuíssem o domínio da língua da

sociedade envolvente, que, no caso, é a portuguesa. É que,

conforme escreveu Pavese, só fala sem sotaque aquele que é

nativo. Se, para o aspecto exterior da linguagem, que é a sua

expressão, já é difícil, para aquele que fala, falar com a

propriedade devida, com razão mais forte a dificuldade se

impõe para o raciocínio adequado que deve balizar um

depoimento testemunhal, pouco importando se se trata de

testemunha ou de acusado.

No que interessa a este estudo, entre os modelos

normativos que reconhecem direitos linguísticos, o modelo de

direitos humanos significa a existência de norma na Declaração

Universal dos Direitos Humanos, de 1948, da Organização das

Nações Unidas, que provê um regime de tolerância linguística,

garantia essa que não suporta direitos linguísticos de forma

específica, isto é, protegem-se, imediatamente, outros direitos

fundamentais, tais como direito de liberdade de expressão, de

reunião, de associação, de privacidade e do devido processo

legal, e apenas mediatamente o direito linguístico; já o modelo

dos povos indígenas tem por base legal a Convenção n.o 169 da

Organização Internacional do Trabalho, que prevê a proteção

imediata de direitos de desenvolvimento da personalidade,

tais como oportunidade econômica, educação e saúde, e,

mediatamente, de direitos linguísticos.

A questão jurídica aqui tratada pode enquadrar-se

tanto em um modelo quanto em outro, já que pode ser ela

referida ao direito de liberdade de expressão na própria língua

e também ao direito do indígena de falar sua própria língua por

força do seu direito ao desenvolvimento de sua personalidade.

Mas há mais. A Constituição Federal de 1988 (CF) positivou,

expressamente, norma específica que protege as línguas

indígenas, reconhecendo-as e indo, portanto, mais além do que

as normas internacionais de direitos humanos. Essa proteção

tem a ver com a ideia maior da própria cultura, que se compõe

das relações entre as pessoas com base na linguagem.

Paulo Thadeu Gomes da Silva. Direito linguístico: a propósito de uma decisão judicial. In: Revista Internacional de Direito e Cidadania, n.º 9, p. 183-7, fev./2011. Internet: http://6ccr.pgr.mpf.gov.br (com adaptações).


Acerca das estruturas linguísticas do texto, julgue os itens subsecutivos.
A posposição do pronome “se” ao verbo em “colher-se-ia” (L.8) — colheria-se — comprometeria a correção gramatical do trecho.
 

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Eu resolvera passar o dia com os trabalhadores da

estiva e via-os vir chegando a balançar o corpo, com a comida

debaixo do braço, muito modestos. Em pouco, a beira do cais

ficou coalhada. Durante a última greve, um delegado de polícia

dissera-me:

— São criaturas ferozes! (...)

Logo que o saveiro atracou, eles treparam pelas

escadas, rápidos; oito homens desapareceram na face aberta do

porão, despiram-se, enquanto os outros rodeavam o guincho e

as correntes de ferro começavam a ir e vir do porão para o

saveiro, do saveiro para o porão, carregadas de sacas de café.

Era regular, matemático, a oscilação de um lento e formidável

relógio.

Aqueles seres ligavam-se aos guinchos; eram parte da

máquina; agiam inconscientemente. Quinze minutos depois de

iniciado o trabalho, suavam arrancando as camisas. Não

falavam, não tinham palavras inúteis. Quando a pilha de sacas

estava feita, erguiam a cabeça e esperavam nova carga. Que

fazer? Aquilo tinha que ser até às 5 da tarde. (...)

Esses homens têm uma força de vontade incrível.

Fizeram com o próprio esforço uma classe, impuseram-na.

Hoje, estão todos ligados, exercendo uma mútua polícia para

a moralização da classe. A União dos Operários Estivadores

consegue, com uns estatutos que a defendem habilmente, o seu

nobre fim. (...)

Que querem eles? Apenas ser considerados homens

dignificados pelo esforço e a diminuição das horas de trabalho,

para descansar e para viver.

João do Rio. Os trabalhadores de estiva. In: A alma encantadora das ruas. Paris: Garnier, 1908. Internet: www.dominiopublico.gov.br (com adaptações).



Julgue o item que se segue, relativos às ideias do texto acima e às estruturas linguísticas nele utilizadas.
O emprego da forma verbal “resolvera” (L.1), no pretérito mais-que-perfeito, indica que o narrador tomou a decisão de “passar o dia com os trabalhadores da estiva” (L.1-2) antes da ocorrência do evento narrativo principal do texto.
 

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752388 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TJ-DFT
01 Mesmo com os avanços na área de segurança, os
crimes virtuais, ou cibercrimes, continuam causando muitos
problemas financeiros, como mostrou um estudo feito pela
04 empresa de segurança Norton no ano de 2012. De acordo com
o estudo, somente no Brasil, os prejuízos superam a casa dos
R$ 15 bilhões por ano. No mundo todo, esse valor sobe para
07 cerca de R$ 220 bilhões. Entre os motivos para esses números
expressivos, estão o aumento de ataques a dispositivos móveis
e redes sociais e a própria lentidão do sistema no combate aos
10 crimes.
O estudo revela que, com a prosperidade da economia
brasileira e a crescente aquisição de computadores e celulares,
13 o Brasil tem-se mostrado um alvo importante para os
criminosos, além de se apresentar como origem de grande parte
dos ataques no mundo. Nesse quesito, o país está em quarto
16 lugar no ranque mundial, atrás apenas dos Estados Unidos da
América, da China e da Índia. A tradição social do país pode
contribuir para esse fato, já que sítios de relacionamento como
19 Facebook, Orkut e Twitter são populares também entre os
criminosos. Eles conseguem angariar informações pessoais
sobre as vítimas e ainda utilizam as plataformas para
22 disseminar ameaças. A pesquisa mostra que os usuários da
Internet, em geral, ainda não se preocupam em checar links
antes de compartilhá-los ou desconectar-se dos sítios ao deixar
25 de navegar neles, e não têm ideia se suas configurações são
públicas ou privadas.
A pesquisa indica, ainda, que 30% das pessoas no
28 mundo não pensam sobre o cibercrime, por não acreditarem
que poderiam ser vítimas desse tipo de ação, enquanto 21%
admitem não tomar quaisquer medidas de segurança quando
31 estão online. De fato, os usuários nem sequer têm percepção da
própria situação: 51% não entendem como funcionam os
procedimentos de segurança virtual e não sabem reconhecer se
34 seus sistemas estão infectados, 55% não têm certeza se seu
computador está livre de ameaças e 48% utilizam apenas um
antivírus básico. A esse respeito, um dos responsáveis pelo
37 estudo afirma: “É como andar rápido em uma rodovia sem um
cinto de segurança.” No entanto, ele reconhece que, aos
poucos, as pessoas estão se educando: 89% já apagam emails
40 suspeitos.

Bruno do Amaral. Perdas com cibercrimes chegam a R$ 15 bi no Brasil por ano.
Internet: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias (com adaptações).

Julgue os itens que se seguem, relativos às estruturas linguísticasdo texto.

O pronome “Eles” (L.20) tem como referente a expressão “sítios de relacionamento” (L.18)
 

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De início, não existiam direitos, mas poderes. Desde

que o homem pôde vingar a ofensa a ele dirigida e verificou

que tal vingança o satisfazia e atemorizava a reincidência, só

deixou de exercer sua força perante uma força maior.

No entanto, como acontece muitas vezes no domínio biológico,

a reação começou a ultrapassar de muito a ação que a

provocara. Os fracos uniram-se; e foi então que começou

propriamente a incursão do consciente e do raciocínio no

mecanismo social, ou melhor, foi aí que começou a sociedade

propriamente dita. Fracos unidos não deixam de constituir uma

força. E os fracos, os primeiros ladinos e sofistas, os primeiros

inteligentes da história da humanidade, procuraram submeter

aquelas relações até então naturais, biológicas e necessárias, ao

domínio do pensamento. Surgiu, como defesa, a ideia de que,

apesar de não terem força, tinham direitos. Novas noções de

Justiça, Caridade, Igualdade e Dever foram se insinuando

naquele grupo primitivo, instiladas pelos que delas

necessitavam, tão certo como o é o fato de os primeiros

remédios terem sido inventados pelos doentes. No espírito do

homem, foi se formando a correspondente daquela revolta: um

superego mais ou menos forte, que daí em diante regeria e

fiscalizaria as relações do novo homem com os seus

semelhantes, impedindo-lhe a perpetração de atos considerados

por todos como proibidos. (...) Na resolução de seus litígios,

não mais aparecia o mais forte e musculoso diante do menos

poderoso pelo próprio nascimento e natureza. Igualados pelas

mesmas condições, afrouxados na sua agressividade de animal

pelo nascimento do superego, fizeram uma espécie de tratado

de paz, as leis, pelas quais os interesses e os “proibidos” não

seriam violados reciprocamente, sob a garantia de uma punição

por parte da coletividade.

Clarice Lispector. Observações sobre o fundamento do direito de punir. In: Aparecida Maria Nunes (Org.). Clarice na cabeceira. Rio de Janeiro: Rocco, 2012, p. 67-8 (com adaptações).



A respeito do texto acima, julgue o próximo item.
A correção gramatical do texto seria prejudicada caso, na linha 21, a expressão “daí em diante” fosse isolada por vírgulas: (...) que, daí em diante, regeria (...).
 

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De início, não existiam direitos, mas poderes. Desde

que o homem pôde vingar a ofensa a ele dirigida e verificou

que tal vingança o satisfazia e atemorizava a reincidência, só

deixou de exercer sua força perante uma força maior.

No entanto, como acontece muitas vezes no domínio biológico,

a reação começou a ultrapassar de muito a ação que a

provocara. Os fracos uniram-se; e foi então que começou

propriamente a incursão do consciente e do raciocínio no

mecanismo social, ou melhor, foi aí que começou a sociedade

propriamente dita. Fracos unidos não deixam de constituir uma

força. E os fracos, os primeiros ladinos e sofistas, os primeiros

inteligentes da história da humanidade, procuraram submeter

aquelas relações até então naturais, biológicas e necessárias, ao

domínio do pensamento. Surgiu, como defesa, a ideia de que,

apesar de não terem força, tinham direitos. Novas noções de

Justiça, Caridade, Igualdade e Dever foram se insinuando

naquele grupo primitivo, instiladas pelos que delas

necessitavam, tão certo como o é o fato de os primeiros

remédios terem sido inventados pelos doentes. No espírito do

homem, foi se formando a correspondente daquela revolta: um

superego mais ou menos forte, que daí em diante regeria e

fiscalizaria as relações do novo homem com os seus

semelhantes, impedindo-lhe a perpetração de atos considerados

por todos como proibidos. (...) Na resolução de seus litígios,

não mais aparecia o mais forte e musculoso diante do menos

poderoso pelo próprio nascimento e natureza. Igualados pelas

mesmas condições, afrouxados na sua agressividade de animal

pelo nascimento do superego, fizeram uma espécie de tratado

de paz, as leis, pelas quais os interesses e os “proibidos” não

seriam violados reciprocamente, sob a garantia de uma punição

por parte da coletividade.

Clarice Lispector. Observações sobre o fundamento do direito de punir. In: Aparecida Maria Nunes (Org.). Clarice na cabeceira. Rio de Janeiro: Rocco, 2012, p. 67-8 (com adaptações).



A respeito do texto acima, julgue o próximo item.
Nos trechos “que a provocara” (L.6-7) e “que daí em diante regeria” (L.21), o pronome “que” exerce, em ambas as ocorrências, a função de sujeito.
 

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O direito e seu conjunto de atos e procedimentos

podem ser observados como atos literários, e um dos fatores

que pode explicar essa visão do direito como literatura é o fato

de que, devido à tradição positivista do direito, os atos

jurídicos são, via de regra, reduzidos a termo, isto é,

transformam-se em textos narrativos acerca de um fato. Sob a

ótica da literatura, esses atos escritos do sistema jurídico são

formas de contar e de repassar uma história. Assim, é

perfeitamente possível conceber, por exemplo, uma sentença

como uma peça com personagens, início, enredo e fim. Nessa

esteira de raciocínio, a citação de jurisprudência e precedentes

em uma petição seria um relato inserido em outro, adaptado à

necessidade de um suporte jurídico. Dessa forma, o literário é

intrínseco ao jurídico, que encerra traços da literatura pela

construção de personagens, personalidades, sensibilidades,

mitos e tradições que compõem o mundo social.

O direito é, por conseguinte, um contar de histórias.

Assim como os antigos transmitiam o conhecimento por

intermédio da oralidade, um processo judicial é, além de

processo de conhecimento, um conjunto de histórias

contrapostas uma à outra. Sua lógica sequenciada permite ao

juiz a compreensão do acontecimento dos fatos da mesma

forma que uma boa obra literária reporta o leitor ao

entendimento linear de sua narração. A correta narrativa

judicial é, portanto, um meio de se assegurar uma decisão

que responda às expectativas lançadas pela parte em um

procedimento judiciário.

Germano Schwartz e Elaine Macedo. Pode o direito ser arte? Respostas a partir do direito e literatura. Internet: www.conpedi.org.br (com adaptações).



Com referência às ideias desenvolvidas no texto acima e às estruturas linguísticas nele empregadas, julgue o item a seguir.
O emprego da forma verbal “seria” (L.12), na terceira pessoa do singular, deve-se à concordância com a expressão “a citação de jurisprudência” (L.11), que exerce a função de núcleo do sujeito dessa forma verbal.
 

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Questão presente nas seguintes provas

De início, não existiam direitos, mas poderes. Desde

que o homem pôde vingar a ofensa a ele dirigida e verificou

que tal vingança o satisfazia e atemorizava a reincidência, só

deixou de exercer sua força perante uma força maior.

No entanto, como acontece muitas vezes no domínio biológico,

a reação começou a ultrapassar de muito a ação que a

provocara. Os fracos uniram-se; e foi então que começou

propriamente a incursão do consciente e do raciocínio no

mecanismo social, ou melhor, foi aí que começou a sociedade

propriamente dita. Fracos unidos não deixam de constituir uma

força. E os fracos, os primeiros ladinos e sofistas, os primeiros

inteligentes da história da humanidade, procuraram submeter

aquelas relações até então naturais, biológicas e necessárias, ao

domínio do pensamento. Surgiu, como defesa, a ideia de que,

apesar de não terem força, tinham direitos. Novas noções de

Justiça, Caridade, Igualdade e Dever foram se insinuando

naquele grupo primitivo, instiladas pelos que delas

necessitavam, tão certo como o é o fato de os primeiros

remédios terem sido inventados pelos doentes. No espírito do

homem, foi se formando a correspondente daquela revolta: um

superego mais ou menos forte, que daí em diante regeria e

fiscalizaria as relações do novo homem com os seus

semelhantes, impedindo-lhe a perpetração de atos considerados

por todos como proibidos. (...) Na resolução de seus litígios,

não mais aparecia o mais forte e musculoso diante do menos

poderoso pelo próprio nascimento e natureza. Igualados pelas

mesmas condições, afrouxados na sua agressividade de animal

pelo nascimento do superego, fizeram uma espécie de tratado

de paz, as leis, pelas quais os interesses e os “proibidos” não

seriam violados reciprocamente, sob a garantia de uma punição

por parte da coletividade.

Clarice Lispector. Observações sobre o fundamento do direito de punir. In: Aparecida Maria Nunes (Org.). Clarice na cabeceira. Rio de Janeiro: Rocco, 2012, p. 67-8 (com adaptações).



A respeito do texto acima, julgue o próximo item.
Constrói-se no texto uma dicotomia que opõe fraqueza, racionalidade e inteligência, de um lado, a força física, primitivismo e agressividade animalesca, de outro, sendo a formação da sociedade entendida como o resultado do embate entre esses dois opostos das qualidades humanas.
 

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752383 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: TJ-DFT

A transmissão segura de dados sigilosos, que é um

velho e importante problema, continua sendo uma questão

estratégica para qualquer sociedade moderna.

Para começar a abordá-la, vejamos de forma

simplificada como as transmissões de dados são feitas de forma

segura atualmente. Suponha-se que uma pessoa deseje fazer

uma compra por meio da Internet e pagá-la com o cartão de

crédito. Nesse caso, é necessário enviar os dados pessoais do

comprador e o número do cartão de crédito para a loja.

O problema é que, na transmissão, pode haver um espião

conectado à rede, interessado em bisbilhotar a comunicação

para obter os dados pessoais e, principalmente, o número do

cartão de crédito do comprador. Para evitar a espionagem, as

lojas virtuais utilizam a criptografia por meio de um método

conhecido como protocolo de chave pública.

O computador do internauta comprador irá utilizar

essa chave para codificar — ou encriptar, como se diz no

jargão da informática — as informações pessoais e o número

do cartão de crédito. Na prática, isso significa que esses dados

secretos são digitalizados — ou seja, codificados — e, em

seguida, é realizada uma operação lógica que envolve a chave

e os dados secretos. Essa operação lógica é equivalente a uma

operação matemática realizada na base binária.

A segurança de se usar a chave pública reside no fato

de que qualquer pessoa pode utilizar essa sequência de bits

para encriptar (codificar) os dados, mas apenas a loja virtual

que a gerou poderá decodificar (desencriptar) os dados. Para

realizar a decodificação, é necessário ter uma segunda

sequência de bits lógicos — a chamada chave privada — e

fazer uma nova operação binária, envolvendo os dados

encriptados e a chave privada. Esta última é chamada privada

porque só aquele que gerou a chave pública consegue produzir

também a chave privada.

Se um espião tentasse decifrar os dados encriptados

utilizando um computador moderno, ele levaria muitos anos,

mesmo que dispusesse do computador mais rápido hoje

existente. Por isso, esse é o sistema mais utilizado na

atualidade por lojas virtuais de Internet, bancos etc.

Paulo Henrique Souto Ribeiro. Criptografia quântica: os desafios de gerar códigos invioláveis. In: Revista Ciência Hoje, vol. 47, n.º 277, p. 27-8. Internet: www.cienciahoje.uol.com.br (com adaptações).



Com relação às ideias do texto ao lado — de Paulo Henrique Souto
Ribeiro — e às estruturas linguísticas nele empregadas, julgue os
próximos itens.
A oração “Para evitar a espionagem” (L.13) denota a finalidade da utilização do protocolo de chave pública pelas lojas virtuais.
 

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A respeito de aspectos diversos relativos ao cenário geopolítico brasileiro e mundial, julgue o próximo item.
A despeito da tradicional rivalidade existente entre Brasil e Argentina no campo esportivo, a escolha do cardeal Jorge Mario Bergoglio como sucessor do papa Bento XVI não reforçou a disputa entre esses países, pois, embora seja considerado argentino por ter sido arcebispo daquele país, Bergoglio é, efetivamente, filho de pais argentinos, mas cidadão italiano.
 

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