Magna Concursos

Foram encontradas 70 questões.

3784241 Ano: 2024
Disciplina: Informática
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

A captura de tela é um procedimento muito útil em diversos contextos operacionais. No caso do Microsoft Windows 10 Home Single Language Versão 22H2, uma forma para realizar a captura de tela é simplesmente pressionando a tecla PrintScreen, quando disponível no teclado. Caso não esteja disponível, a documentação oficial do Windows oferece outra opção para acessar uma ferramenta mais elaborada de Captura de Tela. Admitindo que o símbolo de soma denota combinação de teclas, a outra combinação correta para acessar a ferramenta de capturar a tela é pressionando a tecla Windows e depois

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784240 Ano: 2024
Disciplina: Informática
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Um modo efetivo de tornar um diretório oculto no Microsoft Windows 10 Home Single Language Versão 22H2 é

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784239 Ano: 2024
Disciplina: Informática
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Considere que, no aplicativo LibreOffice Calc versão 7.6.2.1, as células C1 a C6 estão populadas, respectivamente, com os seguintes valores: 6, 4, 8, 2, 1 e 9. Considere que a célula C7 possui a seguinte fórmula matemática:

=SOMASES(C1:C6;C1:C6;">=4")

O valor armazenado na célula C7 como resultado da fórmula é

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784238 Ano: 2024
Disciplina: Informática
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Utilizando o Bloco de Notas do Microsoft Windows 10 Home Single Language Versão 22H2, suponha que você possui um texto com quatro linhas e o seu cursor está no início da primeira linha. Assumindo que o símbolo de soma (+) denota combinação de teclas, a combinação de teclas utilizada para selecionar aquela linha inteira sem precisar selecionar Shift e seta para direita múltiplas vezes é

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784237 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Leia o Texto 4 para responder à questão.

 

Texto 4

Comida de vó

Ítalo Borges

Tardes de domingo em um apartamento que se tornava pequeno, haja vista a quantidade de primos de minha idade, alguns mais velhos, além dos tios, tias, vovô e vovó, bastante conversa, beijos e abraços.

Um encontro permeado de muito afeto no qual o ponto alto, pelo menos para mim, era perceber o amor que vovó Ivone transmitia por meio daquela mesa posta. Para ela, o mais importante era que as crianças estivessem felizes e para isso tínhamos que estar bem alimentados. Ah… E essa missão ela cumpria com louvor.

Nunca serei capaz de descrever de modo fidedigno o aroma que exalava da abertura do forno, aquela travessa de purê (vovó chamava pirê, e eu achava o máximo) acompanhada de uma carne assada, digo acompanhada porque aquele purê, em si, era meu próprio banquete.

Vovó o preparava de um modo que sua textura lembrava uma suave torta, de tenra firmeza no centro aliada a uma fina crosta crocante e saborosa que se formava na parte mais próximas às laterais da travessa, aquele queimadinho, sabe? Sua coloração era ainda especial por ser diferente dos que eu já experimentara em meu parco repertório gastronômico de um menino de cinco anos, que provara purês de cor de batata mesmo, claros, brancos, pálidos. Já o de Vovó ia na contramão e se apresentava com uma cor amarelo solar e radiante, minha mente pueril pode até ter poetizado a cor, haja vista a força gustativa, mas sem dúvida, aquele purê era “bronzeado”, tinha cor, além de sabor e textura.

Uma verdadeira iguaria para aquele menininho que aguardava ansioso a oportunidade de visitá-la, receber aquele afago, beijo, carinho, mas sobretudo o amor que era devotado à família e que, indubitavelmente, estava materializado em um encontro com a enorme prole. O seu sorriso em um almoço de domingo permanecerá, como um legado, sempre no meu coração, Vovó Ivone.

Disponível em: <https://saboresdacidade.com/cronica-comida-de-vo/>. Acesso em: 07 jun. 2024.

 

Em “O seu sorriso em um almoço de domingo permanecerá sempre no meu coração, Vovó Ivone.”, há

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784236 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Leia o Texto 4 para responder à questão.

 

Texto 4

Comida de vó

Ítalo Borges

Tardes de domingo em um apartamento que se tornava pequeno, haja vista a quantidade de primos de minha idade, alguns mais velhos, além dos tios, tias, vovô e vovó, bastante conversa, beijos e abraços.

Um encontro permeado de muito afeto no qual o ponto alto, pelo menos para mim, era perceber o amor que vovó Ivone transmitia por meio daquela mesa posta. Para ela, o mais importante era que as crianças estivessem felizes e para isso tínhamos que estar bem alimentados. Ah… E essa missão ela cumpria com louvor.

Nunca serei capaz de descrever de modo fidedigno o aroma que exalava da abertura do forno, aquela travessa de purê (vovó chamava pirê, e eu achava o máximo) acompanhada de uma carne assada, digo acompanhada porque aquele purê, em si, era meu próprio banquete.

Vovó o preparava de um modo que sua textura lembrava uma suave torta, de tenra firmeza no centro aliada a uma fina crosta crocante e saborosa que se formava na parte mais próximas às laterais da travessa, aquele queimadinho, sabe? Sua coloração era ainda especial por ser diferente dos que eu já experimentara em meu parco repertório gastronômico de um menino de cinco anos, que provara purês de cor de batata mesmo, claros, brancos, pálidos. Já o de Vovó ia na contramão e se apresentava com uma cor amarelo solar e radiante, minha mente pueril pode até ter poetizado a cor, haja vista a força gustativa, mas sem dúvida, aquele purê era “bronzeado”, tinha cor, além de sabor e textura.

Uma verdadeira iguaria para aquele menininho que aguardava ansioso a oportunidade de visitá-la, receber aquele afago, beijo, carinho, mas sobretudo o amor que era devotado à família e que, indubitavelmente, estava materializado em um encontro com a enorme prole. O seu sorriso em um almoço de domingo permanecerá, como um legado, sempre no meu coração, Vovó Ivone.

Disponível em: <https://saboresdacidade.com/cronica-comida-de-vo/>. Acesso em: 07 jun. 2024.

 

No trecho “Sua coloração era ainda especial por ser diferente dos que eu já experimentara em meu parco repertório gastronômico de um menino de cinco anos”, a expressão “sua coloração” refere-se

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784235 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Leia o Texto 4 para responder à questão.

 

Texto 4

Comida de vó

Ítalo Borges

Tardes de domingo em um apartamento que se tornava pequeno, haja vista a quantidade de primos de minha idade, alguns mais velhos, além dos tios, tias, vovô e vovó, bastante conversa, beijos e abraços.

Um encontro permeado de muito afeto no qual o ponto alto, pelo menos para mim, era perceber o amor que vovó Ivone transmitia por meio daquela mesa posta. Para ela, o mais importante era que as crianças estivessem felizes e para isso tínhamos que estar bem alimentados. Ah… E essa missão ela cumpria com louvor.

Nunca serei capaz de descrever de modo fidedigno o aroma que exalava da abertura do forno, aquela travessa de purê (vovó chamava pirê, e eu achava o máximo) acompanhada de uma carne assada, digo acompanhada porque aquele purê, em si, era meu próprio banquete.

Vovó o preparava de um modo que sua textura lembrava uma suave torta, de tenra firmeza no centro aliada a uma fina crosta crocante e saborosa que se formava na parte mais próximas às laterais da travessa, aquele queimadinho, sabe? Sua coloração era ainda especial por ser diferente dos que eu já experimentara em meu parco repertório gastronômico de um menino de cinco anos, que provara purês de cor de batata mesmo, claros, brancos, pálidos. Já o de Vovó ia na contramão e se apresentava com uma cor amarelo solar e radiante, minha mente pueril pode até ter poetizado a cor, haja vista a força gustativa, mas sem dúvida, aquele purê era “bronzeado”, tinha cor, além de sabor e textura.

Uma verdadeira iguaria para aquele menininho que aguardava ansioso a oportunidade de visitá-la, receber aquele afago, beijo, carinho, mas sobretudo o amor que era devotado à família e que, indubitavelmente, estava materializado em um encontro com a enorme prole. O seu sorriso em um almoço de domingo permanecerá, como um legado, sempre no meu coração, Vovó Ivone.

Disponível em: <https://saboresdacidade.com/cronica-comida-de-vo/>. Acesso em: 07 jun. 2024.

 

O texto em análise relata sobre as comidas feitas pela avó do autor. Predominantemente, esse texto apresenta uma sequência textual

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784234 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 

Texto 3

Eu sei, mas não devia

Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e a ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1996. p. 9.

 

No texto “Eu sei, mas não devia” há uma predominância de verbos conjugados na 3ª pessoa do singular. Isso se deve ao fato de que, na norma padrão da língua portuguesa, a concordância se dá pela

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784233 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 

Texto 3

Eu sei, mas não devia

Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e a ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1996. p. 9.

 

A decisão pela presença e ausência de crase no texto, como nos trechos “A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.” E “A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor.”, deve-se a casos de

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3784232 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: TJ-GO
Provas:

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 

Texto 3

Eu sei, mas não devia

Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e a ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1996. p. 9.

 

Na crônica argumentativa, a cronista argumenta fazendo uso predominantemente de

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas