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Foram encontradas 90 questões.

3009349 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
Godofredo Rangel − Um escritor delicado
Godofredo Rangel parecia pedir desculpas por ser escritor, num tempo em que tantos simulam essa condição. Ninguém menos do que ele ostentava o dom natural. O isolamento em pequenas comarcas do interior, como juiz, dava-lhe igualmente motivos para desistir e força para continuar, pois a vocação literária se nutre de contrários. Tantos anos levou nessa luta contra o meio, não digo hostil, pior do que isso: indiferente, e contra a própria timidez, que, ao atingir uma cidade onde os contatos culturais já não eram abstratos, e sim um aspecto habitual da vida, o criador deixara nele de funcionar. Rangel mergulhara no Túnel da Tradução, de onde os escritores saem fatigados e sem rosto.
Não direi mal dos tradutores, e Godofredo Rangel era dos bons. Lastimo apenas que cada vez mais seja impossível nos entregarmos àqueles trabalhos de penetração do texto literário e de transposição de sua essência misteriosa, de um para outro invólucro, tão só pelo prazer do exercício arriscado. Quem ler A barca de Gleyre* perceberá facilmente como e por que um autor é arrastado ao ofício de tradutor, como se profissionaliza e, mesmo dando à sua tarefa o desempenho mais escrupuloso, não consegue alçá-la à categoria de obra de arte. De resto, distingue o trabalho de tradutor um fundo de humildade que haveria de comprazer ao romancista Rangel, humilde de natureza.
Meu cortês, meu douto, meu caro e bom Godofredo Rangel: agora que morreste, posso bem dizer que não te conheci menos porque pouco te frequentei. E se me lastimo porque a vida não me permitiu privar de tua companhia, deixa estar que nós mineiros, e entre os mineiros os de certo tipo de sensibilidade, em rigor não carecemos de presença física para a funda convivência.
(Adaptado de Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha)
* A barca de Gleyre − Edição em livro da correspondência
entre Godofredo Rangel e Monteiro Lobato.
Quanto às normas de concordância verbal, está plenamente correta a frase:
 

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3009348 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
Godofredo Rangel − Um escritor delicado
Godofredo Rangel parecia pedir desculpas por ser escritor, num tempo em que tantos simulam essa condição. Ninguém menos do que ele ostentava o dom natural. O isolamento em pequenas comarcas do interior, como juiz, dava-lhe igualmente motivos para desistir e força para continuar, pois a vocação literária se nutre de contrários. Tantos anos levou nessa luta contra o meio, não digo hostil, pior do que isso: indiferente, e contra a própria timidez, que, ao atingir uma cidade onde os contatos culturais já não eram abstratos, e sim um aspecto habitual da vida, o criador deixara nele de funcionar. Rangel mergulhara no Túnel da Tradução, de onde os escritores saem fatigados e sem rosto.
Não direi mal dos tradutores, e Godofredo Rangel era dos bons. Lastimo apenas que cada vez mais seja impossível nos entregarmos àqueles trabalhos de penetração do texto literário e de transposição de sua essência misteriosa, de um para outro invólucro, tão só pelo prazer do exercício arriscado. Quem ler A barca de Gleyre* perceberá facilmente como e por que um autor é arrastado ao ofício de tradutor, como se profissionaliza e, mesmo dando à sua tarefa o desempenho mais escrupuloso, não consegue alçá-la à categoria de obra de arte. De resto, distingue o trabalho de tradutor um fundo de humildade que haveria de comprazer ao romancista Rangel, humilde de natureza.
Meu cortês, meu douto, meu caro e bom Godofredo Rangel: agora que morreste, posso bem dizer que não te conheci menos porque pouco te frequentei. E se me lastimo porque a vida não me permitiu privar de tua companhia, deixa estar que nós mineiros, e entre os mineiros os de certo tipo de sensibilidade, em rigor não carecemos de presença física para a funda convivência.
(Adaptado de Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha)
* A barca de Gleyre − Edição em livro da correspondência
entre Godofredo Rangel e Monteiro Lobato.
Não direi mal dos tradutores, e Godofredo Rangel era dos bons.
O tipo de articulação lógica que se estabelece entre os dois segmentos é equivalente ao que se estabelece entre os segmentos destacados em
 

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3009347 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
Godofredo Rangel − Um escritor delicado
Godofredo Rangel parecia pedir desculpas por ser escritor, num tempo em que tantos simulam essa condição. Ninguém menos do que ele ostentava o dom natural. O isolamento em pequenas comarcas do interior, como juiz, dava-lhe igualmente motivos para desistir e força para continuar, pois a vocação literária se nutre de contrários. Tantos anos levou nessa luta contra o meio, não digo hostil, pior do que isso: indiferente, e contra a própria timidez, que, ao atingir uma cidade onde os contatos culturais já não eram abstratos, e sim um aspecto habitual da vida, o criador deixara nele de funcionar. Rangel mergulhara no Túnel da Tradução, de onde os escritores saem fatigados e sem rosto.
Não direi mal dos tradutores, e Godofredo Rangel era dos bons. Lastimo apenas que cada vez mais seja impossível nos entregarmos àqueles trabalhos de penetração do texto literário e de transposição de sua essência misteriosa, de um para outro invólucro, tão só pelo prazer do exercício arriscado. Quem ler A barca de Gleyre* perceberá facilmente como e por que um autor é arrastado ao ofício de tradutor, como se profissionaliza e, mesmo dando à sua tarefa o desempenho mais escrupuloso, não consegue alçá-la à categoria de obra de arte. De resto, distingue o trabalho de tradutor um fundo de humildade que haveria de comprazer ao romancista Rangel, humilde de natureza.
Meu cortês, meu douto, meu caro e bom Godofredo Rangel: agora que morreste, posso bem dizer que não te conheci menos porque pouco te frequentei. E se me lastimo porque a vida não me permitiu privar de tua companhia, deixa estar que nós mineiros, e entre os mineiros os de certo tipo de sensibilidade, em rigor não carecemos de presença física para a funda convivência.
(Adaptado de Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha)
* A barca de Gleyre − Edição em livro da correspondência
entre Godofredo Rangel e Monteiro Lobato.
Considerando-se o contexto, deve-se entender que o segmento
 

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3009346 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
Godofredo Rangel − Um escritor delicado
Godofredo Rangel parecia pedir desculpas por ser escritor, num tempo em que tantos simulam essa condição. Ninguém menos do que ele ostentava o dom natural. O isolamento em pequenas comarcas do interior, como juiz, dava-lhe igualmente motivos para desistir e força para continuar, pois a vocação literária se nutre de contrários. Tantos anos levou nessa luta contra o meio, não digo hostil, pior do que isso: indiferente, e contra a própria timidez, que, ao atingir uma cidade onde os contatos culturais já não eram abstratos, e sim um aspecto habitual da vida, o criador deixara nele de funcionar. Rangel mergulhara no Túnel da Tradução, de onde os escritores saem fatigados e sem rosto.
Não direi mal dos tradutores, e Godofredo Rangel era dos bons. Lastimo apenas que cada vez mais seja impossível nos entregarmos àqueles trabalhos de penetração do texto literário e de transposição de sua essência misteriosa, de um para outro invólucro, tão só pelo prazer do exercício arriscado. Quem ler A barca de Gleyre* perceberá facilmente como e por que um autor é arrastado ao ofício de tradutor, como se profissionaliza e, mesmo dando à sua tarefa o desempenho mais escrupuloso, não consegue alçá-la à categoria de obra de arte. De resto, distingue o trabalho de tradutor um fundo de humildade que haveria de comprazer ao romancista Rangel, humilde de natureza.
Meu cortês, meu douto, meu caro e bom Godofredo Rangel: agora que morreste, posso bem dizer que não te conheci menos porque pouco te frequentei. E se me lastimo porque a vida não me permitiu privar de tua companhia, deixa estar que nós mineiros, e entre os mineiros os de certo tipo de sensibilidade, em rigor não carecemos de presença física para a funda convivência.
(Adaptado de Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha)
* A barca de Gleyre − Edição em livro da correspondência
entre Godofredo Rangel e Monteiro Lobato.
Atente para as seguintes afirmações:
I. No 1o parágrafo, o autor do texto mostra sua admiração pelo ofício de tradutor, graças ao qual seu amigo Godofredo Rangel foi reconhecido e se consagrou como escritor e intelectual.
II. No 2o parágrafo, o autor mostra-se convencido de que o trabalho da tradução requer certos atributos pessoais que o tornam pouco atraente para pessoas tímidas e muito escrupulosas.
III. No 3o parágrafo, o autor faz ver que entre ele e Godofredo Rangel, marcados ambos pela condição mineira, a distância física e a pouca sociabilidade não impedem uma funda intimidade.
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em
 

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3009345 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
Godofredo Rangel − Um escritor delicado
Godofredo Rangel parecia pedir desculpas por ser escritor, num tempo em que tantos simulam essa condição. Ninguém menos do que ele ostentava o dom natural. O isolamento em pequenas comarcas do interior, como juiz, dava-lhe igualmente motivos para desistir e força para continuar, pois a vocação literária se nutre de contrários. Tantos anos levou nessa luta contra o meio, não digo hostil, pior do que isso: indiferente, e contra a própria timidez, que, ao atingir uma cidade onde os contatos culturais já não eram abstratos, e sim um aspecto habitual da vida, o criador deixara nele de funcionar. Rangel mergulhara no Túnel da Tradução, de onde os escritores saem fatigados e sem rosto.
Não direi mal dos tradutores, e Godofredo Rangel era dos bons. Lastimo apenas que cada vez mais seja impossível nos entregarmos àqueles trabalhos de penetração do texto literário e de transposição de sua essência misteriosa, de um para outro invólucro, tão só pelo prazer do exercício arriscado. Quem ler A barca de Gleyre* perceberá facilmente como e por que um autor é arrastado ao ofício de tradutor, como se profissionaliza e, mesmo dando à sua tarefa o desempenho mais escrupuloso, não consegue alçá-la à categoria de obra de arte. De resto, distingue o trabalho de tradutor um fundo de humildade que haveria de comprazer ao romancista Rangel, humilde de natureza.
Meu cortês, meu douto, meu caro e bom Godofredo Rangel: agora que morreste, posso bem dizer que não te conheci menos porque pouco te frequentei. E se me lastimo porque a vida não me permitiu privar de tua companhia, deixa estar que nós mineiros, e entre os mineiros os de certo tipo de sensibilidade, em rigor não carecemos de presença física para a funda convivência.
(Adaptado de Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha)
* A barca de Gleyre − Edição em livro da correspondência
entre Godofredo Rangel e Monteiro Lobato.
Ao traçar o perfil do escritor Godofredo Rangel, Carlos Drummond de Andrade destaca, além dos traços da delicadeza e da humildade,
 

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3009344 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
O humor que perdura na Belle Époque brasileira será um humor que almeja cultivar a bonomia, que vê a si próprio como civilizador e cultor de gestos nobres, embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade. Há, em princípio, a produção humorística que surge ligada, quase toda ela, ao sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira(e), que passou pelos eventos da abolição e da República(b). Abre-se um espaço para a representação humorística pela inflexão provocada pelos próprios eventos e pelas promessas de transformações sociais que elas traziam.
Contudo, se por um lado a abolição e a inauguração de um regime republicano começam a alimentar muitos sonhos e expectativas sociais, por outro virão apenas aguçar antigos dilemas(a): o que significava ser brasileiro naquela realidade cada vez mais paradoxal, infinitamente variada, regionalmente diversificada e, sobretudo depois daqueles eventos cruciais, uma realidade indefinida em termos de futuro? A interrogação de Sérgio Buarque de Holanda, em conhecida análise do advento da República, pode se constituir numa síntese deste tema: “Como esperar transformações sociais profundas(c) em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?”
O advento da República viria proclamar, inicialmente, uma atitude de repúdio difuso à vida rotineira e aos arcaísmos, que seriam a própria negação do progresso, como forma de os indivíduos desamarrarem-se dos modos provincianos e das sociabilidades geradas pela sociedade escravista. Assim, uma atmosfera que ansiava por cosmopolitismo, gerada a partir do Rio de Janeiro, autêntica capital cultural do Brasil na Belle Époque, percorre o país(d) numa ânsia sôfrega pela europeização e pela modernização. Se a sua difusão foi, com efeito, pouco abrangente e limitada às incipientes manchas urbanas no Brasil do final do século, seu efeito desconcertante foi, por isso mesmo, maior e mais profundo. Se durante a independência esta mesma ansiedade expressava-se, culturalmente, pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”.
(Trecho adaptado de Elias Thomé Saliba. Raízes do riso.
S.Paulo: Cia. das Letras, 2002. p.66-9)
A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes no segmento, foi realizada de modo INCORRETO em:
 

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3009343 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
O humor que perdura na Belle Époque brasileira será um humor que almeja cultivar a bonomia, que vê a si próprio como civilizador e cultor de gestos nobres, embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade. Há, em princípio, a produção humorística que surge ligada, quase toda ela, ao sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira, que passou pelos eventos da abolição e da República. Abre-se um espaço para a representação humorística pela inflexão provocada pelos próprios eventos e pelas promessas de transformações sociais que elas traziam.
Contudo, se por um lado a abolição e a inauguração de um regime republicano começam a alimentar muitos sonhos e expectativas sociais, por outro virão apenas aguçar antigos dilemas: o que significava ser brasileiro naquela realidade cada vez mais paradoxal, infinitamente variada, regionalmente diversificada e, sobretudo depois daqueles eventos cruciais, uma realidade indefinida em termos de futuro? A interrogação de Sérgio Buarque de Holanda, em conhecida análise do advento da República, pode se constituir numa síntese deste tema: “Como esperar transformações sociais profundas em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?”
O advento da República viria proclamar, inicialmente, uma atitude de repúdio difuso à vida rotineira e aos arcaísmos, que seriam a própria negação do progresso, como forma de os indivíduos desamarrarem-se dos modos provincianos e das sociabilidades geradas pela sociedade escravista. Assim, uma atmosfera que ansiava por cosmopolitismo, gerada a partir do Rio de Janeiro, autêntica capital cultural do Brasil na Belle Époque, percorre o país numa ânsia sôfrega pela europeização e pela modernização. Se a sua difusão foi, com efeito, pouco abrangente e limitada às incipientes manchas urbanas no Brasil do final do século, seu efeito desconcertante foi, por isso mesmo, maior e mais profundo. Se durante a independência esta mesma ansiedade expressava-se, culturalmente, pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”.
(Trecho adaptado de Elias Thomé Saliba. Raízes do riso.
S.Paulo: Cia. das Letras, 2002. p.66-9)
Atente para as seguintes afirmações sobre a pontuação empregada em segmentos do texto.
I. Em sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira, que passou pelos eventos da abolição e da República, a vírgula poderia ser retirada sem prejuízo para a correção e o sentido original.
II. Em “Como esperar transformações sociais profundas em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?”, o emprego das aspas tem como justificativa o destaque que o autor deseja dar à questão central do texto.
III. Em pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”, os travessões poderiam ser substituídos por parênteses, sem prejuízo para a correção e a lógica.
Está correto APENAS o que se afirma em
 

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3009342 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
O humor que perdura na Belle Époque brasileira será um humor(c) que almeja cultivar a bonomia, que vê a si próprio como civilizador e cultor de gestos nobres(c), embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade. Há, em princípio, a produção humorística(b) que surge ligada, quase toda ela, ao sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira, que passou pelos eventos da abolição e da República(e). Abre-se um espaço para a representação humorística pela inflexão provocada pelos próprios eventos e pelas promessas de transformações sociais que elas traziam.
Contudo, se por um lado a abolição e a inauguração de um regime republicano começam a alimentar muitos sonhos e expectativas sociais, por outro virão apenas aguçar antigos dilemas: o que significava ser brasileiro naquela realidade cada vez mais paradoxal, infinitamente variada, regionalmente diversificada e, sobretudo depois daqueles eventos cruciais, uma realidade indefinida em termos de futuro? A interrogação de Sérgio Buarque de Holanda, em conhecida análise do advento da República, pode se constituir numa síntese deste tema: “Como esperar transformações sociais profundas em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?”
O advento da República viria proclamar, inicialmente, uma atitude de repúdio difuso à vida rotineira e aos arcaísmos, que seriam a própria negação do progresso, como forma de os indivíduos desamarrarem-se dos modos provincianos e das sociabilidades geradas pela sociedade escravista. Assim, uma atmosfera(a) que ansiava por cosmopolitismo, gerada a partir do Rio de Janeiro, autêntica capital cultural do Brasil na Belle Époque, percorre o país numa ânsia sôfrega pela europeização e pela modernização(a). Se a sua difusão foi, com efeito, pouco abrangente e limitada às incipientes manchas urbanas no Brasil do final do século, seu efeito desconcertante foi, por isso mesmo, maior e mais profundo(d). Se durante a independência esta mesma ansiedade expressava-se, culturalmente, pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”.
(Trecho adaptado de Elias Thomé Saliba. Raízes do riso.
S.Paulo: Cia. das Letras, 2002. p.66-9)
... embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade. O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está empregado em:
 

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3009341 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
O humor que perdura na Belle Époque brasileira será um humor que almeja cultivar a bonomia, que vê a si próprio como civilizador e cultor de gestos nobres, embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade(a). Há, em princípio, a produção humorística(b) que surge ligada, quase toda ela, ao sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira(c), que passou pelos eventos da abolição e da República. Abre-se um espaço para a representação humorística(d) pela inflexão provocada pelos próprios eventos e pelas promessas de transformações sociais que elas traziam.
Contudo, se por um lado a abolição e a inauguração de um regime republicano começam a alimentar muitos sonhos e expectativas sociais, por outro virão apenas aguçar antigos dilemas: o que significava ser brasileiro naquela realidade cada vez mais paradoxal, infinitamente variada, regionalmente diversificada e, sobretudo depois daqueles eventos cruciais, uma realidade indefinida em termos de futuro? A interrogação de Sérgio Buarque de Holanda, em conhecida análise do advento da República, pode se constituir numa síntese deste tema: “Como esperar transformações sociais profundas em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?”
O advento da República viria proclamar, inicialmente, uma atitude de repúdio(e) difuso à vida rotineira e aos arcaísmos, que seriam a própria negação do progresso, como forma de os indivíduos desamarrarem-se dos modos provincianos e das sociabilidades geradas pela sociedade escravista. Assim, uma atmosfera que ansiava por cosmopolitismo, gerada a partir do Rio de Janeiro, autêntica capital cultural do Brasil na Belle Époque, percorre o país numa ânsia sôfrega pela europeização e pela modernização. Se a sua difusão foi, com efeito, pouco abrangente e limitada às incipientes manchas urbanas no Brasil do final do século, seu efeito desconcertante foi, por isso mesmo, maior e mais profundo. Se durante a independência esta mesma ansiedade expressava-se, culturalmente, pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”.
(Trecho adaptado de Elias Thomé Saliba. Raízes do riso.
S.Paulo: Cia. das Letras, 2002. p.66-9)
Atentando-se para a sintaxe, é INCORRETO afirmar que, em
 

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3009340 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-RJ
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Atenção: a questão a seguir, refere-se ao texto abaixo.
O humor que perdura na Belle Époque brasileira será um humor que almeja cultivar a bonomia, que vê a si próprio como civilizador e cultor de gestos nobres, embora nem sempre esta imagem corresponda à realidade. Há, em princípio, a produção humorística que surge ligada, quase toda ela, ao sentimento da desilusão republicana que atinge a intelectualidade brasileira, que passou pelos eventos da abolição e da República. Abre-se um espaço para a representação humorística pela inflexão provocada pelos próprios eventos e pelas promessas de transformações sociais que elas traziam.
Contudo, se por um lado a abolição e a inauguração de um regime republicano começam a alimentar muitos sonhos e expectativas sociais, por outro virão apenas aguçar antigos dilemas: o que significava ser brasileiro naquela realidade cada vez mais paradoxal, infinitamente variada, regionalmente diversificada e, sobretudo depois daqueles eventos cruciais, uma realidade indefinida em termos de futuro? A interrogação de Sérgio Buarque de Holanda, em conhecida análise do advento da República, pode se constituir numa síntese deste tema: “Como esperar transformações sociais profundas em país onde eram mantidos os fundamentos tradicionais da situação que se pretendia ultrapassar?”
O advento da República viria proclamar, inicialmente, uma atitude de repúdio difuso à vida rotineira e aos arcaísmos, que seriam a própria negação do progresso, como forma de os indivíduos desamarrarem-se dos modos provincianos e das sociabilidades geradas pela sociedade escravista. Assim, uma atmosfera que ansiava por cosmopolitismo, gerada a partir do Rio de Janeiro, autêntica capital cultural do Brasil na Belle Époque, percorre o país numa ânsia sôfrega pela europeização e pela modernização. Se a sua difusão foi, com efeito, pouco abrangente e limitada às incipientes manchas urbanas no Brasil do final do século, seu efeito desconcertante foi, por isso mesmo, maior e mais profundo. Se durante a independência esta mesma ansiedade expressava-se, culturalmente, pela atração e busca de raízes nativistas e pelo “desejo de ser brasileiros” – na expressão de Antonio Candido –, neste momento manifesta-se, paradoxalmente, quase que um “desejo de ser estrangeiros”.
(Trecho adaptado de Elias Thomé Saliba. Raízes do riso.
S.Paulo: Cia. das Letras, 2002. p.66-9)
Ambos os segmentos do texto têm o verbo empregado nos mesmos tempo e modo:
 

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