Foram encontradas 640 questões.
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
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Escravidão e o mito da benevolência
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01--Certa vez um etnologista disse que "o caminho do progresso é cheio de aventuras, rupturas e escândalos".
02--Devemos, assim, começar examinando o maior de todos os escândalos, aquele que ultrapassou qualquer
03--outro na história da humanidade: a escravização dos povos negro-africanos.
04--No Brasil, é a escravidão que define a qualidade, a extensão e a intensidade da relação física e espiritual
05--dos filhos de três continentes que aqui se encontraram, confrontando um ao outro no esforço épico de
06--edificar um novo país, com suas características próprias, tanto na composição étnica do seu povo quanto
07--na especificidade do seu espírito.
08--A chamada "descoberta" do Brasil pelos portugueses, em 1500, nos assinala o ponto de partida. A
09--exploração da nova terra se iniciou com o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com
10--suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão. Por volta de 1530, os africanos, trazidos
11--sob correntes, já aparecem exercendo seu papel de "força de trabalho". Em 1535, o comércio escravo para
12--o Brasil estava regularmente constituído e organizado e, rapidamente, aumentaria em proporções
13--enormes. Como primeira atividade significativa da colônia portuguesa, as plantações de cana-de-açúcar se
14--espalhavam pelas costas do nordeste, especialmente nos estados da Bahia e Pernambuco. Só a Bahia, lá
15--por 1587, tinha cerca de 47 engenhos de cana-de-açúcar, fato que bem ilustra a velocidade expansionista
16--da indústria açucareira desenvolvida com o uso da força muscular africana. Uma canção de trabalho
17--incluída no artigo de Zora Seljan, “A poesia negra popular no Brasil”, nos fornece o sentido do ritmo dos
18--engenhos de açúcar:
19----------Solo: Engenho novo está p'ra moer!
20----------Côro: Trabalhar até morrer!
21----------Ô trabalhar, ô trabalhar, olé! Trabalhar até morrer!
-------[...]
22--O papel do negro escravizado foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como
23--era o caso do Brasil, sob o signo do parasitismo imperialista. Sem o escravo, a estrutura econômica do
24--país jamais teria existido. O africano escravizado construiu as fundações da nova sociedade com a flexão e
25--a quebra da sua espinha dorsal, quando ao mesmo tempo seu trabalho significava a própria espinha dorsal
26--daquela colônia. Ele plantou, alimentou e colheu a riqueza material do país para o desfrute exclusivo da
27--aristocracia branca. Tanto nas plantações de cana-de-açúcar e café e na mineração, quanto nas cidades, o
28--africano incorporava as mãos e os pés das classes dirigentes que não se “autodegradavam” em ocupações
29--vis como aquelas do trabalho braçal. A nobilitante ocupação das classes dirigentes - os latifundiários, os
30--comerciantes, os sacerdotes católicos - consistia no exercício da indolência, no cultivo da ignorância, do
31--preconceito, e na prática da mais licenciosa luxúria.
32--Durante séculos, por mais incrível que pareça, esse duro e ignóbil sistema escravocrata desfrutou a fama,
33--sobretudo no estrangeiro, de ser uma instituição benigna, de caráter humano. Isso graças ao colonialismo
34--português que permanentemente adotou formas de comportamento muito específicas para disfarçar sua
35--fundamental violência e crueldade. A mentira e a dissimulação foram recursos utilizados nesse sentido. A
36--consciência do mundo guarda bem viva a lembrança do colonialista Portugal encobrindo sua natureza
37--racista e espoliadora através de estratagemas como: a) designação de "Províncias de Ultramar" para
38--Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; b) as leis do chamado indigenato, proscrevendo, entre outras
39--indignidades, a assimilação das populações africanas à cultura e identidade portuguesas. Essa rabulice
40--colonizadora pretendia imprimir o selo de legalidade, benevolência e generosidade civilizadora à sua
41--atuação no território africano. Porém, todas essas e outras dissimulações oficiais não conseguiram encobrir
42--a realidade, que consistia no saque de terras e povos e na repressão e negação de suas culturas - ambos
43--sustentados e realizados, não pelo artifício jurídico, mas sim pela força militar imperialista.
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NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3. ed. São Paulo: Perspectivas,
2016. p. 57-60. (Adaptado).
O constituinte modalizador “por mais incrível que pareça” (linha 32) é usado, no texto, para caracterizar o fato relatado na oração “esse duro e ignóbil sistema escravocrata desfrutou a fama” (linhas 32-33) como
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- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de TempoEmprego dos Tempos Verbais
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de TempoTempos Compostos
- Interpretação de TextosInferência Textual
Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15.
-
Desobjetos
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01--O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.
02--O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto
03--de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído
04--no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa
05--nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.
06--Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente
07--tem organismo.
08--O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se
09--aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora
10--feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos
11--do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente
12--perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e
13--não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo
14--e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele
15--estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele
16--estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um
17--lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.
-
BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. p. 27.
No trecho “o fato é que o pente perdera a sua personalidade” (versos 11-12), o evento verbal enunciado, sob o ponto de vista do narrador, dá-se
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15.
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Desobjetos
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01--O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.
02--O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto
03--de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído
04--no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa
05--nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.
06--Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente
07--tem organismo.
08--O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se
09--aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora
10--feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos
11--do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente
12--perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e
13--não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo
14--e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele
15--estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele
16--estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um
17--lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.
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BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. p. 27.
O texto busca, de forma poética,
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- Interpretação de TextosNíveis de LinguagemLinguagem Informal ou Popular
- Interpretação de TextosNíveis de LinguagemLinguagem Técnica e Científica
Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15.
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Desobjetos
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01--O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.
02--O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto
03--de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído
04--no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa
05--nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.
06--Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente
07--tem organismo.
08--O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se
09--aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora
10--feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos
11--do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente
12--perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e
13--não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo
14--e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele
15--estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele
16--estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um
17--lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.
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BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008. p. 27.
No verso 11, o termo “desobjeto”, usado para atender necessidades poéticas e semânticas, é um exemplo de
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.
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Difíceis identidades contemporâneas
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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das
02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora
03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem
04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em
05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao
06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio
07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.
08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua
10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não
11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que
12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já
13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,
14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.
15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão
16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à
17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade
18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir
19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um
20--instante.
21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,
22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às
23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é
24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações
25--nos valores.
24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os
25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos
26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas
27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,
28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa
29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O
30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades
31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem
32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que
33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas
34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.
35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já
36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.
37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de
38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o
39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma
40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A
41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar
42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.
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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).
Considere o uso do item “que” no trecho: “Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude, de dúvida, que torna difícil sua vida” (linhas 13-14). Em qual construção o elemento “que” é usado com a mesma função?
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.
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Difíceis identidades contemporâneas
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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das
02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora
03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem
04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em
05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao
06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio
07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.
08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua
10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não
11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que
12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já
13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,
14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.
15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão
16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à
17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade
18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir
19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um
20--instante.
21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,
22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às
23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é
24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações
25--nos valores.
24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os
25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos
26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas
27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,
28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa
29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O
30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades
31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem
32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que
33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas
34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.
35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já
36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.
37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de
38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o
39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma
40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A
41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar
42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.
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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).
O constituinte sintático intercalado pelos sinais de travessão “– nem que seja por algum tempo –” (linha 18) realiza a seguinte função:
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Narrativo
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Descritivo
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Injuntivo/Instrucional
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-expositivo
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativo
Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.
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Difíceis identidades contemporâneas
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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das
02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora
03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem
04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em
05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao
06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio
07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.
08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua
10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não
11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que
12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já
13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,
14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.
15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão
16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à
17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade
18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir
19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um
20--instante.
21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,
22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às
23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é
24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações
25--nos valores.
24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os
25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos
26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas
27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,
28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa
29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O
30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades
31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem
32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que
33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas
34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.
35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já
36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.
37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de
38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o
39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma
40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A
41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar
42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.
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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).
Considerando o modo de organização linguística e textual, “Difíceis identidades contemporâneas”, de David Le Breton, é um texto predominantemente
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.
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Difíceis identidades contemporâneas
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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das
02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora
03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem
04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em
05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao
06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio
07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.
08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua
10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não
11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que
12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já
13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,
14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.
15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão
16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à
17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade
18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir
19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um
20--instante.
21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,
22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às
23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é
24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações
25--nos valores.
24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os
25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos
26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas
27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,
28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa
29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O
30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades
31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem
32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que
33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas
34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.
35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já
36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.
37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de
38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o
39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma
40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A
41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar
42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.
-
LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).
É uma ideia defendida no texto “Difíceis identidades contemporâneas”:
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- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
- Interpretação de TextosCoesão e CoerênciaCoesãoCoesão ReferencialAnáfora
Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.
-
Difíceis identidades contemporâneas
-
01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das
02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora
03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem
04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em
05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao
06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio
07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.
08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua
10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não
11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que
12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já
13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,
14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.
15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão
16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à
17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade
18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir
19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um
20--instante.
21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,
22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às
23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é
24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações
25--nos valores.
24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os
25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos
26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas
27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,
28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa
29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O
30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades
31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem
32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que
33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas
34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.
35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já
36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.
37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de
38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o
39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma
40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A
41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar
42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.
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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).
No trecho “pois ela é fonte de inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante” (linhas 37 e 38), o pronome “ela” faz uma retomada anafórica do seguinte termo:
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- MorfologiaConjunçõesClassificação das ConjunçõesConjunções CoordenativasConjunções coordenativas adversativas
Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.
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Difíceis identidades contemporâneas
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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das
02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora
03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem
04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em
05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao
06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio
07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.
08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua
10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não
11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que
12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já
13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,
14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.
15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão
16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à
17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade
18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir
19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um
20--instante.
21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,
22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às
23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é
24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações
25--nos valores.
24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os
25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos
26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas
27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,
28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa
29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O
30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades
31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem
32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que
33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas
34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.
35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já
36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.
37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de
38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o
39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma
40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A
41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar
42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.
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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).
A oração “Embora nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais” (linhas 2 e 3) estabelece com a oração que vem na sequência uma relação
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