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- Identidade dos Seres Vivos
- Qualidade de vida das populações humanas
- Protistas e algas
- Principais doenças endêmicas no Brasil
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A tela e o desenvolvimento humano
Por Elvira Souza Lima
Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na
formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]
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A tela e o desenvolvimento humano
Por Elvira Souza Lima
Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na
formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico (linha 32)
O conector presente, nesse período, estabelece uma relação de
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A tela e o desenvolvimento humano
Por Elvira Souza Lima
Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na
formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]

Outra pontuação possível, para esse trecho, considerando-se as orientações normativas do português padrão escrito, é apresentada em:
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A tela e o desenvolvimento humano
Por Elvira Souza Lima
Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na
formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]

Os elementos linguísticos com função de pronome relativo poderiam, conforme as orientações normativas da escrita padrão da língua portuguesa, ser substituídos, respectivamente, por
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A tela e o desenvolvimento humano
Por Elvira Souza Lima
Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na
formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]

Nesse período, a palavra em destaque denota
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formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]

Há, entre os dois períodos, uma relação semântica de
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A tela e o desenvolvimento humano
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Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na
formação humana? São centenas as pesquisas sobre a interação homem e tecnologia. Uma
temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela. A
exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários
pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a
Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos
não sejam expostas à tela.
Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois
primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos
tecnológicos acaba por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à
televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantam a formação
de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no
espaço. Além, naturalmente, de experiência com os ob jetos e pessoas do mundo real.
Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e
qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve
em função da cultura. O desenvolvimento do cé rebro é de natureza biológica e cultural. O
cérebro forma-se, desenvolve-se e amadurece com base na genética da espécie e pelas
experiências de vida de cada um.
O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar
continuamente durante toda a vida do ser humano. A plasticidade é maior na primeira infância,
mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica
importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer
idade.
Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o
cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente
sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do
cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive sobre a sua experiência pessoal, como a
perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks).
Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os se ntidos do
tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam
próprias da área do córtex visual.
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em
2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa
duração), “O cérebro não é estático, ele é plástico!”. Ele responde às mudanças nos
contextos em que a pessoa vive ou frequenta.
Ao longo da história cultural do ser humano, as invenções, aquisiçõe s e produções em cada
período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças
significativas em seu funcionamento.
Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo
ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como
acontece com a fala.
Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes
neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para cria r
significados quando se escreve um texto. Isso acontece precisamente porque, como
observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da
escrita.
Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu
livro Neurônios da Leitura, esclarece que “um dos efeitos maiores da escolarização é o
aumento da capacidade da memória.” Segundo ele, “há ainda modificações anatômicas como
é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a le r.” (Dehaene, Neurônios
da Leitura, 2012, pg. 227).
A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos
tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história
evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas
décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e funcionamento do cérebro, porém,
não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino,
exercício e sistematização para se tornar um cérebro capaz de ler e de escrever.
O cérebro se modifica anatomicamente, mas dessas modificações não resultam que ler e
escrever se desenvolvam naturalmente como a fala. A leitura e a escrita precisam ser
ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie
da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou
ideográfica.
Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “ boîte
aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Essa estrutura possibilita aprender a lidar com o
sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e
revela que uma invenção cultural impacta e promove modif icações no cérebro. É o que
acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br . Acesso em 25 jan. 2015. [Adaptado]
Nosso cérebro é, portanto, dinâmico (linha 32)
Acentuam-se graficamente pela mesma regra das palavras em destaque:
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