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- UniãoExecutivoDecreto 1.171/1994: Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal
(Decreto n. 1.171/94) Julgue os itens a seguir em Verdadeiro (V) ou Falso (F):
I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.
II - Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública.
III - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas.
IV - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA:
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(Decreto n. 1.171/94) Assinale a alternativa CORRETA, quanto aos principais deveres do servidor público, de acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal:
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(Decreto n. 1.171/94) De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, são deveres fundamentais do servidor público, EXCETO:
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(Decreto n. 1.171/94) De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal é vedado ao servidor público, EXCETO:
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O respeito aos velhos
Na semana passada, li uma notícia que me chamou a atenção. As informações eram duas: os atropelamentos são a terceira principal causa de morte entre brasileiros de 5 a 14 anos de idade; e o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos. Segundo a nota, envelhecer provoca patologias, como perda da visão e da capacidade auditiva, que diminuem a atenção aos alertas dados pelos motoristas, e perda da força muscular, que afeta a agilidade e dificulta a travessia de vias movimentadas.
Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice. O que vale hoje é a juventude. Queiramos ou não, é preciso ser jovem de qualquer maneira.
Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato. O trânsito, as vias públicas, o tempo dos semáforos, a faixa de pedestres, o comportamento dos motoristas e a configuração de ruas e calçadas não são próprios para crianças e velhos. Mas o que mais me impressionou foram as explicações para o risco de morte por atropelamento entre as pessoas com mais de 50 anos: é a própria velhice a responsável. Talvez o esperado seja que os cidadãos com mais de 50 anos respeitosamente se retirem do espaço público para que não provoquem o constrangimento de serem atropelados, não? Ou, então, que mantenham a agilidade e as funções como se fossem jovens.
Adequar as condições das vias pública para respeitar os velhos - e faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida - não é algo a considerar.
Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos. O modo como a família contemporânea convive também expressa o mesmo. Para grande parte dos adultos, os avós são aqueles que "estragam" os netos e que tiram a autoridade dos pais. As opiniões dos velhos a respeito das crianças, em geral cheias de bom senso, são consideradas ultrapassadas.
O que se espera dos avós é que eles façam o que os pais das crianças querem, não é? Que os substituam à sua imagem e semelhança. E o que significa tal expectativa senão desdenhar do que eles adquiriram com a experiência? Os adultos com filhos ainda conseguem reconhecer a relação que têm com seus próprios pais e respeitar algumas das opiniões deles sobre as crianças.
Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo. Em nome da popular dificuldade desse tipo de relação, os pais simplesmente não dão valor à contribuição que os avós poderiam dar. Na prática, isso resulta em grande diminuição do convívio entre crianças e velhos. Aqui é preciso um adendo: as crianças são colocadas, em geral, na relação com os avós no sentido utilitarista - quando os pais precisam que os avós cuidem de seus netos.
Não se trata de convivência, e sim de trabalho. O fato é que, como não admitimos a velhice - porque isso significa reconhecer a proximidade da morte -, não sabemos conviver com os velhos e como tratá-los. E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha.
Uma sociedade que não é generosa nem respeitosa com os velhos, que equipara a primeira e a última etapas da vida à juventude, que não dá valor ao acúmulo de experiência, nada mais faz do que abolir o passado e o futuro e considerar apenas o tempo presente. Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos.
(SAYÃO, Rosely. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.
htmhttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.htm Acessado em 07/10/2021)
Volte ao sexto parágrafo do texto e releia-o, observando o termo sublinhado no trecho “E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha”.
Em seguida, marque a alternativa em que o termo destacado exerce a mesma função sintática que o termo sublinhado nesse trecho:
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O respeito aos velhos
Na semana passada, li uma notícia que me chamou a atenção.(b) As informações eram duas: os atropelamentos são a terceira principal causa de morte entre brasileiros de 5 a 14 anos de idade; e o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos. Segundo a nota, envelhecer provoca patologias, como perda da visão e da capacidade auditiva, que diminuem a atenção aos alertas dados pelos motoristas, e perda da força muscular, que afeta a agilidade e dificulta a travessia de vias movimentadas.
Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice. O que vale hoje é a juventude. Queiramos ou não, é preciso ser jovem de qualquer maneira.
Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato. O trânsito, as vias públicas, o tempo dos semáforos, a faixa de pedestres, o comportamento dos motoristas e a configuração de ruas e calçadas não são próprios para crianças e velhos. Mas o que mais me impressionou foram as explicações para o risco de morte por atropelamento entre as pessoas com mais de 50 anos: é a própria velhice a responsável.(a) Talvez o esperado seja que os cidadãos com mais de 50 anos respeitosamente se retirem do espaço público para que não provoquem o constrangimento de serem atropelados, não? Ou, então, que mantenham a agilidade e as funções como se fossem jovens.
Adequar as condições das vias pública para respeitar os velhos - e faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida - não é algo a considerar.
Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos. O modo como a família contemporânea convive também expressa o mesmo. Para grande parte dos adultos, os avós são aqueles que "estragam" os netos e que tiram a autoridade dos pais.(d) As opiniões dos velhos a respeito das crianças, em geral cheias de bom senso, são consideradas ultrapassadas.(c)
O que se espera dos avós é que eles façam o que os pais das crianças querem, não é? Que os substituam à sua imagem e semelhança. E o que significa tal expectativa senão desdenhar do que eles adquiriram com a experiência? Os adultos com filhos ainda conseguem reconhecer a relação que têm com seus próprios pais e respeitar algumas das opiniões deles sobre as crianças.
Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo. Em nome da popular dificuldade desse tipo de relação, os pais simplesmente não dão valor à contribuição que os avós poderiam dar. Na prática, isso resulta em grande diminuição do convívio entre crianças e velhos. Aqui é preciso um adendo: as crianças são colocadas, em geral, na relação com os avós no sentido utilitarista - quando os pais precisam que os avós cuidem de seus netos.
Não se trata de convivência, e sim de trabalho. O fato é que, como não admitimos a velhice - porque isso significa reconhecer a proximidade da morte -, não sabemos conviver com os velhos e como tratá-los. E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha.
Uma sociedade que não é generosa nem respeitosa com os velhos, que equipara a primeira e a última etapas da vida à juventude, que não dá valor ao acúmulo de experiência, nada mais faz do que abolir o passado e o futuro e considerar apenas o tempo presente. Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos.
(SAYÃO, Rosely. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.
htmhttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.htm Acessado em 07/10/2021)
Assinale a alternativa em que o elemento “a”, em destaque, desempenha a mesma função morfossintática que no trecho “...o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos.”
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O respeito aos velhos
Na semana passada, li uma notícia que me chamou a atenção. As informações eram duas: os atropelamentos são a terceira principal causa de morte entre brasileiros de 5 a 14 anos de idade; e o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos. Segundo a nota, envelhecer provoca patologias, como perda da visão e da capacidade auditiva, que diminuem a atenção aos alertas dados pelos motoristas, e perda da força muscular, que afeta a agilidade e dificulta a travessia de vias movimentadas.
Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice. O que vale hoje é a juventude. Queiramos ou não, é preciso ser jovem de qualquer maneira.
Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato.(c) O trânsito, as vias públicas, o tempo dos semáforos, a faixa de pedestres, o comportamento dos motoristas e a configuração de ruas e calçadas não são próprios para crianças e velhos. Mas o que mais me impressionou foram as explicações para o risco de morte por atropelamento entre as pessoas com mais de 50 anos: é a própria velhice a responsável. Talvez o esperado seja que os cidadãos com mais de 50 anos respeitosamente se retirem do espaço público para que não provoquem o constrangimento de serem atropelados, não? Ou, então, que mantenham a agilidade e as funções como se fossem jovens.
Adequar as condições das vias pública para respeitar os velhos - e faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida - não é algo a considerar.
Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos. O modo como a família contemporânea convive também expressa o mesmo. Para grande parte dos adultos, os avós são aqueles que "estragam" os netos e que tiram a autoridade dos pais.(d) As opiniões dos velhos a respeito das crianças, em geral cheias de bom senso, são consideradas ultrapassadas.
O que se espera dos avós é que eles façam o que os pais das crianças querem, não é? Que os substituam à sua imagem e semelhança. E o que significa tal expectativa senão desdenhar do que eles adquiriram com a experiência? Os adultos com filhos ainda conseguem reconhecer a relação que têm com seus próprios pais(b) e respeitar algumas das opiniões deles sobre as crianças.
Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo. Em nome da popular dificuldade desse tipo de relação, os pais simplesmente não dão valor à contribuição que os avós poderiam dar. Na prática, isso resulta em grande diminuição do convívio entre crianças e velhos. Aqui é preciso um adendo: as crianças são colocadas, em geral, na relação com os avós no sentido utilitarista - quando os pais precisam que os avós cuidem de seus netos.(a)
Não se trata de convivência, e sim de trabalho. O fato é que, como não admitimos a velhice - porque isso significa reconhecer a proximidade da morte -, não sabemos conviver com os velhos e como tratá-los. E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha.
Uma sociedade que não é generosa nem respeitosa com os velhos, que equipara a primeira e a última etapas da vida à juventude, que não dá valor ao acúmulo de experiência, nada mais faz do que abolir o passado e o futuro e considerar apenas o tempo presente. Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos.
(SAYÃO, Rosely. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.
htmhttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.htm Acessado em 07/10/2021)
Assinale a alternativa na qual o elemento “que” desempenha a mesma função morfossintática que em “Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice”:
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O respeito aos velhos
Na semana passada, li uma notícia que me chamou a atenção. As informações eram duas: os atropelamentos são a terceira principal causa de morte entre brasileiros de 5 a 14 anos de idade; e o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos. Segundo a nota, envelhecer provoca patologias, como perda da visão e da capacidade auditiva, que diminuem a atenção aos alertas dados pelos motoristas, e perda da força muscular, que afeta a agilidade e dificulta a travessia de vias movimentadas.
Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice. O que vale hoje é a juventude. Queiramos ou não, é preciso ser jovem de qualquer maneira.
Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato. O trânsito, as vias públicas, o tempo dos semáforos, a faixa de pedestres, o comportamento dos motoristas e a configuração de ruas e calçadas não são próprios para crianças e velhos. Mas o que mais me impressionou foram as explicações para o risco de morte por atropelamento entre as pessoas com mais de 50 anos: é a própria velhice a responsável. Talvez o esperado seja que os cidadãos com mais de 50 anos respeitosamente se retirem do espaço público(a) para que não provoquem o constrangimento de serem atropelados, não? Ou, então, que mantenham a agilidade e as funções como se fossem jovens.
Adequar as condições das vias pública para respeitar os velhos - e faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida - não é algo a considerar.
Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos. O modo como a família contemporânea convive também expressa o mesmo. Para grande parte dos adultos, os avós são aqueles que "estragam" os netos e que tiram a autoridade dos pais. As opiniões dos velhos a respeito das crianças, em geral cheias de bom senso, são consideradas ultrapassadas.
O que se espera dos avós é que eles façam o que os pais das crianças querem, não é?(b) Que os substituam à sua imagem e semelhança. E o que significa tal expectativa senão desdenhar do que eles adquiriram com a experiência? Os adultos com filhos ainda conseguem reconhecer a relação que têm com seus próprios pais e respeitar algumas das opiniões deles sobre as crianças.
Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo. Em nome da popular dificuldade desse tipo de relação, os pais simplesmente não dão valor à contribuição que os avós poderiam dar. Na prática, isso resulta em grande diminuição do convívio entre crianças e velhos. Aqui é preciso um adendo: as crianças são colocadas, em geral, na relação com os avós no sentido utilitarista - quando os pais precisam que os avós cuidem de seus netos.
Não se trata de convivência, e sim de trabalho.(c) O fato é que, como não admitimos a velhice - porque isso significa reconhecer a proximidade da morte -, não sabemos conviver com os velhos e como tratá-los. E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha.(d)
Uma sociedade que não é generosa nem respeitosa com os velhos, que equipara a primeira e a última etapas da vida à juventude, que não dá valor ao acúmulo de experiência, nada mais faz do que abolir o passado e o futuro e considerar apenas o tempo presente. Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos.
(SAYÃO, Rosely. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.
htmhttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.htm Acessado em 07/10/2021)
Volte ao texto e releia o trecho “...faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida...” e marque a opção em que o elemento sublinhado tem a mesma função que nesse trecho:
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O respeito aos velhos
Na semana passada, li uma notícia que me chamou a atenção. As informações eram duas: os atropelamentos são a terceira principal causa de morte entre brasileiros de 5 a 14 anos de idade; e o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos. Segundo a nota, envelhecer provoca patologias, como perda da visão e da capacidade auditiva,(b) que diminuem a atenção aos alertas dados pelos motoristas, e perda da força muscular, que afeta a agilidade e dificulta a travessia de vias movimentadas.
Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice. O que vale hoje é a juventude. Queiramos ou não, é preciso ser jovem de qualquer maneira.
Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato. O trânsito, as vias públicas, o tempo dos semáforos, a faixa de pedestres, o comportamento dos motoristas e a configuração de ruas e calçadas não são próprios para crianças e velhos. Mas o que mais me impressionou foram as explicações para o risco de morte por atropelamento entre as pessoas com mais de 50 anos: é a própria velhice a responsável. Talvez o esperado seja que os cidadãos com mais de 50 anos respeitosamente se retirem do espaço público para que não provoquem o constrangimento de serem atropelados, não? Ou, então, que mantenham a agilidade e as funções como se fossem jovens.
Adequar as condições das vias pública para respeitar os velhos - e faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida - não é algo a considerar.
Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos. O modo como a família contemporânea convive também expressa o mesmo.(c) Para grande parte dos adultos, os avós são aqueles que "estragam" os netos e que tiram a autoridade dos pais. As opiniões dos velhos a respeito das crianças, em geral cheias de bom senso, são consideradas ultrapassadas.
O que se espera dos avós é que eles façam o que os pais das crianças querem, não é? Que os substituam à sua imagem e semelhança. E o que significa tal expectativa senão desdenhar do que eles adquiriram com a experiência? Os adultos com filhos ainda conseguem reconhecer a relação que têm com seus próprios pais e respeitar algumas das opiniões deles sobre as crianças.
Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo. Em nome da popular dificuldade desse tipo de relação, os pais simplesmente não dão valor à contribuição que os avós poderiam dar. Na prática, isso resulta em grande diminuição do convívio entre crianças e velhos. Aqui é preciso um adendo: as crianças são colocadas, em geral, na relação com os avós no sentido utilitarista - quando os pais precisam que os avós cuidem de seus netos.
Não se trata de convivência, e sim de trabalho. O fato é que, como não admitimos a velhice - porque isso significa reconhecer a proximidade da morte -, não sabemos conviver com os velhos e como tratá-los.(a) e (d) E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha.
Uma sociedade que não é generosa nem respeitosa com os velhos, que equipara a primeira e a última etapas da vida à juventude, que não dá valor ao acúmulo de experiência, nada mais faz do que abolir o passado e o futuro e considerar apenas o tempo presente. Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos.
(SAYÃO, Rosely. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.
htmhttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.htm Acessado em 07/10/2021)
Observe o elemento em destaque e assinale a alternativa em que ele tem valor semântico de causa:
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O respeito aos velhos
Na semana passada, li uma notícia que me chamou a atenção. As informações eram duas: os atropelamentos são a terceira principal causa de morte entre brasileiros de 5 a 14 anos de idade; e o risco de morrer atropelado sobe (para homens e mulheres) a partir dos 50 anos. Segundo a nota, envelhecer provoca patologias, como perda da visão e da capacidade auditiva, que diminuem a atenção aos alertas dados pelos motoristas, e perda da força muscular, que afeta a agilidade e dificulta a travessia de vias movimentadas.
Já comentei aqui que a cultura atual simplesmente eliminou as duas pontas da vida: a infância e a velhice. O que vale hoje é a juventude. Queiramos ou não, é preciso ser jovem de qualquer maneira.
Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato.(I) O trânsito, as vias públicas, o tempo dos semáforos, a faixa de pedestres, o comportamento dos motoristas e a configuração de ruas e calçadas não são próprios para crianças e velhos. Mas o que mais me impressionou foram as explicações para o risco de morte por atropelamento entre as pessoas com mais de 50 anos: é a própria velhice a responsável. Talvez o esperado seja que os cidadãos com mais de 50 anos respeitosamente se retirem do espaço público para que não provoquem o constrangimento de serem atropelados, não? Ou, então, que mantenham a agilidade e as funções como se fossem jovens.
Adequar as condições das vias pública para respeitar os velhos - e faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida(II) - não é algo a considerar.
Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos.(IV) O modo como a família contemporânea convive também expressa o mesmo. Para grande parte dos adultos, os avós são aqueles que "estragam" os netos e que tiram a autoridade dos pais. As opiniões dos velhos a respeito das crianças, em geral cheias de bom senso, são consideradas ultrapassadas.
O que se espera dos avós é que eles façam o que os pais das crianças querem, não é? Que os substituam à sua imagem e semelhança. E o que significa tal expectativa senão desdenhar do que eles adquiriram com a experiência? Os adultos com filhos ainda conseguem reconhecer a relação que têm com seus próprios pais e respeitar algumas das opiniões deles sobre as crianças.
Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo.(III) Em nome da popular dificuldade desse tipo de relação, os pais simplesmente não dão valor à contribuição que os avós poderiam dar. Na prática, isso resulta em grande diminuição do convívio entre crianças e velhos. Aqui é preciso um adendo: as crianças são colocadas, em geral, na relação com os avós no sentido utilitarista - quando os pais precisam que os avós cuidem de seus netos.
Não se trata de convivência, e sim de trabalho. O fato é que, como não admitimos a velhice - porque isso significa reconhecer a proximidade da morte -, não sabemos conviver com os velhos e como tratá-los. E, se os adultos não sabem fazer isso, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha.
Uma sociedade que não é generosa nem respeitosa com os velhos, que equipara a primeira e a última etapas da vida à juventude, que não dá valor ao acúmulo de experiência, nada mais faz do que abolir o passado e o futuro e considerar apenas o tempo presente. Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos.
(SAYÃO, Rosely. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.
htmhttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3108200621.htm Acessado em 07/10/2021)
Volte ao texto e releia os trechos a seguir, observando atentamente o contexto em que estão empregados e o valor semântico do conectivo sublinhado, indicado entre parênteses:
I – “Essa notícia, portanto, não faz mais do que confirmar o fato”. (contraste)
II – “... faço questão de dizer velho e não pessoas da terceira idade ou algo parecido justamente para marcar a dignidade que se deve a essa etapa da vida ...” (finalidade)
III – “Já quando a relação é de aliança, ou seja, quando o velho ocupa o lugar de sogra ou de sogro, não costuma ocorrer o mesmo.” (condição)
IV – “Não é apenas na vida pública, entretanto, que vemos esse desdém com os velhos”. (concessão)
Estão corretas as indicações do valor semântico dos conectivos em:
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