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Emergentes, mas limpinhos
Um dos tópicos mais quentes da reunião da convenção do clima, que reuniu representantes de dezenas de países em Lima na semana passada, foi a divisão de tarefas entre ricos e pobres. Essa tem sido uma das principais controvérsias nas negociações de um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticas. O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas. Reduzir essas emissões poderá trazer ganhos a longo prazo, mas, em alguns casos, gera constrangimentos econômicos no presente.
O Brasil introduziu na negociação do Protocolo de Kyoto, nos anos 1990, o princípio da responsabilidade comum, mas diferente dos países. Por esse princípio, os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes (eles continuam na atmosfera até hoje). As nações pobres e emergentes deveriam contar com uma cota de poluição reservada a sua trajetória de crescimento. Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão. Neste ano, as emissões per capita chinesas ultrapassaram as da União Europeia. As da Índia deverão ultrapassar em 2019.
Se as emissões globais continuarem a crescer, o clima provocará mais tragédias, como secas e furacões. Para todos, principalmente para os países mais vulneráveis. O Brasil tende a se alinhar com os outros países emergentes. De um ponto de vista estratégico, seria mais interessante estabelecer metas rigorosas de reduções de emissões para todos. Graças a nossa produção hidroelétrica e ao programa etanol, o Brasil tem uma das menores emissões de gases per capita do mundo. Se todos os países fossem obrigados a se ajustar, ganharíamos investimentos industriais e teríamos uma economia mais competitiva internacionalmente.
Época, 15 de dezembro de 2014, p.11.
Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão.
Qual é o termo que pode substituir o ponto final do trecho acima, entre o primeiro e o segundo período, sem comprometer seu sentido?
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Emergentes, mas limpinhos
Um dos tópicos mais quentes da reunião da convenção do clima, que reuniu representantes de dezenas de países em Lima na semana passada, foi a divisão de tarefas entre ricos e pobres. Essa tem sido uma das principais controvérsias nas negociações de um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticasa. O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas. Reduzir essas emissões poderá trazer ganhos a longo prazob, mas, em alguns casos, gera constrangimentos econômicos no presente.
O Brasil introduziu na negociação do Protocolo de Kyoto, nos anos 1990, o princípio da responsabilidade comum, mas diferente dos países. Por esse princípio, os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes (eles continuam na atmosfera até hoje). As nações pobres e emergentes deveriam contar com uma cota de poluição reservada a sua trajetória de crescimento. Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão. Neste ano, as emissões per capita chinesas ultrapassaram as da União Europeia. As da Índia deverão ultrapassar em 2019.
Se as emissões globais continuarem a crescer, o clima provocará mais tragédiasc, como secas e furacões. Para todos, principalmente para os países mais vulneráveis. O Brasil tende a se alinhar com os outros países emergentes. De um ponto de vista estratégico, seria mais interessante estabelecer metas rigorosas de reduções de emissões para todos. Graças a nossa produção hidroelétrica e ao programa etanol, o Brasil tem uma das menores emissões de gases per capita do mundo. Se todos os países fossem obrigados a se ajustar, ganharíamos investimentos industriais e teríamos uma economia mais competitiva internacionalmente.d
Época, 15 de dezembro de 2014, p.11.
Assinale a alternativa, em que a relação entre as sentenças NÃO expressa causa e consequência.
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Emergentes, mas limpinhos
Um dos tópicos mais quentes da reunião da convenção do clima, que reuniu representantes de dezenas de países em Lima na semana passada, foi a divisão de tarefas entre ricos e pobres. Essa tem sido uma das principais controvérsias nas negociações de um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticas. O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas. Reduzir essas emissões poderá trazer ganhos a longo prazo, mas, em alguns casos, gera constrangimentos econômicos no presente.
O Brasil introduziu na negociação do Protocolo de Kyoto, nos anos 1990, o princípio da responsabilidade comum, mas diferente dos países. Por esse princípio, os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes (eles continuam na atmosfera até hoje). As nações pobres e emergentes deveriam contar com uma cota de poluição reservada a sua trajetória de crescimento. Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão. Neste ano, as emissões per capita chinesas ultrapassaram as da União Europeia. As da Índia deverão ultrapassar em 2019.
Se as emissões globais continuarem a crescer, o clima provocará mais tragédias, como secas e furacões. Para todos, principalmente para os países mais vulneráveis. O Brasil tende a se alinhar com os outros países emergentes. De um ponto de vista estratégico, seria mais interessante estabelecer metas rigorosas de reduções de emissões para todos. Graças a nossa produção hidroelétrica e ao programa etanol, o Brasil tem uma das menores emissões de gases per capita do mundo. Se todos os países fossem obrigados a se ajustar, ganharíamos investimentos industriais e teríamos uma economia mais competitiva internacionalmente.
Época, 15 de dezembro de 2014, p.11.
O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas.
O trecho acima caracteriza-se como uma
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Um dos tópicos mais quentes da reunião da convenção do clima, que reuniu representantes de dezenas de países em Lima na semana passada, foi a divisão de tarefas entre ricos e pobres. Essa tem sido uma das principais controvérsias nas negociações de um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticas. O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas. Reduzir essas emissões poderá trazer ganhos a longo prazo, mas, em alguns casos, gera constrangimentos econômicos no presente.
O Brasil introduziu na negociação do Protocolo de Kyoto, nos anos 1990, o princípio da responsabilidade comum, mas diferente dos países. Por esse princípio, os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes (eles continuam na atmosfera até hoje). As nações pobres e emergentes deveriam contar com uma cota de poluição reservada a sua trajetória de crescimento. Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão. Neste ano, as emissões per capita chinesas ultrapassaram as da União Europeia. As da Índia deverão ultrapassar em 2019.
Se as emissões globais continuarem a crescer, o clima provocará mais tragédias, como secas e furacões. Para todos, principalmente para os países mais vulneráveis. O Brasil tende a se alinhar com os outros países emergentes. De um ponto de vista estratégico, seria mais interessante estabelecer metas rigorosas de reduções de emissões para todos. Graças a nossa produção hidroelétrica e ao programa etanol, o Brasil tem uma das menores emissões de gases per capita do mundo. Se todos os países fossem obrigados a se ajustar, ganharíamos investimentos industriais e teríamos uma economia mais competitiva internacionalmente.
Época, 15 de dezembro de 2014, p.11.
[...] os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes [...]
No fragmento acima, o trecho em negrito tem por função:
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Emergentes, mas limpinhos
Um dos tópicos mais quentes da reunião da convenção do clima, que reuniu representantes de dezenas de países em Lima na semana passada, foi a divisão de tarefas entre ricos e pobres. Essa tem sido uma das principais controvérsias nas negociações de um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticasb. O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas. Reduzir essas emissões poderá trazer ganhos a longo prazo, mas, em alguns casos, gera constrangimentos econômicos no presente.
O Brasil introduziu na negociação do Protocolo de Kyoto, nos anos 1990, o princípio da responsabilidade comum, mas diferente dos países. Por esse princípio, os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes (eles continuam na atmosfera até hoje)c. As nações pobres e emergentes deveriam contar com uma cota de poluição reservada a sua trajetória de crescimento. Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão. Neste ano, as emissões per capita chinesas ultrapassaram as da União Europeiaa. As da Índia deverão ultrapassar em 2019.
Se as emissões globais continuarem a crescer, o clima provocará mais tragédias, como secas e furacões. Para todos, principalmente para os países mais vulneráveis. O Brasil tende a se alinhar com os outros países emergentes. De um ponto de vista estratégico, seria mais interessante estabelecer metas rigorosas de reduções de emissões para todosd. Graças a nossa produção hidroelétrica e ao programa etanol, o Brasil tem uma das menores emissões de gases per capita do mundo. Se todos os países fossem obrigados a se ajustar, ganharíamos investimentos industriais e teríamos uma economia mais competitiva internacionalmente.
Época, 15 de dezembro de 2014, p.11.
Assinale a alternativa, cujo referente NÃO foi identificado corretamente.
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A evolução esbarra na educação
Que as línguas evoluem já se tornou um truísmo. Estamos tão acostumados à ideia de que cada geração se expressa de modo diferente e novos termos e construções surgem a todo momento que prestamos mais atenção à mudança do que à conservação. E, no entanto, se a tendência natural da língua é mudar, o fato verdadeiramente admirável não é que haja inovações o tempo todo, mas que exista certa estabilidade no sistema, de modo que conseguimos nos comunicar com eficiência desde que aprendemos a falar até o fim da vida.
Embora muitos pensem que exista uma força impulsionando a evolução, na verdade, a mudança se dá por inércia: é necessária uma força para deter ou retardar a evolução. Afinal, abandonada à própria sorte, toda língua muda rápida e inexoravelmente, já que todo falante, mesmo involuntariamente, contribui para essa transformação.
O fator que mais obstrui a mudança é a escrita: línguas com escrita formal são mais conservadoras que as ágrafas. A escrita socialmente partilhada precisa ter uniformidade espacial e temporal. E para que exista escrita formal, tem de haver educação. Portanto, a escola é a grande força a se opor à evolução da gramática (o léxico muda mais pacificamente com o próprio progresso social). A língua falada na România, os territórios europeus outrora dominados por Roma, mudou mais do século 5º ao 10º de nossa era do que nos cinco séculos anteriores ou nos dez seguintes. Essa rápida mutação se deveu ao desaparecimento da educação formal durante a Alta Idade Média.
Todas as línguas literárias, ou de cultura, admitem um nível de linguagem formal e um informal, além de um que podemos chamar de "iletrado". Em português, em simplificação grosseira, esses três níveis podem ser representados pelas construções "nós vamos", "a gente vai" e "nós vai" (ou "a gente vamos"). Entre os dois primeiros níveis e o terceiro há uma barreira: um falante escolarizado alterna seu registro entre formal e informal conforme o interlocutor e a situação de comunicação em que se encontre (entrevista de emprego, palestra, bate-papo entre amigos). Mas nunca se expressa como as pessoas iletradas, a não ser de brincadeira. Já estas acabam prisioneiras de seu nível de linguagem pela falta de escolaridade.
É notável que em países como os escandinavos a distância entre a língua falada e a escrita é menor do que em outros, como o Brasil. Mas, para discutir esse ponto, é preciso primeiro desfazer um equívoco frequente entre nível formal e modalidade escrita, assim como entre nível informal e modalidade falada. Muitos acreditam que a norma padrão existe só para a escrita, e a expressão oral está livre de obedecer a ela dada a sua natural informalidade.
Há formalidade e informalidade tanto na escrita quanto na fala: podemos escrever a um amigo em linguagem coloquial, como se estivéssemos falando com ele, assim como se deve usar o português padrão numa conferência ou aula magna. É bem verdade que a maioria dos textos escritos é formal e a dos atos de fala é informal, o que gera a confusão entre registro e modalidade.
Pessoas bem escolarizadas tendem a se expressar de maneira mais próxima ao padrão mesmo em situações informais. Ou seja, não se passa pelo processo de escolarização impunemente! Portanto, se em certos países a língua falada está bem próxima da escrita, é porque, neles, a qualidade e a abrangência da educação são muito altas.
Povos como o sueco ou o alemão têm a fama de escreverem como se fala; a realidade é que eles falam como se escreve, ou seja, a forte ênfase em escrita e leitura no ensino básico faz com que os falantes, mesmo em ambientes informais, prefiram "nós vamos" a "a gente vai".
No português brasileiro, a distância entre a língua dos contratos e ofícios e a dos botequins e campinhos de futebol é abismal – em Portugal, essa distância é um pouco menor. Isso se dá em parte porque nosso padrão é excessivamente conservador (jornais e revistas tendem a um meio-termo, elegante e correto, mas simples e direto), mas também porque nossa escola é fraca; fosse mais forte, mais gente usaria “nós vamos" em lugar de "a gente vai", e mais pessoas diriam "a gente vai" em vez de "a gente vamos".
Aldo Bizzocchi, Língua Portuguesa, Ano 9, Nº 115, maio 2015, p. 36-37.
A escrita socialmente partilhada precisa ter uniformidade espacial e temporal. E para que exista escrita formal, tem de haver educação.
Assinale a alternativa, que substitui o termo em negrito, sem alterar o sentido do enunciado.
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A evolução esbarra na educação
Que as línguas evoluem já se tornou um truísmo. Estamos tão acostumados à ideia de que cada geração se expressa de modo diferente e novos termos e construções surgem a todo momento que prestamos mais atenção à mudança do que à conservação. E, no entanto, se a tendência natural da língua é mudar, o fato verdadeiramente admirável não é que haja inovações o tempo todo, mas que exista certa estabilidade no sistema, de modo que conseguimos nos comunicar com eficiência desde que aprendemos a falar até o fim da vida.
Embora muitos pensem que exista uma força impulsionando a evolução, na verdade, a mudança se dá por inércia: é necessária uma força para deter ou retardar a evolução. Afinal, abandonada à própria sorte, toda língua muda rápida e inexoravelmente, já que todo falante, mesmo involuntariamente, contribui para essa transformação.
O fator que mais obstrui a mudança é a escrita: línguas com escrita formal são mais conservadoras que as ágrafas. A escrita socialmente partilhada precisa ter uniformidade espacial e temporal. E para que exista escrita formal, tem de haver educação. Portanto, a escola é a grande força a se opor à evolução da gramática (o léxico muda mais pacificamente com o próprio progresso social). A língua falada na România, os territórios europeus outrora dominados por Roma, mudou mais do século 5º ao 10º de nossa era do que nos cinco séculos anteriores ou nos dez seguintes. Essa rápida mutação se deveu ao desaparecimento da educação formal durante a Alta Idade Média.
Todas as línguas literárias, ou de cultura, admitem um nível de linguagem formal e um informal, além de um que podemos chamar de "iletrado". Em português, em simplificação grosseira, esses três níveis podem ser representados pelas construções "nós vamos", "a gente vai" e "nós vai" (ou "a gente vamos"). Entre os dois primeiros níveis e o terceiro há uma barreira: um falante escolarizado alterna seu registro entre formal e informal conforme o interlocutor e a situação de comunicação em que se encontre (entrevista de emprego, palestra, bate-papo entre amigos). Mas nunca se expressa como as pessoas iletradas, a não ser de brincadeira. Já estas acabam prisioneiras de seu nível de linguagem pela falta de escolaridade.
É notável que em países como os escandinavos a distância entre a língua falada e a escrita é menor do que em outros, como o Brasil. Mas, para discutir esse ponto, é preciso primeiro desfazer um equívoco frequente entre nível formal e modalidade escrita, assim como entre nível informal e modalidade falada. Muitos acreditam que a norma padrão existe só para a escrita, e a expressão oral está livre de obedecer a ela dada a sua natural informalidade.
Há formalidade e informalidade tanto na escrita quanto na fala: podemos escrever a um amigo em linguagem coloquial, como se estivéssemos falando com ele, assim como se deve usar o português padrão numa conferência ou aula magna. É bem verdade que a maioria dos textos escritos é formal e a dos atos de fala é informal, o que gera a confusão entre registro e modalidade.
Pessoas bem escolarizadas tendem a se expressar de maneira mais próxima ao padrão mesmo em situações informais. Ou seja, não se passa pelo processo de escolarização impunemente! Portanto, se em certos países a língua falada está bem próxima da escrita, é porque, neles, a qualidade e a abrangência da educação são muito altas.
Povos como o sueco ou o alemão têm a fama de escreverem como se fala; a realidade é que eles falam como se escreve, ou seja, a forte ênfase em escrita e leitura no ensino básico faz com que os falantes, mesmo em ambientes informais, prefiram "nós vamos" a "a gente vai".
No português brasileiro, a distância entre a língua dos contratos e ofícios e a dos botequins e campinhos de futebol é abismal – em Portugal, essa distância é um pouco menor. Isso se dá em parte porque nosso padrão é excessivamente conservador (jornais e revistas tendem a um meio-termo, elegante e correto, mas simples e direto), mas também porque nossa escola é fraca; fosse mais forte, mais gente usaria “nós vamos" em lugar de "a gente vai", e mais pessoas diriam "a gente vai" em vez de "a gente vamos".
Aldo Bizzocchi, Língua Portuguesa, Ano 9, Nº 115, maio 2015, p. 36-37.
Com base no primeiro parágrafo do texto, é correto afirmar, EXCETO, que:
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A evolução esbarra na educação
Que as línguas evoluem já se tornou um truísmo. Estamos tão acostumados à ideia de que cada geração se expressa de modo diferente e novos termos e construções surgem a todo momento que prestamos mais atenção à mudança do que à conservação. E, no entanto, se a tendência natural da língua é mudar, o fato verdadeiramente admirável não é que haja inovações o tempo todo, mas que exista certa estabilidade no sistema, de modo que conseguimos nos comunicar com eficiência desde que aprendemos a falar até o fim da vida.
Embora muitos pensem que exista uma força impulsionando a evolução, na verdade, a mudança se dá por inércia: é necessária uma força para deter ou retardar a evoluçãoa. Afinal, abandonada à própria sorte, toda língua muda rápida e inexoravelmente, já que todo falante, mesmo involuntariamente, contribui para essa transformação.
O fator que mais obstrui a mudança é a escrita: línguas com escrita formal são mais conservadoras que as ágrafas.d A escrita socialmente partilhada precisa ter uniformidade espacial e temporal. E para que exista escrita formal, tem de haver educação. Portanto, a escola é a grande força a se opor à evolução da gramática (o léxico muda mais pacificamente com o próprio progresso social). A língua falada na România, os territórios europeus outrora dominados por Roma, mudou mais do século 5º ao 10º de nossa era do que nos cinco séculos anteriores ou nos dez seguintes. Essa rápida mutação se deveu ao desaparecimento da educação formal durante a Alta Idade Média.
Todas as línguas literárias, ou de cultura, admitem um nível de linguagem formal e um informal, além de um que podemos chamar de "iletrado". Em português, em simplificação grosseira, esses três níveis podem ser representados pelas construções "nós vamos", "a gente vai" e "nós vai" (ou "a gente vamos"). Entre os dois primeiros níveis e o terceiro há uma barreira: um falante escolarizado alterna seu registro entre formal e informal conforme o interlocutorc e a situação de comunicação em que se encontre (entrevista de emprego, palestra, bate-papo entre amigos). Mas nunca se expressa como as pessoas iletradas, a não ser de brincadeira. Já estas acabam prisioneiras de seu nível de linguagem pela falta de escolaridade.
É notável que em países como os escandinavos a distância entre a língua falada e a escrita é menor do que em outros, como o Brasil. Mas, para discutir esse ponto, é preciso primeiro desfazer um equívoco frequente entre nível formal e modalidade escrita, assim como entre nível informal e modalidade falada. Muitos acreditam que a norma padrão existe só para a escrita, e a expressão oral está livre de obedecer a ela dada a sua natural informalidade.
Há formalidade e informalidade tanto na escrita quanto na fala: podemos escrever a um amigo em linguagem coloquial, como se estivéssemos falando com eleb, assim como se deve usar o português padrão numa conferência ou aula magna. É bem verdade que a maioria dos textos escritos é formal e a dos atos de fala é informal, o que gera a confusão entre registro e modalidade.
Pessoas bem escolarizadas tendem a se expressar de maneira mais próxima ao padrão mesmo em situações informais. Ou seja, não se passa pelo processo de escolarização impunemente! Portanto, se em certos países a língua falada está bem próxima da escrita, é porque, neles, a qualidade e a abrangência da educação são muito altas.
Povos como o sueco ou o alemão têm a fama de escreverem como se fala; a realidade é que eles falam como se escreve, ou seja, a forte ênfase em escrita e leitura no ensino básico faz com que os falantes, mesmo em ambientes informais, prefiram "nós vamos" a "a gente vai".
No português brasileiro, a distância entre a língua dos contratos e ofícios e a dos botequins e campinhos de futebol é abismal – em Portugal, essa distância é um pouco menor. Isso se dá em parte porque nosso padrão é excessivamente conservador (jornais e revistas tendem a um meio-termo, elegante e correto, mas simples e direto), mas também porque nossa escola é fraca; fosse mais forte, mais gente usaria “nós vamos" em lugar de "a gente vai", e mais pessoas diriam "a gente vai" em vez de "a gente vamos".
Aldo Bizzocchi, Língua Portuguesa, Ano 9, Nº 115, maio 2015, p. 36-37.
Assinale a alternativa, em que o enunciado em destaque NÃO apresenta uma explicação em relação ao enunciado anterior.
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A evolução esbarra na educação
Que as línguas evoluem já se tornou um truísmo. Estamos tão acostumados à ideia de que cada geração se expressa de modo diferente e novos termos e construções surgem a todo momento que prestamos mais atenção à mudança do que à conservação. E, no entanto, se a tendência natural da língua é mudar, o fato verdadeiramente admirável não é que haja inovações o tempo todo, mas que exista certa estabilidade no sistema, de modo que conseguimos nos comunicar com eficiência desde que aprendemos a falar até o fim da vida.
Embora muitos pensem que exista uma força impulsionando a evolução, na verdade, a mudança se dá por inércia: é necessária uma força para deter ou retardar a evolução. Afinal, abandonada à própria sorte, toda língua muda rápida e inexoravelmente, já que todo falante, mesmo involuntariamente, contribui para essa transformação.
O fator que mais obstrui a mudança é a escrita: línguas com escrita formal são mais conservadoras que as ágrafas. A escrita socialmente partilhada precisa ter uniformidade espacial e temporal. E para que exista escrita formal, tem de haver educação. Portanto, a escola é a grande força a se opor à evolução da gramática (o léxico muda mais pacificamente com o próprio progresso social). A língua falada na România, os territórios europeus outrora dominados por Roma, mudou mais do século 5º ao 10º de nossa era do que nos cinco séculos anteriores ou nos dez seguintes. Essa rápida mutação se deveu ao desaparecimento da educação formal durante a Alta Idade Média.
Todas as línguas literárias, ou de cultura, admitem um nível de linguagem formal e um informal, além de um que podemos chamar de "iletrado". Em português, em simplificação grosseira, esses três níveis podem ser representados pelas construções "nós vamos", "a gente vai" e "nós vai" (ou "a gente vamos"). Entre os dois primeiros níveis e o terceiro há uma barreira: um falante escolarizado alterna seu registro entre formal e informal conforme o interlocutor e a situação de comunicação em que se encontre (entrevista de emprego, palestra, bate-papo entre amigos). Mas nunca se expressa como as pessoas iletradas, a não ser de brincadeira. Já estas acabam prisioneiras de seu nível de linguagem pela falta de escolaridade.
É notável que em países como os escandinavos a distância entre a língua falada e a escrita é menor do que em outros, como o Brasil. Mas, para discutir esse ponto, é preciso primeiro desfazer um equívoco frequente entre nível formal e modalidade escrita, assim como entre nível informal e modalidade falada. Muitos acreditam que a norma padrão existe só para a escrita, e a expressão oral está livre de obedecer a ela dada a sua natural informalidade.
Há formalidade e informalidade tanto na escrita quanto na fala: podemos escrever a um amigo em linguagem coloquial, como se estivéssemos falando com ele, assim como se deve usar o português padrão numa conferência ou aula magna. É bem verdade que a maioria dos textos escritos é formal e a dos atos de fala é informal, o que gera a confusão entre registro e modalidade.
Pessoas bem escolarizadas tendem a se expressar de maneira mais próxima ao padrão mesmo em situações informais. Ou seja, não se passa pelo processo de escolarização impunemente! Portanto, se em certos países a língua falada está bem próxima da escrita, é porque, neles, a qualidade e a abrangência da educação são muito altas.
Povos como o sueco ou o alemão têm a fama de escreverem como se fala; a realidade é que eles falam como se escreve, ou seja, a forte ênfase em escrita e leitura no ensino básico faz com que os falantes, mesmo em ambientes informais, prefiram "nós vamos" a "a gente vai".
No português brasileiro, a distância entre a língua dos contratos e ofícios e a dos botequins e campinhos de futebol é abismal – em Portugal, essa distância é um pouco menor. Isso se dá em parte porque nosso padrão é excessivamente conservador (jornais e revistas tendem a um meio-termo, elegante e correto, mas simples e direto), mas também porque nossa escola é fraca; fosse mais forte, mais gente usaria “nós vamos" em lugar de "a gente vai", e mais pessoas diriam "a gente vai" em vez de "a gente vamos".
Aldo Bizzocchi, Língua Portuguesa, Ano 9, Nº 115, maio 2015, p. 36-37.
Estamos tão acostumados à ideia de que cada geração se expressa de modo diferente e novos termos e construções surgem a todo momento que prestamos mais atenção à mudança do que à conservação.
A interpretação dos dois termos em negrito acima ocorre, porque
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Com relação ao mel produzido pelas abelhas, é correto afirmar que:
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