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Mapa

Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo
desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul
pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a
oeste pela minha educação.
(...)
Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos
solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os
espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem nem
o mal.
Murilo Mendes. Poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.
Com base no texto acima e nas questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.
Depreende-se da leitura do texto que a identidade assumida pelo eu lírico contrasta com a ideia de orientação convencionalmente atribuída à palavra mapa.
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Mapa

Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo
desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul
pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a
oeste pela minha educação.
(...)
Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos
solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os
espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem nem
o mal.
Murilo Mendes. Poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.
Com base no texto acima e nas questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.
Depreende-se dos versos apresentados que a representação do que seria propriamente humano no homem inclui, como limites, a erudição e a religiosidade.
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Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
A oração inicial do período “Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá.” (trecho 6) seria também aceitável na língua portuguesa se a palavra “não” fosse retirada da posição em que se encontra e colocada antes de “brinca”, ou se a oração, além do “não” já existente, recebesse outro não antes de “brinca”.
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Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
No trecho “Não falei — eu viro onça?” (trecho 5), o travessão poderia ser substituído, sem prejuízo para o sentido e para a correção gramatical do texto, por dois-pontos.
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Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
O trecho “Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe” (trecho 3) mostra que o pronome possessivo, em função adjetiva, comporta-se, no português, como o adjetivo, que pode estar antes ou depois do substantivo, sem que haja alteração de sentido, como em um simples homem / um homem simples.
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Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
Em “De repente, eh, eu oncei...” (trecho 4), o verbo, criado a partir do substantivo designativo de animal, remete a formas compatíveis com a morfologia flexional do português e equivale, no que diz respeito ao sentido, à estrutura eu sou onça.
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Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
“Mecê” (trechos 2, 5 e 6) e “Cê” (trecho 3), assim como você, funcionam, na língua portuguesa, como pronomes de tratamento.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
Guimarães Rosa, no trabalho metapoético com a materialidade da linguagem, uma das bases da construção de sua ficção, rompe com os padrões morfossintáticos do português padrão.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Trecho 1: Nhenhem? Eu cacei onça, demais. (...) Eu não mato mais onça, mato não. Onça meu parente.
Trecho 2: Eu sou onça... Eu-onça! (...) Mecê acha que eu pareço onça? Mas tem horas em que eu pareço mais.
Trecho 3: Hum, nhem? Cê fala que eu matei? Eu sou onça. Jaguaretê tio meu, irmão de minha mãe, tutira... Meus parentes! Meus parentes!
Trecho 4: De repente, eh, eu oncei... Iá. (...) Levei pra o Papa — Gente. Papa gente, onça chefe, onço comeu jababora Gugué.
Trecho 5: Mecê tá ouvindo, nhem? Tá aperceiando... Eu sou onça, não falei? Axi. Não falei — eu viro onça? Onça grande, tubixaba.
Trecho 6: Mecê brinca não, vira esse revólver pra lá. (...) Ói: cê quer me matar, ui?
João Guimarães Rosa. Meu tio, o Iauaretê. In: Ficção completa.
V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 825-52.
Com base nos trechos apresentados acima, julgue o item a seguir.
A obra literária de João Guimarães Rosa é uma das grandes realizações da literatura brasileira que tratam da urbanidade, sendo fortemente influenciada pelo recurso literário da ironia machadiana.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
O conto Meu Tio, o Iauaretê — publicado, em 1961, na revista Senhor, e republicado, em 1969, em Estas Histórias — representa, a nosso ver, o estágio mais avançado do experimento de Guimarães Rosa com a prosa. O conto é um longo monólogo-diálogo (o diálogo é pressuposto, pois um só protagonista pergunta e responde) de um onceiro, perdido na solidão dos gerais, que recebe, em seu rancho, a visita inesperada de um viajante. Filho de pai branco e de mãe índia, o onceiro, que fora contratado por um proprietário de terras para ‘desonçar’ suas propriedades, arrependido de ter matado ‘seus parentes’, passa a matar gente. A fala do onceiro é tematizada por um ‘Nhem?’ intercorrente, que é, antes, um ‘Nhennhem’ — do tupi, Nhehê ou nheeng —, que significa, simplesmente, ‘falar’. Rosa cria também o verbo ‘nheengar’, de pura aclimatação tupi, e, juntando a ‘jaguaretê’ — tupinismo para onça verdadeira — a terminação nhennhém, ou nhem, como se fora uma desinência verbal, forma outras palavras, para exprimir o linguajar das onças. O texto fica, por assim dizer, mosqueado de nheengatu, e esses rastros que nele aparecem preparam e anunciam o momento da metamorfose (...): o tigreiro, em seu rancho encravado na “jaguaretama”, enquanto conta para seu hóspede os ‘causos’ de caçada e morte, está também falando uma linguagem de onça. À medida que a história flui, tudo vai convergindo para o clímax metamórfico. Este não é apresentado, mas presentificado pelo texto: o onceiro acaba, arrastado por sua narrativa, transformando-se em onça, diante dos olhos do interlocutor (e dos leitores). A transfiguração se dá no momento em que a linguagem se desarticula, quebra-se em resíduos fônicos, que soam como um rugido ou um estertor, pois o interlocutor virtual, tomando consciência da metamorfose, dispara contra o homem-iauaretê o revólver que mantivera engatilhado durante toda a conversa. Neste Iaueretê, não é a história que cede o primeiro plano à palavra, mas a palavra, que, ao irromper em primeiro plano, configura a personagem e a ação, desenvolvendo a história.
Haroldo de Campos. A linguagem do Iauaretê. Metalinguagem & outras metas: ensaios
de teoria e crítica literária. 4.ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2010, p. 57-64 (com adaptações).
Tendo como base o texto de Haroldo de Campos e as questões por ele suscitadas, julgue o item a seguir.
A partir da oposição estabelecida em “Este não é apresentado, mas presentificado pelo texto”, o crítico literário realça a qualidade narrativa da obra analisada, sugerindo a possibilidade de aceitação do clímax do conto narrado (transformação do onceiro em onça) como fato ocorrido.
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