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(...) Que sou eu senão um selvagem, ligeiramente polido, com uma tênue camada de verniz por fora? Quatrocentos anos de civilização, outras raças, outros costumes. E eu disse que não sabia o que se passava na alma de um caeté! Provavelmente o que se passa na minha, com algumas diferenças. Um caeté de olhos azuis, que fala português ruim, sabe escrituração mercantil, lê jornais, ouve missas. É isto, um caeté. Estes desejos excessivos que desaparecem bruscamente... (...) Admiração exagerada às coisas brilhantes, ao período sonoro, às miçangas literárias, o que me induz a pendurar no que escrevo adjetivos de enfeite, que depois risco... (...) Um caeté, sem dúvida. (...) Agradam-me os desregramentos da imaginação. Um caeté.
Para os lados dos XucuruE, meia dúzia de luzes indecisas, espalhadas. Aquilo há pouco tempo era dos índios. Outras luzes na Lagoa, que foi uma taba. No Tanque, montes negros como piche. Ali encontraram, em escavações, vasos de barro e pedras talhadas à feição de meia-lua. Negra também, a Cafurna, onde se arrastam, miseráveis, os remanescentes da tribo que lá existiu.
Que semelhanças não haverá entre mim e eles! Por que procurei os brutos de 1556 para personagens da novela que nunca pude acabar?
(...)
Diferenças também, é claro. Outras raças, outros costumes, quatrocentos anos. Mas, no íntimo, um caeté. Um caeté descrente.
Descrente? Engano. Não há ninguém mais crédulo que eu. E esta exaltação, quase veneração, com que ouço falar em artistas que não conheço, filósofos que não sei se existiram!
Ateu! Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, ídolos que depois derrubo — Uma estrela no céu, algumas mulheres na Terra...
Graciliano Ramos. Caetés. Rio de Janeiro: Record; São Paulo: Martins, 1975, p. 215-7 (com adaptações).
Julgue os itens subsequentes, relativos ao trecho do romance Caetés, obra de Graciliano Ramos em que o narrador é um personagem que pretende escrever, no século XX, uma novela sobre os indígenas que habitavam a região de Alagoas no século XVI.
Nos “lados dos Xucuru” (l.14), a transformação do meio ambiente, antes habitado pelos índios, em área urbana é celebrada pelo personagem escritor como vitória do progresso sobre o primitivismo indígena.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Maíra é o livro de um antropólogo que assume plenamente a condição de escritor, ao fundir o conhecimento da vida primitiva com a experiência da civilização, combinando os ângulos de visão dos dois mundos, sem qualquer exotismo pitoresco. Maíra foi produzido por um homem que conhece a fundo a sociedade do índio e a sociedade do branco, que sabe qual é o resultado catastrófico do seu encontro, mas que supera a tentação de mostrá-lo como espetáculo, porque o seu alvo é uma visão em profundidade.
(...)
Enquanto antropólogo, Darcy Ribeiro põe em movimento tudo o que conhece por observação direta e por informação a respeito da vida indígena e dos efeitos do seu contato com o branco. Graças a isto, penetra fundo no universo do índio, esposando o seu modo de ver e sentir, falando a partir da sua maneira de falar, numa contaminação fecunda entre observador e coisa observada (...).
Passando à natureza do livro, uma observação inicial: se pudermos dizer que Maíra é a seu modo um romance de tipo indianista, isto só terá sentido se for para mostrar sua originalidade. Não há mais nele a redução lírica ou heroica de José de Alencar, que fala dos índios, e por eles, com a sua plena voz de civilizado que os quer embelezar. Não há tampouco a voz cheia de sarcasmo e humor com que Mário de Andrade desenrola a sátira de Macunaíma. Há diversas vozes que instituem a narrativa, cada uma conforme seu ângulo (...), sobretudo o ângulo próprio do narrador oculto, que rege o livro e é capaz de ver tanto como índio quanto como branco.
Antonio Candido. Mundos cruzados. In: O albatroz e o chinês. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2004, p. 140-2 (com adaptações).
Com base nas ideias do crítico literário Antonio Candido sobre o romance Maíra, do antropólogo Darcy Ribeiro, julgue os itens seguintes.
Em Maíra, romance indianista original, ao mesmo tempo em que se idealiza o indígena, tal como ocorreu no indianismo romântico de José de Alencar, propõem-se inovações modernistas inspiradas no caráter satírico da obra Macunaíma.
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Maíra é o livro de um antropólogo que assume plenamente a condição de escritor, ao fundir o conhecimento da vida primitiva com a experiência da civilização, combinando os ângulos de visão dos dois mundos, sem qualquer exotismo pitoresco. Maíra foi produzido por um homem que conhece a fundo a sociedade do índio e a sociedade do branco, que sabe qual é o resultado catastrófico do seu encontro, mas que supera a tentação de mostrá-lo como espetáculo, porque o seu alvo é uma visão em profundidade.
(...)
Enquanto antropólogo, Darcy Ribeiro põe em movimento tudo o que conhece por observação direta e por informação a respeito da vida indígena e dos efeitos do seu contato com o branco. Graças a isto, penetra fundo no universo do índioC, esposando o seu modo de ver e sentir, falando a partir da sua maneira de falar, numa contaminação fecunda entre observador e coisa observada (...).
Passando à natureza do livro, uma observação inicial: se pudermos dizer que Maíra é a seu modo um romance de tipo indianista, isto só terá sentido se for para mostrar sua originalidade. Não há mais nele a redução lírica ou heroica de José de Alencar, que fala dos índios, e por eles, com a sua plena voz de civilizado que os quer embelezar. Não há tampouco a voz cheia de sarcasmo e humor com que Mário de Andrade desenrola a sátira de Macunaíma. Há diversas vozes que instituem a narrativa, cada uma conforme seu ângulo (...), sobretudo o ângulo próprio do narrador oculto, que rege o livro e é capaz de ver tanto como índio quanto como branco.
Antonio Candido. Mundos cruzados. In: O albatroz e o chinês. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2004, p. 140-2 (com adaptações).
Com base nas ideias do crítico literário Antonio Candido sobre o romance Maíra, do antropólogo Darcy Ribeiro, julgue os itens seguintes.
A visão do antropólogo, que se fundamenta em conhecimento profundo da sociedade indígena, associada à do romancista, criador de um narrador que “penetra fundo no universo do índio” (l.14-15), leva o leitor de Maíra a aproximar-se do desconhecido mundo mítico e natural do indígena.
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Maíra é o livro de um antropólogo que assume plenamente a condição de escritor, ao fundir o conhecimento da vida primitiva com a experiência da civilização, combinando os ângulos de visão dos dois mundos, sem qualquer exotismo pitoresco. Maíra foi produzido por um homem que conhece a fundo a sociedade do índio e a sociedade do branco, que sabe qual é o resultado catastrófico do seu encontro, mas que supera a tentação de mostrá-lo como espetáculo, porque o seu alvo é uma visão em profundidade.
(...)
Enquanto antropólogo, Darcy Ribeiro põe em movimento tudo o que conhece por observação direta e por informação a respeito da vida indígena e dos efeitos do seu contato com o branco. Graças a isto, penetra fundo no universo do índio, esposando o seu modo de ver e sentir, falando a partir da sua maneira de falar, numa contaminação fecunda entre observador e coisa observada (...).
Passando à natureza do livro, uma observação inicial: se pudermos dizer que Maíra é a seu modo um romance de tipo indianista, isto só terá sentido se for para mostrar sua originalidade. Não há mais nele a redução lírica ou heroica de José de Alencar, que fala dos índios, e por eles, com a sua plena voz de civilizado que os quer embelezar. Não há tampouco a voz cheia de sarcasmo e humor com que Mário de Andrade desenrola a sátira de Macunaíma. Há diversas vozes que instituem a narrativa, cada uma conforme seu ângulo (...), sobretudo o ângulo próprio do narrador oculto, que rege o livro e é capaz de ver tanto como índio quanto como branco.
Antonio Candido. Mundos cruzados. In: O albatroz e o chinês. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2004, p. 140-2 (com adaptações).
Com base nas ideias do crítico literário Antonio Candido sobre o romance Maíra, do antropólogo Darcy Ribeiro, julgue os itens seguintes.
Ao assumir a posição do civilizado que procura falar pelo indígena sem, no entanto, ser capaz de ver e sentir como ele, o narrador de Maíra reproduz a imposição histórica da cultura do branco ao indígena.
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Um dia o Velho Ambir quis sentir suas criações. Arrotou e lançou o arroto no mundo para ser seu filho. O arroto girou vagaroso pelos ares, navegando no escuro e olhando as coisinhas mais quentes que pulsavam, vivas, lá embaixo. Viu, então, no meio da penumbra, uns seres maiores que se destacavam, imponentes.
Eram árvores esparsas. Desceu numa delas, entrou bem no cerne. Dali de dentro começou a provar o sentir-se das árvores. Baixou pelas raízes que desciam e com elas comeu terras e bebeu águas. Ergueu-se, depois, com o tronco ereto, orgulhoso de si, subindo e se esgalhando e se abrindo em ramos. Circulou com a seiva e sentiu, lá em cima, a grande fronde de folhas mil, vibrando ao vento.
Muito tempo esteve Maíra gozando, naquele ser esgalhado, folhento, o sentimento de ser árvore. Gostou. Principalmente das palmeiras que sobem eretas para abrir seus leques no mais alto. Dá gosto subir pelo parafuso troncal acima, sentindo a dor das cicatrizes de tantas folhas que morreram para a palmeira crescer e dar cocos.
Daquele capão de mata, Ele fez nascer outro e depois outros e outros, para sentir mais o mundo das árvores. Assim fez a floresta enorme que cresceu e cresceu ainda mais. Por tempos e tempos Maíra verdejou, sentindo o mundo como floresta e fazendo a floresta crescer sobre o mundo.
Darcy Ribeiro. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 149-50 (com adaptações).
Julgue os itens que se seguem, a respeito do trecho do romance Maíra, no qual Darcy Ribeiro narra o nascimento mítico de Maíra, filho do Velho Ambir, deus criador dos índios Mairuns.
A narrativa mítica do nascimento de Maíra é construída de forma objetiva, concentrada nas ações e distanciada dos aspectos sensíveis, como ver, sentir e ouvir, o que indica tratar-se de um texto não literário.
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Um dia o Velho Ambir quis sentir suas criações. Arrotou e lançou o arroto no mundo para ser seu filho. O arroto girou vagaroso pelos ares, navegando no escuro e olhando as coisinhas mais quentes que pulsavam, vivas, lá embaixo. Viu, então, no meio da penumbra, uns seres maiores que se destacavam, imponentes.
Eram árvores esparsas. Desceu numa delas, entrou bem no cerne. Dali de dentro começou a provar o sentir-se das árvores. Baixou pelas raízes que desciam e com elas comeu terras e bebeu águas. Ergueu-se, depois, com o tronco ereto, orgulhoso de si, subindo e se esgalhando e se abrindo em ramos. Circulou com a seiva e sentiu, lá em cima, a grande fronde de folhas mil, vibrando ao vento.
Muito tempo esteve Maíra gozando, naquele ser esgalhado, folhento, o sentimento de ser árvore. Gostou. Principalmente das palmeiras que sobem eretas para abrir seus leques no mais alto. Dá gosto subir pelo parafuso troncal acima, sentindo a dor das cicatrizes de tantas folhas que morreram para a palmeira crescer e dar cocos.
Daquele capão de mata, Ele fez nascer outro e depois outros e outros, para sentir mais o mundo das árvores. Assim fez a floresta enorme que cresceu e cresceu ainda mais. Por tempos e tempos Maíra verdejou, sentindo o mundo como floresta e fazendo a floresta crescer sobre o mundo.
Darcy Ribeiro. Maíra. Rio de Janeiro: Record, 1990, p. 149-50 (com adaptações).
Julgue os itens que se seguem, a respeito do trecho do romance Maíra, no qual Darcy Ribeiro narra o nascimento mítico de Maíra, filho do Velho Ambir, deus criador dos índios Mairuns.
A forma vagarosa de narrar adotada pelo autor está associada ao ritmo temporal do mundo mítico narrado.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto
Com denso velame de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz!
(...)
Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.
E a terra em que pisam, e os campos e os rios
Que assaltam são nossos; tu és nosso Deus:
Por que lhes concedes tão alta pujança,
Se os raios de morte, que vibram, são teus?
(...)
Teus filhos valentes, temidos na guerra,
No albor da manhã quão fortes que os vi!
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco Tupi!
E hoje em que apenas a enchente do rio.
Cem vezes hei visto crescer e baixar...
Já restam bem poucos dos teus qu'inda possam
Dos seus, que já dormem, os ossos levar.
Teus filhos valentes causavam terror,
Teus filhos enchiam as bordas do mar,
As ondas coalhavam de estreitas igaras,
De frechas cobrindo os espaços do ar.
Já hoje não caçam nas matas frondosas
A corça ligeira, o trombudo quati...
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco Tupi!
O Piaga nos disse que breve seria,
A que nos infliges cruel punição;
E os teus inda vagam por serras, por vales,
Buscando um asilo por ínvio sertão!
Tupã, ó Deus grande! Descobre o teu rosto:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande tardança.
Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
Que eu vi combatendo no albor da manhã;
Conheçam-te os feros, confessem vencidos
Que és grande e te vingas, qu'és Deus, ó Tupã!
Gonçalves Dias. Deprecação. In: Poesia lírica e indianista. São Paulo: Ática, 2003, p. 89-91 (com adaptações).
Julgue os itens a seguir, com base na leitura do texto poético de Gonçalves Dias, poeta indianista do Romantismo brasileiro (século XIX).
O poeta apresenta a figura do indígena de forma heroica e histórica, ressaltando tanto a bravura dos guerreiros tupis quanto a dominação e o extermínio desse povo pelos colonizadores.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto
Com denso velame de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz!
(...)
Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.
E a terra em que pisam, e os campos e os rios
Que assaltam são nossos; tu és nosso Deus:
Por que lhes concedes tão alta pujança,
Se os raios de morte, que vibram, são teus?
(...)
Teus filhos valentes, temidos na guerra,
No albor da manhã quão fortes que os vi!
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco Tupi!
E hoje em que apenas a enchente do rio.
Cem vezes hei visto crescer e baixar...
Já restam bem poucos dos teus qu'inda possam
Dos seus, que já dormem, os ossos levar.
Teus filhos valentes causavam terror,
Teus filhos enchiam as bordas do mar,
As ondas coalhavam de estreitas igaras,
De frechas cobrindo os espaços do ar.
Já hoje não caçam nas matas frondosas
A corça ligeira, o trombudo quati...
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco Tupi!
O Piaga nos disse que breve seria,
A que nos infliges cruel punição;
E os teus inda vagam por serras, por vales,
Buscando um asilo por ínvio sertão!
Tupã, ó Deus grande! Descobre o teu rosto:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande tardança.
Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
Que eu vi combatendo no albor da manhã;
Conheçam-te os feros, confessem vencidos
Que és grande e te vingas, qu'és Deus, ó Tupã!
Gonçalves Dias. Deprecação. In: Poesia lírica e indianista. São Paulo: Ática, 2003, p. 89-91 (com adaptações).
Julgue os itens a seguir, com base na leitura do texto poético de Gonçalves Dias, poeta indianista do Romantismo brasileiro (século XIX).
Embora o texto tenha sido escrito por um poeta romântico do século XIX, a voz que fala no texto é a de um representante dos indígenas: um índio da tribo Tupi.
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Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto
Com denso velame de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz!
(...)
Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.
E a terra em que pisam, e os campos e os rios
Que assaltam são nossos; tu és nosso Deus:
Por que lhes concedes tão alta pujança,
Se os raios de morte, que vibram, são teus?
(...)
Teus filhos valentes, temidos na guerra,
No albor da manhã quão fortes que os vi!
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco Tupi!
E hoje em que apenas a enchente do rio.
Cem vezes hei visto crescer e baixar...
Já restam bem poucos dos teus qu'inda possam
Dos seus, que já dormem, os ossos levar.
Teus filhos valentes causavam terror,
Teus filhos enchiam as bordas do mar,
As ondas coalhavam de estreitas igaras,
De frechas cobrindo os espaços do ar.
Já hoje não caçam nas matas frondosas
A corça ligeira, o trombudo quati...
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco Tupi!
O Piaga nos disse que breve seria,
A que nos infliges cruel punição;
E os teus inda vagam por serras, por vales,
Buscando um asilo por ínvio sertão!
Tupã, ó Deus grande! Descobre o teu rosto:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande tardança.
Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
Que eu vi combatendo no albor da manhã;
Conheçam-te os feros, confessem vencidos
Que és grande e te vingas, qu'és Deus, ó Tupã!
Gonçalves Dias. Deprecação. In: Poesia lírica e indianista. São Paulo: Ática, 2003, p. 89-91 (com adaptações).
Julgue os itens a seguir, com base na leitura do texto poético de Gonçalves Dias, poeta indianista do Romantismo brasileiro (século XIX).
O indianismo romântico, tendência que o poema representa, exalta a ação civilizadora do homem branco, o qual, segundo essa tendência, deveria libertar os indígenas da crença de que os deuses eram senhores do destino da nação Tupi.
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No Brasil, a iniciativa Cidades Solares visa promover, antes de tudo, o uso de aquecedores solares de águaC, já que, no contexto brasileiro, essa forma de aproveitamento da energia solarC traz amplas vantagens socioambientais e pode ser implantada imediatamente.
A criação de Cidades Solares é, cada vez mais, considerada uma questão de sobrevivência da humanidade, já que é nas cidades que, hoje, vive a maioria da população, e suprir as necessidades de energia renovável e sustentável é um aspecto crítico da tarefa de governos municipais, regionais e nacionais e, também, de formuladores de políticas públicas.
Dadas as evidências crescentes de mudanças climáticas perigosas e a perspectiva de escassez de fontes de energia convencionais, é cada vez maior a necessidade de redução tanto do uso de energia fóssil quanto das emissões de carbono nas cidades.
As Cidades Solares servem de modelo a comunidades urbanas e atuam como difusoras de projetos de aquecimento solar. Elas dão exemplo na integração de energias renováveis nas políticas e iniciativas de suas administrações e incorporam serviços de energia renovável em suas estratégias de desenvolvimento municipal.
Em relação às ideias e às estruturas textuais e discursivas do texto, julgue os próximos itens.
A expressão “essa forma de aproveitamento da energia solar” (l.3-4) tem função coesiva, uma vez que retoma a expressão “o uso de aquecedores solares de água” (l.2).
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