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Na configuração romântica da origem, o encontro entre o índio e europeu é deslocado da circunstância religiosa (e de ritual que, também por ironia, reencena o sacrifício e a morte em nome de um devir mais pleno), para ser representado no plano mais produtivo da conjunção familiar, legitimada pelo afeto. Na reapresentação corrigida da origem, entretanto, são os mesmos os elementos de cena: a atividade do colonizador, a receptividade do índio e um projeto de Estado que, para se efetivar, necessita da interação, mesmo que apenas do simbólico instituído, das duas partes em confronto. Ao dar uma outra forma à cena primária do consórcio entre europeu e índio, a produção romântica corrige a representação inicial da legitimidade da origem e do devir que aí se instaura, altera regras de composição e elementos de cena, sem ferir o imaginário que a produziu. As novas representações da origem estão marcadas pelo sentido mais puro de corrigir, que não suporta rupturas ou alterações de fundo. Pressupõe sempre tornar algo mais perfeito, mais adequado, fazendo-o corresponder a um ideal ou a uma necessidade
CUNHA, Eneida Leal. Estampas do imaginário: literatura, história e identidade cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p. 124.
De acordo com o fragmento e as concepções relativas ao Romantismo no Brasil, assinale a afirmativa correta.
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A história literária “oficial” nos tem apresentado uma listagem de nomes alinhados em sequência cronológica, como se essa fosse a única lógica. A própria concepção romântica da história, como embate de antagonismo, foi assimilada e normalizada pelo racionalismo positivista sob a forma de sucessão mecânica, linha oscilante, mas contínua. Conforme os manuais literários que ainda reinam nas instituições de ensino, os “movimentos” ou “escolas” ter-se-iam sucedido uns aos outros. Segundo um balando regular e compreensível: oposições e sínteses.
PERRONE-MOISES, Leyla. Altas Literaturas. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 28, com adaptações.
Acerca da história literária brasileira, assinale a alternativa correta.
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A especificidade da linguagem literária, aquilo que a distinguia de outras formas de discurso, era o fato de ela "deformar" a linguagem comum de várias maneiras. Sob a pressão dos artifícios literários, a linguagem comum era intensificada, condensada, torcida, reduzida, ampliada, invertida.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 5.
Assinale a alternativa que indica termo o qual sintetiza o conceito de literariedade para a teoria da literatura.
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Denilson Baniwa, Re-Antropofagia, 2018. Técnica mista. Cortesia do artista
Re-Antropofagia
era primeiro de maio de vinte e oito
dia de manifesto da fome do trabaiadô
só a antropofagia nos une, coração
em página reciclada de mato-virgem
desvirginou pindorama num falso-coito
urgências do artista-moderno-devorado
de pulmões, rins, fígado e coração
filé oswald de andrade à barbecue
tupy or not tupy, that is true
or that's future-já-passado
wirandé seu honoris-doutô
mário bom mesmo é o encanador
que faz assado de tartaruga
a arte moderna já nasceu antiga
com seus talheres forjados à la paris
faca, fork, prato raso e bourdeaux
páris que por fuck faz bobagem
se a arte indígena durará dez anos
eu quero ser aquiles: que será famoso
e morrerá antes de receber o troféu
na queda do céu ser estrela cadente
- pintou e bordou, dirão na cantiga
a arte-macunaíma no moquém
fará uga-uga com as mãos nos lábios
pois é um totem, um pau-de-sebo
onde ninguém consegue o prêmio
grêmio de colecionadores, ratos
brancos de laboratório estéril
onde pratos fake-antropofágicos
são menu para abutre-cinéreo
sério, nasceria de fórceps uma arte brasileira?
sem índios na canoa que falha-trágica
quero quem come com as mãos, alguém?
sem limites-geo e conectada à máter
ReAntropofagia posta à mesa nostálgica
é arte-indígena crua sem nenhum caráter
quando desta arte pau-brasil-tropical
não sobrar um só osso mastigado
sobrará o tal epitáfio como recado:
aqui jaz o simulacro macunaíma
jazem juntos a ideia de povo brasileiro
e a antropofagia temperada
com bordeaux e pax mongólica
que desta longa digestão
renasça Makünaimî
e a antropofogia originária
que pertence a Nós
indígenas
BANIWA, Denilson. Re-antropofagia. Disponível em<: https://brooklynrail.org/2021/02/criticspage/ReAntropofagia>. Acesso em: 26 set. 2022.
as metáforas são feitas pelo encadeamento de duas coisas diversas
BORGES, Jorge Luis. A metáfora. In: Esse ofício do verso. Tradução de José Marcos Macedo. São Paulo: Companhia das letras, 2019, p. 30.
Com base na definição de metáfora, assinale a alternativa correspondente ao trecho do poema apresentado que melhor exemplifica esse conceito.
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Denilson Baniwa, Re-Antropofagia, 2018. Técnica mista. Cortesia do artista
Re-Antropofagia
era primeiro de maio de vinte e oito
dia de manifesto da fome do trabaiadô
só a antropofagia nos une, coração
em página reciclada de mato-virgem
desvirginou pindorama num falso-coito
urgências do artista-moderno-devorado
de pulmões, rins, fígado e coração
filé oswald de andrade à barbecue
tupy or not tupy, that is true
or that's future-já-passado
wirandé seu honoris-doutô
mário bom mesmo é o encanador
que faz assado de tartaruga
a arte moderna já nasceu antiga
com seus talheres forjados à la paris
faca, fork, prato raso e bourdeaux
páris que por fuck faz bobagem
se a arte indígena durará dez anos
eu quero ser aquiles: que será famoso
e morrerá antes de receber o troféu
na queda do céu ser estrela cadente
- pintou e bordou, dirão na cantiga
a arte-macunaíma no moquém
fará uga-uga com as mãos nos lábios
pois é um totem, um pau-de-sebo
onde ninguém consegue o prêmio
grêmio de colecionadores, ratos
brancos de laboratório estéril
onde pratos fake-antropofágicos
são menu para abutre-cinéreo
sério, nasceria de fórceps uma arte brasileira?
sem índios na canoa que falha-trágica
quero quem come com as mãos, alguém?
sem limites-geo e conectada à máter
ReAntropofagia posta à mesa nostálgica
é arte-indígena crua sem nenhum caráter
quando desta arte pau-brasil-tropical
não sobrar um só osso mastigado
sobrará o tal epitáfio como recado:
aqui jaz o simulacro macunaíma
jazem juntos a ideia de povo brasileiro
e a antropofagia temperada
com bordeaux e pax mongólica
que desta longa digestão
renasça Makünaimî
e a antropofogia originária
que pertence a Nós
indígenas
BANIWA, Denilson. Re-antropofagia. Disponível em<: https://brooklynrail.org/2021/02/criticspage/ReAntropofagia>. Acesso em: 26 set. 2022.
O título Re-antropofagia do poema e do quadro de Denilson Baniwa é uma revisão crítica do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. O manifesto reconfigura o mito originário de Brasil a partir da antropofagia, no qual se comia a carne do inimigo acreditando assimilar sua força. Nesse sentido, a literatura brasileira se apropriaria da cultura estrangeira para incorporá-la à sua.
Diante dessas informações, no que se refere ao conceito de antropofagia e ao movimento modernista, assinale a alternativa correta.
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Denilson Baniwa, Re-Antropofagia, 2018. Técnica mista. Cortesia do artista
Re-Antropofagia
era primeiro de maio de vinte e oito
dia de manifesto da fome do trabaiadô
só a antropofagia nos une, coração
em página reciclada de mato-virgem
desvirginou pindorama num falso-coito
urgências do artista-moderno-devorado
de pulmões, rins, fígado e coração
filé oswald de andrade à barbecue
tupy or not tupy, that is true
or that's future-já-passado
wirandé seu honoris-doutô
mário bom mesmo é o encanador
que faz assado de tartaruga
a arte moderna já nasceu antiga
com seus talheres forjados à la paris
faca, fork, prato raso e bourdeaux
páris que por fuck faz bobagem
se a arte indígena durará dez anos
eu quero ser aquiles: que será famoso
e morrerá antes de receber o troféu
na queda do céu ser estrela cadente
- pintou e bordou, dirão na cantiga
a arte-macunaíma no moquém
fará uga-uga com as mãos nos lábios
pois é um totem, um pau-de-sebo
onde ninguém consegue o prêmio
grêmio de colecionadores, ratos
brancos de laboratório estéril
onde pratos fake-antropofágicos
são menu para abutre-cinéreo
sério, nasceria de fórceps uma arte brasileira?
sem índios na canoa que falha-trágica
quero quem come com as mãos, alguém?
sem limites-geo e conectada à máter
ReAntropofagia posta à mesa nostálgica
é arte-indígena crua sem nenhum caráter
quando desta arte pau-brasil-tropical
não sobrar um só osso mastigado
sobrará o tal epitáfio como recado:
aqui jaz o simulacro macunaíma
jazem juntos a ideia de povo brasileiro
e a antropofagia temperada
com bordeaux e pax mongólica
que desta longa digestão
renasça Makünaimî
e a antropofogia originária
que pertence a Nós
indígenas
BANIWA, Denilson. Re-antropofagia. Disponível em<: https://brooklynrail.org/2021/02/criticspage/ReAntropofagia>. Acesso em: 26 set. 2022.
Tendo em vista os conhecimentos acerca do Modernismo brasileiro, assinale a alternativa correta.
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Assinale a alternativa correspondente ao ramo da linguística ao qual interessa a identificação de agrupamentos de falantes que têm características linguísticas.
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Assinale a alternativa que indica o tipo de som produzido pela ponta da língua levantada e voltada para trás, de modo que a parte de baixo da língua (sub-lâmina) fique voltada em direção ao palato duro.
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Com base nos conceitos de significante e significado, postulados por Saussure, assinale a alternativa correta.
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Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, as definições de desempenho linguístico e competência linguística.
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