Durante inquérito policial instaurado contra investigado por crime contra a administração pública, seu advogado, regularmente constituído, requereu acesso aos autos somente no que tange aos elementos de convicção já documentados pela autoridade policial. O delegado responsável indeferiu o pedido, sob a justificativa de que o procedimento ainda estava em fase de diligências e que o acesso poderia comprometer a investigação, sem, contudo, justificar por qual razão o acesso aos elementos de convicção já produzidos foi negado. O indeferimento foi mantido mesmo após provocação por meio de nova petição defensiva, na qual foi alegada a incidência da súmula vinculante 14 e que o investigado havia sido intimado para prestar esclarecimentos por esse mesmo delegado. Sem conseguir acesso aos autos, a defesa requereu a instauração de inquérito policial, narrando os fatos e comprovando que o delegado continuava a negar o acesso defensivo aos elementos de convicção produzidos. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Ao longo de sete meses consecutivos, entre janeiro e julho de 2025, o empresário Pedro, proprietário de uma distribuidora de bebidas, deixou de recolher, dolosamente, o devido Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), omitindo informações nas Declarações de Apuração do ICMS (DMA) apresentadas mensalmente à Secretaria da Fazenda Estadual. O valor de ICMS não recolhido em cada um desses meses, apurado por auto de infração e constituído definitivamente, foi de R$ 35.000. Em sua defesa, Pedro alegou que a conduta se enquadrava em um único crime continuado. Ao final da instrução, o magistrado reconheceu o crime continuado, mas, ao aplicar a pena, fixou o aumento no patamar mínimo de 1/6. Inconformado com a decisão, o Ministério Público apelou. Considerando que o Parquet deseja apenas discutir a dosimetria da pena do crime continuado, qual dos argumentos a seguir deve estar presente nas razões ministeriais?
Quanto às medidas assecuratórias, a legislação processual
estabelece que caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos
pelo indiciado com os proventos da infração, ainda que já tenham
sido transferidos a terceiro.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código de
Processo Penal, é correto afirmar que:
No curso de uma interceptação telefônica, devidamente
autorizada pelo Poder Judiciário, Matheus, delegado de polícia,
descobriu que Lucas, notário, e João, deputado estadual, ambos
no Estado Alfa, integravam determinada organização criminosa
voltada à prática de crimes contra a Administração Pública e
lavagem de capitais. Registre-se que a Constituição do Estado
Alfa prevê, expressamente, que notários e registradores fazem
jus a foro por prerrogativa de função junto ao Tribunal de Justiça
do referido ente federativo. Por fim, consigne-se que as infrações
penais praticadas por João se relacionam ao mandato
parlamentar em curso.
Nesse cenário, considerando as disposições da Constituição
Federal e a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal
Federal, é correto afirmar que:
Nino, primário e portador de bons antecedentes, está sendo
investigado pela prática do crime de peculato doloso em
detrimento do Estado Alfa. Registre-se que, em havendo justa
causa para a deflagração da ação penal, o Ministério Público
ofereceu denúncia, sem, contudo, propor o acordo de não
persecução penal em benefício do agente. Por fim, consigne-se
que, há quatro anos, o agente foi agraciado com o instituto da
suspensão condicional do processo, no contexto do processo
negocial.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código de
Processo Penal, é correto afirmar que Nino:
José, reincidente em crime doloso, foi preso em flagrante pela
prática do crime de tráfico ilícito de entorpecentes, por ter sido
encontrado com 300 g de cocaína. Por conseguinte, o indivíduo
foi encaminhado à Delegacia de Polícia para fins de adoção das
medidas previstas na Constituição Federal e na legislação
processual.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código de
Processo Penal, é correto afirmar que:
Iran, candidato a Prefeito do Município Alfa, no curso da
campanha eleitoral, marcou encontro com um grupo de eleitores,
em frente à lanchonete de uma feira agropecuária realizada na
cidade, e ofereceu insumos agrícolas em troca do voto desses
eleitores, além da futura utilização, nas propriedades privadas, de
tratores pertencentes ao Poder Público, caso viesse a ser eleito.
Próximo ao local dos fatos, se encontrava Manoel, correligionário
de outro partido político, o qual, sem que os participantes da
conversa percebessem, gravou o seu inteiro teor e encaminhou a
gravação ao Ministério Público, visando à adoção das medidas
necessárias à cassação do registro de Iran.
Em relação à prova obtida, assinale a afirmativa correta.
No curso de uma investigação que apura um complexo esquema
de crimes que resultaram em prejuízo para a Fazenda Pública e
lavagem de dinheiro supostamente operado por Mévio,
empresário individual, a autoridade policial representou pela
decretação de medidas assecuratórias sobre diversos bens,
incluindo um imóvel de alto valor registrado em nome da pessoa
jurídica Alfa Empreendimentos Ltda. Embora a sociedade empresária Oivém não figure formalmente
como investigada no inquérito policial, foram apresentados
robustos indícios de que a pessoa jurídica foi constituída e utilizada
por Mévio especificamente para ocultar e dissimular a origem
ilícita de valores provenientes de crimes antecedentes, sendo o
imóvel adquirido com tais recursos.
A defesa da sociedade Alfa Empreendimentos Ltda. opôs-se à
medida, argumentando que
(i) a pessoa jurídica não é investigada;
(ii) não houve instauração de incidente de desconsideração da
personalidade jurídica; e
(iii) a constrição sobre bens de pessoa jurídica estranha à
investigação configuraria uma violação ao princípio da
intranscendência da pena.
Sobre as medidas assecuratórias em crimes que resultam em
prejuízo à Fazenda Pública e de lavagem de dinheiro, considerando
a situação hipotética e a jurisprudência consolidada do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), assinale a opção que apresenta a decisão
judicial correta a ser tomada em relação ao pedido de constrição
sobre o imóvel registrado em nome da Alfa Empreendimentos
Ltda.
Um indivíduo foi investigado pela prática do crime racial (Art. 2º-A
da Lei nº 7.716/1989 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade
ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional.
Pena: reclusão, de dois a cinco anos, e multa, por ter proferido
ofensas de cunho racial contra a vítima em local público.
A pena mínima cominada ao delito é inferior a 4 anos, o
investigado é primário, com bons antecedentes e nada indica
conduta criminal habitual, reiterada ou profissional.
O Promotor de Justiça afirmou que, embora presentes os
requisitos objetivos do Art. 28-A do Código de Processo Penal, o
Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) não seria cabível em
razão da natureza do crime praticado, e deixou de oferecer a
proposta.
O denunciado requereu a remessa dos autos ao órgão superior do
Ministério Público, na forma do Art. 28 do CPP, alegando
constrangimento ilegal pela não oferta do ANPP, pois a vedação
não está expressa na lei, e a interpretação deve ser favorável ao
réu.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
Um indivíduo praticou roubo majorado pelo emprego de arma de
fogo contra uma agência (correspondente bancário) da Caixa
Econômica Federal, localizada em uma loja de conveniência.
Segundo o apurado, o agente subtraiu R$ 520,00 (quinhentos e
vinte reais) pertencentes ao correspondente bancário, R$
15.000,00 (quinze mil reais) do caixa da loja de conveniência e um
aparelho celular da empregada da Caixa Econômica Federal que
estava prestando serviço no local e foi ameaçada com arma de
fogo durante a ação criminosa.
O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia perante a Vara
Criminal da Comarca local. A defesa do acusado apresentou
exceção de incompetência para o declínio em favor da Justiça
Federal, pelos fundamentos a seguir.
(i) Uma parte do valor subtraído pertencia ao correspondente
bancário da Caixa Econômica Federal, empresa pública federal.
(ii) A vítima da grave ameaça era funcionária da Caixa Econômica
Federal.
(iii) O crime afetou o serviço bancário prestado pela Caixa
Econômica Federal por meio de seu correspondente.