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2402203 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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[...]
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,

deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino

da Maria do Zacarias,

lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia

com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra

magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,

no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,

de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,

e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,

a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam

melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

João Cabral de Melo Neto. Morte e vida severina. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967 (com adaptações

Considerando o poema Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, o fragmento desse poema transcrito ao lado e as características da obra desse autor, julgue o iten a seguir.

A visão materialista dos fatos sociais e de seus fatores externos, em especial os traços biológicos, aparece representada, em Morte e vida severina, na caracterização do retirante, como se observa nos versos.

 

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2402187 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas”

Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro lugar entre os homens, acima da ciência e da riqueza, porque eras a genuína e direta inspiração do Céu. O caso determinou o contrário; e aí vos
ficais eternamente hipocondríacos. Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Machado de As s i s . Memórias póstumas de
Brás Cubas
. Internet: <www.machado.mec.gov.br> (com adaptações).

Considerando o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, os fragmentos do romance transcritos acima e as características do Realismo e Naturalismo no Brasil, julgue o item.

O trecho selecionado de Memórias póstumas de Brás Cubas abriga a ideia da transitoriedade da vida diante da fatalidade da morte, sendo esta, no entanto, negada no que está anunciado pelo narrador no trecho “Entre a morte ... apanhei”.

 

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2402185 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas”

Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro lugar entre os homens, acima da ciência e da riqueza, porque eras a genuína e direta inspiração do Céu. O caso determinou o contrário; e aí vos
ficais eternamente hipocondríacos. Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Machado de As s i s . Memórias póstumas de
Brás Cubas
. Internet: <www.machado.mec.gov.br> (com adaptações).

Considerando o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, os fragmentos do romance transcritos acima e as características do Realismo e Naturalismo no Brasil, julgue o item.

A estrutura psicológica dos personagens e a oscilação entre o real e o fictício da vida observadas em Memórias póstumas de Brás Cubas não contradizem, em essência, aspectos evidenciados em romances do modelo da geração realista, mas trazem como característica a crítica ao cientificismo, caro à época dessa geração.

 

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2402184 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Provas:

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas”

Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro lugar entre os homens, acima da ciência e da riqueza, porque eras a genuína e direta inspiração do Céu. O caso determinou o contrário; e aí vos
ficais eternamente hipocondríacos. Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque, ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Machado de As s i s . Memórias póstumas de
Brás Cubas
. Internet: <www.machado.mec.gov.br> (com adaptações).

Considerando o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, os fragmentos do romance transcritos acima e as características do Realismo e Naturalismo no Brasil, julgue o item.

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, a dedicatória a um verme, escrita sob a forma de epitáfio, contradiz a visão humanista e coerente da vida manifestada por Brás Cubas e ressalta a visão irônica e pessimista manifestada pelo defunto-autor.

 

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2400186 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UECE
Orgão: UECE
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TEXTO 1

OFF PRICE

Que a sorte me livre do mercado
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
meu poema
inesperado

e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado

(Ferreira Gullar. Em alguma parte alguma. p.35.)

Escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma sobre Ferreira Gullar.

( ) Começa como poeta concretista, porém, discordando do movimento, afasta-se e cria o Neoconcretismo.
( ) A partir dos anos 60 faz uma poesia engajada social e politicamente.
( ) Sua poesia é marcada por uma consciência social e estética.
( ) Sua poesia tem, ainda, um forte componente romântico.

Está correta a seguinte sequência de cima para baixo:

 

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2399922 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto 2

O Quinze foi publicado em agosto de 1930. Não fez grande sucesso quando saiu em Fortaleza. Escreveram até um artigo falando que o livro era impresso em papel inferior e não dizia nada de novo.

Outro sujeito escreveu afirmando que o livro não era meu, mas do meu ilustre pai, Daniel de Queiroz. E isso tudo me deixava meio ressabiada. Morava então no Ceará o jornalista carioca Renato Viana, que me deu os endereços das pessoas no Rio de Janeiro, uma lista de jornalistas e críticos para os quais eu devia mandar o livrinho. O mestre Antônio Sales, que adorou o livro, também me deu outra lista. Então me chegou uma carta do meu amigo Hyder Corrêa Lima, que morava no Rio, convivia com Nazareth Prado e a roda de Graça Aranha. Hyder mostrava na carta o maior alvoroço e contava o entusiasmo de Graça Aranha por O Quinze. Depois veio uma carta autografada do próprio Graça, realmente muito entusiasmado. Em seguida começaram a chegar críticas, de Augusto Frederico Schmidt (no "Novidades Literárias"), do escritor Artur Mota, em São Paulo; foram pipocando notas e artigos, tudo muito animador. No Ceará, não. Não me lembro de nenhuma repercussão. Depois, quando a coisa virou, é que o livro começou a pegar por lá.

(Rachel de Queiroz. In: QUEIROZ, Rachel de e QUEIROZ, Maria Luíza de. Tantos anos. p. 31.)

Assinale a única afirmação FALSA sobre a escritora Rachel de Queiroz.

 

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TEXTO 1
AULA DE PORTUGUÊS
A linguagem
Na ponta da língua,
Tão fácil de falar
E de entender.
A linguagem
Na superfície estrelada de letras,
Sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Gois, ele é quem sabe,
E vai desmatando
O amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
Atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
Em que pedia para ir lá fora,
Em que levava e dava pontapé,
A língua, breve língua entrecortada
Do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
(Carlos Drummond de Andrade)
A autoria, a temática abordada e a disposição organizacional do poema inscrevem-no na produção brasileira
 

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2398793 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsPCEx
Provas:

“É o período que caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa. Vive-se o Século das Luzes, o Iluminismo burguês, que prepara o caminho para a Revolução Francesa.”

O texto acima refere-se ao

 

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2398426 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CEPUERJ
Orgão: UERJ
Livros
(Caetano Veloso)
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
A combinação inusitada de elementos constitui uma das marcas características da linguagem literária. Esse traço está presente no sintagma:
 

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2397296 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Unesc
Orgão: Pref. Criciúma-SC
Provas:
Mário Quintana foi um dos maiores poetas modernistas brasileiros.
Escreveu inúmeros poemas, como os que você lerá abaixo.
POEMA1
POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
POEMA 2
SIMULTANEIDADE
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
É possível afirmar pelo menos sobre um dos poemas lidos:
 

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