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Carlos Drummond de Andrade foi um dos maiores poetas modernistas brasileiros. E considerado um dos melhores poetas de todos os tempos. Leia abaixo um de seus poemas e assinale a alternativa que melhor evidência a intenção do autor.
Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2394645 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsPCEx
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Leia o texto abaixo e responda à questão, referente à Gramática e Interpretação de Texto.

O Outro Marido

Era conferente da Alfândega – mas isso não tem importância. Somos todos alguma coisa fora de nós; o eu irredutível nada tem a ver com as classificações profissionais. Pouco importa que nos avaliem pela casca. Por dentro, sentia-se diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a situação exterior e familiar não mudava. Nisso está o espinho do homem: ele muda, os outros não percebem.

Sua mulher não tinha percebido. Era a mesma de há 23 anos, quando se casaram (quanto ao íntimo, é claro). Por falta de filhos, os dois viveram demasiado perto um do outro, sem derivativo. Tão perto que se desconheciam mutuamente, como um objeto desconhece outro, na mesma prateleira de armário. Santos doía-se de ser um objeto aos olhos de Dona Laurinha. Se ela também era um objeto aos olhos dele? Sim, mas com a diferença de que Dona Laurinha não procurava fugir a essa simplificação, nem reparava; era de fato, objeto. Ele, Santos, sentia-se vivo e desagradado.

Ao aparecerem nele as primeiras dores, Dona Laurinha penalizou-se, mas esse interesse não beneficiou as relações do casal. Santos parecia comprazer-se em estar doente. Não propriamente em queixar-se, mas em alegar que ia mal. A doença era para ele ocupação, emprego suplementar. O médico da Alfândega dissera-lhe que certas formas reumáticas levam anos para ser dominadas, exigem adaptação e disciplina. Santos começou a cuidar do corpo como de uma planta delicada. E mostrou a Dona Laurinha a nevoenta radiografia da coluna vertebral com certo orgulho de estar assim tão afetado.

– Quando você ficar bom...

– Não vou ficar. Tenho doença para o resto da vida.

Para Dona Laurinha, a melhor maneira de curar-se é tomar remédio e entregar o caso à alma de Padre Eustáquio, que vela por nós. Começou a fatigar-se com a importância que o reumatismo assumira na vida do marido. E não se amolou muito quando ele anunciou que ia internar-se no hospital Gaffré e Guinle.

– Você não sentirá falta de nada – assegurou-lhe Santos. – Tirei licença com ordenado integral. Eu mesmo virei aqui todo começo de mês trazer o dinheiro. Hospital não é prisão.

– Vou visitar você todo domingo, quer?

– É melhor não ir. Eu descanso, você descansa, cada qual no seu canto.

Ela também achou melhor, e nunca foi lá. Pontualmente, Santos trazia-lhe o dinheiro da despesa, ficaram até um pouco amigos nessa breve conversa a longos intervalos. Ele chegava e saía curvado, sob a garra do reumatismo que nem melhorava nem matava. A visita não era de todo desagradável, desde que a doença deixara de ser assunto. Ela notou como a vida de hospital pode ser distraída: os internados sabem de tudo cá de fora.

– Pelo rádio – explicou Santos.

Um dia, ela se sentiu tão nova, apesar do tempo e das separações fundamentais, que imaginou uma alteração: por que ele não ficava até o dia seguinte, só essa vez?

– É tarde – respondeu Santos. E ela não entendeu se ele se referia à hora ou a toda a vida passada sem compreensão. É certo que vagamente o compreendia agora, e recebia dele mais que a mesada: uma hora de companhia por mês.

Santos veio um ano, dois, cinco. Certo dia não veio. Dona Laurinha preocupou-se. Não só lhe faziam falta os cruzeiros; ele também fazia. Tomou o ônibus, foi ao hospital pela primeira vez, em alvoroço. Lá ele não era conhecido. Na Alfândega informaram-lhe que Santos falecera havia quinze dias, a senhora quer o endereço da viúva?

– Sou eu a viúva – disse Dona Laurinha, espantada.

O informante olhou-a com incredulidade. Conhecia muito bem a viúva do Santos, Dona Crisália, fizera bons piqueniques com o casal na Ilha do Governador. Santos fora seu parceiro de bilhar e de pescaria. Grande praça. Ele era padrinho do filho mais velho de Santos. Deixara três órfãos, coitado.

E tirou da carteira uma foto, um grupo de praia. Lá estavam Santos, muito lépido, sorrindo, a outra mulher, os três garotos. Não havia dúvida: era ele mesmo, seu marido. Contudo, a outra realidade de Santos era tão destacada da sua, que o tornava outro homem, completamente desconhecido, irreconhecível.

– Desculpe, foi engano. A pessoa a que me refiro não é esta – disse Dona Laurinha, despedindo-se.

(Carlos Drummond de Andrade)

“Era conferente da Alfândega – mas isso não tem importância.”

O narrador caracteriza, no trecho acima transcrito, o personagem, para, logo em seguida, dizer que tal classificação é irrelevante. Marque a alternativa que explica a razão dessa aparente contradição.

 

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2392639 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsPCEx
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Quanto à Literatura Brasileira, assinale a alternativa correta.

 

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2391393 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CEPUERJ
Orgão: UERJ
Livros
(Caetano Veloso)
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
O emprego da construção parentética pode permitir ao leitor perceber, por parte do eu lírico, uma atitude:
 

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2389947 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CEPUERJ
Orgão: UERJ
Araraquara, 01 de julho de 1930.
Meu querido Carlos
São três horas duma noite incrível de fazenda.
[...]
A primeira vitória do seu livro e a decisiva, que assegura o valor extraordinário e permanente dele e da sua poesia, é não dar a impressão de passadismo. Me explico. O que eu mais temia, diante da evolução rapidíssima da poética do século XX, é que os poemas de você, muitos antigos e refletindo processos de cinco, seis anos atrás ou mais, e já abandonados, produzissem mau efeito reunidos em volume. Dessem a impressão de adesismo retardatário ou de carneirismo a certos assuntos poéticos que os moços de todo o Brasil se encarregaram de vulgarizar ao excesso, abastardar com a precariedade dos jovens de 20 anos e ficaram reduzidos ao pó-de-traque. Assuntos como Recordações de Infância, Descrições rápidas haicaizadas, a temática nacional, paisagismo sensacionalístico etc. são assuntos já revelhos na poesia modernista e de todos você usa. Compreende-se: o perigo era enorme. Você discípulo de Cataguases! Sem que esta frase tenha a mínima intenção de depreciar os poetas de Cataguases, deprecia você pois Cataguases foi um fenômeno que passou. Pois isso não se deu. Nem pra mim nem pra outros pois conversei sobre com o Manuel Bandeira e o Rodrigo. Mas minha impressão e conclusão é mais valiosa que a deles porque o Manuel está muito próximo de você como sensibilidade pra poder julgar bem e o Rodrigo não faz poesia e como mero espectador está em condições de aceitar melhor manifestações diversas. Mas eu, minha poesia atual, meus atuais instintos e minhas atuais ideias de poeta são as mais distantes de tudo o que representa como poesia o livro de você. Poesia minha de agora: ou caio num lirismo absoluto, quase automático e sobrerrealista, intelectualmente incompreensível, ou melhor, paralógico, ao lado da lógica intelectual, os tais “versos de louco”, ou traio de cabo a rabo esse conceito de poesia que é o meu atual e apenas evolução drástica e incisiva de ideias expostas na Escrava e processos tentados de quando em longe, traio e faço poesia socialística, de intenção social, como fiz no Clã do jaboti. Só que no caso deste a traição era em proveito duma fixação prática nacional e agora já o meu brasileirismo transcende aos meus poemas ou estes áquele, e canto ou sofro apelos vagos porque sempre líricos, sociais, porventura comunistas (sem Rússia. Por tudo isso você compreende (e compreenderá melhor quando aí bater meu novo e talvez último livro de poesias, até o fim do ano), você compreende que estava afastadíssimo da poesia de você. E se não podia e não posso deixar de ler o seu livro sem toda a paixão da amizade, é certo que o julgo sem condescendência. Ora, o que me surpreendeu mais foi a integralidade segura, bem macha, com que seus poemas reunidos e em tipografia vencem os perigos que atravessavam. É inútil a gente datar de cinco anos atrás um poema como “Infância” pra que ele readquira o valor qualitativo. Podia ser datado de 1º de julho de 1930. Vence da mesma forma pela quantidade das anotações sensíveis e pela qualidade do todo. Não fazia mal ser de adesão a um assunto rebatido, porque era melhor que os outros sobre o assunto. Seu livro é de hoje, de ontem e de amanhã. Não tem valor episódico. Vale pela força intensíssima do lirismo de você, pela originalidade dele dentro do assunto mais batido. É a melhor vitória do lirismo brasileiro.
(FERRAZ, Eucanaã (org.). Alguma poesia: o livro em seu tempo. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2010, p. 252-4.)
A perenidade da poesia de Drummond é revelada precisamente na opção:
 

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2389838 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CEPUERJ
Orgão: UERJ
Araraquara, 01 de julho de 1930.
Meu querido Carlos
São três horas duma noite incrível de fazenda.
[...]
A primeira vitória do seu livro e a decisiva, que assegura o valor extraordinário e permanente dele e da sua poesia, é não dar a impressão de passadismo. Me explico. O que eu mais temia, diante da evolução rapidíssima da poética do século XX, é que os poemas de você, muitos antigos e refletindo processos de cinco, seis anos atrás ou mais, e já abandonados, produzissem mau efeito reunidos em volume. Dessem a impressão de adesismo retardatário ou de carneirismo a certos assuntos poéticos que os moços de todo o Brasil se encarregaram de vulgarizar ao excesso, abastardar com a precariedade dos jovens de 20 anos e ficaram reduzidos ao pó-de-traque. Assuntos como Recordações de Infância, Descrições rápidas haicaizadas, a temática nacional, paisagismo sensacionalístico etc. são assuntos já revelhos na poesia modernista e de todos você usa. Compreende-se: o perigo era enorme. Você discípulo de Cataguases! Sem que esta frase tenha a mínima intenção de depreciar os poetas de Cataguases, deprecia você pois Cataguases foi um fenômeno que passou. Pois isso não se deu. Nem pra mim nem pra outros pois conversei sobre com o Manuel Bandeira e o Rodrigo. Mas minha impressão e conclusão é mais valiosa que a deles porque o Manuel está muito próximo de você como sensibilidade pra poder julgar bem e o Rodrigo não faz poesia e como mero espectador está em condições de aceitar melhor manifestações diversas. Mas eu, minha poesia atual, meus atuais instintos e minhas atuais ideias de poeta são as mais distantes de tudo o que representa como poesia o livro de você. Poesia minha de agora: ou caio num lirismo absoluto, quase automático e sobrerrealista, intelectualmente incompreensível, ou melhor, paralógico, ao lado da lógica intelectual, os tais “versos de louco”, ou traio de cabo a rabo esse conceito de poesia que é o meu atual e apenas evolução drástica e incisiva de ideias expostas na Escrava e processos tentados de quando em longe, traio e faço poesia socialística, de intenção social, como fiz no Clã do jaboti. Só que no caso deste a traição era em proveito duma fixação prática nacional e agora já o meu brasileirismo transcende aos meus poemas ou estes áquele, e canto ou sofro apelos vagos porque sempre líricos, sociais, porventura comunistas (sem Rússia. Por tudo isso você compreende (e compreenderá melhor quando aí bater meu novo e talvez último livro de poesias, até o fim do ano), você compreende que estava afastadíssimo da poesia de você. E se não podia e não posso deixar de ler o seu livro sem toda a paixão da amizade, é certo que o julgo sem condescendência. Ora, o que me surpreendeu mais foi a integralidade segura, bem macha, com que seus poemas reunidos e em tipografia vencem os perigos que atravessavam. É inútil a gente datar de cinco anos atrás um poema como “Infância” pra que ele readquira o valor qualitativo. Podia ser datado de 1º de julho de 1930. Vence da mesma forma pela quantidade das anotações sensíveis e pela qualidade do todo. Não fazia mal ser de adesão a um assunto rebatido, porque era melhor que os outros sobre o assunto. Seu livro é de hoje, de ontem e de amanhã. Não tem valor episódico. Vale pela força intensíssima do lirismo de você, pela originalidade dele dentro do assunto mais batido. É a melhor vitória do lirismo brasileiro.
(FERRAZ, Eucanaã (org.). Alguma poesia: o livro em seu tempo. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2010, p. 252-4.)
A recepção favorável de Mário de Andrade frente à poesia de Drummond é revelada por uma série de marcas linguísticas que constroem o favoritismo do modernista. A opção em que está visível o grau superlativo relativo de superioridade é:
 

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Enunciado 1915512-1

Abaixo foram transcritas cinco estrofes de poemas de representativos escritores brasileiros e portugueses. Ao lado de cada transcrição, o texto foi repetido com as alterações gráficas previstas no novo Acordo. A repetição em que o texto foi redigido rigorosamente de acordo com as novas normas é:

 

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1781384 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: INCA

enunciado 1781384-1

Tendo em vista o conteúdo expresso pelo texto e a forma segundo a qual ele se organiza, julgue os itens de 52 a 64, considerando aspectos da linguística textual.

Os aspectos intrínsecos do texto de Machado de Assis, ligados ao seu conteúdo, são contrapostos aos aspectos extrínsecos de sua narrativa, ligados à forma e ao estilo do texto. Se aqueles ligam-se à banalidade; os outros reforçam a ideia de refinamento.

 

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1781379 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: INCA

enunciado 1781379-1

Tendo em vista o conteúdo expresso pelo texto e a forma segundo a qual ele se organiza, julgue os itens de 52 a 64, considerando aspectos da linguística textual.

Machado de Assis, em seu texto, adota uma textualidade que oscila entre modos mais figurativos (com dominância de recursos narrativos e descritivos) e modos mais temáticos (com presença de recursos avaliativos e expositivos).

 

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enunciado 1703061-1

No trecho acima, o crítico está considerando um procedimento artístico muito utilizado nos primeiros momentos do Modernismo de 22, por meio do qual

 

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