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1399621 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Analise as afirmações de duas críticas brasileiras ao comentar a construção do personagem Raimundo, protagonista do romance O mulato, de Aluísio Azevedo, e as relacione ao texto de Fernando Abrucio transcrito no início da prova (Página 1).
Texto 1
A tese sendo provar a injustiça da prevenção dos brancos contra os mulatos, o autor se crê na obrigação de cobrir Raimundo de todas as virtudes, de mostrá-lo belo, nobre, inteligente – sem cuidar que o fazia sobretudo absurdo e inumano, e que construía um romance realista em torno de uma figura escandalosamente romântica.
Lúcia Miguel-Pereira
Texto 2
[Os escritores] denunciam o racismo, com certeza, mas dourando a pílula, pois não literalizam o não-branco igualando as condições étnicas que lhe são inerentes. A apresentação de Raimundo é impressionante sob esse aspecto: tez morena e amulatada, mas “fina”; a parte “mais característica” de sua fisionomia são os “olhos azuis, herdados do pai”. Poder-se-ia argumentar que se está cobrando do literário uma verdade referencial, politicamente correta, que ele não está obrigado a transmitir. Creio que o argumento não procede: o racismo brasileiro histórico, basicamente decorrente de quase quatro séculos de escravidão negra, ao ser recriado na literatura, mesmo para denunciá-lo, impediu que escritores bem-intencionados ultrapassassem os limites da caricatura no tratamento da questão.
Letícia Malard
Da análise, conclui-se que
 

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1397286 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Considere o poema a seguir.
Momento num café
Quando o enterro passou
Os três homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da manhã.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p. 87.)
Sobre o texto, pode-se afirmar que
 

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1396585 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
A afirmação de Maurizio Gnerre (1985) de que “O poder da palavra é o poder de mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e concentrá-la num ato linguístico” é bem caracterizada no ato de
 

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1396340 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Sobre história literária, leia a observação a seguir.
Chklovski desenvolve a sua teoria da história literária forjando uma outra metáfora: “A herança passa não de pai para filho, mas de tio para sobrinho.” O “tio” representa uma tendência que não goza do primeiro lugar [...]. A geração seguinte retomará e “canonizará” essa tendência secundária, aparentada e oposta à precedente: “Dostoievski eleva ao título de norma literária os processos do romance de aventuras.”
(TODOROV, Tzvetan. História da literatura. In: ________; DUCROT, Oswald. Dicionário das ciências
da linguagem. 6. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1982. p. 184-185.)
Analisando a história da literatura brasileira, pode-se afirmar que o princípio descrito acima é ilustrado por:
 

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1395751 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Considere os versos a seguir, do poeta modernista gaúcho Tyrteu Rocha Vianna.
O bandaoriental capataz D. Fulano
Colorado sargento indiamuertano
Por su mala cabeza
Emigrado cachaça paradista
Dúzias de homicídios comissariais
Homiziantes
Enrodilhou o laço de 11 braças
E pialou de cucharra a zebuzinha jaguané
[...]
(VIANNA, Tyrteu Rocha. Saco de viagem. 2. ed. Porto Alegre: PUC, 1993. p. 59.)
Considerando seu conhecimento sobre a obra dos modernistas brasileiros, é possível afirmar que, no poema acima,
I. o emprego de versos livres e a ausência de pontuação são traços comuns com a poesia de Oswald de Andrade.
II. a mistura de regionalismos e neologismos revela uma experimentação linguística semelhante à encontrada na prosa de Guimarães Rosa.
III. o olhar irônico e pretensamente infantil o aproxima da lírica de Manuel Bandeira.
Está(ao) correta(s):
 

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1394727 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Leia o seguinte fragmento do romance Relato de um certo oriente, cuja trama se desenrola na cidade de Manaus.
[...] Foi difícil abrir os olhos, mas não era a luminosidade que incomodava, e sim tudo o que era visível.
De olhos abertos , só então me dei conta dos quase vinte anos passados fora daqui. A vazante havia afastado o porto do atracadouro, e a distância vencida pelo mero caminhar revelava a imagem do horror de uma cidade que hoje desconheço: uma praia de imundícias, de restos de miséria humana, além do odor fétido de purulência viva exalando da terra, do lodo, das entranhas das pedras vermelhas e do interior das embarcações. Caminhava sobre um mar de dejetos, onde havia tudo: cascos de frutas, latas, garrafas, carcaças apodrecidas de canoas, e esqueletos de animais. Os urubus, aos montes, buscavam com avidez as ossadas que apareceram durante a vazante, entre objetos carcomidos que foram enterrados há meses, há séculos.
(HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente. 2. ed. São Paulo:
Companhia das Letras, 2002. p. 124.)
A partir do texto e dos conhecimentos sobre a obra do autor amazonense, percebe-se que
I. a região amazônica é despida de exotismo, a cidade de Manaus apresenta-se tristemente semelhante a qualquer região periférica e pobre do país.
II. a deterioração da paisagem é contagiante, fazendo com que a narradora lamente seu retorno.
III. o emprego inusitado de termos regionais ratifica a posição de Milton Hatoum como um dos renovadores da prosa regionalista.
Está(ão) correta(s)
 

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1393927 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Para responder a esta questão, leve conta os versos a seguir.
[...]
Tenho explicado as fruitas e legumes,
Que dão a Portugal muitos ciúmes;
Tenho recopilado
O que o Brasil contém para invejado,
E para preferir a toda a terra,
Em si perfeitos quatro “A A” encerra.
Tem o primeiro “A” nos arvoredos
Sempre verdes aos olhos, sempre ledos;
Tem o segundo “A” nos ares puros,
Na tempérie agradáveis e seguros;
Tem o terceiro “A” nas águas frias,
Que refrescam o peito e são sadias;
O quarto “A” no açúcar deleitoso,
Que é do Mundo o regalo mais mimoso.
(Botelho de Oliveira. “À ilha de Maré”.)
O poema apresenta uma visão ____________ da natureza brasileira, aspecto que foi retomado pela _______________ geração romântica, como forma de forjar uma ____________________________, necessária a um país recém-independente.
Os termos que completam corretamente as lacunas são:
 

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1393901 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Leia os textos a seguir.
Texto 1
Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho, e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro em si, e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento.
(VIEIRA, Antônio. Sermão da Sexagésima.)
Texto 2
Imperfeito
Eu sei que meu amor
É imperfeito
Mas se ele deixar, vou lhe mostrar
O quanto também
Tenho defeito
Não é pra me gabar
Mas rio do que faço
Eu devia chorar
Eu sei o mal que fiz
Já está feito
Mas lhe pedi perdão, por ser assim
E o coração que
Tenho no peito
Não quer acreditar
Já nem estou mais aqui
Nem em qualquer lugar
Lá vai se embora meu mundo sem mim...
O que há de errado em ser tão errado assim?
Já vou saindo, não precisa empurrar...
Pois meu maior defeito é insistir
Que ele é perfeito,
Que é pura crueldade pedir pra ele mudar
Nem luz, nem espelho,
Nem olhos pra enxergar
Acho que sou alguém
Que nunca vai mudar.
[...]
(ULHOA, John. Isopor. São Paulo: BMG, 1999.
1 CD (3 min. 42seg.). Faixa 5.)
Em relação aos textos,
I. No texto 1, o autor vale-se de uma analogia para estabelecer os três princípios indispensáveis para se converter uma alma: o pregador, o ouvinte e a graça divina.
II. O texto 2 retoma, através do recurso da intertextualidade, a analogia desenvolvida no texto 1 para afirmar que o ser humano é incapaz de conhecer a si mesmo.
III. No verso 3 de “Imperfeito”, o amor é personificado, produzindo como efeito uma dissociação entre o sentimento e o amante, o qual se encontra submetido “às vontades” do amor.
Está(ão) correta(s):
 

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1392714 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Compare os seguintes poemas.
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosa da Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra em nada.
Gregório de Matos Guerra
Ilustre e hermosíssima Maria
mientras se dejan ver a cualquier hora
en tus mejillas la rosada aurora
Febo en tus ojos, y en tu frente el dia
y mientras con gentil descortesia
mueve el viento la hebra voladora
que la Aravbia en sus venas atesora
e el rico Tajo en sus arenas cria
goza cuello, cabello, lábio y frente
antes que lo que fué en tu edad dorada,
oro, lírio, clavel, cristal luciente,
no solo en plata o viola troncada
se vuleva, mas tu y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
Luís de Góngora
Da comparação entre os textos, pode-se concluir que o poeta brasileiro
 

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1392577 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
No romance-rapsódia Macunaíma, Mario de Andrade cria uma narrativa épica cujo protagonista pode ser designado como "herói sem nenhum caráter". Sobre este romance, analise as afirmativas abaixo colocando entre parênteses a letra "V", quando se tratar de afirmativa verdadeira, e a letra "F", quando se tratar de afirmativa falsa. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) A ausência de caráter apresenta uma crítica pessimista da alma brasileira.
( ) A caracterização do protagonista como anti-herói, marca uma mentalidade cultural com potencial revolucionário.
( ) Constitui um contradiscurso em relação à consistência hegemônica que se firmou ao longo da história nacional.
( ) Integra o espaço, e o referencial mítico maravilhoso e americano.
( ) Pela inversão parodística, o herói civilizado destrona o anti-herói.
 

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