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TEXTO
MARKETPLACES VIRAM "VITRINE" DE
SOLVENTES USADOS COMO DROGA
“O produto é elogiado por sua eficácia. É
mencionado como ideal para eventos, destacando-se
em festas”, informa um resumo feito por Inteligência
Artificial baseado em avaliações de compradores de
uma cola acrílica formulada com solventes tóxicos,
em um dos maiores marketplaces que atuam no
Brasil.
Os comentários na plataforma online, que
funciona como um “shopping virtual” reunindo
vendedores diversos, são elogiosos para efeitos que
nada têm a ver com o propósito original do produto:
“cola até pensamentos”; “a vibe é certeira”; “na festa,
ele arrasa”; “baforada fria, muito bom mesmo”. Na
realidade, os comentários revelam um mercado
paralelo de substâncias vendidas legalmente,
embaladas como produtos de uso profissional
industrial, mas consumidas de forma recreativa,
escancarando uma zona cinzenta entre a regulação
química e o comércio digital.
Essas colas industriais, formuladas com
solventes como o diclorometano, circulam há décadas
no mercado brasileiro. O consumo recreativo de
inalantes parecia ter perdido força desde o declínio do
lança-perfume e do “loló” nos anos 2000, mas
pesquisas regionais mostram que o uso persiste -
agora, com a compra acelerada via plataformas
online. Um estudo publicado pela Fiocruz apontou
que 12,6% dos estudantes de escolas públicas da
Grande São Paulo haviam usado inalantes no último
mês.
Para Silvia Cazenave, doutora em toxicologia
pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da
Sociedade Brasileira de Toxicologia, essas
substâncias inalantes têm picos de consumo irregular,
variando entre o aperto da fiscalização e mesmo o
poder aquisitivo dos usuários.
“Essa categoria de solvente clorado, que tem
a molécula de cloro, tem se tornado bastante comum.
Temos um pico de utilização desses produtos, às
vezes uma fiscalização mais intensa faz diminuir a
procura, e depois isso volta. Me recordo de época em
que setores da cidade eram conhecidos como
cracolândia, onde as pessoas usavam cola de
sapateiro. Esse uso acabou diminuindo bastante, mas
as pessoas continuam usando para substituir o lança
perfume, a depender do local, do poder aquisitivo”,
diz.
O baixo custo, fácil acesso e a falta de
controle sanitário mantêm o consumo ativo. Com a
expansão dos marketplaces, esse consumo ganha
nova forma. Por cerca de R$ 60, sem qualquer
restrição de idade ou alerta, é possível comprar um
litro da cola nos grandes marketplaces em operação
no Brasil.
(...) Para Patrícia Cotti, da FIA Business
School, o risco nasce da própria arquitetura comercial
dos marketplaces. Para dar indicações à compra, os
algoritmos priorizam a chamada métrica de sucesso:
alta taxa de cliques, volume positivo de avaliações,
quantidade de conteúdo/descritivos, entre outros. “Se
o comentário do produto diz ‘ótimo, funciona rápido
se usado de tal forma’, mesmo que descreva um uso
indevido, a Análise de Sentimento captura apenas a
avaliação positiva impulsionando a exposição do
produto”, explica.
As plataformas, portanto, operam com essa
análise básica, que se limita a identificar o número de
estrelas e palavras positivas como “ótimo” ou
“excelente””, sem considerar o contexto em que
aparecem, o que inclui elogios ligados a usos
indevidos descritos nos próprios comentários.
“Se algo está descrito como ‘Ótimo, funciona
muito rápido se feito de forma xyz’, mas esse
funcionamento xyz é um uso indevido, por exemplo,
a Análise de Sentimento lerá só as referências
positivas”, afirma. “Muito embora existam nas regras
dos maiores marketplaces políticas quanto à inibição
de tais usos quanto aos conteúdos ‘oficiais’ de
cadastro, com punição dos vendedores, os
comentários acabam por gerar um monitoramento
mais difícil, ainda dependente de uma avaliação
humana”, completa.
Portanto, quando elogios associados a usos
indevidos passam despercebidos pelos sistemas de
moderação, cria-se um ambiente em que produtos
potencialmente perigosos são impulsionados
exatamente pelos mesmos mecanismos que ampliam
a visibilidade de itens legítimos. O resultado então é
um ciclo em que algoritmos reforçam práticas de risco sem que as plataformas consigam reagir com a
mesma velocidade.
Segundo especialistas, o diclorometano e
outros solventes, encontrados nas colas consumidas,
são classificados como depressores do sistema
nervoso central e, após a inalação, são rapidamente
absorvidos pelos pulmões, sendo o cérebro alcançado
quase de imediato. Como consequência, são
percebidas tontura, sonolência, confusão mental, fala
arrastada e dificuldade de coordenação. Mesmo em
doses consideradas pequenas, pode ser registrado
risco de morte súbita em indivíduos suscetíveis.
“O uso repetido de diclorometano e outros
solventes voláteis é extremamente destrutivo para o
organismo, pois são substâncias lipossolúveis que
atravessam facilmente a barreira hematoencefálica e
se acumulam em tecidos gordurosos, como o cérebro,
além de serem metabolizados em substâncias
tóxicas”, afirma Maurício Yonamine, doutor em
Toxicologia pela USP.
Segundo Yonamine, esse uso crônico causa a
degeneração da mielina, uma capa protetora dos
neurônios, resultando em danos que se assemelham a
doenças degenerativas. “Podem ser observados perda
de memória, dificuldade de concentração, raciocínio
lento, e diminuição da capacidade de aprendizado.
Em casos graves, pode evoluir para um quadro
semelhante à demência. Além disso, há aumento
considerável de desenvolver transtornos psicóticos”,
diz.
Diante de danos neurológicos que podem se
tornar irreversíveis, especialistas afirmam que a
resposta precisa incluir mudanças regulatórias e
mecanismos de controle no comércio digital.
Modelos de compra com exigência de CPF ou prova
de idade, além de alterações no odor e formulação,
são vistos como medidas básicas para reduzir o
acesso a solventes usados como droga. (...)
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/marketplacesviram-vitrine-para-produtos-químicos-consumidos-comodroga/a-75224013>. Acesso em: 03 de fevereiro de 2026.
Adaptado.
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TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
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