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CONVERSAS ILUMINADAS
Martha Medeiros
Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
Disponível em: https://beneviani.blogspot.com/2013/12/martha-medeiros-conversas-iluminadas.html Acesso em 08 de outubro de 2025
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CONVERSAS ILUMINADAS
Martha Medeiros
Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
Disponível em: https://beneviani.blogspot.com/2013/12/martha-medeiros-conversas-iluminadas.html Acesso em 08 de outubro de 2025
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Martha Medeiros
Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
Disponível em: https://beneviani.blogspot.com/2013/12/martha-medeiros-conversas-iluminadas.html Acesso em 08 de outubro de 2025
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Texto 7
Observe a imagem abaixo:

Fonte: https://www.instagram.com/ilan.brenman/
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Texto 5
A menina que falava internetês
A mãe gostava de acreditar-se moderna. Do figurino à
linguagem, esforçava-se para estar sempre up-to-date
com as últimas tendências da moda. Seus objetivos
eram claros: criar uma imagem de mulher mais jovem
e fazer bonito para os filhos, os reis da tecnologia
doméstica, que dominavam tudo na casa, dos controles remotos dos aparelhos eletrônicos aos computadores e laptops. Foi o propósito de não perder o bonde
da história que levou Wanda a comprar um computador pessoal, assinar um provedor de acesso e começar
a navegar pela internet. Nada poderia detê-la rumo à
modernidade!
Depois de alguns dias, navegando em seu trabalho,
encontrou sua filha pré-adolescente on-line. Não resistiu à tentação e iniciou uma conversa através de um
programa de mensagens instantâneas.
— Olá, filha, aqui é a sua mãe, navegando pela internet… Tudo bem com você, querida?
— blz.
— Como? Não entendi, filhinha. Seu teclado está com
algum problema nas vogais?
— naum.
— Vejo que não é este o problema, já que você digitou
duas vogais agora mesmo! Mas pode ser um defeito
nas teclas de acentuação. Por favor, filha, teste o ‘til’.
— q tio?
— Não, não o tio, o til. O til é o irmão do papai, o tio
Bruno. O til é aquele acento do não, do anão, da
mamãe… Lembra quando a mamãe ensinou a você
que o til parecia uma minhoquinha?
— nem
— Nem? Como assim, ‘nem’? Nem no sentido de conjunção coordenativa aditiva como “não lembro nem
quero lembrar”? Ou seria “nem” como conjunção coordenativa alternativa, como em “não me lembro e nem
parece uma minhoquinha”?
— ;-(
— Que foi isso, filhota?
— naum quero + tc com vc
— Você… não quer mais tecer comigo?
— teclar
— Assim mamãe fica triste, lindinha. Eu só queria conversar, puxar algum assunto. Mas está difícil. Eu não entendo o que você escreve e você não se interessa
pelo que eu digito. Realmente, meu bem, parece que
não é possível estabelecer um diálogo com você. Tudo
bem, se eu tiver incomodando, eu paro agora mesmo.
— tá
— Antes de ir pra casa eu vou passar no supermercado.
O que você quer que eu compre para… para… para
vc? É assim que se diz em internetês?
— refri e bisc8
— Refrigerante e biscoito? Biscoito? Filha, francamente,
que linguagem é essa? Você estuda no melhor colégio, seu pai paga uma mensalidade altíssima e você
escreve assim na internet? Sem vogais, sem acentos,
sem completar as palavras, sem usar maiúsculas no
início de uma frase, com orações sem nexo e ainda
por cima usando números no lugar das sílabas? Isso é
inadmissível, Maria Eugênia!
— Xau, mãe, c ta xata.
— Maria Eugênia! Chata é com ch!
— Maria Eugênia?
— Desligou. Bem, pelo menos a tecla til está em
ordem.
HERMANN, Rosana. A menina que falava internetês. In: CAMPOS,
Carmen Lúcia da Silva; SILVA, Nilson Joaquim da. Lições de gramática para quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
( ) O texto inscrito no gênero discursivo/textual crônica tem por objetivo tematizar o conflito interacional de gerações na era digital.
( ) “Internetês” é uma língua natural, assim como português e inglês; portanto, tem gramática própria.
( ) O texto apresenta uma reflexão sobre a importância do respeito à variedade linguística em seu contexto de uso.
( ) Na passagem “sua filha pré-adolescente on-line” é um exemplo de concordância verbal já que o verbo “é” ocupa uma posição elíptica no texto.
( ) A frase escrita “Xau, mãe, c ta xata” reproduz a linguagem oral e é um exemplo típico do continuum entre oralidade e escrita proposto por Marcuschi.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 5
A menina que falava internetês
A mãe gostava de acreditar-se moderna. Do figurino à
linguagem, esforçava-se para estar sempre up-to-date
com as últimas tendências da moda. Seus objetivos
eram claros: criar uma imagem de mulher mais jovem
e fazer bonito para os filhos, os reis da tecnologia
doméstica, que dominavam tudo na casa, dos controles remotos dos aparelhos eletrônicos aos computadores e laptops. Foi o propósito de não perder o bonde
da história que levou Wanda a comprar um computador pessoal, assinar um provedor de acesso e começar
a navegar pela internet. Nada poderia detê-la rumo à
modernidade!
Depois de alguns dias, navegando em seu trabalho,
encontrou sua filha pré-adolescente on-line. Não resistiu à tentação e iniciou uma conversa através de um
programa de mensagens instantâneas.
— Olá, filha, aqui é a sua mãe, navegando pela internet… Tudo bem com você, querida?
— blz.
— Como? Não entendi, filhinha. Seu teclado está com
algum problema nas vogais?
— naum.
— Vejo que não é este o problema, já que você digitou
duas vogais agora mesmo! Mas pode ser um defeito
nas teclas de acentuação. Por favor, filha, teste o ‘til’.
— q tio?
— Não, não o tio, o til. O til é o irmão do papai, o tio
Bruno. O til é aquele acento do não, do anão, da
mamãe… Lembra quando a mamãe ensinou a você
que o til parecia uma minhoquinha?
— nem
— Nem? Como assim, ‘nem’? Nem no sentido de conjunção coordenativa aditiva como “não lembro nem
quero lembrar”? Ou seria “nem” como conjunção coordenativa alternativa, como em “não me lembro e nem
parece uma minhoquinha”?
— ;-(
— Que foi isso, filhota?
— naum quero + tc com vc
— Você… não quer mais tecer comigo?
— teclar
— Assim mamãe fica triste, lindinha. Eu só queria conversar, puxar algum assunto. Mas está difícil. Eu não entendo o que você escreve e você não se interessa
pelo que eu digito. Realmente, meu bem, parece que
não é possível estabelecer um diálogo com você. Tudo
bem, se eu tiver incomodando, eu paro agora mesmo.
— tá
— Antes de ir pra casa eu vou passar no supermercado.
O que você quer que eu compre para… para… para
vc? É assim que se diz em internetês?
— refri e bisc8
— Refrigerante e biscoito? Biscoito? Filha, francamente,
que linguagem é essa? Você estuda no melhor colégio, seu pai paga uma mensalidade altíssima e você
escreve assim na internet? Sem vogais, sem acentos,
sem completar as palavras, sem usar maiúsculas no
início de uma frase, com orações sem nexo e ainda
por cima usando números no lugar das sílabas? Isso é
inadmissível, Maria Eugênia!
— Xau, mãe, c ta xata.
— Maria Eugênia! Chata é com ch!
— Maria Eugênia?
— Desligou. Bem, pelo menos a tecla til está em
ordem.
HERMANN, Rosana. A menina que falava internetês. In: CAMPOS,
Carmen Lúcia da Silva; SILVA, Nilson Joaquim da. Lições de gramática para quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
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Texto 4
O show
O cartaz
O pai
O dia
O estádio
A música
O fim
KOCH, Ingedore. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 2001, p. 12.
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Texto 2
“O Eixo da Análise Linguística/Semiótica envolve os
procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de
análise e avaliação consciente, durante os processos
de leitura e de produção de textos (orais, escritos e
multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se
refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos)
e pela situação de produção, seja no que se refere aos
estilos adotados nos textos, com forte impacto nos
efeitos de sentido. Assim, no que diz respeito à linguagem verbal oral e escrita, as formas de composição
dos textos dizem respeito à coesão, coerência e organização da progressão temática dos textos, influenciadas pela organização típica (forma de composição) do
gênero em questão. No caso de textos orais, essa análise envolverá também os elementos próprios da fala –
como ritmo, altura, intensidade, clareza de articulação,
variedade linguística adotada, estilização etc. –, assim
como os elementos paralinguísticos e cinésicos – postura, expressão facial, gestualidade etc. No que tange
ao estilo, serão levadas em conta as escolhas de léxico
e de variedade linguística ou estilização e alguns
mecanismos sintáticos e morfológicos, de acordo com
a situação de produção, a forma e o estilo de gênero”.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular
[BNCC]. Brasília, 2018, p. 78.
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Texto 1
Quinhentos anos de história linguística
Ao longo de 500 anos de história, a situação linguística
do Brasil foi supercomplexa, pela presença das línguas
indígenas (desde sempre), do português dos colonizadores, das línguas faladas pelos escravos africanos
(a partir de 1532) e, depois, das línguas europeias e
asiáticas faladas pelos imigrantes. No processo de
implantação do português no continente sul-americano, encontramos praticamente todas as situações
de contato linguístico possíveis. Ou seja, a história da
implantação do português no Brasil foi uma história
de multilinguismo.
Por ocasião do descobrimento, dizem os especialistas,
vivia no Brasil uma população nativa estimada em seis
milhões de indígenas. Esses indígenas falavam cerca
de 340 línguas, que eram obviamente não indo-europeias e pertenciam a troncos linguísticos muito diferentes entre si. Portanto, o multilinguismo já existia no
continente sul-americano, antes da colonização portuguesa. Os portugueses precisaram aprender e usar
essas línguas indígenas por razões de sobrevivência e
para impor seu domínio aos nativos. Por sua vez, o tráfico de escravos trouxe para o Brasil alguns milhões de
africanos falantes de línguas pertencentes ao tronco
niger-congo. Para complicar o quadro, lembre-se de
que os portugueses não foram os únicos europeus
que tentaram estabelecer colônias no atual território
brasileiro: por períodos mais ou menos extensos, os
franceses estiveram no Rio de Janeiro e no Maranhão, os holandeses, no Recife, e os espanhóis, no imenso
território, hoje brasileiro, que fica a leste do meridiano
de Tordesilhas.
Diante de tudo isso, fica evidente que, desde 1500 até
o final do Império, o Brasil foi um espaço multilíngue e
um enorme laboratório linguístico.
ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente – a língua que
estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006, pp.
60-61. [Adaptado].
( ) Trata-se de um trecho de texto pertencente a um gênero textual/discursivo narrativo, uma vez que conta uma história.
( ) As palavras “história”, “possíveis”, “sobrevivência” e “espanhóis” são regidas pela mesma regra de acentuação ortográfica.
( ) O multilinguismo é um tema que perpassa o texto e faz referência a troncos linguísticos muito diferentes entre si no contexto brasileiro.
( ) As palavras ‘supercomplexa’ e ‘multilinguismo’ são formadas com prefixos que se aproximam semanticamente: super e multi.
( ) O fragmento “Diante de tudo isso” assume uma função de retomada resumitiva, sendo que o pronome ‘isso’ se presta muito bem a essa função.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
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Texto 1
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Cada um corre do jeito que pode
Folha de S. Paulo 06/09/2011
RUBEM ALVES
Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas
trabalhavam com a mesma concentração que as
outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas
escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei
ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me
deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente
do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.
Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera
como literatura do absurdo, coisa para crianças.
(…)
No incidente que nos interessa, encontramos Alice e
seus amigos completamente molhados - haviam caído
dentro de um tanque. Agora, tinham um problema
comum a resolver: ficar secos. O que fazer?
(…)
O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o
corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das
regras. O pássaro Dodô explicou:
“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de
círculo (a forma exata não tem importância), e então
os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada
de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando
lhes apetece e abandonam a corrida quando querem,
o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”
Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que
sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em
zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais
ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida
terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse
Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”
(…)
“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se
corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre
iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos
correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá
o nome de integração em nossas escolas é colocar os
“portadores de deficiência” correndo a mesma corrida
dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro
Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e
pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”
Analise as afirmativas abaixo em relação à linguagem empregada no trecho.
1. Há alternância do emprego da variante formal de linguagem, a exemplo do emprego do verbo haver como auxiliar, com variante coloquial, caso da fusão da preposição com artigo.
2. O Autor empregou a variação formal de linguagem em todo o trecho do texto, como convém a uma crônica de jornal.
3. O emprego do diminutivo “pulinhos” é uma estratégia textual para melhor descrever a cena retratada no trecho, logo não pode ser considerado erro ou impróprio para este tipo de texto.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
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