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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Adamastor - O Estranho Homem Puro
“O de que eu não gosto é, exatamente,
tudo o de que os outros não gostam e têm medo
de dizer” – disse Adamastor, odiando Jayne
Mansfield.
Adamastor é um homem magro, seco, que
usa óculos e sardas. Ou, se não é assim, gostaria
de sê-lo. Veste calças escuras de brim grosso,
camisa de malha de algodão, preta, meias de
longo curso e botinas de cano curto. Eis
Adamastor, o estranho homem puro de quem o
único juiz é a sensibilidade:
Não sente o menor carinho por velhos e
crianças de colo. Para ele, homem que dança
muito bem não tem caráter. Diz: “O homem, a
não ser que seja de balé, precisa dançar apenas
direitinho.” Odeia as mulheres que usam spray
net (laquê), anáguas (saias rodadas) e bordado
inglês. As pessoas que contam anedotas ou que
só contam anedotas estão a um minuto da
paralisia geral. (...) Discurso, não pode nem ouvir
falar e acha que todo bom orador é, no fundo,
mau pai de família. Não tem a menor admiração
por Castro Alves, Rui Barbosa e Afonso Arinos.
Sai da sala onde há homem de pernas cruzadas e
lhes aparece (entre a calça e a meia) os cabelos
da canela. Acha, Adamastor, que os homens
devem usar meias tão compridas que, sendo
preciso, possam sair sem calças. Ou, então, que
andem logo sem meias e de sapatilhas “sete
vidas”. Está absolutamente certo de que homem
de ligas não dá sorte com mulher. Sustenta a tese
de que mulher não deve fazer samba e desafia
quem lhe mostre um samba, realmente bonito,
feito por mulher. Gosta dos cegos, ajuda-os em
tudo, mas acha que cego é muito intrigante. É
generoso com os autores das canções, mas
abomina aqueles que usam as expressões
“própria natureza” e “própria dor”. Tem o maior
desprezo pelas pessoas que sabem consertar
isqueiros. Odeia entrevistas de jogador de
futebol, que começam em: “antes, porém, meu
boa-tarde aos senhores telespectadores”, seguem
dizendo que “o adversário é um adversário cem
por cento” e terminam com “o meu boa-tarde
para minha senhora e minha mãe”. Sobre o
tratamento “minha senhora” e a palavra
“telespectadores” não quer nem falar. Acha que
as pessoas que falam em “bater papinho”, “essa
não”, “bárbaro” e “cobra” deviam ir para
Bananal, tirar retrato com os índios. Detesta as
canções Dindi e Teté e não tem a menor pena de
mudo, porque mudo não tem palavra.
MARIA, Antônio. Seja feliz e faça os outros felizes: as
crônicas de humor de Antônio Maria. Civilização
Brasileira, 2005, p. 43-44. Disponível em:
.
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Analise as frases a seguir e a justificativa para o
uso da vírgula em cada uma delas. Assinale a
alternativa em que o uso da vírgula e a explicação
correspondem e estão corretos:
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Verifique a colocação dos pronomes destacados
nas frases abaixo. Assinale a alternativa em que
ocorre ênclise:
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Analise as afirmativas a seguir em relação às
regras de crase e, em seguida, assinale a
alternativa correta:
I. Um exemplo de caso obrigatório de crase é “Eu fiz um favor à minha irmã”, pois o termo “minha” é um pronome possesivo.
II. A locução feminina “às vezes” representa uma situação obrigatória de crase, como na frase “Minha prima às vezes vai para São Paulo”.
III. Um dos casos em que não ocorre a crase é diante de verbos, por isso a seguinte frase está correta: “Isaías começou a praticar esportes por recomendação médica”.
I. Um exemplo de caso obrigatório de crase é “Eu fiz um favor à minha irmã”, pois o termo “minha” é um pronome possesivo.
II. A locução feminina “às vezes” representa uma situação obrigatória de crase, como na frase “Minha prima às vezes vai para São Paulo”.
III. Um dos casos em que não ocorre a crase é diante de verbos, por isso a seguinte frase está correta: “Isaías começou a praticar esportes por recomendação médica”.
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Analise os itens a seguir sobre os pronomes
demonstrativos e assinale a alternativa correta:
I. Na frase “Ganhei este caderno”, o pronome “este” indica que o caderno está longe da pessoa que fala.
II. Pronomes demonstrativos são os que indicam o lugar, a posição ou a identidade dos seres, relativamente às pessoas do discurso.
I. Na frase “Ganhei este caderno”, o pronome “este” indica que o caderno está longe da pessoa que fala.
II. Pronomes demonstrativos são os que indicam o lugar, a posição ou a identidade dos seres, relativamente às pessoas do discurso.
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Analise a concordância nas frases a seguir e
assinale a alternativa INCORRETA:
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Com relação à ortografia, analise as afirmativas
a seguir:
I. Depois dos ditongos au, ei, oi e ou é correto utilizar as letras c e ç, como em “calabouço”.
II. Grafam-se com s substantivos abstratos em - esa, como em “pobresa”.
III. As palavras "náuzea" e "louza" são exemplos de palavras corretamente escritas com a letra z.
IV. As palavras "ameixa" e "desleixo" são corretamente grafadas com x em vez de ch.
Assinale a alternativa correta:
I. Depois dos ditongos au, ei, oi e ou é correto utilizar as letras c e ç, como em “calabouço”.
II. Grafam-se com s substantivos abstratos em - esa, como em “pobresa”.
III. As palavras "náuzea" e "louza" são exemplos de palavras corretamente escritas com a letra z.
IV. As palavras "ameixa" e "desleixo" são corretamente grafadas com x em vez de ch.
Assinale a alternativa correta:
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Nevoeiro
Coisas estranhas estão acontecendo na
Zona Sul: a cidade inteira se abrasa em calor, e
esse trecho do Rio desaparece no nevoeiro. Não
estou pregando mentira, vejam as fotos que aí
estão honrando minha palavra. Primeiro, um anel
de bruma envolveu calmamente o Pão de Açúcar;
a Urca e o bondinho aéreo foram tragados pela
transformação do anel em muralha branca. Daí a
bruma avançou para o Leme e papou a praia; foi
seguindo e comendo um por um os postos de
Copacabana, que não ofereceram resistência. O
Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio,
protestou sem êxito; Ipanema e Leblon foram
varridos da face da Guanabara.
Tudo que eram cores e formas afundou
num branco de espuma de sabão, inclusive o mar.
Os brotos entreolharam-se, assombrados. Não
havia mais nem onda nem surfe nem nada. Na
areia, sumiu o frescobol e sumiu a própria areia.
Em duas horas, se tanto, a névoa liquidou a
vaidosa, a sensual, a existencialista orla marítima
que constitui a pompa do Rio de Janeiro.
Saíram a campo, imediatamente, pessoas
especializadas em achar explicação para tudo, e
recorrendo a seus conhecimentos
meteorológicos, sacaram de lá o encontro da
massa fria com a massa quente, espécie de pacto
de Lisboa aplicado ao tempo na Guanabara.
Explicação nebulosa como a própria névoa
assaltante, pois aludia ao recuo da frente fria
diante da frente cálida, quando o que todo mundo
presenciou foi a derrota da frente cálida pela
frente fria no espaço de horas em que esta última
ocupou e dissolveu as seletas imagens do Rio,
criando um vácuo na paisagem.
É verdade que, à noite, as montanhas, o
mar, as praias e o bondinho reapareceram, mas
ninguém é capaz de informar o que sucedeu com
eles no intervalo em que ficamos privados desses
elementos cariocas, nem dar explicação plausível
para o ato mágico atestado pelos fotógrafos. Pois a verdade é que tudo sumiu por encanto e
espanto, e era como se estivéssemos assistindo ao
fim silencioso de um mundo que parecia eterno,
de tanto que o trazíamos de cor na lembrança e
conferido pelos olhos. (...)
Não era ainda a eliminação. Era talvez um
ensaio geral, ou nem isto: simples teste,
experiência de magia alva, quem sabe mesmo se
divertimento de altos poderes, a medir a fortaleza
de alma dos moradores da costa? Se não foi —
pois tudo pode acontecer na Zona Sul —
promoção de objetivo turístico ou mera
publicidade de alguma nova marca de sabão em
pó, a ser lançada pelo Natal.
ANDRADE, Carlos Drummond. Nevoeiro. Rio de Janeiro:
Correio da Manhã, 4 dez. 1966. Disponível em:<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17477/nevoeiro
>. .
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Nevoeiro
Coisas estranhas estão acontecendo na
Zona Sul: a cidade inteira se abrasa em calor, e
esse trecho do Rio desaparece no nevoeiro. Não
estou pregando mentira, vejam as fotos que aí
estão honrando minha palavra. Primeiro, um anel
de bruma envolveu calmamente o Pão de Açúcar;
a Urca e o bondinho aéreo foram tragados pela
transformação do anel em muralha branca. Daí a
bruma avançou para o Leme e papou a praia; foi
seguindo e comendo um por um os postos de
Copacabana, que não ofereceram resistência. O
Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio,
protestou sem êxito; Ipanema e Leblon foram
varridos da face da Guanabara.
Tudo que eram cores e formas afundou
num branco de espuma de sabão, inclusive o mar.
Os brotos entreolharam-se, assombrados. Não
havia mais nem onda nem surfe nem nada. Na
areia, sumiu o frescobol e sumiu a própria areia.
Em duas horas, se tanto, a névoa liquidou a
vaidosa, a sensual, a existencialista orla marítima
que constitui a pompa do Rio de Janeiro.
Saíram a campo, imediatamente, pessoas
especializadas em achar explicação para tudo, e
recorrendo a seus conhecimentos
meteorológicos, sacaram de lá o encontro da
massa fria com a massa quente, espécie de pacto
de Lisboa aplicado ao tempo na Guanabara.
Explicação nebulosa como a própria névoa
assaltante, pois aludia ao recuo da frente fria
diante da frente cálida, quando o que todo mundo
presenciou foi a derrota da frente cálida pela
frente fria no espaço de horas em que esta última
ocupou e dissolveu as seletas imagens do Rio,
criando um vácuo na paisagem.
É verdade que, à noite, as montanhas, o
mar, as praias e o bondinho reapareceram, mas
ninguém é capaz de informar o que sucedeu com
eles no intervalo em que ficamos privados desses
elementos cariocas, nem dar explicação plausível
para o ato mágico atestado pelos fotógrafos. Pois a verdade é que tudo sumiu por encanto e
espanto, e era como se estivéssemos assistindo ao
fim silencioso de um mundo que parecia eterno,
de tanto que o trazíamos de cor na lembrança e
conferido pelos olhos. (...)
Não era ainda a eliminação. Era talvez um
ensaio geral, ou nem isto: simples teste,
experiência de magia alva, quem sabe mesmo se
divertimento de altos poderes, a medir a fortaleza
de alma dos moradores da costa? Se não foi —
pois tudo pode acontecer na Zona Sul —
promoção de objetivo turístico ou mera
publicidade de alguma nova marca de sabão em
pó, a ser lançada pelo Natal.
ANDRADE, Carlos Drummond. Nevoeiro. Rio de Janeiro:
Correio da Manhã, 4 dez. 1966. Disponível em:<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17477/nevoeiro
>. .
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Nevoeiro
Coisas estranhas estão acontecendo na
Zona Sul: a cidade inteira se abrasa em calor, e
esse trecho do Rio desaparece no nevoeiro. Não
estou pregando mentira, vejam as fotos que aí
estão honrando minha palavra. Primeiro, um anel
de bruma envolveu calmamente o Pão de Açúcar;
a Urca e o bondinho aéreo foram tragados pela
transformação do anel em muralha branca. Daí a
bruma avançou para o Leme e papou a praia; foi
seguindo e comendo um por um os postos de
Copacabana, que não ofereceram resistência. O
Arpoador, pensando que o Forte lhe daria apoio,
protestou sem êxito; Ipanema e Leblon foram
varridos da face da Guanabara.
Tudo que eram cores e formas afundou
num branco de espuma de sabão, inclusive o mar.
Os brotos entreolharam-se, assombrados. Não
havia mais nem onda nem surfe nem nada. Na
areia, sumiu o frescobol e sumiu a própria areia.
Em duas horas, se tanto, a névoa liquidou a
vaidosa, a sensual, a existencialista orla marítima
que constitui a pompa do Rio de Janeiro.
Saíram a campo, imediatamente, pessoas
especializadas em achar explicação para tudo, e
recorrendo a seus conhecimentos
meteorológicos, sacaram de lá o encontro da
massa fria com a massa quente, espécie de pacto
de Lisboa aplicado ao tempo na Guanabara.
Explicação nebulosa como a própria névoa
assaltante, pois aludia ao recuo da frente fria
diante da frente cálida, quando o que todo mundo
presenciou foi a derrota da frente cálida pela
frente fria no espaço de horas em que esta última
ocupou e dissolveu as seletas imagens do Rio,
criando um vácuo na paisagem.
É verdade que, à noite, as montanhas, o
mar, as praias e o bondinho reapareceram, mas
ninguém é capaz de informar o que sucedeu com
eles no intervalo em que ficamos privados desses
elementos cariocas, nem dar explicação plausível
para o ato mágico atestado pelos fotógrafos. Pois a verdade é que tudo sumiu por encanto e
espanto, e era como se estivéssemos assistindo ao
fim silencioso de um mundo que parecia eterno,
de tanto que o trazíamos de cor na lembrança e
conferido pelos olhos. (...)
Não era ainda a eliminação. Era talvez um
ensaio geral, ou nem isto: simples teste,
experiência de magia alva, quem sabe mesmo se
divertimento de altos poderes, a medir a fortaleza
de alma dos moradores da costa? Se não foi —
pois tudo pode acontecer na Zona Sul —
promoção de objetivo turístico ou mera
publicidade de alguma nova marca de sabão em
pó, a ser lançada pelo Natal.
ANDRADE, Carlos Drummond. Nevoeiro. Rio de Janeiro:
Correio da Manhã, 4 dez. 1966. Disponível em:<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17477/nevoeiro
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