Leia o texto abaixo para responder à questão.
Texto I
Anvisa recua e fecha cerco a manipulação de
emagrecedores
Claudia Lucca Mano
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
recuou e proibiu, no último dia 25 de agosto, a
manipulação de semaglutida em farmácias de
manipulação. A decisão marca uma guinada em
relação à postura anterior da agência, que vinha
mantendo posição favorável ao setor magistral
mesmo sob pressão da indústria farmacêutica.
Não é de hoje que a Anvisa publica notas técnicas
sobre a manipulação de agonistas do GLP-1, como a
semaglutida e a tirzepatida, usados no tratamento do
diabetes e da obesidade. A popularidade desses
medicamentos, que extrapolou o ambiente médico
para se tornar pauta cultural, acendeu um debate
regulatório e econômico.
Ozempic, Wegovy e Rybelsus — todos à base de
semaglutida e fabricados pela Novo Nordisk — se
tornaram símbolos da chamada “era GLP-1”. O
primeiro é frequentemente citado como responsável
por impactos econômicos inusitados, como a queda
no faturamento de redes de fast-food. A patente da
semaglutida expira em 2026, mas a empresa tenta
prorrogá-la. O Superior Tribunal de Justiça já
sinalizou que não deve aceitar a tese.
O Mounjaro, da Eli Lilly, caneta injetável de
tirzepatida considerada mais potente que a
semaglutida, tem patente válida no Brasil ao menos
até 2035.
Nos bastidores, a disputa entre farmácias magistrais e
laboratórios detentores de patentes ganhou força. As
farmácias vinham amparadas pelo artigo 43, inciso
III, da Lei 9.279/96, que permite a manipulação de
medicamentos mediante prescrição individual, sem
violação de patente.
A Anvisa, porém, não tem competência legal para
fiscalizar infrações patentárias — nem para proteger
interesses da indústria em detrimento da saúde
pública. Como a agência não pode fiscalizar
violações de patente, e considerando que a
manipulação sob prescrição médica é legal, a
indústria conseguiu uma vitória indireta: alegou
ausência de equivalência entre a semaglutida
aprovada pela Anvisa e a usada em farmácias de
manipulação estéreis.
O argumento prevaleceu. A agência acatou a tese de
que não seria possível comparar a semaglutida
biológica industrializada à manipulada, por se tratar
de produtos obtidos a partir de organismos vivos.
Assim, proibiu a manipulação.
A tirzepatida continua autorizada, mas as farmácias e
importadoras de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo)
terão de cumprir requisitos muito mais rigorosos:
atender a padrões analíticos mais restritos,
inspecionar fisicamente as fornecedoras de matéria-prima, manter condições especiais de armazenamento
e adotar controles que, na prática, podem inibir o
atendimento magistral, além de aumentar o preço ao
consumidor final.
Além disso, chama atenção o fato de a Anvisa ter
retirado o efeito suspensivo dos recursos
administrativos que venham a ser manejados
questionando a decisão. Pela legislação brasileira,
recursos têm efeito suspensivo justamente para evitar
mudanças bruscas que prejudiquem pacientes em tratamento, além de conferir segurança jurídica às
empresas que operam em setores altamente
regulados.
O cenário pode acabar empurrando as empresas para
judicialização, principalmente para assegurar a
continuidade dos tratamentos em curso e impedir que
estoques já manipulados sejam descartados sem
respaldo científico ou sanitário.
A decisão da Anvisa fortalece a pressão de setores da
indústria que buscam manter o monopólio dos GLP1 até o fim — e talvez além — de suas patentes.
A semaglutida sintética, que está em processo de
registro, pode alterar o cenário. Até lá, porém, quem
perde são os pacientes que não podem arcar com os
medicamentos industrializados.
Enquanto um frasco de semaglutida manipulada (4 ml
a 1,3 mg/ml) custa cerca de R$ 270, uma caneta de
Ozempic sai por aproximadamente R$ 999. Já o
Wegovy pode variar entre R$ 999 e R$ 1.699,
dependendo da dosagem. Mesmo com cortes recentes
de até 20%, os preços seguem proibitivos. A
economia com manipulados chega a 70%–85%.
Sem incorporação desses medicamentos ao SUS,
milhões de brasileiros seguem excluídos. O governo
federal já rejeitou incluir Ozempic e Wegovy na rede
pública, mas o presidente Lula cobrou da Anvisa
celeridade na análise da semaglutida sintética —
modalidade que, em tese, poderia ser manipulada em
farmácias, já que a restrição atinge apenas insumos de
origem biológica.
O Brasil precisa decidir se a regulação sanitária vai
continuar se curvando aos interesses comerciais ou
se, finalmente, vai assumir um papel técnico e
independente no que diz respeito à saúde pública.
HOJE EM DIA. Disponível em: https://claudiadeluccamano.adv.br/anvisarecua-e-fecha-cerco-a-manipulacao-de-emagrecedores-veto-ao-ozempic-enovas-regras-paratirzepatida/#:~:text=O%20argumento%20prevaleceu.,Assim%2C%20proibiu%
20a%20manipula%C3%A7%C3%A3o.
"O Superior Tribunal de Justiça já sinalizou que não deve aceitar a tese (de prorrogação da patente)." (3º parágrafo), o parêntese cumpre a função de:
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