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O artigo nº 99 do Código Civil utilizou o critério da destinação do bem para classificar os bens públicos, que foram divididos em
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A necessidade da arte
É comum ouvir, até mesmo de grandes artistas, que a arte é desnecessária e, por isso mesmo, importante. Ou seja: justamente por não ter uma serventia imediata, a arte desempenha o papel de nos lembrar de que a vida é mais que trabalho e consumo, etc. e tal. Mas, embora possa entender esse tipo de conceito, acho que é pouco. A arte tem “utilidade”, sim, e a prova disso é a mudança que ela pode causar na vida de quem a considera mais que um passatempo, de quem não a confunde com chutar bola ou ir ao restaurante.
Em primeiro lugar, a arte pode ser conhecimento. Grandes escritores, pintores e músicos estavam preocupados em entender um pouco mais das sutilezas e riquezas disso que se chama “natureza humana”. Muito antes de haver psicologia, sociologia ou ciência política, as artes já tratavam de questões que até hoje essas disciplinas estudam. Que seria de Freud sem Shakespeare? De Maquiavel sem Sófocles? De Raymundo Faoro sem Machado de Assis? E é por isso que, conhecendo as artes produzidas em outros lugares e/ou épocas, podemos conhecê-las de modo muito mais íntimo, concreto, do que os historiadores até hoje nos permitem conhecer.
Em segundo lugar, a arte, tanto para quem a faz como para quem a consome, é um meio de expressão único. Basta ler as histórias do dr. Oliver Sacks para ver como uma atividade artística pode ser essencial no equilíbrio de uma mente, mesmo quando clinicamente instável. E quem tem uma vida cultural intensa – costuma ir a cinema e teatro, comprar discos e livros, visitar museus – sabe como essas coisas passam a se tornar imprescindíveis, por mais baixo que seja ou esteja seu orçamento. Pois arte, além de conhecimento do mundo em que vivemos, é autoconhecimento, é descoberta ou transformação de nossas próprias emoções e ideias, de nossas reações a esse mundo.
Como resultado, a arte nos faz mais inteligentes, mais capazes de intuições e decisões, de perceber o comportamento dos outros e administrar o nosso próprio. Ao contrário de drogas, bebidas, “adrenalina” (venha da violência, venha inclusive dos esportes) e até mesmo do amor exagerado, uma vida cultural não cria obsessões, não nos fecha para outras realidades; ao contrário, se praticada por prazer e com determinação, ela abre a cabeça – e a preenche – como nada mais. Logo, arte não rima com modismo e preconceito, apesar de tantos “moderninhos” agirem assim.
Felizmente, muitas pessoas hoje estão se cansando das cada vez mais numerosas artes falsas, diferenciando cultura e propaganda, abandonando as ideias simplistas sobre o que é “vanguarda” e o que não é. E estão entendendo que passar algumas horas da semana lendo ou consumindo arte, em vez de ver TV demais ou ir para bares e lojas sem realmente precisar, é que é necessário.
Disponível em: <www.danielpiza.com.br.> Acesso em: março de 2017.
Assinale a alternativa em que a classificação esteja completamente correta.
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Indicadores de desempenho são importantes ferramentas de avaliação e sua necessidade está calcada nas informações organizacionais fundamentais para realizar a gestão da Instituição. A partir disso, sobre os tipos de padrões de controle, assinale a alternativa INCORRETA.
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Um Estado X contratou uma empresa para os serviços de limpeza e manutenção predial do Centro Administrativo, onde está localizada a sede do Governo do Estado e suas Secretarias. A empresa em questão fornece diariamente toda a mão de obra para a limpeza, assim como o material necessário para a consecução dos serviços. Pode-se considerar, nesse caso, que a execução do serviço público é
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Para o preparo de um café de qualidade, o(a) copeiro(a) deve seguir algumas regras básicas. A respeito dessas regras, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.
I. Utilizar água filtrada ou mineral.
II. A água não deve ferver e sim estar a uma temperatura de 110 ºC.
III. As garrafas térmicas devem ser muito limpas e de uso exclusivo do café.
IV. Lavar com alvejante os coadores de pano para se manterem limpos.
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Mitologia: as dietas
Daniel Piza
A neurose por emagrecimento no mundo atual é diretamente proporcional à falta de tempo no dia-a-dia. Porque tem poucas horas livres, exceto para a TV, a maioria das pessoas come mal e é sedentária; logo, está mais e mais vulnerável à propaganda de regimes e exercícios milagrosos – que as fazem emagrecer por alguns meses e depois voltar ao que eram ou a situação pior. Há fenômenos que ressurgem periodicamente, como agora o da corrida (“cooper”, no passado), mas que são subprodutos das mesmas questões. O que menos se encontra é a tão alardeada moderação. O tom dominante é o exagero para cima ou para baixo.
O ponto é o seguinte: se você quiser emagrecer, precisa comer menos e melhor; reduzir doces, massas e gorduras, principalmente à noite. O resto é redundância midiática. Praticar esportes é para manter o peso (depois de emagrecer) e o condicionamento, afinal 30 minutos na esteira consomem menos que 400 calorias ou dois sucos de laranja. Esse papo de que caminhar uma hora por dia emagrece é bobagem, assim como essas dietas que suprimem um grupo de alimentos (a carne vermelha é sempre o diabo da lista, embora tenha proteínas dificilmente substituíveis), para não falar de regimes “da lua” e outros semi-esoterismos. Capas e capas de revistas anunciam “segredos” numa área em que eles não existem. Mas, tal como o silicone e a fast-food, seu apelo está em iludir o público com efeitos fáceis.
Já virar maratonista amador depois de certa idade, lamento, não vai lhe garantir vida mais longeva. Muito menos pele bonita. Se esse for o estilo de vida que deseja, parabéns e boa sorte. Mas não venha dizer que é uma espécie de existência ideal, como se passar duas ou três horas do dia se exercitando fosse uma prerrogativa de perfeição moral ou visual, não um vício narcisista em muitos casos (que poderiam ser batizados de “serotoninômanos”). Não dá para querer que todo mundo seja atleta. Três dias de atividade física por semana são mais que suficientes para um cidadão empregado que tenha filhos, vida social e cultural, etc. E ajudam a emagrecer, mas bem menos que a redução calórica. A mania do emagrecimento é sintoma de uma sociedade que cada vez mais convive com a obesidade por mistura de fatores alimentares e genéticos. Olhar feio para pessoas que estão 5 kg acima do peso, como se fosse motivo de discriminação, é, para dizer o mínimo, irrealista. Não é preciso ter, sei lá, 10% de taxa de gordura para ter saúde, autoestima ou beleza, itens que dependem de muitos fatores além da vontade e do dinheiro. Mas a boa forma física pode ter alguma chance quando não é exaltada como fonte de juventude eterna.
Fonte: http://www.estadao.com.br/blogs/daniel-piza/mitologias-as-dietas/. Acesso em: Junho/2017.
Em qual dos trechos a seguir há uma expressão que indica relação de causa?
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SABER E SOFRER
Dizer que o conhecimento faz sofrer tornou-se habitual. O sofrimento foi ligado à filosofia e à literatura a ponto de que não podemos imaginar um filósofo, ou alguém com cara de sábio em meio a livros, pulando carnaval ou curtindo uma piscina. Isso é um mito. Os filósofos e os escritores são ainda hoje constantemente vistos como pessoas que sofrem por conhecerem a alma humana em sua profundidade inacessível aos demais. Não quer dizer que conheçam a alma, nem que haja nela uma profundidade inacessível. Isto é apenas possível. É, sobretudo, uma crença compartilhada e, como tal, organiza nossa visão de muitas coisas. Nunca saberemos se os filósofos antigos eram todos sofredores, nem se conheciam a alma humana. Sabemos apenas que deixaram seu testemunho, no qual confiamos e com os quais devemos discutir hoje para entender o nosso tempo.
Muitos dos pensadores contribuíram com esta imagem tratando o sofrimento como seu objeto de estudos, como Schopenhauer no século XIX. Outros fizeram de seu próprio sofrimento o objeto de suas filosofias, como Pascal no século XVII. Todos tentaram entender a relação entre conhecimento e sofrimento. Dos antigos, Aristóteles, por exemplo, usou um termo de Hipócrates, a melancolia, para explicar a relação do saber com o sofrimento. Tanto para o filósofo, quanto para o médico, a melancolia era um temperamento que explicava, inclusive, a inclinação intelectual de uma pessoa. Além de elucidar o pêndulo entre a loucura e genialidade que caracterizava alguns indivíduos.
Os mais interessantes, porém, são alguns dos padres filósofos da Idade Média que falavam de um certo “demônio do meio dia” que assolava os monges como um fantasma obsedante. Antes dos filósofos perderem a crença em entidades sobrenaturais devido ao longo processo de secularização que levou ao modo de se viver no ocidente sempre a crer em ciência e tecnologia, o dito demônio era considerado a causa da dispersão na leitura, da insatisfação no convívio dentro do mosteiro, do rancor, do torpor, da vontade de morrer, das fantasias de catástrofe, da preguiça, da indolência, e também da culpa por viver no mesmo lugar sem capacidade de agir e ajudar os outros, ao mesmo tempo que responsável por uma crítica geral a tudo, a todos que o cercavam em sua experiência monacal. Era o misto de maldade com desespero, de amor com ódio, de autocrítica com crítica dos outros que caracterizava o quadro melancólico que tanto fazia com que o monge se sentisse um inútil, quanto fazia com que ele se tornasse um escritor, um artista envolvido em ilustrar os livros, um filósofo em busca das verdades próximas ou distantes.
[...]
CONHECER PARA QUÊ?
Que pensar nos faz sofrer pode até ser verdade. Tanto quanto pode ser verdade que pensar pode ser um prazer imenso. Quem se ocupa em conhecer a si mesmo e ao mundo sabe que fará a experiência de prazer e desprazer nesta viagem. Os gregos tinham a ideia do phármakon, remédio e veneno ao mesmo tempo, para explicar a dialética da vida. Ela se aplica ao conhecimento. Podemos sofrer com ele e, do mesmo modo, alegrarmonos.
A melancolia antiga é ancestral direta da nossa depressão. O excesso de depressão nos dias de hoje não deixa de ter relação com a sociedade do conhecimento e da informação em que vivemos. Queremos resolver tudo pelo conhecimento, mas esquecemos de pensar que o conhecimento é uma saída que deve servir a algo mais do que o mero progresso da ciência. O conhecimento como potencial de saída da infelicidade, mesmo que tenha nascido dela. Se alguém busca conhecer a si é porque deve pretender com isso ser feliz. Ser feliz é mais ético e mais bonito do que apenas buscar a si mesmo como uma verdade absoluta. Sobre esta verdade de si ninguém tem garantia. A verdade não deve ser uma ilusão da resposta, mas a busca.
Adaptado de TIBURI, M. Disponível em: http://www.marciatiburi.com.br/textos/saberesofrer.htm. Acesso em 21 jun. 2017.
Em “A melancolia antiga é ancestral direta da nossa depressão.”, qual é a função exercida pela palavra destacada?
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Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta.
A _______________________ é o procedimento clássico de apuração de informações em jornalismo. É uma expansão da consulta, objetivando, geralmente, a coleta de interpretações e a reconstituição de fatos.
A ________________________ é o relato objetivo de acontecimentos, que obedece na redação à forma da pirâmide invertida. Como na notícia, os fatos são narrados em sucessão por ordem de importância.
É possível apontar três modelos fundamentais de reportagem, dentre eles a reportagem de fatos, a reportagem de ação e a _______________________.
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Em relação à nova administração pública, segundo Hélène Gadriot em Serviço de Administração Pública da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, “imparcialidade, igualdade, interesse público e ética são valores que não desapareceram. No entanto, novos valores foram acrescentados ao perfil do servidor: trabalho de equipe, flexibilidade, adaptação às novas realidades e tecnologias (principalmente a tecnologia da informação), senso crítico apurado, foco no cliente. É preciso reorganizar estruturas, processos e hierarquia para lidar com desafios como as novas parcerias, e estabelecer novas formas de relacionamento entre governo e cidadão e entre governo e funcionários”,
A partir do exposto, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).
I. Para lidar com as mudanças no serviço público, é necessário reunir antigos valores às novas competências.
II. A nova gestão pública apresenta problemas relacionados aos gestores, apesar de configurar-se baixa interferência de políticos, desconsiderando planos e projetos governamentais, que resulta em maior flexibilidade e independência, nesse sentido.
III. Os desafios na gestão de recursos humanos do serviço público são planejamento estratégico, recrutamento imparcial, capacitação e treinamento continuado, salários e recompensas adequadas, incentivos aos servidores e remuneração baseada no desempenho.
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O livreiro Garnier
Segunda-feira desta semana, o livreiro Garnier saiu pela primeira vez de casa para ir a outra parte que não a livraria. Revertere ad locum tuum — está escrito no alto da porta do cemitério de S. João Batista. Não, murmurou ele talvez dentro do caixão mortuário, quando percebeu para onde o iam conduzindo, não é este o meu lugar; o meu lugar é na Rua do Ouvidor 71, ao pé de uma carteira de trabalho, ao fundo, à esquerda; é ali que estão os meus livros, a minha correspondência, as minhas notas, toda a minha escrituração.
Durante meio século, Garnier não fez outra coisa senão estar ali, naquele mesmo lugar, trabalhando. Já enfermo desde alguns anos, com a morte no peito, descia todos os dias de Santa Teresa para a loja, de onde regressava antes de cair a noite. Uma tarde, ao encontrálo na rua, quando se recolhia, andando vagaroso, com os seus pés direitos, metido em um sobretudo, perguntei-lhe por que não descansava algum tempo. Respondeu-me com outra pergunta: Pourriez-vous résister, si vous étiez forcé de ne plus faire ce que vous auriez fait pendant cinquante ans? Na véspera da morte, se estou bem-informado, achandose de pé, ainda planejou descer na manhã seguinte, para dar uma vista de olhos à livraria.
Essa livraria é uma das últimas casas da Rua do Ouvidor; falo de uma rua anterior e acabada. Não cito os nomes das que se foram, porque não as conhecereis, vós que sois mais rapazes que eu, e abristes os olhos em uma rua animada e populosa, onde se vendem, ao par de belas jóias, excelentes queijos [...]
ASSIS, Machado de. O livreiro Garnier. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. (Organização e introdução). As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 41-43. Fragmento.
No texto, predomina elementos de
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