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1503424 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Texto III


SONETO XXXII

Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar, pela calçada,

nos meus tempos felizes de menino.


Fazia, de papel, toda uma armada;

e, estendendo meu braço pequenino,

eu soltava os barquinhos, sem destino,

ao longo das sarjetas, na enxurrada...


Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,

que não são barcos de ouro os meus ideais:

são feitos de papel, são como aqueles


Perfeitamente, exatamente iguais...

- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!

Foram-se embora e não voltaram mais!


Guilherme de Almeida

Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Sobre a colocação pronominal, assinale a alternativa que completa corretamente a sentença a seguir: O pronome em destaque em

“Foram-se embora e não voltaram mais” (última estrofe) está na posição de:

 

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1503423 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Texto III


SONETO XXXII

Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar, pela calçada,

nos meus tempos felizes de menino.


Fazia, de papel, toda uma armada;

e, estendendo meu braço pequenino,

eu soltava os barquinhos, sem destino,

ao longo das sarjetas, na enxurrada...


Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,

que não são barcos de ouro os meus ideais:

são feitos de papel, são como aqueles


Perfeitamente, exatamente iguais...

- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!

Foram-se embora e não voltaram mais!


Guilherme de Almeida

Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Leia os fragmentos extraídos do texto III:

I. Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar, pela calçada.

II. E hoje sei, pensando neles,

que são barcos de ouro os meus ideais.

III. Foram-se embora e não voltaram mais!

Assinale a alternativa correta quanto à constituição das orações que compõem os períodos:

 

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1503422 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Texto III


SONETO XXXII

Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar, pela calçada,

nos meus tempos felizes de menino.


Fazia, de papel, toda uma armada;

e, estendendo meu braço pequenino,

eu soltava os barquinhos, sem destino,

ao longo das sarjetas, na enxurrada...


Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,

que não são barcos de ouro os meus ideais:

são feitos de papel, são como aqueles


Perfeitamente, exatamente iguais...

- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!

Foram-se embora e não voltaram mais!


Guilherme de Almeida

Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Com base na leitura e interpretação do texto III, marque a alternativa que melhor transmite a ideia principal do soneto de Guilherme de Almeida.

 

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1503421 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Para evitar repetições, o autor do texto II emprega diferentes formas para referir-se a Curitiba. Qual das alternativas a seguir não apresenta expressão do texto com essa finalidade?

 

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1503420 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Relacione as colunas de acordo com a classificação das orações subordinadas abaixo:

( ) “Choveu tanto aqui que até caiu[...]”. (linhas 1-2).

( ) “De dizer algo quando não se tem nada a dizer.” (linhas 5-6)

( ) “Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar: vai fazer sol? Ou será que vai chover? Se bem que essa pergunta é retórica”. (linhas 8-10).

( ) “O fato é que por vezes somos fechados, como o tempo”. (linhas 50-51)

I. Oração subordinada adverbial causal

II. Oração subordinada adverbial comparativa

III. Oração subordinada adverbial concessiva

IV. Oração subordinada adverbial consecutiva

V. Oração subordinada adverbial temporal

Assinale a alternativa que corresponde ao completamento correto dos parênteses de cima para baixo:

 

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1503419 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Analise o trecho a seguir:

“a cidade foi crescendo e ficando metida demais” (linha 37)

Assinale a alternativa que contenha a afirmação correta sobre a função da conjunção destacada no fragmento.

 

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1503418 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Nas alternativas a seguir, as orações introduzidas pelo termo “que” são subordinadas substantivas, exceto:

 

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Questão presente nas seguintes provas
1503417 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Assinale a alternativa que contém a assertiva correta sobre o emprego do acento grave em “Em meio àquele brejo” (linha 28).

 

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Questão presente nas seguintes provas
1503416 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

No que tange especificamente à Regência Verbal, de acordo com a norma-padrão, é correto afirmar que a oração em destaque em: “E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos” (linha 32) apresenta o verbo “lembrar”:

 

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1503415 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Curitiba
Orgão: Col.Mil. Curitiba

Leia o texto II e responda aos itens de 5 a 13.


Texto II


"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"

01 Choveu tanto aqui

Que até caiu

Outro pingo no ï

(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)

05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se

tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,

“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de

mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:

vai fazer sol? Ou será que vai chover?

10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E

que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é

tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro.

Tanto quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.

Tá bom, as ruins também.

15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num

mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já

tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.

Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair

estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar

20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era

ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da

Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de

cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.

Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim

25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os

portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e

disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.

Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.

Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e

30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e

umidade sobre nossas cabeças.

E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.

Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:

adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra" lá de úmido. Paraíso dos

35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família

tinha o seu bufo de estimação.

Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os

sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste

verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e

40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é

em essência: água. Muita água.

Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já

dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado bom. Chuvinha:

bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito

45 tão família, tão apegado aos seus.

Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que

muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.

Como o tempo.

Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que

50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como

o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele

existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."

"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se

tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai

55 chover?"


Fernando Martins


Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempolazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Leia as assertivas sobre o texto II a seguir:

I. O texto apresenta registro bastante informal e em tom de conversa com o leitor, tal como se pode observar em: “Tá de brincadeira?!” (linha 16) e “deu ruim” (linha 21), formas relacionadas à coloquialidade.

II. A ideia central do texto é definir o termo “lazarento”, no contexto de uso dos curitibanos. Logo, para esclarecer essa particularidade regional ao leitor que não é local, o autor dá vários exemplos de situações em que o termo pode ser empregado, tais como: “Nosso clima é mesmo lazarento” (linha 15) ou “sem querer ofender… lazarento!” (linha 22).

III. Para fundamentar seu argumento a respeito do clima curitibano, o qual é mais nublado que o de Londres, o autor cita a informação obtida por meio da ferramenta virtual da Embratur, usada na época da Copa do Mundo de 2014.

IV. A finalidade do texto é apresentar o ponto de vista do autor sobre o clima curitibano, conforme se pode constatar pelo título do texto. No entanto, o autor aborda muito mais a forma de comportamento dos moradores de Curitiba do que o clima propriamente dito, o que torna o texto contraditório.

V. O texto apresenta comentários repletos de ironia e/ou humor, conforme se pode perceber em: “Perdeu, cara-pálida” (linha 27) e “acreditem, ele existe!” (linhas 51 e 52).

Está correto o que se afirma em:

 

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