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Foram encontradas 120 questões.

3014750 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

Relógios

O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecerc. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.

Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasamd. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.

Jovens, envelheçam” — eis a provocação desmedida que partiu de um senhor já vividoe e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.

E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.

Numa cena da minha mais antiga memória de menino,a eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos,b fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.

(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)

Considera-se no texto que há variados impulsos do tempo. Tal consideração vem objetivamente confirmada nesta passagem:

 

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3014749 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

Relógios

O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicasc - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.d

Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.

Jovens, envelheçam” — eis & provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético.e As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.

E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexõesa interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.

Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixosb, fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.

(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)

O sentido de uma passagem do texto está traduzido em outras palavras, de modo coreto e coerente, em:

 

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3014748 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

Relógios

O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.

Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.

Jovens, envelheçam” — eis & provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.

E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.

Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos, fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.

(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)

As criaturas chegam à velhice terão recolhido de suas várias idades a

 

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3014747 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:

 

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3014746 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

O texto acusa, repetidamente, algo de paradoxal que está nas crônicas de Rubem Braga:

 

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3014745 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmentec, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informaçãod, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidárioe. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certoa, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidianob, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

Considerando-se o contexto. traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em.

 

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3014744 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

Está correta a transposição de um segmento do texto para a voz passiva em:

 

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3014743 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

Está plenamente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

 

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3014742 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: DPE-AM

[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

Analisando-se a estruturação do texto em seus cinco parágrafos, observa-se que o

 

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3014741 Ano: 2023
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[Rubem Braga, cronista maior]

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalistica E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

Desde o principio, deve ter sido dificil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

O fato de e Rubem Braga trazer para suas crônicas suas próprias experiências cotidianas

 

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