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[A mulher] trouxe uma fotografia em preto e branco: Yagub e minha mãe juntos, numa canoa, em frente da palafita, o Bar da Margem, Ele olhou a imagem, e procurou com os olhos o lugar em que algum dia fora felizd. Depois falou que morava muito longe, em São Paulo, fazia anos que não visitava a cidade. A mulher quis puxar conversa, mas Yaquhb quase não faloue, sua alegria foi se apagando, o rosto ficou sério. Despediu-se com poucas palavras, a mulher lhe ofereceu a foto, ele agradeceu: talvez voltasse com Domingas ao Bar da Margemc. Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que nunca ia se esquecer do dia em que saiu de Manaus e foi para o Libano. Tinha sido horrível. “Fui obrigado a me separar de todos, de tudo... não queria.”
A dor dele parecia mais forte que a emoção do reencontro com o mundo da infância. Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contornasse a Cidade Flutuante,a onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros. A floresta escurecia às nossas costas, e o clarão da cidade aumentava enquanto navegávamos na noite úmidab. Eu via o rosto sério de Yaqub, e imaginei o que teria lhe acontecido durante o tempo em que viveu numa aldeia do sul do Libano. Talvez nada, talvez nenhuma torpeza ou agressão tivesse sido tão violenta quanto a brusca separação de Yaqub do seu mundo. Seu entusiasmo para redescobrir certas pessoas, paisagens, cheiros e sabores era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, edição eletrônica)
O verbo sublinhado que expressa uma ação continua está em:
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[A mulher] trouxe uma fotografia em preto e branco: Yagub e minha mãe juntos, numa canoa, em frente da palafita, o Bar da Margem, Ele olhou a imagem, e procurou com os olhos o lugar em que algum dia fora feliz. Depois falou que morava muito longe, em São Paulo, fazia anos que não visitava a cidade. A mulher quis puxar conversa, mas Yaquhb quase não falou, sua alegria foi se apagando, o rosto ficou sério. Despediu-se com poucas palavras, a mulher lhe ofereceu a foto, ele agradeceu: talvez voltasse com Domingas ao Bar da Margem. Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que nunca ia se esquecer do dia em que saiu de Manaus e foi para o Libano. Tinha sido horrível. “Fui obrigado a me separar de todos, de tudo... não queria.”
A dor dele parecia mais forte que a emoção do reencontro com o mundo da infância. Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contornasse a Cidade Flutuante, onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros. A floresta escurecia às nossas costas, e o clarão da cidade aumentava enquanto navegávamos na noite úmida. Eu via o rosto sério de Yaqub, e imaginei o que teria lhe acontecido durante o tempo em que viveu numa aldeia do sul do Libano. Talvez nada, talvez nenhuma torpeza ou agressão tivesse sido tão violenta quanto a brusca separação de Yaqub do seu mundo. Seu entusiasmo para redescobrir certas pessoas, paisagens, cheiros e sabores era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, edição eletrônica)
Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que [...]
Considerada no contexto, a oração reduzida de gerúndio sublinhada acima, se for desenvolvida, assumirá a seguinte redação:
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[A mulher] trouxe uma fotografia em preto e branco: Yagub e minha mãe juntos, numa canoa, em frente da palafita, o Bar da Margem, Ele olhou a imagem, e procurou com os olhos o lugar em que algum dia fora feliz. Depois falou que morava muito longe, em São Paulo, fazia anos que não visitava a cidade. A mulher quis puxar conversa, mas Yaquhb quase não falou, sua alegria foi se apagando, o rosto ficou sério. Despediu-se com poucas palavras, a mulher lhe ofereceu a foto, ele agradeceu: talvez voltasse com Domingas ao Bar da Margem. Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que nunca ia se esquecer do dia em que saiu de Manaus e foi para o Libano. Tinha sido horrível. “Fui obrigado a me separar de todos, de tudo... não queria.”
A dor dele parecia mais forte que a emoção do reencontro com o mundo da infância. Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contornasse a Cidade Flutuante, onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros. A floresta escurecia às nossas costas, e o clarão da cidade aumentava enquanto navegávamos na noite úmida. Eu via o rosto sério de Yaqub, e imaginei o que teria lhe acontecido durante o tempo em que viveu numa aldeia do sul do Libano. Talvez nada, talvez nenhuma torpeza ou agressão tivesse sido tão violenta quanto a brusca separação de Yaqub do seu mundo. Seu entusiasmo para redescobrir certas pessoas, paisagens, cheiros e sabores era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, edição eletrônica)
Seu entusiasmo [...] era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
Transpondo-se a frase acima para a voz ativa, a forma verbal resultante será:
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[A mulher] trouxe uma fotografia em preto e branco: Yagub e minha mãe juntos, numa canoa,c em frente da palafita, o Bar da Margem, Ele olhou a imagem, e procurou com os olhos o lugar em que algum dia fora felizd. Depois falou que morava muito longe, em São Paulo, fazia anos que não visitava a cidade. A mulher quis puxar conversa, mas Yaquhb quase não falou, sua alegria foi se apagando, o rosto ficou sério. Despediu-se com poucas palavras, a mulher lhe ofereceu a foto, ele agradeceu: talvez voltasse com Domingas ao Bar da Margem. Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que nunca ia se esquecer do dia em que saiu de Manaus e foi para o Libano. Tinha sido horrível. “Fui obrigado a me separar de todos, de tudob... não queria.”
A dor dele parecia mais forte que a emoção do reencontro com o mundo da infância. Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contornasse a Cidade Flutuante, onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros. A floresta escurecia às nossas costas, e o clarão da cidade aumentavae enquanto navegávamos na noite úmida. Eu via o rosto sério de Yaqub, e imaginei o que teria lhe acontecidoa durante o tempo em que viveu numa aldeia do sul do Libano. Talvez nada, talvez nenhuma torpeza ou agressão tivesse sido tão violenta quanto a brusca separação de Yaqub do seu mundo. Seu entusiasmo para redescobrir certas pessoas, paisagens, cheiros e sabores era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, edição eletrônica)
O emprego da vírgula antes de uma conjunção se justifica porque assinala que hã duas orações com sujeitos diferentes no seguinte trecho:
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[A mulher] trouxe uma fotografia em preto e branco: Yagub e minha mãe juntos, numa canoa, em frente da palafita, o Bar da Margem, Ele olhou a imagem, e procurou com os olhos o lugar em que algum dia fora feliz. Depois falou que morava muito longe, em São Paulo, fazia anos que não visitava a cidade. A mulher quis puxar conversa, mas Yaquhb quase não falou, sua alegria foi se apagando, o rosto ficou sério. Despediu-se com poucas palavras, a mulher lhe ofereceu a foto, ele agradeceu: talvez voltasse com Domingas ao Bar da Margem. Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que nunca ia se esquecer do dia em que saiu de Manaus e foi para o Libano. Tinha sido horrível. “Fui obrigado a me separar de todos, de tudo... não queria.”
A dor dele parecia mais forte que a emoção do reencontro com o mundo da infância. Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contornasse a Cidade Flutuante, onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros. A floresta escurecia às nossas costas, e o clarão da cidade aumentava enquanto navegávamos na noite úmida. Eu via o rosto sério de Yaqub, e imaginei o que teria lhe acontecido durante o tempo em que viveu numa aldeia do sul do Libano. Talvez nada, talvez nenhuma torpeza ou agressão tivesse sido tão violenta quanto a brusca separação de Yaqub do seu mundo. Seu entusiasmo para redescobrir certas pessoas, paisagens, cheiros e sabores era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, edição eletrônica)
Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contormasse a Cidade Flutuante, onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros.
No contexto em que se encontra, o termo sublinhado no segmento acima pode ser substituído por;
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[A mulher] trouxe uma fotografia em preto e branco: Yagub e minha mãe juntos, numa canoa, em frente da palafita, o Bar da Margem, Ele olhou a imagem, e procurou com os olhos o lugar em que algum dia fora feliz. Depois falou que morava muito longe, em São Paulo, fazia anos que não visitava a cidade. A mulher quis puxar conversa, mas Yaquhb quase não falou, sua alegria foi se apagando, o rosto ficou sério. Despediu-se com poucas palavras, a mulher lhe ofereceu a foto, ele agradeceu: talvez voltasse com Domingas ao Bar da Margem. Na canoa, remando para o pequeno porto, ele me disse que nunca ia se esquecer do dia em que saiu de Manaus e foi para o Libano. Tinha sido horrível. “Fui obrigado a me separar de todos, de tudo... não queria.”
A dor dele parecia mais forte que a emoção do reencontro com o mundo da infância. Ele molhou o rosto com a água do no e pediu que o canoeiro contornasse a Cidade Flutuante, onde já piscavam chamas de velas e de candeeiros. A floresta escurecia às nossas costas, e o clarão da cidade aumentava enquanto navegávamos na noite úmida. Eu via o rosto sério de Yaqub, e imaginei o que teria lhe acontecido durante o tempo em que viveu numa aldeia do sul do Libano. Talvez nada, talvez nenhuma torpeza ou agressão tivesse sido tão violenta quanto a brusca separação de Yaqub do seu mundo. Seu entusiasmo para redescobrir certas pessoas, paisagens, cheiros e sabores era logo sufocado pela lembrança dessa ruptura.
(Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, edição eletrônica)
Do ponto de vista do narrador, causou uma “ruptura” na vida do personagem Yaqub
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Relógios
O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.
Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.
Jovens, envelheçam” — eis a provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.
E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.
Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos, fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.
(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)
A pontuação está inteiramente adequada a frase:
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Relógios
O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.
Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.
Jovens, envelheçam” — eis a provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.
E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.
Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos, fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.
(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)
São muitos os relógios que comandam nossa vida: não há como destituir esses relógios do poder de decisão que advém desses relógios nem podemos ignorar o arbítrio desses relógios no instante em que decidem fazer soar nossa última hora.
Para evitar as viciosas repetições do período acima, impõe-se substituir os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
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Relógios
O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.
Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.
Jovens, envelheçam” — eis a provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.
E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.
Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos, fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.
(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)
Os tempos e modos das formas verbais encontram-se adequadamente articulados na frase:
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Relógios
O dramaturgo Nelson Rodrigues - criatura de temperamento trágico e célebre autor de frases antológicas - terá dito um dia, talvez paternalmente: “Jovens, envelheçam”. Eis aqui um pedido desnecessário: a velhice virá. de qualquer modo. para quem conseguir envelhecer. Por outro lado, a juventude nunca se perde de todo: aposenta-se. fica guardadinha vocação nostálgica do copo e ainda ajudará, ao fim de tudo, a compor os traços da boa melancolia. das lembranças que Os seres crepusculares ainda consigam tonificar dentro de si.
Não fossem os variados impulsos do tempo, com o que iríamos nos distraindo? Todos passamos por várias idades, por vários tipos de relógio. Hã os que adiantam as coisas. há os que as atrasam. E há os que param inteiramente fora de hora. Sem falar nos relógios exibidos que se acham especialmente importantes e Insistem em cantar a cada quarto de hora.
Jovens, envelheçam” — eis a provocação desmedida que partiu de um senhor já vivido e definitivamente cético. As paixões juvenis têm pressa, meu caro Nelson Rodrigues. e exigem providências imediatas. Ninguém segura as ondas de um mar revolto.
E se fôssemos falar do tempo da infância, quando nossa imaginação esta no grau natural de nossas primeiras reflexões interrogativas? Eis aí um relógio que fica fazendo tique-taque, sem querer parar, em algum canto de alguma casa perdida.
Numa cena da minha mais antiga memória de menino, eu estava sentado na sarjeta, depois de uma chuva grossa, em frente de casa, com os pés na água da enxurrada que sequestrava meus olhos fixos, fazendo -me esquecer de mim mesmo e e da necessidade de voltar a algum lugar, enquanto olhava infinitamente para os rebrilhos daquele riachinho escorregando rua abaixo. Creio que foi esta a primeira vez que entrei num tempo especial um tampo esvaziado de tempo. Uma espécie de relógio sem ponteiros. Muito tempo depois, acabei envelhecendo, sim. seu Nelson Rodrigues.
(MEDEIROS, Alcindo Fortunato. Casos de almanaque, a editar)
I. São variados 0s nossos relógios ao longo da vida.
II. O sentido único de todos é a passagem inapelável do tempo.
As afirmações acima encontram-se integradas de modo coeso e coerente neste período único:
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