Foram encontradas 435 questões.
Leia o fragmento de texto abaixo para responder às questões 24 e 25.
1 É por volta de 1975 que as análises linguísticas explicitamente classificadas como
2 funcionalistas começam a proliferar na literatura norte-americana. Essa corrente surge como
3,reação às impropriedades constatadas nos estudos de cunho estritamente formal, ou seja, nas
4 pesquisas estruturalistas e gerativistas. Os funcionalistas norte-americanos advogam que uma
5 dada estrutura da língua não pode ser proveitosamente estudada, descrita ou explicada sem
6 referência à sua função comunicativa, o que, aliás, caracteriza todos os funcionalismos até
7 aqui mencionados.
FURTADO DA CUNHA, Maria Angélica. Funcionalismo. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo. Manual de linguística. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011. p. 163.
Dos vários enquadramentos teóricos e práticos que a Linguística conheceu no século 20, um deles é mencionado no texto acima, o Funcionalismo. Assim como a autora, muitos outros estudiosos preferem se referir a determinadas linhas e correntes do pensamento linguístico com a marca -s ao final: funcionalismos, linha 6. Nesse sentido, é CORRETO afirmar que
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O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
39 seguidores. Me parece que estamos lascados.
Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
Ao serem considerados os sentidos expressos pelo texto, uma paráfrase adequada do trecho Ela [a norma curta] ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. [...] (linhas 33-34) é:
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O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
39 seguidores. Me parece que estamos lascados.
Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
A palavra abaixo, no título do texto, é contextualmente uma interjeição porque é empregada para
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O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
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Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
Considerando globalmente o texto de Rodrigues e os fragmentos dele extraídos, marque a alternativa em que a expressão de sentido que emerge do trecho sublinhado está INCORRETAMENTE indicada.
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- SintaxeColocação PronominalPronomes Oblíquos ÁtonosPróclise
- SintaxeColocação PronominalPronomes Oblíquos ÁtonosÊnclise
O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
39 seguidores. Me parece que estamos lascados.
Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
Sérgio Rodrigues escreve Me refiro à norma curta, linha 6, e Me parece que estamos lascados, linhas 38-39, com o emprego proclítico de me em início de frase, desafiando o padrão da colocação pronominal e conferindo mais fluidez ao gênero do texto que produziu. Na linha 10, por outro lado, hibridiza a norma e usa o clítico em posição posposta ao verbo, aproximando-se de empregos mais cultos e/ou normativos: [...] ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância [...]. Além disso, transcreve o texto encontrado num cartum, Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono, linha 37, em que a próclise à lexia complexa é abonada por gramáticas de orientação normativa. Preâmbulo feito, assinale a alternativa em que o emprego do clítico pronominal sublinhado está de acordo com a norma-padrão vigente.
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOrdem dos Termos da Oração
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoReorganização e Reescrita de Orações e Períodos
O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
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Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
39 seguidores. Me parece que estamos lascados.
Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
A tradição gramatical aborda de forma pouco aprofundada a inversão da ordem SV (sujeito – verbo) para a VS (verbo – sujeito). Trabalhemos, portanto, com o subtítulo do texto, que nos informa: Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua. Promovidas algumas alterações na ordem e na estrutura desse enunciado, escolha a alternativa que esteja redigida de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Substantiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Reduzida
- MorfologiaConjunções
O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
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Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
39 seguidores. Me parece que estamos lascados.
Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
Dependendo da orientação teórica, as orações subordinadas, em especial as substantivas e as adjetivas, podem ser chamadas de encaixadas, e a oração principal de matriz. Feitas essas considerações e com base no trecho A norma curta não quer saber se você consegue ler e interpretar um texto, linhas 15-16, assinale a alternativa que apresenta uma análise CORRETA sobre a estrutura geral do período.
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O texto a seguir serve de base para que se responda às questões de 16 a 23.
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e de consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
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Escritor e jornalista, autor de A vida futura e Viva a língua brasileira
1 “Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
2 conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
3 lusitana da língua e pegadinhas em geral. Repare que não falo da norma culta, registro da
4 língua de fato usado pelas camadas de maior escolaridade da população. Esta tem papel social
5 imprescindível e deveria ser ensinada com mais eficiência – não menos – na escola.
6 Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
7 a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
8 inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
9 maioria da população. “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil nada,
10 ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
11 língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
12 curta, que tira seu sustento dessa dificuldade. [...]
13 É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais
14 da internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim”
15 e outros entulhos juridiquentos. A norma curta não quer saber se você consegue ler e
16 interpretar um texto. Que importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras
17 de linguagem” em ordem alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que
18 não manja de zeugma?
19 Os estudantes capazes de memorizar os truques e evitar as armadilhas que a norma
20 curta chama de provas de português entram para um grupo privilegiado de norma-curtistas.
21 Seu esforço é então recompensado e eles, mesmo os que são incapazes de interpretar um
22 parágrafo simples, ganham o direito de oprimir outros falantes e humilhar quem não alcançou
23 o paraíso do norma-curtismo.
24 A norma curta é inculta. Nunca leu Graciliano Ramos, Rubem Braga, Rachel de Queiroz
25 e tantos outros estilistas do brasileiro que, ao longo do século passado, moldaram um jeito de
26 escrever que soa como música aos ouvidos de quem nasceu aqui. Os autores
27 contemporâneos também brilham pela ausência. A norma curta nunca leu nada. Leram por
28 ela, é verdade. Isso foi muito tempo atrás: um Alexandre Herculano aqui, um Almeida Garrett
29 acolá. Todos portugueses. Nesses clássicos, leitores mortos desde o pré-modernismo
30 pinçaram arbitrariamente só o que confirmava seus dogmas. Estavam prontas – pela
31 eternidade – as tábuas da lei.
32 A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
33 Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a
34 matéria, desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores. Ontem
35 me deparei com um caso demencial de norma-curtismo: na página internética de “dicas de
36 português”, o cartum de traço fofo mostra o rapaz se declarando para a moça (“Te amo!”) e
37 sendo corrigido por ela: “Não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”. Sim, ela
38 queria ouvir um “Amo-te!” lusitano, acredite quem quiser. A página tem quase um milhão de
39 seguidores. Me parece que estamos lascados.
Adaptado de https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-normacurta-do-portugues.shtml. Acesso em: 15 set. 2023.
Se usado numa aula de língua portuguesa do ensino médio, o texto de Sérgio Rodrigues oferece ferramentas para
1: abordar a qualidade do conteúdo que as pessoas valorizam na internet;
2: tratar do uso de conectores textuais que passam a ideia de uma falsa elegância;
3: problematizar o papel de textos literários canônicos na normatização da língua;
4: explorar o recurso coesivo da não expressão e não repetição do sujeito gramatical;
5: mostrar formas de interpelar o leitor num gênero textual como a coluna jornalística;
6: relativizar e explicar empregos não normativos existentes na composição da coluna.
Estão CORRETOS apenas os itens:
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Leia as alternativas abaixo para assinalar a alternativa que NÃO dialoga com os debates desenvolvidos por James Clifford, em A experiência etnográfica:
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Clifford Geertz compreende os textos antropológicos como interpretações de segunda e terceira mão, isso, porque somente o nativo dá uma interpretação em primeira mão de sua cultura.
Estão em acordo com essa constatação todas as alternativas abaixo, EXCETO:
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