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Assinale a alternativa cujo segmento sublinhado está INCORRETO quanto à concordância verbal.
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Assinale a alternativa cuja palavra sublinhada está INCORRETA quanto à concordância nominal.
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Em cada alternativa abaixo há períodos onde aparecem duas palavras sublinhadas que são homônimas (têm a mesma pronúncia, mas significados diferentes) ou parônimas (têm significados diferentes, mas são parecidas na grafia ou na pronúncia). Analise-as e assinale a alternativa INCORRETA.
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A regência verbal estuda a relação de dependência que se estabelece entre os verbos e seus complementos. Na realidade, estuda-se na regência se o verbo é intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto e, neste caso, qual a preposição relacionada com ele. Apresentamos, a seguir, alguns verbos usuais no dia a dia. Complete corretamente as lacunas, observando a necessidade ou não de usar preposição adequada, e assinale a alternativa correspondente.
I- Há muitos alunos que não obedecem mais professores.
II- As provas fiz referência já foram corrigidas.
III- O candidato aspirava cargo vago no Instituto Federal.
IV- Após pedir desculpas, o jogador perdoou colega.
V- Michel Teló é o cantor sertanejo mais gosto.
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Leia o texto e responda a questão.
Crônica da loucura
O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.
E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "
Mário Prata - www.uol.com.br, 13/0512013
Analise as palavras sublinhadas nos seguintes fragmentos do texto e assinale a alternativa INCORRETA quanto às regras de acentuação.
"Claro é que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído para levá-lo até aquela poltrona de vime. Podia ter também uma arma lá dentro. Afastei-me no sofá. Roía as unhas. Eu já esperava as lágrimas quando ele assoou o nariz. Devia ter dívidas astronômicas".
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Crônica da loucura
O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.
E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "
Mário Prata - www.uol.com.br, 13/0512013
Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa correspondente.
I- Em "adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm", o autor colocou acento em têm por ter sujeito da terceira pessoa do plural (eles).
II- Ao dizer "na última quarta-feira, estávamos: eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinquenta anos e uma velha gorda", o autor dá a entender que esses quatro personagens estavam na sala de espera, cada um aguardando atendimento terapêutico, conforme se comprova no final do texto.
III- "Problema de ascensão social, com certeza". Ascensão é escrita com 's' porque é derivada de ascender, assim como também se escrevem com 's': compreensão, suspensão, pretensão. Mas há palavras grafadas com 'ç' como: assunção, exceção, retenção, abstenção.
IV- Ao observar os outros personagens que aguardavam na sala de espera, o autor fez uma análise precisa e acertada de cada um.
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Crônica da loucura
O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.
E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "
Mário Prata - www.uol.com.br, 13/0512013
Você deve ter estudado que, além de outros empregos, a vírgula é usada para isolar o aposto, vocativo, expressões explicativas, adjunto adverbial antecipado, para separar entre si termos da mesma função sintática, etc. Observe as palavras sublinhadas nos seguintes segmentos: "E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm ... " "Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Como sofria, meu Deus". Nos segmentos acima, nas palavras escritor e meu Deus a vírgula foi usada, respectivamente, para:
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O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.
E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "
Mário Prata - www.uol.com.br, 13/0512013
Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa INCORRETA.
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Crônica da loucura
O melhor da terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.
E eu, escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal, é um prato cheio para um louco escritor, como eu. Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: eu(1), um crioulinho(2) muito bem vestido, um senhor(3l de uns cinquenta anos e uma velha gorda(4).
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio de que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho(2), por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca. Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor(3) de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda(4) e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha 'viagem' na sala de espera. Ele ri, ri muito o meu psicanalista e diz: "O Ditinho(2) é o nosso office-boy. O de terno preto(3) é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha(4) é a Dona Dirce, minha mãe. E você(1), não vai ter alta tão cedo ... "
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Os conectivos (preposições e conjunções) são elementos de coesão, isto é, ligam palavras ou orações, estabelecendo relações de sentido. Observe estes períodos: "Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo". "Onde faço terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos". Nos períodos citados, as palavras sublinhadas expressam, respectivamente, ideia de:
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Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: INSTITUTO BRASIL
Orgão: IF-MS
Assinale a alternativa FALSA, segundo a Lei 9.394/96.
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