Magna Concursos

Foram encontradas 40 questões.

O berro do cordeiro em Nova York (1995) é o livro mais engajado da escritora Teresa Albues. Nesse livro, a autora mato-grossense apresenta, além da psicologia da dominação e da árdua luta do personagem para recuperar sua liberdade, os tipos de contratos de espoliação da força de trabalho do homem simples da região, representado, no texto, por Venâncio. O principal deles é o que se chama de “aviamento”. Trata-se de um “contrato” comum na Amazônia brasileira, já descrito, no início do século, pelo escritor português Ferreira de Castro, no romance A Selva, e que perdura até nossos dias. Nesse tipo de relação de trabalho, tem-se, de um lado, o indígena ou o camponês analfabeto da região ou do Nordeste do país e, de outro, as leis do capitalismo, representadas pelo fazendeiro ou pelas empresas nacionais ou internacionais. Entre eles, estabelece-se uma relação de trabalho que, na verdade, dissimula uma situação de escravidão branca, já que o empregado fica eternamente ligado ao patrão, por uma dívida que não pára de crescer, ao mesmo tempo em que é enganado sobre as condições do “contrato” relativas a transporte, moradia etc., passando a levar uma vida miserável.

Em O berro do cordeiro em Nova York, o personagem Venâncio é apresentado como um animal: de cão que fareja a própria a morte torna-se, no final da narrativa, um morcego. Nesse contexto, a palavra “ morcego” remete à idéia de que o personagem não pode mais ser livre, estando aprisionado, para sempre, no domínio da noite, da fantasia, da loucura.

Teresa Albues, colocando em relevo o drama de Venâncio e sua luta pela sobrevivência, testemunha uma faceta da realidade dos seres humanos perdidos nas imensas fazendas não apenas do Mato Grosso mas de toda a Amazônia brasileira.

Idem, ibidem.

Assinale a opção correta a respeito de aspectos gramaticais do texto II.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1120170 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IGEPPS-PA
Provas:

Chibé, nossa marca registrada

O paraense autêntico é o papa-chibé, um termo que é aceito com orgulho.

Alfredo da Mata, em seu Vocabulário da Região Amazônica (Manaus, 1938), define chibé como vocábulo tupi, composto de che (eu) e ibe ou tibe (caldo). Já Ermano Stradelli registra-o como cimé ou cimé-ciré, esclarecendo que 7 se trata de “bebida feita com água”, em que foi desmanchada e deixada tufar uma pequena quantidade de farinha de mandioca.

Segundo o professor Dr. Camilo Vianna, da Universidade Federal do Pará, o chibé constitui, na maioria das vezes, o único alimento do caboclo, principalmente durante certas atividades que lhe são peculiares.

Sem dúvida, o chibé é a mais paraense das comidas (ou bebidas), e a expressão “paraense papa-chibé” — talvez a mais expressiva na rica tradição indígena que marca o nosso cotidiano — é uma das marcas registradas do nosso povo.

Annamaria B. Rodrigues. Internet: (com adaptações).

Assinale a opção correta com relação às idéias do texto III.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1120168 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IGEPPS-PA
Provas:

A região amazônica brasileira vem sofrendo um processo desordenado de ocupação humana, o que afeta seus ecossistemas e a vida econômica e cultural de seus habitantes humanos mais antigos, em especial a dos povos indígenas. Assim , quando se considera o conceito de “desenvolvimento sustentável” para a Amazônia, é fundamental encará-la como muito mais do que um santuário de formas de vida selvagem, tanto animal como vegetal, e levar em conta as demandas de sua população, principalmente aquelas associadas à sua subsistência.

Doris Sayago et al. (orgs.). Amazônia: cenas e cenários. Brasília: Universidade de Brasília, 2004 (com adaptações).

Com relação ao texto, julgue os itens a seguir.

I Há idéia no texto de que o processo de ocupação da região amazônica registrou um aumento gradativo; hoje totalmente controlado com o desenvolvimento da região.

II De acordo com o texto, todos os seres humanos são agentes da ocupação e causadores dos problemas evidenciados na região amazônica.

III Há idéia no texto de que os habitantes de faixa etária avançada são os mais prejudicados com o aumento populacional da Amazônia.

IV No texto, está implícita a idéia de que a subsistência da população da região amazônica brasileira é um fator importante na definição do conceito de desenvolvimento sustentável.

V Há no texto referência à beleza e ao misticismo da floresta como elementos negativos, o que é reforçado com o emprego de “santuário”.

A quantidade de itens certos é igual a

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O termo meio ambiente só entrou na agenda dos governos dos estados da região Amazônica graças à forte pressão de organismos nacionais e internacionais preocupados com o ritmo acelerado do desmatamento para a expansão da malha viária e da fronteira agrícola e com as queimadas freqüentes, conseqüência do modelo de desenvolvimento adotado para a região e que procurava integrá-la ao restante do país.

Todos os estados da região Amazônica procuraram estruturar seus órgãos de meio ambiente, mesmo que obedecendo a arranjos institucionais diferenciados. Quanto ao estado do Pará, por exemplo, a Lei n.º 5.887, de 9/5/1995, dispõe sobre a Política Estadual de Meio Ambiente e cria o Fundo Estadual do Meio Ambiente (FEMA ).

Maria Augusta A. Bursztyn et al. Aspectoslegais e institucionais da gestão ambiental na Amazônia. In: Doris Sayago et al. (orgs). Amazônia; cenas e cenários. Brasília: EdUnB, 2004.

Julgue os próximos itens, relativos a aspectos gramaticais do texto acima.

I Em “à forte pressão de organismos nacionais e internacionais” (R.2-3), o emprego de acento indicativo da crase é facultativo, visto que a expressão deve ser interpretada com sentido genérico.

II Os vocábulos “ritmo” (R.4) e “meio” (R.1) registram, respectivamente, encontro consonantal e encontro vocálico, que, em se tratando da ortografia oficial, não podem ser separados, no caso de partição da palavra.

III Em “integrá-la” (R.7), o emprego de acento gráfico equivale ao emprego evidenciado no vocábulo “viária” (R.5).

IV No texto, as vírgulas relativas à estrutura de citação da lei (R.12-14) são obrigatórias e foram empregadas com correção, assim como no seguinte trecho: consoante o Art. 1.º, da Lei n.º 5.887, de 9/5/1995, a Política Estadual de Meio Ambiente (...).

Assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

As inovações trazidas pelo Capital acarretaram uma “revolução cultural” na Amazônia brasileira. Para o empreendedor, a terra tem um valor de acumulação, 4 quantitativo, ao passo que, para o posseiro, ela tem um valor qualitativo. Para o capitalista recém-chegado à Amazônia, a terra vale o que ela pode produzir para fins de exportação. 7 Aos olhos do colono e do indígena, a terra é o instrumento que garante sua sobrevivência. Do mesmo modo, o conceito de propriedade também é modificado: para o empresário, a 10 posse jurídica precede a posse física; para os nativos e camponeses que habitam a Amazônia, a posse jurídica não existe. Para eles, a simples presença do indivíduo na terra 13 define sua propriedade sobre ela. Ora, duas concepções econômico-culturais tão distintas não poderiam coexistir sem choques. Instaura-se na Amazônia, então, uma espécie de 16 crise de significação, advinda de um violento choque cultural. De um momento para o outro, homens que viviam apartados da cultura do branco ou que, em casos extremos, não 19 dominavam a língua dos brancos, tornam-se economicamente operacionáveis, uma mercadoria como outra qualquer. É a lógica do capitalismo.

Na relação entre o dominante e o dominado, segundo o intelectual Baudrillard (1975), existe uma reciprocidade, não no sentido moderno e psicológico da relação biunívoca 25 entre dois sujeitos individualizados, ou seja, no contexto do individualismo/altruísmo que circunscreve nossa moral, mas no sentido de que há uma relação de troca e de obrigação, em 28 que a especificação dos termos de troca como sujeitos autônomos ainda não foi estabelecida.

Hilda Gomes Dutra Magalhães. Relações de poder na literatura da Amazônia legal. Cuiabá: Ed. UFMT, 2002 (com adaptações).

Acerca da classificação e do emprego das palavras no texto I, assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

As inovações trazidas pelo Capital acarretaram uma “revolução cultural” na Amazônia brasileira. Para o empreendedor, a terra tem um valor de acumulação, 4 quantitativo, ao passo que, para o posseiro, ela tem um valor qualitativo. Para o capitalista recém-chegado à Amazônia, a terra vale o que ela pode produzir para fins de exportação. 7 Aos olhos do colono e do indígena, a terra é o instrumento que garante sua sobrevivência. Do mesmo modo, o conceito de propriedade também é modificado: para o empresário, a 10 posse jurídica precede a posse física; para os nativos e camponeses que habitam a Amazônia, a posse jurídica não existe. Para eles, a simples presença do indivíduo na terra 13 define sua propriedade sobre ela. Ora, duas concepções econômico-culturais tão distintas não poderiam coexistir sem choques. Instaura-se na Amazônia, então, uma espécie de 16 crise de significação, advinda de um violento choque cultural. De um momento para o outro, homens que viviam apartados da cultura do branco ou que, em casos extremos, não 19 dominavam a língua dos brancos, tornam-se economicamente operacionáveis, uma mercadoria como outra qualquer. É a lógica do capitalismo.

Na relação entre o dominante e o dominado, segundo o intelectual Baudrillard (1975), existe uma reciprocidade, não no sentido moderno e psicológico da relação biunívoca 25 entre dois sujeitos individualizados, ou seja, no contexto do individualismo/altruísmo que circunscreve nossa moral, mas no sentido de que há uma relação de troca e de obrigação, em 28 que a especificação dos termos de troca como sujeitos autônomos ainda não foi estabelecida.

Hilda Gomes Dutra Magalhães. Relações de poder na literatura da Amazônia legal. Cuiabá: Ed. UFMT, 2002 (com adaptações).

Julgue os itens abaixo, relativos a aspectos gramaticais do texto I.

I Na linha 1, a forma verbal “acarretaram” pode ser substituída, com igual correção, por acarretou, concordando, nesse caso, com “Capital”.

II A estrutura “a terra vale o que ela pode produzir” fica também correta com vírgula depois da forma verbal “vale”.

III Na expressão “crise de significação”, “de significação” pode ser substituída, sem prejuízo semântico, pelo adjetivo significativa.

IV O verbo haver, em “no sentido de que há uma relação de troca e de obrigação”, pode ser substituído, em texto informal, por têm, com igual correção.

A quantidade de itens certos é igual a

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1120164 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IGEPPS-PA
Provas:

A região amazônica brasileira vem sofrendo um processo desordenado de ocupação humana, o que afeta seus ecossistemas e a vida econômica e cultural de seus habitantes humanos mais antigos, em especial a dos povos indígenas. Assim , quando se considera o conceito de “desenvolvimento sustentável” para a Amazônia, é fundamental encará-la como muito mais do que um santuário de formas de vida selvagem, tanto animal como vegetal, e levar em conta as demandas de sua população, principalmente aquelas associadas à sua subsistência.

Doris Sayago et al. (orgs.). Amazônia: cenas e cenários. Brasília: Universidade de Brasília, 2004 (com adaptações).

Quanto à classificação e ao emprego das palavras no texto, assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1120163 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IGEPPS-PA
Provas:

Chibé, nossa marca registrada

O paraense autêntico é o papa-chibé, um termo que é aceito com orgulho.

Alfredo da Mata, em seu Vocabulário da Região Amazônica (Manaus, 1938), define chibé como vocábulo tupi, composto de che (eu) e ibe ou tibe (caldo). Já Ermano Stradelli registra-o como cimé ou cimé-ciré, esclarecendo que se trata de “bebida feita com água”, em que foi desmanchada e deixada tufar uma pequena quantidade de farinha de mandioca.

Segundo o professor Dr. Camilo Vianna, da Universidade Federal do Pará, o chibé constitui, na maioria das vezes, o único alimento do caboclo, principalmente durante certas atividades que lhe são peculiares.

Sem dúvida, o chibé é a mais paraense das comidas (ou bebidas), e a expressão “paraense papa-chibé” — talvez a mais expressiva na rica tradição indígena que marca o nosso cotidiano — é uma das marcas registradas do nosso povo.

Annamaria B. Rodrigues. Internet: <http://www.revistanossopara.com.br> (com adaptações).

Assinale a opção correta com relação às idéias do texto III.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O berro do cordeiro em Nova York (1995) é o livro mais engajado da escritora Teresa Albues. Nesse livro, a autora mato-grossense apresenta, além da psicologia da dominação e da árdua luta do personagem para recuperar sua liberdade, os tipos de contratos de espoliação da força de trabalho do homem simples da região, representado, no texto, por Venâncio. O principal deles é o que se chama de “aviamento”. Trata-se de um “contrato” comum na Amazônia brasileira, já descrito, no início do século, pelo escritor português Ferreira de Castro, no romance A Selva, e que perdura até nossos dias. Nesse tipo de relação de trabalho, tem-se, de um lado, o indígena ou o camponês analfabeto da região ou do Nordeste do país e, de outro, as leis do capitalismo, representadas pelo fazendeiro ou pelas empresas nacionais ou internacionais. Entre eles, estabelece-se uma relação de trabalho que, na verdade, dissimula uma situação de escravidão branca, já que o empregado fica eternamente ligado ao patrão, por uma dívida que não pára de crescer, ao mesmo tempo em que é enganado sobre as condições do “contrato” relativas a transporte, moradia etc., passando a levar uma vida miserável.

Em O berro do cordeiro em Nova York, o personagem Venâncio é apresentado como um animal: de cão que fareja a própria a morte torna-se, no final da narrativa, um morcego. Nesse contexto, a palavra “ morcego” remete à idéia de que o personagem não pode mais ser livre, estando aprisionado, para sempre, no domínio da noite, da fantasia, da loucura.

Teresa Albues, colocando em relevo o drama de Venâncio e sua luta pela sobrevivência, testemunha uma faceta da realidade dos seres humanos perdidos nas imensas fazendas não apenas do Mato Grosso mas de toda a Amazônia brasileira.

Idem, ibidem.

Assinale a opção incorreta quanto a aspecto s sintático-semânticos do texto II.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1120159 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IGEPPS-PA
Provas:

Chibé, nossa marca registrada

O paraense autêntico é o papa-chibé, um termo que é aceito com orgulho.

Alfredo da Mata, em seu Vocabulário da Região Amazônica (Manaus, 1938), define chibé como vocábulo tupi, composto de che (eu) e ibe ou tibe (caldo). Já Ermano Stradelli registra-o como cimé ou cimé-ciré, esclarecendo que se trata de “bebida feita com água”, em que foi desmanchada e deixada tufar uma pequena quantidade de farinha de mandioca.

Segundo o professor Dr. Camilo Vianna, da Universidade Federal do Pará, o chibé constitui, na maioria das vezes, o único alimento do caboclo, principalmente durante certas atividades que lhe são peculiares.

Sem dúvida, o chibé é a mais paraense das comidas (ou bebidas), e a expressão “paraense papa-chibé” — talvez a mais expressiva na rica tradição indígena que marca o nosso cotidiano — é uma das marcas registradas do nosso povo.

Annamaria B. Rodrigues. Internet: <http://www.revistanossopara.com.br> (com adaptações).

Julgue os itens a seguir, relativos a aspectos gramaticais do texto.

I O trecho “Alfredo da Mata (...) tibe (caldo)” fica também correto se escrito como: Alfredo da Mata define chibé como vocábulo tupi composto de che, eu, e ibe, ou tibe, caldo.

II Na expressão “em que foi desmanchada”, há sentido conotativo e erro de concordância.

III Na expressão “certas atividades que lhe são peculiares”, as formas as quais e lhes podem substituir, com correção, “que” e “lhe”, respectivamente.

IV Infere-se do texto que o vocábulo “chibé” pode ser escrito como meu caldo, em português.

V A expressão “papa-chibé” permite a flexão, quando no plural, dos dois elementos, como fala-mansa/falas mansas.

A quantidade de itens certos é igual a

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas