Foram encontradas 730 questões.
Provas

Escolhendo-se, ao acaso, um dos empresários que participaram dessa pesquisa, a probabilidade de que ele tenha apontado como principal barreira “falta de mão de obra" ou “falta de infraestrutura" é de
Provas
Provas
De quantas maneiras diferentes o grupo que participou dessa prova poderia ter sido composto?
Provas
Uma noite, voltando de metrô para casa, como fazia cinco vezes por semana, onze meses por ano, ele ouviu uma voz. Estava exausto, com o nó da gravata frouxo no pescoço, o colarinho desabotoado, a cabeça jogada para trás, o walkman a todo o volume e os fones enterrados nos ouvidos. De repente, antes mesmo de poder perceber a interrupção, a música que vinha ouvindo cessou sem explicações e, ao cabo de um breve silêncio, no lugar dela surgiu uma voz que ele não sabia nem como, nem de quem, nem de onde. Ergueu a cabeça. Olhou para os lados, para os outros passageiros. Mas era só ele que a ouvia. Falava aos seus ouvidos. Recompôs-se. A voz lhe disse umas tantas coisas, que ele ouviu com atenção, que era justamente o que ela pedia. Poderia ter cutucado o vizinho de banco. Poderia ter saído do metrô e corrido até em casa para anunciar o fato extraordinário que acabara de acontecer. Poderia ter sido tomado por louco e internado num hospício. Poderia ter passado o resto da vida sob o efeito de tranquilizantes. Poderia ter perdido o emprego e os amigos. Poderia ter vivido à margem, isolado, abandonado pela família, tentando convencer o mundo do que a voz lhe dissera. Poderia não ter tido os filhos e os netos que acabou tendo. Poderia ter fundado uma seita. Poderia ter feito uma guerra. Poderia ter arregimentado seus seguidores entre os mais simples, os mais fracos e os mais idiotas. Poderia ter sido perseguido. Poderia ter sido preso. Poderia ter sido assassinado, crucificado, martirizado. Poderia vir a ser lembrado séculos depois, como líder, profeta ou fanático. Tudo por causa da voz. Mas entre os mandamentos que ela lhe anunciou naquela primeira noite em que voltava de metrô para casa, e que lhe repetiu ao longo de mais cinquenta e tantos anos em que voltou de metrô para casa, o mais peculiar foi que não a mencionasse a ninguém, em hipótese alguma. E, como ele a ouvia com atenção, ao longo desses cinquenta e tantos anos nunca disse nada a ninguém, nem à própria mulher quando chegou em casa da primeira vez, muito menos aos filhos quando chegaram à idade de saber as verdades do mundo. Acatou o que lhe dizia a voz. Continuou a ouvi-la todos os dias, sempre com atenção, mas para os outros era como se nunca a tivesse ouvido, que era o que ela lhe pedia. Morreu cinquenta e tantos anos depois de tê-la ouvido pela primeira vez, sem que ninguém nunca tenha sabido que a ouvia, e foi enterrado pelos filhos e netos, que choraram em torno do túmulo a morte de um homem normal. CARVALHO, Bernardo. A vida de um homem normal. In: Boa companhia: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 11-12.
“Estava exausto, com o nó da gravata frouxo no pescoço, o colarinho desabotoado, a cabeça jogada para trás, o walkman a todo o volume e os fones enterrados nos ouvidos". (L.3-6).
A palavra destacada apresenta sentido
Provas
Bate-papo é telepatia
Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-
cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,
em visitas e encontros de corpo e voz presentes.
Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão
animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-
lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal
dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e
o resultado do futebol.
Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-
vam-se correspondências, impressões, declarações,
notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-
manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes
verdades e mentiras.
A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de
mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”
pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-
retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,
uma sílaba, um sinal de interjeição.
Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]
Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-
meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-
ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama
de esferas informacionais.
As novas senhoras da mensagem eram palavras
divorciadas de entonação e de expressão, com alto
grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-
quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,
interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-
versa.[...]
Mas é nas ferramentas de conversa instantânea
das redes sociais (e também nos torpedos de celu-
lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais
interessante e surpreendente das comunicações in-
terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-
mação, principalmente entre duas pessoas, estão se
transformando, na prática, em formas concretas de
telepatia.
Não que ocorra a transmissão direta de pensa-
mento, energética, via moléculas de ar, entre dois
cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia
lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-
lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao
fluxo de pensamento naquela troca sequencial de
informações é altíssima.
Pois, nessas horas, a velocidade frenética com
que se escreve o que vai à mente não deixa muito
espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-
mes ou juízos de causa-efeito.
O superego fica assim sufocado e o inconsciente
começa a surgir em torrente, a despeito da vontade
do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de
fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-
vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla
confessional.
Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-
mentos transcendentes, temores de momento, impul-
sos inesperados, insights são comerciados em pou-
cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O
ritmo é muito semelhante ao da associação livre de
ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-
são de análise nem de um processo formal de escrita
instantânea.
Não é estética, não é arte, que se busca, embora
ela possa estar presente na malha egoica obsessiva
e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-
tade de conversar convertida em espanto, tempesta-
de, revelação.
A sensação após essas catarses repentinas (às
vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-
sível até que o emissor sequer se lembre da maioria
das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que
o mesmo ocorra com o receptor.
Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-
duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento
e fenômenos epifânicos. [...]
BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.
Provas

Em que frase a palavra é empregada mantendo tanto o sentido quanto a classe de palavra?
Provas
Uma noite, voltando de metrô para casa, como fazia cinco vezes por semana, onze meses por ano, ele ouviu uma voz. Estava exausto, com o nó da gravata frouxo no pescoço, o colarinho desabotoado, a cabeça jogada para trás, o walkman a todo o volume e os fones enterrados nos ouvidos. De repente, antes mesmo de poder perceber a interrupção, a música que vinha ouvindo cessou sem explicações e, ao cabo de um breve silêncio, no lugar dela surgiu uma voz que ele não sabia nem como, nem de quem, nem de onde. Ergueu a cabeça. Olhou para os lados, para os outros passageiros. Mas era só ele que a ouvia. Falava aos seus ouvidos. Recompôs-se. A voz lhe disse umas tantas coisas, que ele ouviu com atenção, que era justamente o que ela pedia. Poderia ter cutucado o vizinho de banco. Poderia ter saído do metrô e corrido até em casa para anunciar o fato extraordinário que acabara de acontecer. Poderia ter sido tomado por louco e internado num hospício. Poderia ter passado o resto da vida sob o efeito de tranquilizantes. Poderia ter perdido o emprego e os amigos. Poderia ter vivido à margem, isolado, abandonado pela família, tentando convencer o mundo do que a voz lhe dissera. Poderia não ter tido os filhos e os netos que acabou tendo. Poderia ter fundado uma seita. Poderia ter feito uma guerra. Poderia ter arregimentado seus seguidores entre os mais simples, os mais fracos e os mais idiotas. Poderia ter sido perseguido. Poderia ter sido preso. Poderia ter sido assassinado, crucificado, martirizado. Poderia vir a ser lembrado séculos depois, como líder, profeta ou fanático. Tudo por causa da voz. Mas entre os mandamentos que ela lhe anunciou naquela primeira noite em que voltava de metrô para casa, e que lhe repetiu ao longo de mais cinquenta e tantos anos em que voltou de metrô para casa, o mais peculiar foi que não a mencionasse a ninguém, em hipótese alguma. E, como ele a ouvia com atenção, ao longo desses cinquenta e tantos anos nunca disse nada a ninguém, nem à própria mulher quando chegou em casa da primeira vez, muito menos aos filhos quando chegaram à idade de saber as verdades do mundo. Acatou o que lhe dizia a voz. Continuou a ouvi-la todos os dias, sempre com atenção, mas para os outros era como se nunca a tivesse ouvido, que era o que ela lhe pedia. Morreu cinquenta e tantos anos depois de tê-la ouvido pela primeira vez, sem que ninguém nunca tenha sabido que a ouvia, e foi enterrado pelos filhos e netos, que choraram em torno do túmulo a morte de um homem normal. CARVALHO, Bernardo. A vida de um homem normal. In: Boa companhia: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 11-12.
De acordo com a norma-padrão, se a 1 a forma verbal destacada na frase fosse será, a 2a deveria ser
Provas
Uma noite, voltando de metrô para casa, como fazia cinco vezes por semana, onze meses por ano, ele ouviu uma voz. Estava exausto, com o nó da gravata frouxo no pescoço, o colarinho desabotoado, a cabeça jogada para trás, o walkman a todo o volume e os fones enterrados nos ouvidos. De repente, antes mesmo de poder perceber a interrupção, a música que vinha ouvindo cessou sem explicações e, ao cabo de um breve silêncio, no lugar dela surgiu uma voz que ele não sabia nem como, nem de quem, nem de onde. Ergueu a cabeça. Olhou para os lados, para os outros passageiros. Mas era só ele que a ouvia. Falava aos seus ouvidos. Recompôs-se. A voz lhe disse umas tantas coisas, que ele ouviu com atenção, que era justamente o que ela pedia. Poderia ter cutucado o vizinho de banco. Poderia ter saído do metrô e corrido até em casa para anunciar o fato extraordinário que acabara de acontecer. Poderia ter sido tomado por louco e internado num hospício. Poderia ter passado o resto da vida sob o efeito de tranquilizantes. Poderia ter perdido o emprego e os amigos. Poderia ter vivido à margem, isolado, abandonado pela família, tentando convencer o mundo do que a voz lhe dissera. Poderia não ter tido os filhos e os netos que acabou tendo. Poderia ter fundado uma seita. Poderia ter feito uma guerra. Poderia ter arregimentado seus seguidores entre os mais simples, os mais fracos e os mais idiotas. Poderia ter sido perseguido. Poderia ter sido preso. Poderia ter sido assassinado, crucificado, martirizado. Poderia vir a ser lembrado séculos depois, como líder, profeta ou fanático. Tudo por causa da voz. Mas entre os mandamentos que ela lhe anunciou naquela primeira noite em que voltava de metrô para casa, e que lhe repetiu ao longo de mais cinquenta e tantos anos em que voltou de metrô para casa, o mais peculiar foi que não a mencionasse a ninguém, em hipótese alguma. E, como ele a ouvia com atenção, ao longo desses cinquenta e tantos anos nunca disse nada a ninguém, nem à própria mulher quando chegou em casa da primeira vez, muito menos aos filhos quando chegaram à idade de saber as verdades do mundo. Acatou o que lhe dizia a voz. Continuou a ouvi-la todos os dias, sempre com atenção, mas para os outros era como se nunca a tivesse ouvido, que era o que ela lhe pedia. Morreu cinquenta e tantos anos depois de tê-la ouvido pela primeira vez, sem que ninguém nunca tenha sabido que a ouvia, e foi enterrado pelos filhos e netos, que choraram em torno do túmulo a morte de um homem normal. CARVALHO, Bernardo. A vida de um homem normal. In: Boa companhia: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 11-12.
O pronome lhe está também empregado de acordo com a norma-padrão no seguinte período:
Provas
Bate-papo é telepatia
Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-
cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,
em visitas e encontros de corpo e voz presentes.
Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão
animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-
lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal
dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e
o resultado do futebol.
Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-
vam-se correspondências, impressões, declarações,
notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-
manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes
verdades e mentiras.
A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de
mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”
pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-
retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,
uma sílaba, um sinal de interjeição.
Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]
Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-
meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-
ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama
de esferas informacionais.
As novas senhoras da mensagem eram palavras
divorciadas de entonação e de expressão, com alto
grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-
quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,
interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-
versa.[...]
Mas é nas ferramentas de conversa instantânea
das redes sociais (e também nos torpedos de celu-
lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais
interessante e surpreendente das comunicações in-
terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-
mação, principalmente entre duas pessoas, estão se
transformando, na prática, em formas concretas de
telepatia.
Não que ocorra a transmissão direta de pensa-
mento, energética, via moléculas de ar, entre dois
cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia
lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-
lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao
fluxo de pensamento naquela troca sequencial de
informações é altíssima.
Pois, nessas horas, a velocidade frenética com
que se escreve o que vai à mente não deixa muito
espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-
mes ou juízos de causa-efeito.
O superego fica assim sufocado e o inconsciente
começa a surgir em torrente, a despeito da vontade
do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de
fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-
vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla
confessional.
Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-
mentos transcendentes, temores de momento, impul-
sos inesperados, insights são comerciados em pou-
cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O
ritmo é muito semelhante ao da associação livre de
ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-
são de análise nem de um processo formal de escrita
instantânea.
Não é estética, não é arte, que se busca, embora
ela possa estar presente na malha egoica obsessiva
e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-
tade de conversar convertida em espanto, tempesta-
de, revelação.
A sensação após essas catarses repentinas (às
vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-
sível até que o emissor sequer se lembre da maioria
das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que
o mesmo ocorra com o receptor.
Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-
duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento
e fenômenos epifânicos. [...]
BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.
Provas
Caderno Container