Magna Concursos

Foram encontradas 221 questões.

2388426 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Acerca das ideias e dos sentidos do texto 6, assim como de suas estruturas linguísticas e organização textual, julgue (C ou E) o item subsequente.

O trecho “Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo.” produz efeito humorístico, por sua incongruência interna e por desviar-se do “caso de que se trata”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388425 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Acerca das ideias e dos sentidos do texto 6, assim como de suas estruturas linguísticas e organização textual, julgue (C ou E) o item subsequente.

O narrador recorreu à função metalinguística da linguagem para formular, ao final da crônica, sua máxima, carregada de arbitrariedade.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388424 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Acerca das ideias e dos sentidos do texto 6, assim como de suas estruturas linguísticas e organização textual, julgue (C ou E) o item subsequente.

O autor valeu-se do discurso indireto livre, que consiste em dar voz e atribuir características e sentimentos humanos a seres inanimados.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388423 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Com relação ao texto 5 e ao texto 6, julgue (C ou E) o item a seguir.

Embora pertençam a diferentes gêneros e adotem registros distintos, os textos 5 e 6 versam sobre temática comum.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388422 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Com relação ao texto 5 e ao texto 6, julgue (C ou E) o item a seguir.

Caso, no texto 5, o pronome “própria” fosse substituído por mesma, seria mantido o sentido da frase, embora se prejudicasse a ênfase dada, no texto, ao termo “República”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388421 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Com relação ao texto 5 e ao texto 6, julgue (C ou E) o item a seguir.

O emprego de “portanto”, no texto 5, permite que se afirme que os fatos narrados acerca dos impostos fundamentam a conclusão do autor de que os problemas relativos a esse assunto precederam o regime republicano.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388420 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto 5

Em sucessivos relatórios do ministro da Fazenda em meados da década de 1880, aludia-se ao fato de várias assembleias provinciais estabelecerem impostos sobre a exportação, uma parte da receita dos quais podiam reter, e também sobre a importação, o que era expressamente vedado pela Constituição. Sob pressão de associações comerciais e dos delegados regionais da Fazenda, diversas assembleias foram forçadas a votar a supressão desses impostos. O Visconde Paranaguá, em seu relatório para 1883, informava que apenas Pernambuco, Bahia e Maranhão ainda resistiam. A questão da repartição dos impostos e das competências de cada ente federativo parece, portanto, mais antiga que a própria República.

Gustavo H. B. Franco (organização, introdução e comentários). A economia em Machado de Assis: o olhar oblíquo do acionista. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 59 (com adaptações).

Texto 6

Impostos inconstitucionais...

Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo, eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que agora hão de repetir com regularidade estas viagens à corte.

— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...

— Exceto...?

— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. (...)

— São todos inconstitucionais?

— Todos.

—Vamos aqui para calçada. E agora, que tencionam fazer?

— Agora temos de ir ao imperador, mas confesso, meu amigo, receamos perder tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?

— Creio que sim.

— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse imperador, que é que faria?

— Eu, se fosse imperador? Isso agora é mais complicado.

Eu, se fosse imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.

— Os adjetivos?

— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e, quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.

— Mas que temos nós outros com isso?

— Tudo; vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos de Estado, resolvia de golpe esta velha questão, e cumpria esta máxima que é tudo o que tenho colhido da história e da política, que aí dou por dois vinténs a todos os que governam o mundo: os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

Machado de Assis. In: Gazeta de notícias (1881–1900). Balas de Estalo. Rio de Janeiro, 16/5/1885.

Com relação ao texto 5 e ao texto 6, julgue (C ou E) o item a seguir.

No texto 5, narrativa de cunho histórico acerca de tema da economia brasileira, o autor emprega predominantemente linguagem referencial e objetiva.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388419 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto — para a questão

Em Emílio, Rousseau constrói a temporalidade da vida de Emílio como uma ficção, jamais se teria proposto a aplicála. O menino Emílio não existe, não existiu e não foi pensado para existir. Trata-se de um artifício lógico-dedutivo para meditar sobre a educação e as orientações do ensino. Emílio é alegoria para reflexão sobre o ato de educar as crianças. Emílio, que não é filho, tampouco é aluno... É um construto teórico e um suporte operatório para a análise conceitual do ato educativo.

Se o discípulo não se separa do mestre desde o nascimento até a maturidade, pode-se supor que o “criador” do Emílio tenha pretendido que o relato da trajetória de vida do ser individual correspondesse a uma reconstituição das etapas trilhadas pela espécie humana em direção à civilização. Emílio, ao nascer, é o homem do estado de natureza; o Emílio bem educado — que, aos 25 anos, se despede de seu educador — é o homem civil, que vive em uma sociedade corrompida, mas que, a despeito disso, pode ser considerado apto para fundar o legítimo contrato social. O traçado de educação de Emílio propõe-se ao educador como metáfora para reflexão, uma meditação sobre a arte de formar os homens. Com a mesma estrutura hipotético-dedutiva que orientara seus escritos políticos, Rousseau constrói seu educando — um discípulo que não é e que não pretende ser empírico, mas que tem sua própria temporalidade inscrita na narrativa dos seus primeiros 25 anos de vida em educação.

Carlota Boto. O Emílio como categoria operatória do pensamento rousseauniano. In: José Oscar de Almeida Marques (Org.). Verdades e mentiras. 30 ensaios em torno de Jean-Jacques Rousseau. Ijuí–RS: Unijuí, 2005, p. 379-84 (com adaptações).

Com relação aos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

O enunciado “que vive em uma sociedade corrompida” tem, no período em que se insere, sentido explicativo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388418 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto — para a questão

Em Emílio, Rousseau constrói a temporalidade da vida de Emílio como uma ficção, jamais se teria proposto a aplicála. O menino Emílio não existe, não existiu e não foi pensado para existir. Trata-se de um artifício lógico-dedutivo para meditar sobre a educação e as orientações do ensino. Emílio é alegoria para reflexão sobre o ato de educar as crianças. Emílio, que não é filho, tampouco é aluno... É um construto teórico e um suporte operatório para a análise conceitual do ato educativo.

Se o discípulo não se separa do mestre desde o nascimento até a maturidade, pode-se supor que o “criador” do Emílio tenha pretendido que o relato da trajetória de vida do ser individual correspondesse a uma reconstituição das etapas trilhadas pela espécie humana em direção à civilização. Emílio, ao nascer, é o homem do estado de natureza; o Emílio bem educado — que, aos 25 anos, se despede de seu educador — é o homem civil, que vive em uma sociedade corrompida, mas que, a despeito disso, pode ser considerado apto para fundar o legítimo contrato social. O traçado de educação de Emílio propõe-se ao educador como metáfora para reflexão, uma meditação sobre a arte de formar os homens. Com a mesma estrutura hipotético-dedutiva que orientara seus escritos políticos, Rousseau constrói seu educando — um discípulo que não é e que não pretende ser empírico, mas que tem sua própria temporalidade inscrita na narrativa dos seus primeiros 25 anos de vida em educação.

Carlota Boto. O Emílio como categoria operatória do pensamento rousseauniano. In: José Oscar de Almeida Marques (Org.). Verdades e mentiras. 30 ensaios em torno de Jean-Jacques Rousseau. Ijuí–RS: Unijuí, 2005, p. 379-84 (com adaptações).

Com relação aos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

Se fossem retirados os travessões do trecho “o Emílio bem educado — que, aos 25 anos, se despede de seu educador — é o homem civil”, deveria ser empregada uma vírgula antes do pronome “que” e outra após “educador”, para que o sentido original do texto não fosse prejudicado.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2388417 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Provas:

Texto — para a questão

Em Emílio, Rousseau constrói a temporalidade da vida de Emílio como uma ficção, jamais se teria proposto a aplicála. O menino Emílio não existe, não existiu e não foi pensado para existir. Trata-se de um artifício lógico-dedutivo para meditar sobre a educação e as orientações do ensino. Emílio é alegoria para reflexão sobre o ato de educar as crianças. Emílio, que não é filho, tampouco é aluno... É um construto teórico e um suporte operatório para a análise conceitual do ato educativo.

Se o discípulo não se separa do mestre desde o nascimento até a maturidade, pode-se supor que o “criador” do Emílio tenha pretendido que o relato da trajetória de vida do ser individual correspondesse a uma reconstituição das etapas trilhadas pela espécie humana em direção à civilização. Emílio, ao nascer, é o homem do estado de natureza; o Emílio bem educado — que, aos 25 anos, se despede de seu educador — é o homem civil, que vive em uma sociedade corrompida, mas que, a despeito disso, pode ser considerado apto para fundar o legítimo contrato social. O traçado de educação de Emílio propõe-se ao educador como metáfora para reflexão, uma meditação sobre a arte de formar os homens. Com a mesma estrutura hipotético-dedutiva que orientara seus escritos políticos, Rousseau constrói seu educando — um discípulo que não é e que não pretende ser empírico, mas que tem sua própria temporalidade inscrita na narrativa dos seus primeiros 25 anos de vida em educação.

Carlota Boto. O Emílio como categoria operatória do pensamento rousseauniano. In: José Oscar de Almeida Marques (Org.). Verdades e mentiras. 30 ensaios em torno de Jean-Jacques Rousseau. Ijuí–RS: Unijuí, 2005, p. 379-84 (com adaptações).

Com relação aos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

Caso o trecho “Emílio, que não é filho, tampouco é aluno...” fosse alterado para: Emílio não é filho nem aluno, o período ganharia em concisão, estaria coerente com a informação original do texto, mas teria diminuído seu efeito retórico.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas