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2258338 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou a fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A bá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris, tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano-novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano-novo desce é de paraquedas, bem no centro da praça General Osório; traz na mochila talco, escova de dentes, pombas. “Pra que pombas?” “Pra soltar em sinal de alegria” Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito chocho.

(Andrade, Carlos Drummond de. “Maneira de olhar”. In: 70 historinhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)

No texto, ocorrem algumas periífrases verbais (verbo auxiliar + verbo “principal” no infinitivo, sem ou com preposição), como é o caso de “havia de ser”, “seria complicar”, “queria devassar” e (ninguém) pode botar”. A informação verdadeira sobre o sentido veiculado, no conjunto das relações textuais, pelo verbo auxiliar das periífrases está indicada na alternativa:

 

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2258337 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou a fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A bá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris, tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano-novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano-novo desce é de paraquedas, bem no centro da praça General Osório; traz na mochila talco, escova de dentes, pombas. “Pra que pombas?” “Pra soltar em sinal de alegria” Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito chocho.

(Andrade, Carlos Drummond de. “Maneira de olhar”. In: 70 historinhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)

Esta questão avalia conhecimentos sobre acentuação, ortografia, emprego de classes de palavras e formação de palavras. Assinale a alternativa correta quanto ao respectivo item.

 

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2258336 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou a fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A bá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris, tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano-novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano-novo desce é de paraquedas, bem no centro da praça General Osório; traz na mochila talco, escova de dentes, pombas. “Pra que pombas?” “Pra soltar em sinal de alegria” Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito chocho.

(Andrade, Carlos Drummond de. “Maneira de olhar”. In: 70 historinhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)

O comentário sobre relações entre orações está correto na alternativa:

 

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2258335 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

[...]

Em termos de inconsciente coletivo, o policial exerce função educativa arquetípica: deve ser “o mocinho”, com procedimentos e atitudes coerentes com a “firmeza moralmente reta”, oposta radicalmente aos desvios perversos do outro arquétipo que se contrapõe: o bandido.

Ao olhar para uns e outros, é preciso que a sociedade perceba claramente as diferenças metodológicas, ou a “confusão arquetípica” intensificará sua crise de moralidade, incrementando a ciranda da violência. Isso significa que a violência policial é geradora de mais violência, , mui comumente, o próprio policial torna-se a vítima.

Ao policial não cabe, pois, ser cruel com os cruéis, vingativo contra os antissociais, hediondo com os hediondos. [...]. Não se ensina a respeitar desrespeitando, não se pode educar para preservar a vida matando, não importa quem seja. O policial jamais pode esquecer que também observa o inconsciente coletivo.

[...] Essa dimensão “testemunhal”, exemplar, pedagógica, que o policial carrega irrecusavelmente é, possivelmente, mais marcante na vida da população do que a própria intervenção do educador por ofício, o professor.

Esse fenômeno ocorre devido gravidade do momento em que normalmente o policial encontra o cidadão. polícia recorrese, como regra, em horas de fragilidade emocional, que deixam os indivíduos ou a comunidade fortemente “abertos” ao impacto psicológico e moral da ação realizada.

[...]

Fonte: BALESTRERI, Ricardo. Direitos Humanos: coisa de Polícia - Treze reflexões sobre polícia e direitos humanos. Disponível em: https://www.acadepol.ms.gov.br/artigos/direitoshumanos- coisa-de-policia/. Acesso em: 5 dez. 2021. Fragmento com supressões e adaptações. Grifos nossos.

Assinale a alternativa correta quanto à função (textual ou sintático-semântica) dos vocábulos no texto.

 

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2258334 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

[...]

Em termos de inconsciente coletivo, o policial exerce função educativa arquetípica: deve ser “o mocinho”, com procedimentos e atitudes coerentes com a “firmeza moralmente reta”, oposta radicalmente aos desvios perversos do outro arquétipo que se contrapõe: o bandido.

Ao olhar para uns e outros, é preciso que a sociedade perceba claramente as diferenças metodológicas, ou a “confusão arquetípica” intensificará sua crise de moralidade, incrementando a ciranda da violência. Isso significa que a violência policial é geradora de mais violência, , mui comumente, o próprio policial torna-se a vítima.

Ao policial não cabe, pois, ser cruel com os cruéis, vingativo contra os antissociais, hediondo com os hediondos. [...]. Não se ensina a respeitar desrespeitando, não se pode educar para preservar a vida matando, não importa quem seja. O policial jamais pode esquecer que também observa o inconsciente coletivo.

[...] Essa dimensão “testemunhal”, exemplar, pedagógica, que o policial carrega irrecusavelmente é, possivelmente, mais marcante na vida da população do que a própria intervenção do educador por ofício, o professor.

Esse fenômeno ocorre devido gravidade do momento em que normalmente o policial encontra o cidadão. polícia recorrese, como regra, em horas de fragilidade emocional, que deixam os indivíduos ou a comunidade fortemente “abertos” ao impacto psicológico e moral da ação realizada.

[...]

Fonte: BALESTRERI, Ricardo. Direitos Humanos: coisa de Polícia - Treze reflexões sobre polícia e direitos humanos. Disponível em: https://www.acadepol.ms.gov.br/artigos/direitoshumanos- coisa-de-policia/. Acesso em: 5 dez. 2021. Fragmento com supressões e adaptações. Grifos nossos.

A alternativa que traz informação correta sobre relações de sentido estabelecidas no texto é:

 

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2258333 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

[...]

Em termos de inconsciente coletivo, o policial exerce função educativa arquetípica: deve ser “o mocinho”, com procedimentos e atitudes coerentes com a “firmeza moralmente reta”, oposta radicalmente aos desvios perversos do outro arquétipo que se contrapõe: o bandido.

Ao olhar para uns e outros, é preciso que a sociedade perceba claramente as diferenças metodológicas, ou a “confusão arquetípica” intensificará sua crise de moralidade, incrementando a ciranda da violência. Isso significa que a violência policial é geradora de mais violência, , mui comumente, o próprio policial torna-se a vítima.

Ao policial não cabe, pois, ser cruel com os cruéis, vingativo contra os antissociais, hediondo com os hediondos. [...]. Não se ensina a respeitar desrespeitando, não se pode educar para preservar a vida matando, não importa quem seja. O policial jamais pode esquecer que também observa o inconsciente coletivo.

[...] Essa dimensão “testemunhal”, exemplar, pedagógica, que o policial carrega irrecusavelmente é, possivelmente, mais marcante na vida da população do que a própria intervenção do educador por ofício, o professor.

Esse fenômeno ocorre devido gravidade do momento em que normalmente o policial encontra o cidadão. polícia recorrese, como regra, em horas de fragilidade emocional, que deixam os indivíduos ou a comunidade fortemente “abertos” ao impacto psicológico e moral da ação realizada.

[...]

Fonte: BALESTRERI, Ricardo. Direitos Humanos: coisa de Polícia - Treze reflexões sobre polícia e direitos humanos. Disponível em: https://www.acadepol.ms.gov.br/artigos/direitoshumanos- coisa-de-policia/. Acesso em: 5 dez. 2021. Fragmento com supressões e adaptações. Grifos nossos.

Considerando as relações de regência, o uso (presença ou ausência) do “acento” indicativo de crase e o emprego de pronomes relativos, assinale a alternativa que preenche corretamente as cinco lacunas do texto:

 

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2258332 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

Esta questão avalia conhecimentos sobre diferentes itens do conteúdo previsto para a prova (colocação pronominal, som e fonema, encontros vocálicos e dígrafos). Assinale a alternativa que traz a informação correta sobre o respectivo item.

 

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2258331 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

No romance O coronel e o lobisomem, há uma cena em que o orgulhoso Ponciano (o coronel) procura desmerecer o homem que fora incumbido de matá-lo (CARVALHO, 1985, p. 24): Digo sem ostentação que Deus não cresceu o neto de meu avô na beira dos dois metros para que ele desperdiçasse essa grandeza toda em raiva de anão, em ódio de sujeito nascido para caber num dedal de costureira. Nesse contexto, a expressão em destaque pode ser interpretada como:

 

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Questão presente nas seguintes provas
2258330 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS

Assinale a alternativa correta quanto à concordância, ao uso (presença ou ausência) de “acento” indicativo de crase e ao emprego de pronomes.

 

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2256834 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FAPEC
Orgão: PC-MS
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Quando não há mais vida, resta à medicina estabelecer a verdade. A missão de desvendar as causas reais de uma morte pertence aos médicos legistas, profissionais que comemoram o seu dia em 7 de abril. Mas, apesar de a ideia recorrente sobre a área remeter ao trabalho com cadáveres, essa é a menor demanda(e) na rotina de um Instituto Médico-Legal. No Paraná, por exemplo, foram 53.322 atendimentos a vítimas vivas e 9.052 casos de óbito em 2015.

“O trabalho realizado por todos os profissionais do Instituto Médico-Legal é muito difícil, sensível, técnico e vem ao encontro da população e demais profissionais da Segurança Pública em momentos críticos. Então, devemos todo respeito, toda consideração e o compromisso de melhorar a qualidade de trabalho, o ambiente de trabalho e o efetivo da Polícia Científica”, declarou o secretário estadual da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita.

“Fazer medicina legal é consagrar a cidadania. Quando pratico medicina legal, eu examino pessoas vivas e pessoas mortas e extraio delas(c) as ofensas às quais foram acometidas.(d) Ofensas físicas, que podem acarretar na morte, mas também ofensas psicológicas e emocionais”, explica o médico e diretor do IML, Carlos Alberto Peixoto Baptista, de origem portuguesa.

Ele veio para o Brasil em 1976 e atua no IML em Curitiba desde 1984, onde(a) foi responsável por mais de seis mil necropsias nesse período. [...].

Mas e quando a vítima está morta? “O cadáver ‘conversa’ contigo(b) e começa a mostrar o que efetivamente aconteceu com ele”, afirmou, usando, em sentido figurado, uma das máximas da medicina forense, o médico legista Alexandre Gebran Neto, com 41 anos de experiência. Ele explica que todas as lesões têm uma origem que “revelam” como aconteceram e até qual instrumento foi utilizado. [...].

O médico perito André Ribeiro Langowiski, 42 anos, se interessou pela Medicina Legal ainda na faculdade. “É uma especialidade que possui esse viés jurídico, então acho importante gostar de Direito”, disse. “É gratificante poder ser um dos partícipes de uma situação que muitas vezes é decisiva. Às vezes um laudo nosso elucida toda a questão jurídica e tem um papel preponderante tanto na absolvição como na condenação em um caso”, afirmou.[...]

Calor, dinheiro no bolso e fim de semana. Essa combinação é garantia de “movimento” no necrotério do IML. [...]

Fonte: Dia do médico legista: a sensível tarefa de “conversar” com os mortos. Agência de Notícias do Paraná. Paraná:

Governo do Estado. Disponível em: https://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=88588.

Acesso em: 2 nov.2021. (Fragmento com adaptações. Texto original publicado em 7/4/2016)

Sobre os elementos que estabelecem relações de coesão no texto, é CORRETO afirmar que:

 

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