Magna Concursos

Foram encontradas 480 questões.

2688543 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 06.

-

Coração segundo

-

De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. À noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém – abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.

Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-os como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudanças. E passei um dia normal.

Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais, que a vida se tornou insuportável.

Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele, surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.

Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo, e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.

-

(Carlos Drummond de Andrade. De notícias & não notícias… Poesia e Prosa. Adaptado)

Assinale a alternativa em que os termos destacados na passagem – … para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. – estão substituídos de acordo com a norma-padrão de regência.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688542 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 06.

-

Coração segundo

-

De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. À noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém – abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.

Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-os como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudanças. E passei um dia normal.

Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais, que a vida se tornou insuportável.

Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele, surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.

Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo, e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.

-

(Carlos Drummond de Andrade. De notícias & não notícias… Poesia e Prosa. Adaptado)

A alternativa em que o trecho destacado expressa, no contexto, a noção de meio é:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688541 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 06.

-

Coração segundo

-

De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. À noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém – abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.

Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-os como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudanças. E passei um dia normal.

Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais, que a vida se tornou insuportável.

Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele, surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.

Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo, e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.

-

(Carlos Drummond de Andrade. De notícias & não notícias… Poesia e Prosa. Adaptado)

Na passagem – Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais, que a vida se tornou insuportável. – a relação de sentido entre os enunciados é de

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688540 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 06.

-

Coração segundo

-

De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. À noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém – abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.

Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-os como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudanças. E passei um dia normal.

Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais, que a vida se tornou insuportável.

Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele, surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.

Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo, e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.

-

(Carlos Drummond de Andrade. De notícias & não notícias… Poesia e Prosa. Adaptado)

A passagem – Minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. – está reescrita com seu sentido preservado e pontuação de acordo com a norma-padrão em:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688539 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 06.

-

Coração segundo

-

De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. À noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém – abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.

Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-os como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudanças. E passei um dia normal.

Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais, que a vida se tornou insuportável.

Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele, surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.

Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo, e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.

-

(Carlos Drummond de Andrade. De notícias & não notícias… Poesia e Prosa. Adaptado)

É correto deduzir que o narrador

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688538 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Assinale a alternativa cuja frase está redigida de acordo com a norma-padrão no que se refere à pontuação e a regência.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688537 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.

-

Maneira de olhar

-

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A babá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano novo desce é de paraquedas, bem no centro da Praça General Osório. Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito choco.

Como as pessoas são mentirosas. A história certa eles não contam, e cada um vai inventando uma história que desmente outra. Sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, sua própria mãe não estaria mentindo? Por mais que lhe perguntasse como é a cara do ano velho e a cara do ano novo, não tivera resposta. Ela respondera com um sorriso, desses de que a gente gosta, mas não esclarecem nada, são modos de esconder: “Você mesmo verá como é. Depende da maneira de olhar”. Conversa com outros garotos a respeito não adianta. Cada qual diz mais bobagem que o outro; aprendem a mentir com os grandes.

-

(Carlos Drummond de Andrade. A Bolsa e a vida.

Poesia e Prosa. Adaptado)

A alternativa em que a expressão entre colchetes substitui o trecho destacado de acordo com a norma-padrão no que se refere ao emprego e à colocação do pronome átono é:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688536 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.

-

Maneira de olhar

-

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A babá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano novo desce é de paraquedas, bem no centro da Praça General Osório. Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito choco.

Como as pessoas são mentirosas. A história certa eles não contam, e cada um vai inventando uma história que desmente outra. Sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, sua própria mãe não estaria mentindo? Por mais que lhe perguntasse como é a cara do ano velho e a cara do ano novo, não tivera resposta. Ela respondera com um sorriso, desses de que a gente gosta, mas não esclarecem nada, são modos de esconder: “Você mesmo verá como é. Depende da maneira de olhar”. Conversa com outros garotos a respeito não adianta. Cada qual diz mais bobagem que o outro; aprendem a mentir com os grandes.

-

(Carlos Drummond de Andrade. A Bolsa e a vida.

Poesia e Prosa. Adaptado)

Assinale a alternativa em que outra redação dada ao trecho do texto está de acordo com a norma-padrão no que se refere à concordância e ao emprego do sinal indicativo de crase.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688535 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.

-

Maneira de olhar

-

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A babá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano novo desce é de paraquedas, bem no centro da Praça General Osório. Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito choco.

Como as pessoas são mentirosas. A história certa eles não contam, e cada um vai inventando uma história que desmente outra. Sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, sua própria mãe não estaria mentindo? Por mais que lhe perguntasse como é a cara do ano velho e a cara do ano novo, não tivera resposta. Ela respondera com um sorriso, desses de que a gente gosta, mas não esclarecem nada, são modos de esconder: “Você mesmo verá como é. Depende da maneira de olhar”. Conversa com outros garotos a respeito não adianta. Cada qual diz mais bobagem que o outro; aprendem a mentir com os grandes.

-

(Carlos Drummond de Andrade. A Bolsa e a vida.

Poesia e Prosa. Adaptado)

Para responder a esta questão, observe os trechos destacados nas passagens:

-

Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata.

E como havia de ser, se não passasse?

Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos.

-

A relação de sentido estabelecida pelos trechos destacados com os contextos que os precedem é, respectivamente, de:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2688534 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PC-RR

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 05.

-

Maneira de olhar

-

Recomendaram-lhe que se deitasse cedo, para acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passa se os garotos ficarem de vigília. E como havia de ser, se não passasse? Era a vida do mundo inteiro que se perturbava. Tudo que estava para acontecer a partir de meia-noite bruscamente ficaria retido em malas, pacotes, na escuridão. Seria complicar tanto a vida dos outros, e a sua própria, que o menino se decidiu a acatar a ordem ingrata. Ou fingir acatamento. Iria deitar-se, que remédio? Fecharia os olhos, pois esse é o testemunho de sono que as mães procuram no rosto dos filhos. Mas dormir de verdade, isso não. Imóvel, como nas ocasiões em que brincava de morrer, continuaria atento ao que ocorresse noite afora, pelo mundo solto. Queria devassar o mistério da passagem do ano, que ninguém sabe explicar.

A babá falara numa faixa de luz, que corta o céu de lado a lado, verdadeiro arco-íris tão intenso que ninguém pode botar-lhe os olhos em cima; corusca, ouve-se um coro de anjos, tudo some de repente: o ano velho se foi, chega o ano novo. Mas seu tio, piloto da Varig, voou numa noite de 31 de dezembro e não confirmou a luz e os anjos; o ano novo desce é de paraquedas, bem no centro da Praça General Osório. Quanto ao ano velho, acaba feito balão que perdeu gás, muito choco.

Como as pessoas são mentirosas. A história certa eles não contam, e cada um vai inventando uma história que desmente outra. Sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, sua própria mãe não estaria mentindo? Por mais que lhe perguntasse como é a cara do ano velho e a cara do ano novo, não tivera resposta. Ela respondera com um sorriso, desses de que a gente gosta, mas não esclarecem nada, são modos de esconder: “Você mesmo verá como é. Depende da maneira de olhar”. Conversa com outros garotos a respeito não adianta. Cada qual diz mais bobagem que o outro; aprendem a mentir com os grandes.

-

(Carlos Drummond de Andrade. A Bolsa e a vida.

Poesia e Prosa. Adaptado)

Assinale a alternativa em que se identificam, correta e respectivamente, o antônimo de vigília e o sinônimo de devassar, termos em destaque no primeiro parágrafo.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas