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PRIMEIRA CENA
O rapaz que viaja à minha frente no trem não olha com bons olhos o senhor escrevendo numa caderneta. Veio de Potengi morar no Crato, hospedou-se na casa do sogro com a esposa e dois filhos, vai procurar trabalho em Juazeiro, na única profissão que aprendeu: a de vaqueiro. Não parece fácil. Boa parte dos rebanhos morreu em três anos de estiagem, agravando a decadência da agricultura e da pecuária. Se não encontrar emprego, volta ao Potengi. Não, ele não bebe, em respeito aos pais da esposa, ambos evangélicos. Também não sai de casa à noite e não gosta de responder perguntas. Nem o dinheiro da passagem de volta ele possui. Um real. O jeito será fazer o percurso a pé, doze quilômetros. Nada pede ao escritor. A confissão de indigência fere seu orgulho. Recebe com dignidade os dois reais que o homem saca da carteira e, ao descer do vagão, não olha para trás.
As ranhuras nos vidros das janelas são propositais? Ninguém enxerga a plenitude da miséria em torno, o lixo descendo pelas encostas, restos de mato, poças d’água e riachos que no passado eram exuberantes, e agora são indefinidos como as pinturas de Monet velho e quase cego. Nos painéis das Ninféias, uma paisagem aquática com plantas, galhos, reflexos de árvores e nuvens. Aqui, as imagens da natureza destruída assombram o senhor de barba e cabelos grisalhos. Fez o mesmo percurso entre Juazeiro e Crato, há 46 anos. Um tempo grande, o bastante para ele também sofrer mudanças e cobrir-se com outras formas de lixo. Anota impressões no caderno. As frases lhe parecem falsas, vazias. Compara o lixo atirado pelos moradores nos barrancos aos rabiscos do caderno de notas.
Faz calor, os vagões do trem fechado não refrigeram bem. No passado, abriam-se as janelas. Escrever tornou-se um pesadelo. Quais os choques permanentes do escritor? O choque de se ver confrontado com desafios simples e irrefutáveis. O vaqueiro não se rende à miséria e luta por uma profissão em declínio, por seu lugar no mundo em ruínas. O choque de entrever suas próprias camuflagens, seus truques, seus clichês. O entulho das palavras no caderno de notas, as frases de efeito, o enfadonho exercício de criar a beleza sem verdade. O choque de sentir a imensidão dos seus recursos inexplorados. O choque de ser obrigado a se perguntar por que é um escritor. O choque de descobrir que escrever é uma arte à qual é necessário consagrar-se totalmente, de uma maneira monástica e absoluta. Felizmente o trem chega ao destino. As pessoas descem vagarosas. O vaqueiro ficou duas estações atrás: duro, cruel contra si mesmo, exigindo um único papel no mundo, um modo de vida autêntico naquele lugar do planeta.
SEGUNDA CENA
É custoso enfiar o pé 43 na bota de borracha número 40. Mas é necessário para atravessar a lama e chegar ao Jardim. Dias de chuva continuada, riachos e grotas encharcaram a terra. A cada passo um atoleiro, o corpo se desequilibra, afunda, ameaça cair. “Você tem certeza que dá para chegar?” “Chega fácil. Só hoje, fui e voltei duas vezes.” O lugar fica onde o Jardim se espalha, ganha profundidade e se presta ao banho. “A cheia veio nesse ponto?” “Choveu muito, graças a Deus.” O Jardim deságua no Carás, que deságua no Salgado, que deságua no Jaguaribe, e este no mar. É um dos rios da minha infância, onde eu nadava nos meses de férias. Tento alcançar o poço de Dona Naninha Biliu, já que é impossível chegar ao remanso que pertenceu à minha avó.
As matas foram derrubadas e vendidas para as olarias. Cada 100 tijolos fabricados queimaram uma ingazeira, uma cajazeira, um angico. As casas se edificam sobre cemitérios de árvores. Erguem-se as paredes, abrem-se as janelas, o corpo se debruça num parapeito, o olhar busca lá fora, mas só enxerga o deserto. Não existem mais poços d’água cobertos de vegetação, parecendo cavernas. “Lembra que você gostava de se esconder neles?” “Lembro.” Agora as águas correm a céu aberto e quando o sol bate, secam depressa. “O sol ficou mais quente, reparou?” “Reparei.” “E você quer tomar um banho pra matar a saudade?” “Não sei se a saudade se mata ou se ela mata a gente.”
Assis Gonçalves ri da conversa fiada, levanta a bermuda até as coxas, agora estamos os dois no meio da água, olhando a correnteza acima. “Ali é bom de mergulhar, não vai tomar banho?” “Não sei, dá trabalho tirar a roupa, descalçar as botas.” As águas passam ligeiras, há muito balseiro nas margens do Jardim, enganchado em arames, nas unhas de gato. Tudo o que não presta o rio foi deixando para trás. Assis Gonçalves me pergunta se a literatura serve para alguma coisa, ou se é apenas balseiro. Não quer ofender-me, é incapaz disso. Fala-me sobre o dia em que o genro pediu a mão de sua filha em casamento. Enquanto narra a história, enche d’água a concha das mãos e molha a cabeça, como se desejasse esfriá-la. Os gestos são precisos, teatrais, nenhuma energia se perde a cada movimento. Estamos cercados pelas águas. Meu avô morreu adiante e por bem pouco a enchente não carregou o seu corpo. Assis Gonçalves esfrega as nódoas dos braços, lava o rosto. Não perco nenhum dos seus gestos e gostaria de transformá-los em literatura. Como é difícil, constato. “Você não vai se banhar?”, insiste. “Não”, respondo. Quando era menino, passava o dia no rio. Nadar era o que eu mais sabia fazer. Agora, viciei-me em ver e pensar. Mas também sinto, sinto muito, bem mais do que quando me debatia com os braços e as pernas. Acho que a literatura é responsável por isso. Talvez. Para alguma coisa ela deve servir.
RONALDO CORREIA DE BRITO. (dom@opovo.com.br)
Dado o fragmento: “O choque de se ver confrontado com desafios simples e irrefutáveis.” O termo em destaque pode ser substituído sem alterar o sentido, por:
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Disciplina: Legislação de Trânsito
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
Um manual do condutor do veículo emitido por uma determinada montadora apresenta uma falha de informação por ter transcrito para a relação de equipamentos obrigatórios de um ônibus escolar um item inexistente. Considerando a legislação de trânsito e a situação hipotética apresentada, aponte o item abaixo que corresponde ao erro na descrição do equipamento constante no manual da montadora.
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Disciplina: Segurança Privada e Transportes
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
A prática de direção é fundamental para tomada de decisão no volante por qualquer condutor veicular. A condução de transporte escolar pressupõe experiência na direção além de conhecimentos adquiridos através de curso de formação específica relacionado à legislação de trânsito, respeito ao meio ambiente e ao convívio social no trânsito, bem como no(s):
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Disciplina: Segurança Privada e Transportes
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
O condutor do transporte escolar, assim como de outros veículos, é responsável pelo controle do veículo da via realizando manobras por meio de comandos internos na direção e no cambio de marchas, no caso de veículos não automáticos. A realização de manobras para a esquerda, para a direita ou até mesmo de marcha ré, precede de uma atitude relacionada com as normas de circulação e conduta chamada de:
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Disciplina: Segurança Privada e Transportes
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
O painel de comando de um veículo é fundamental para mostrar ao motorista a ocorrência de alguma anormalidade no funcionamento do motor e para que seja possível agir em tempo hábil para não incorrer em grandes problemas, dependendo da situação. Quando alguma luz acende no painel de comando, o motorista entende que, de acordo com a lâmpada que visualiza acesa, está ocorrendo problema com um dos seguintes sistemas:
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Disciplina: Direito Administrativo
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
O patrimônio público pode ser definido como um conjunto de bens móveis e imóveis de domínio público pertencente a um determinado ente da federação, ou seja, a uma Prefeitura, ao Governo Estadual, ou à União. O ônibus escolar da prefeitura é considerado um bem móvel, e sua principal finalidade é pública. A conservação, o zelo, a manutenção e o cuidado para garantir a utilização por mais tempo é uma atitude que depende prioritariamente de:
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Disciplina: Segurança Privada e Transportes
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
Algumas atitudes básicas podem fazer a diferença e contribuir para prevenção de acidentes, assim como promover a segurança geral do trânsito, inclusive, salvar vidas. Um percurso seguro para condução de estudantes acontece principalmente quando há iniciativas preventivas de manutenção do ônibus escolar através dos seguintes procedimentos:
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O exercício da atividade na prestação de serviço público precede da observância de normas que disciplinam o comportamento do servidor no ofício da profissão. normas estas que envolvem aspectos relacionados à função e ao respeito mútuo entre os servidores no cotidiano para execução das tarefas e constituem-se princípios denominados de princípios éticos que norteiam a atuação do servidor público. Identifique nos itens abaixo o único que descreve de forma ERRADA o que são princípios éticos.
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Disciplina: Legislação de Trânsito
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE

O candidato ao cargo de Motorista de transporte escolar foi desclassificado por conta de uma única questão que marcou errado no gabarito da prova que tratava da placa de sinalização de trânsito ilustrada na figura. A questão trazia o seguinte enunciado: A placa de sinalização ilustrada na figura indica ao condutor que é proibido trânsito de:
1 – Caminhão.
2 – Ônibus.
3 Caminhão e Ônibus.
4 Trânsito de Veículo automotor.
Analise a situação ilustrada e aponte nos itens abaixo o único que indica a alternativa que NÃO desclassificaria o candidato, caso ele tivesse marcado no gabarito da prova:
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Disciplina: Legislação de Trânsito
Banca: URCA
Orgão: Pref. Farias Brito-CE
Em uma via dotada de acostamento, o motorista que pretende fazer conversão à esquerda deverá obedecer às regras de circulação e conduta para garantir a segurança dos passageiros e dos demais usuários da via. Para que faça a conversão de forma correta e segura, é necessário primeiramente:
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