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2918481 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Guarapari-ES

A internet sem graça

Meninos, eu vi. Tenho idade suficiente para ser um dinossauro das redes sociais.

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.

Quando não existia Google, só Netscape.

Quando a gente se conectava a um site, depois do ruído áspero do modem, e vibrava de alegria.

Sou da época que a internet necessitava do aposto “a rede mundial de computadores”.

Da época que éramos chamados de “internautas” e as redes sociais eram “microblogs”.

Desbravei esses mares.

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado. Tive conta no MySpace. Baixei músicas no Napster.

Blog? Tive também. Muito antes de blogs virarem moda de novo.

Podcast a mesma coisa. No início do século gravei mais de 150 episódios, quando conteúdo não chamava “conteúdo”, nem dava dinheiro.

Produzíamos por farra. Pela bagunça. Só por isso.

Então nasceu o Facebook, mas não dei bola. Preferi o Twitter.

E como criei minha conta no primeiro ou segundo dia de existência dessa rede, consegui o “arroba” Neto. Isso mesmo. Sou o @neto no Twitter até hoje, o que transforma meus domingos num mar de ofensas de torcedores que acreditam que sou comentarista de futebol.

Um dia cansei de apenas textos curtos e comecei a escrever no jovem Facebook.

Por anos escrevi aqui e ali, sobre tudo e porque era divertido.

Acumulei uns 300 mil seguidores somando as duas redes.

Aí apareceu o Instagram e eu, já veterano, disse:

– Que bobagem. Isso não vai pegar. Quem é que tem tanta foto para postar? Isso é só um novo Fickr – o que prova que não faço ideia do que vai ou não ser sucesso.

Foi assim que chegamos onde estamos hoje.

E hoje, cada vez mais, está perdendo a graça.

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.

Minha decepção com a rede deve soar para você como se alguém dissesse “o ar que a gente respira anda muito sem graça”, eu entendo.

Entendo como, para você, é impossível reconhecer que a Internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.

Hoje mudou. Mudou para um lugar perigoso, cheio de riscos ocultos.

Na internet de hoje, estamos sempre à beira de um conflito com quem não conhecemos. Passamos boa parte do tempo bombardeados com informações equivocadas ou descaradamente falsas. Comunidades baseadas em fake news. Gente de mentira divulgando notícias idem.

A internet de hoje não é mais uma aventura para se entrar. O desafio agora é conseguir sair.

Ou você nunca ouviu falar daquele sujeito que não pode sair de um grupo de WhatsApp porque vai “pegar mal”.

Ou de uma amiga que não pode deixar de seguir fulano no Instagram porque ele ficará ofendido?

Que ironia. Fomos escravizados pela mesma ferramenta que nos proveu liberdade.

Mas isso é só a ponta do iceberg. E não sou eu quem está dizendo.

Essa semana, em dois artigos diferentes, jornalistas norte-americanos endereçaram exatamente essa mudança que a internet está atravessando.

Isabel Fattal e Charlie Warzel, ela do The Atlantic, ele, ex-Buzfeed, tratam de uma mudança muito sutil pela qual vem passando a rede mundial de computadores: a desumanização.

Não me refiro à Inteligência Artificial. Falo dos algoritmos, da organização e controle que impedem o caos e dá cores pálidas às redes sociais, cada vez mais engajadas em compliances, conquista de audiência, controle de riscos e desumanidades.

Inteligência Artificial vai piorar tudo, isso vai.

Por isso, talvez, um maluco como Elon Musk, com seu Twitter sem tickezinho azul e sem censura consiga trazer de volta um pouco do caos que seduziu a todos nós, os internautas.

(MUNIZ NETO, Mentor. A internet sem graça. Disponível em: https:// istoe.com.br/a-internet-sem-graca/. Acesso em: 28/04/2023.)

Sou da época que a internet necessitava do aposto ‘a rede mundial de computadores’.” (5º§). Com base em uma análise morfossintática do excerto anterior, analise as afirmativas a seguir.

I. O sujeito da primeira oração é classificado como oculto.

II. Para se adequar à norma culta, a expressão “sou da época que” deveria ser substituída por “sou da época em que”.

III. O verbo necessitava é transitivo indireto.

IV. O sujeito da segunda oração é “a internet”.

Está correto o que se afirma apenas em

 

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2918480 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Guarapari-ES

A internet sem graça

Meninos, eu vi. Tenho idade suficiente para ser um dinossauro das redes sociais.

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.

Quando não existia Google, só Netscape.

Quando a gente se conectava a um site, depois do ruído áspero do modem, e vibrava de alegria.

Sou da época que a internet necessitava do aposto “a rede mundial de computadores”.

Da época que éramos chamados de “internautas” e as redes sociais eram “microblogs”.

Desbravei esses mares.

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado. Tive conta no MySpace. Baixei músicas no Napster.

Blog? Tive também. Muito antes de blogs virarem moda de novo.

Podcast a mesma coisa. No início do século gravei mais de 150 episódios, quando conteúdo não chamava “conteúdo”, nem dava dinheiro.

Produzíamos por farra. Pela bagunça. Só por isso.

Então nasceu o Facebook, mas não dei bola. Preferi o Twitter.

E como criei minha conta no primeiro ou segundo dia de existência dessa rede, consegui o “arroba” Neto. Isso mesmo. Sou o @neto no Twitter até hoje, o que transforma meus domingos num mar de ofensas de torcedores que acreditam que sou comentarista de futebol.

Um dia cansei de apenas textos curtos e comecei a escrever no jovem Facebook.

Por anos escrevi aqui e ali, sobre tudo e porque era divertido.

Acumulei uns 300 mil seguidores somando as duas redes.

Aí apareceu o Instagram e eu, já veterano, disse:

– Que bobagem. Isso não vai pegar. Quem é que tem tanta foto para postar? Isso é só um novo Fickr – o que prova que não faço ideia do que vai ou não ser sucesso.

Foi assim que chegamos onde estamos hoje.

E hoje, cada vez mais, está perdendo a graça.

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.

Minha decepção com a rede deve soar para você como se alguém dissesse “o ar que a gente respira anda muito sem graça”, eu entendo.

Entendo como, para você, é impossível reconhecer que a Internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.

Hoje mudou. Mudou para um lugar perigoso, cheio de riscos ocultos.

Na internet de hoje, estamos sempre à beira de um conflito com quem não conhecemos. Passamos boa parte do tempo bombardeados com informações equivocadas ou descaradamente falsas. Comunidades baseadas em fake news. Gente de mentira divulgando notícias idem.

A internet de hoje não é mais uma aventura para se entrar. O desafio agora é conseguir sair.

Ou você nunca ouviu falar daquele sujeito que não pode sair de um grupo de WhatsApp porque vai “pegar mal”.

Ou de uma amiga que não pode deixar de seguir fulano no Instagram porque ele ficará ofendido?

Que ironia. Fomos escravizados pela mesma ferramenta que nos proveu liberdade.

Mas isso é só a ponta do iceberg. E não sou eu quem está dizendo.

Essa semana, em dois artigos diferentes, jornalistas norte-americanos endereçaram exatamente essa mudança que a internet está atravessando.

Isabel Fattal e Charlie Warzel, ela do The Atlantic, ele, ex-Buzfeed, tratam de uma mudança muito sutil pela qual vem passando a rede mundial de computadores: a desumanização.

Não me refiro à Inteligência Artificial. Falo dos algoritmos, da organização e controle que impedem o caos e dá cores pálidas às redes sociais, cada vez mais engajadas em compliances, conquista de audiência, controle de riscos e desumanidades.

Inteligência Artificial vai piorar tudo, isso vai.

Por isso, talvez, um maluco como Elon Musk, com seu Twitter sem tickezinho azul e sem censura consiga trazer de volta um pouco do caos que seduziu a todos nós, os internautas.

(MUNIZ NETO, Mentor. A internet sem graça. Disponível em: https:// istoe.com.br/a-internet-sem-graca/. Acesso em: 28/04/2023.)

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.” (2º§). Ao se caracterizar como “um pterodáctilo do pré-cambriano da internet”, o autor emprega a linguagem conotativa, a partir da qual cria uma

 

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2918479 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
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A internet sem graça

Meninos, eu vi. Tenho idade suficiente para ser um dinossauro das redes sociais.

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.

Quando não existia Google, só Netscape.

Quando a gente se conectava a um site, depois do ruído áspero do modem, e vibrava de alegria.

Sou da época que a internet necessitava do aposto “a rede mundial de computadores”.

Da época que éramos chamados de “internautas” e as redes sociais eram “microblogs”.

Desbravei esses mares.

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado. Tive conta no MySpace. Baixei músicas no Napster.

Blog? Tive também. Muito antes de blogs virarem moda de novo.

Podcast a mesma coisa. No início do século gravei mais de 150 episódios, quando conteúdo não chamava “conteúdo”, nem dava dinheiro.

Produzíamos por farra. Pela bagunça. Só por isso.

Então nasceu o Facebook, mas não dei bola. Preferi o Twitter.

E como criei minha conta no primeiro ou segundo dia de existência dessa rede, consegui o “arroba” Neto. Isso mesmo. Sou o @neto no Twitter até hoje, o que transforma meus domingos num mar de ofensas de torcedores que acreditam que sou comentarista de futebol.

Um dia cansei de apenas textos curtos e comecei a escrever no jovem Facebook.

Por anos escrevi aqui e ali, sobre tudo e porque era divertido.

Acumulei uns 300 mil seguidores somando as duas redes.

Aí apareceu o Instagram e eu, já veterano, disse:

– Que bobagem. Isso não vai pegar. Quem é que tem tanta foto para postar? Isso é só um novo Fickr – o que prova que não faço ideia do que vai ou não ser sucesso.

Foi assim que chegamos onde estamos hoje.

E hoje, cada vez mais, está perdendo a graça.

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.

Minha decepção com a rede deve soar para você como se alguém dissesse “o ar que a gente respira anda muito sem graça”, eu entendo.

Entendo como, para você, é impossível reconhecer que a Internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.

Hoje mudou. Mudou para um lugar perigoso, cheio de riscos ocultos.

Na internet de hoje, estamos sempre à beira de um conflito com quem não conhecemos. Passamos boa parte do tempo bombardeados com informações equivocadas ou descaradamente falsas. Comunidades baseadas em fake news. Gente de mentira divulgando notícias idem.

A internet de hoje não é mais uma aventura para se entrar. O desafio agora é conseguir sair.

Ou você nunca ouviu falar daquele sujeito que não pode sair de um grupo de WhatsApp porque vai “pegar mal”.

Ou de uma amiga que não pode deixar de seguir fulano no Instagram porque ele ficará ofendido?

Que ironia. Fomos escravizados pela mesma ferramenta que nos proveu liberdade.

Mas isso é só a ponta do iceberg. E não sou eu quem está dizendo.

Essa semana, em dois artigos diferentes, jornalistas norte-americanos endereçaram exatamente essa mudança que a internet está atravessando.

Isabel Fattal e Charlie Warzel, ela do The Atlantic, ele, ex-Buzfeed, tratam de uma mudança muito sutil pela qual vem passando a rede mundial de computadores: a desumanização.

Não me refiro à Inteligência Artificial. Falo dos algoritmos, da organização e controle que impedem o caos e dá cores pálidas às redes sociais, cada vez mais engajadas em compliances, conquista de audiência, controle de riscos e desumanidades.

Inteligência Artificial vai piorar tudo, isso vai.

Por isso, talvez, um maluco como Elon Musk, com seu Twitter sem tickezinho azul e sem censura consiga trazer de volta um pouco do caos que seduziu a todos nós, os internautas.

(MUNIZ NETO, Mentor. A internet sem graça. Disponível em: https:// istoe.com.br/a-internet-sem-graca/. Acesso em: 28/04/2023.)

O artigo de opinião é um gênero textual que tem como objetivo apresentar claramente o ponto de vista de seu autor sobre um assunto específico. A partir disso, pode-se afirmar que, no texto, tipologia textual predominante é a

 

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2918478 Ano: 2023
Disciplina: Português
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A internet sem graça

Meninos, eu vi. Tenho idade suficiente para ser um dinossauro das redes sociais.

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.

Quando não existia Google, só Netscape.

Quando a gente se conectava a um site, depois do ruído áspero do modem, e vibrava de alegria.

Sou da época que a internet necessitava do aposto “a rede mundial de computadores”.

Da época que éramos chamados de “internautas” e as redes sociais eram “microblogs”.

Desbravei esses mares.

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado. Tive conta no MySpace. Baixei músicas no Napster.

Blog? Tive também. Muito antes de blogs virarem moda de novo.

Podcast a mesma coisa. No início do século gravei mais de 150 episódios, quando conteúdo não chamava “conteúdo”, nem dava dinheiro.

Produzíamos por farra. Pela bagunça. Só por isso.

Então nasceu o Facebook, mas não dei bola. Preferi o Twitter.

E como criei minha conta no primeiro ou segundo dia de existência dessa rede, consegui o “arroba” Neto. Isso mesmo. Sou o @neto no Twitter até hoje, o que transforma meus domingos num mar de ofensas de torcedores que acreditam que sou comentarista de futebol.

Um dia cansei de apenas textos curtos e comecei a escrever no jovem Facebook.

Por anos escrevi aqui e ali, sobre tudo e porque era divertido.

Acumulei uns 300 mil seguidores somando as duas redes.

Aí apareceu o Instagram e eu, já veterano, disse:

– Que bobagem. Isso não vai pegar. Quem é que tem tanta foto para postar? Isso é só um novo Fickr – o que prova que não faço ideia do que vai ou não ser sucesso.

Foi assim que chegamos onde estamos hoje.

E hoje, cada vez mais, está perdendo a graça.

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.

Minha decepção com a rede deve soar para você como se alguém dissesse “o ar que a gente respira anda muito sem graça”, eu entendo.

Entendo como, para você, é impossível reconhecer que a Internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.

Hoje mudou. Mudou para um lugar perigoso, cheio de riscos ocultos.

Na internet de hoje, estamos sempre à beira de um conflito com quem não conhecemos. Passamos boa parte do tempo bombardeados com informações equivocadas ou descaradamente falsas. Comunidades baseadas em fake news. Gente de mentira divulgando notícias idem.

A internet de hoje não é mais uma aventura para se entrar. O desafio agora é conseguir sair.

Ou você nunca ouviu falar daquele sujeito que não pode sair de um grupo de WhatsApp porque vai “pegar mal”.

Ou de uma amiga que não pode deixar de seguir fulano no Instagram porque ele ficará ofendido?

Que ironia. Fomos escravizados pela mesma ferramenta que nos proveu liberdade.

Mas isso é só a ponta do iceberg. E não sou eu quem está dizendo.

Essa semana, em dois artigos diferentes, jornalistas norte-americanos endereçaram exatamente essa mudança que a internet está atravessando.

Isabel Fattal e Charlie Warzel, ela do The Atlantic, ele, ex-Buzfeed, tratam de uma mudança muito sutil pela qual vem passando a rede mundial de computadores: a desumanização.

Não me refiro à Inteligência Artificial. Falo dos algoritmos, da organização e controle que impedem o caos e dá cores pálidas às redes sociais, cada vez mais engajadas em compliances, conquista de audiência, controle de riscos e desumanidades.

Inteligência Artificial vai piorar tudo, isso vai.

Por isso, talvez, um maluco como Elon Musk, com seu Twitter sem tickezinho azul e sem censura consiga trazer de volta um pouco do caos que seduziu a todos nós, os internautas.

(MUNIZ NETO, Mentor. A internet sem graça. Disponível em: https:// istoe.com.br/a-internet-sem-graca/. Acesso em: 28/04/2023.)

Considerando o texto, analise as asserções e a relação proposta entre elas.

I. “O autor do texto acredita que a internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.”

PORQUE

II. “Ele acredita que a internet está mudando para um lugar perigoso e cheio de riscos ocultos.”

Assinale a alternativa correta.

 

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2918477 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
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A internet sem graça

Meninos, eu vi. Tenho idade suficiente para ser um dinossauro das redes sociais.

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.

Quando não existia Google, só Netscape.

Quando a gente se conectava a um site, depois do ruído áspero do modem, e vibrava de alegria.

Sou da época que a internet necessitava do aposto “a rede mundial de computadores”.

Da época que éramos chamados de “internautas” e as redes sociais eram “microblogs”.

Desbravei esses mares.

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado. Tive conta no MySpace. Baixei músicas no Napster.

Blog? Tive também. Muito antes de blogs virarem moda de novo.

Podcast a mesma coisa. No início do século gravei mais de 150 episódios, quando conteúdo não chamava “conteúdo”, nem dava dinheiro.

Produzíamos por farra. Pela bagunça. Só por isso.

Então nasceu o Facebook, mas não dei bola. Preferi o Twitter.

E como criei minha conta no primeiro ou segundo dia de existência dessa rede, consegui o “arroba” Neto. Isso mesmo. Sou o @neto no Twitter até hoje, o que transforma meus domingos num mar de ofensas de torcedores que acreditam que sou comentarista de futebol.

Um dia cansei de apenas textos curtos e comecei a escrever no jovem Facebook.

Por anos escrevi aqui e ali, sobre tudo e porque era divertido.

Acumulei uns 300 mil seguidores somando as duas redes.

Aí apareceu o Instagram e eu, já veterano, disse:

– Que bobagem. Isso não vai pegar. Quem é que tem tanta foto para postar? Isso é só um novo Fickr – o que prova que não faço ideia do que vai ou não ser sucesso.

Foi assim que chegamos onde estamos hoje.

E hoje, cada vez mais, está perdendo a graça.

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.

Minha decepção com a rede deve soar para você como se alguém dissesse “o ar que a gente respira anda muito sem graça”, eu entendo.

Entendo como, para você, é impossível reconhecer que a Internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.

Hoje mudou. Mudou para um lugar perigoso, cheio de riscos ocultos.

Na internet de hoje, estamos sempre à beira de um conflito com quem não conhecemos. Passamos boa parte do tempo bombardeados com informações equivocadas ou descaradamente falsas. Comunidades baseadas em fake news. Gente de mentira divulgando notícias idem.

A internet de hoje não é mais uma aventura para se entrar. O desafio agora é conseguir sair.

Ou você nunca ouviu falar daquele sujeito que não pode sair de um grupo de WhatsApp porque vai “pegar mal”.

Ou de uma amiga que não pode deixar de seguir fulano no Instagram porque ele ficará ofendido?

Que ironia. Fomos escravizados pela mesma ferramenta que nos proveu liberdade.

Mas isso é só a ponta do iceberg. E não sou eu quem está dizendo.

Essa semana, em dois artigos diferentes, jornalistas norte-americanos endereçaram exatamente essa mudança que a internet está atravessando.

Isabel Fattal e Charlie Warzel, ela do The Atlantic, ele, ex-Buzfeed, tratam de uma mudança muito sutil pela qual vem passando a rede mundial de computadores: a desumanização.

Não me refiro à Inteligência Artificial. Falo dos algoritmos, da organização e controle que impedem o caos e dá cores pálidas às redes sociais, cada vez mais engajadas em compliances, conquista de audiência, controle de riscos e desumanidades.

Inteligência Artificial vai piorar tudo, isso vai.

Por isso, talvez, um maluco como Elon Musk, com seu Twitter sem tickezinho azul e sem censura consiga trazer de volta um pouco do caos que seduziu a todos nós, os internautas.

(MUNIZ NETO, Mentor. A internet sem graça. Disponível em: https:// istoe.com.br/a-internet-sem-graca/. Acesso em: 28/04/2023.)

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.” (21º§). A partir desta interação do autor com o público jovem, pode-se inferir que a temática do texto se centra em

 

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Orgão: Pref. Guarapari-ES

A internet sem graça

Meninos, eu vi. Tenho idade suficiente para ser um dinossauro das redes sociais.

Ou melhor, sou um pterodáctilo do pré-cambriano da internet, quando a internet era só e-mail e um punhado de sites.

Quando não existia Google, só Netscape.

Quando a gente se conectava a um site, depois do ruído áspero do modem, e vibrava de alegria.

Sou da época que a internet necessitava do aposto “a rede mundial de computadores”.

Da época que éramos chamados de “internautas” e as redes sociais eram “microblogs”.

Desbravei esses mares.

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado. Tive conta no MySpace. Baixei músicas no Napster.

Blog? Tive também. Muito antes de blogs virarem moda de novo.

Podcast a mesma coisa. No início do século gravei mais de 150 episódios, quando conteúdo não chamava “conteúdo”, nem dava dinheiro.

Produzíamos por farra. Pela bagunça. Só por isso.

Então nasceu o Facebook, mas não dei bola. Preferi o Twitter.

E como criei minha conta no primeiro ou segundo dia de existência dessa rede, consegui o “arroba” Neto. Isso mesmo. Sou o @neto no Twitter até hoje, o que transforma meus domingos num mar de ofensas de torcedores que acreditam que sou comentarista de futebol.

Um dia cansei de apenas textos curtos e comecei a escrever no jovem Facebook.

Por anos escrevi aqui e ali, sobre tudo e porque era divertido.

Acumulei uns 300 mil seguidores somando as duas redes.

Aí apareceu o Instagram e eu, já veterano, disse:

– Que bobagem. Isso não vai pegar. Quem é que tem tanta foto para postar? Isso é só um novo Fickr – o que prova que não faço ideia do que vai ou não ser sucesso.

Foi assim que chegamos onde estamos hoje.

E hoje, cada vez mais, está perdendo a graça.

Eu sei que pode soar papo de dinossauro e provavelmente você, que é jovem, que é nativo das redes, vai dizer que a internet não é para ter ou não graça. Internet, para você, está e sempre esteve por aí.

Minha decepção com a rede deve soar para você como se alguém dissesse “o ar que a gente respira anda muito sem graça”, eu entendo.

Entendo como, para você, é impossível reconhecer que a Internet foi uma conquista incomparável da liberdade de expressão.

Hoje mudou. Mudou para um lugar perigoso, cheio de riscos ocultos.

Na internet de hoje, estamos sempre à beira de um conflito com quem não conhecemos. Passamos boa parte do tempo bombardeados com informações equivocadas ou descaradamente falsas. Comunidades baseadas em fake news. Gente de mentira divulgando notícias idem.

A internet de hoje não é mais uma aventura para se entrar. O desafio agora é conseguir sair.

Ou você nunca ouviu falar daquele sujeito que não pode sair de um grupo de WhatsApp porque vai “pegar mal”.

Ou de uma amiga que não pode deixar de seguir fulano no Instagram porque ele ficará ofendido?

Que ironia. Fomos escravizados pela mesma ferramenta que nos proveu liberdade.

Mas isso é só a ponta do iceberg. E não sou eu quem está dizendo.

Essa semana, em dois artigos diferentes, jornalistas norte-americanos endereçaram exatamente essa mudança que a internet está atravessando.

Isabel Fattal e Charlie Warzel, ela do The Atlantic, ele, ex-Buzfeed, tratam de uma mudança muito sutil pela qual vem passando a rede mundial de computadores: a desumanização.

Não me refiro à Inteligência Artificial. Falo dos algoritmos, da organização e controle que impedem o caos e dá cores pálidas às redes sociais, cada vez mais engajadas em compliances, conquista de audiência, controle de riscos e desumanidades.

Inteligência Artificial vai piorar tudo, isso vai.

Por isso, talvez, um maluco como Elon Musk, com seu Twitter sem tickezinho azul e sem censura consiga trazer de volta um pouco do caos que seduziu a todos nós, os internautas.

(MUNIZ NETO, Mentor. A internet sem graça. Disponível em: https:// istoe.com.br/a-internet-sem-graca/. Acesso em: 28/04/2023.)

Vi o Orkut nascer, ser invadido por brasileiros, destruído por comunidades aleatórias, até perecer abandonado.” (8º§). Assinale a alternativa em que a troca da palavra destacada, de acordo com o contexto, não acarreta ao excerto mudança substancial de sentido.

 

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A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas?

À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é onipotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica.

Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de preposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entrarmos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...]

Não obstante, a mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro: “A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa”. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. [...]

Recorrendo ao pensamento de Saussure, é importante ressaltar que o cidadão comum não tem o domínio completo da estrutura linguística. Até um analfabeto funcional não representa um alvo completamente vulnerável à persuasão midiática, pois suas próprias dificuldades interpretativas o impedem de replicar fielmente qualquer tipo de discurso ideológico que seja oriundo dos meios de comunicação em larga escala. Como bem asseverou Muniz Sodré, a mídia não manipula, mas sugere determinadas pautas e, em última instância, cabe aos seus receptores aceitarem ou não. Os grandes veículos de comunicação podem até ter expectativas manipuladoras ou idealizar um modelo de público, mas a recepção de um enunciado sempre vai ser individualizada e recriada pelo sujeito.

(Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/ imprensa-em-questao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipularas-pessoas/. Francisco Fernandes Ladeira. Em: 14/04/2015. Edição 846. Adaptado.)

“Os grandes veículos de comunicação podem até ter expectativas manipuladoras ou idealizar um modelo de público, mas a recepção de um enunciado sempre vai ser individualizada e recriada pelo sujeito.(4º§). Sobre a oração destacada, analise as afirmativas a seguir.

I. Trata-se de uma oração sintaticamente independente.

II. É introduzida por uma conjunção coordenativa que articula orações distintas.

III. Torna mais claro o ponto de vista apresentado acerca do assunto referido.

IV.Aparece justaposta compondo um período em que as orações relacionam-se de acordo com o conteúdo que expressam.

Está correto o que se afirma apenas em

 

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A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas?

À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é onipotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica.

Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de preposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entrarmos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...]

Não obstante, a mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro: “A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa”. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. [...]

Recorrendo ao pensamento de Saussure, é importante ressaltar que o cidadão comum não tem o domínio completo da estrutura linguística. Até um analfabeto funcional não representa um alvo completamente vulnerável à persuasão midiática, pois suas próprias dificuldades interpretativas o impedem de replicar fielmente qualquer tipo de discurso ideológico que seja oriundo dos meios de comunicação em larga escala. Como bem asseverou Muniz Sodré, a mídia não manipula, mas sugere determinadas pautas e, em última instância, cabe aos seus receptores aceitarem ou não. Os grandes veículos de comunicação podem até ter expectativas manipuladoras ou idealizar um modelo de público, mas a recepção de um enunciado sempre vai ser individualizada e recriada pelo sujeito.

(Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/ imprensa-em-questao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipularas-pessoas/. Francisco Fernandes Ladeira. Em: 14/04/2015. Edição 846. Adaptado.)

Os textos literários têm como uma de suas características a utilização das figuras de linguagem, por meio da qual o texto ganha maior expressividade. Leia o trecho a seguir:

O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, semaprumo, quase gigante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados.

(CUNHA, Euclides da. Os Sertões. Campanha de Canudos. São Paulo: Abril Cultural, 1982.)

Considerando o contexto, a expressão grifada permite reconhecer o emprego de uma figura de linguagem que também aparece no trecho destacado a seguir; indique-a.

 

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À primeira vista, a resposta para a pergunta que intitula este artigo parece simples e óbvia: sim, a mídia é um poderoso instrumento de manipulação. A ideia de que o frágil cidadão comum é onipotente frente aos gigantescos e poderosos conglomerados da comunicação é bastante atrativa intelectualmente. Influentes nomes, como Adorno e Horkheimer, os primeiros pensadores a realizar análises mais sistemáticas sobre o tema, concluíram que os meios de comunicação em larga escala moldavam e direcionavam as opiniões de seus receptores. Segundo eles, o rádio torna todos os ouvintes iguais ao sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas das várias estações. No livro Televisão e Consciência de Classe, Sarah Chucid da Viá afirma que o vídeo apresenta um conjunto de imagens trabalhadas, cuja apreensão é momentânea, de forma a persuadir rápida e transitoriamente o grande público. Por sua vez, o psicólogo social Gustav Le Bon considerava que, nas massas, o indivíduo deixava de ser ele próprio para ser um autômato sem vontade e os juízos aceitos pelas multidões seriam sempre impostos e nunca discutidos. Assim, fomentou-se a concepção de que a mídia seria capaz de manipular incondicionalmente uma audiência submissa, passiva e acrítica.

Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de preposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entrarmos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...]

Não obstante, a mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro: “A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa”. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. [...]

Recorrendo ao pensamento de Saussure, é importante ressaltar que o cidadão comum não tem o domínio completo da estrutura linguística. Até um analfabeto funcional não representa um alvo completamente vulnerável à persuasão midiática, pois suas próprias dificuldades interpretativas o impedem de replicar fielmente qualquer tipo de discurso ideológico que seja oriundo dos meios de comunicação em larga escala. Como bem asseverou Muniz Sodré, a mídia não manipula, mas sugere determinadas pautas e, em última instância, cabe aos seus receptores aceitarem ou não. Os grandes veículos de comunicação podem até ter expectativas manipuladoras ou idealizar um modelo de público, mas a recepção de um enunciado sempre vai ser individualizada e recriada pelo sujeito.

(Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/ imprensa-em-questao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipularas-pessoas/. Francisco Fernandes Ladeira. Em: 14/04/2015. Edição 846. Adaptado.)

Considerando as relações estabelecidas entre as formas verbais e seus complementos, assinale a afirmativa correta.

 

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Todavia, como bons cidadãos céticos, devemos duvidar (ou ao menos manter certa ressalva) de preposições imediatistas e aparentemente fáceis. As relações entre mídia e público são demasiadamente complexas, vão muito além de uma simples análise behaviorista de estímulo/resposta. As mensagens transmitidas pelos grandes veículos de comunicação não são recebidas automaticamente e da mesma maneira por todos os indivíduos. Na maioria das vezes, o discurso midiático perde seu significado original na controversa relação emissor/receptor. Cada indivíduo está envolto em uma “bolha ideológica”, apanágio de seu próprio processo de individuação, que condiciona sua maneira de interpretar e agir sobre o mundo. Todos nós, ao entrarmos em contato com o mundo exterior, construímos representações sobre a realidade. Cada um de nós forma juízos de valor a respeito dos vários âmbitos do real, seus personagens, acontecimentos e fenômenos e, consequentemente, acreditamos que esses juízos correspondem à “verdade”. [...]

Não obstante, a mídia é apenas um, entre vários quadros ou grupos de referência, aos quais um indivíduo recorre como argumento para formular suas opiniões. Nesse sentido, competem com os veículos de comunicação como quadros ou grupos de referência fatores subjetivos/psicológicos (história familiar, trajetória pessoal, predisposição intelectual), o contexto social (renda, sexo, idade, grau de instrução, etnia, religião) e o ambiente informacional (associação comunitária, trabalho, igreja). “Os vários tipos de receptor situam-se numa complexa rede de referências em que a comunicação interpessoal e a midiática se completam e modificam”, afirmou a cientista social Alessandra Aldé em seu livro: “A construção da política: democracia, cidadania e meios de comunicação de massa”. Evidentemente, o peso de cada quadro de referência tende a variar de acordo com a realidade individual. [...]

Recorrendo ao pensamento de Saussure, é importante ressaltar que o cidadão comum não tem o domínio completo da estrutura linguística. Até um analfabeto funcional não representa um alvo completamente vulnerável à persuasão midiática, pois suas próprias dificuldades interpretativas o impedem de replicar fielmente qualquer tipo de discurso ideológico que seja oriundo dos meios de comunicação em larga escala. Como bem asseverou Muniz Sodré, a mídia não manipula, mas sugere determinadas pautas e, em última instância, cabe aos seus receptores aceitarem ou não. Os grandes veículos de comunicação podem até ter expectativas manipuladoras ou idealizar um modelo de público, mas a recepção de um enunciado sempre vai ser individualizada e recriada pelo sujeito.

(Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/ imprensa-em-questao/a-midia-realmente-tem-o-poder-de-manipularas-pessoas/. Francisco Fernandes Ladeira. Em: 14/04/2015. Edição 846. Adaptado.)

A respeito da escolha estrutural feita pelo autor na composição do título “A mídia realmente tem o poder de manipular as pessoas?”, pode-se afirmar que:

 

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