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- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Modo
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de TempoEmprego dos Tempos Verbais
Texto para responder às questões de 01 a 08.
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Nem novo, nem normal
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Considerado em 2019 o segundo país mais feliz de todos (o primeiro lugar ficou com a Finlândia), a Dinamarca ocupou esse posto em 2013 e 2016, liderando o Índice Mundial de Felicidade, segundo a Organização das Nações Unidas. O site Family Life Goals comenta que nesse país, os serviços de saúde e de educação são gratuitos. Sua geografia permite que, de qualquer ponto da Dinamarca, as pessoas estejam a uma distância máxima de 52 km do mar. Que privilégio! Além disso, são valores fundamentais para os dinamarqueses, a empatia e a afeição, o que torna o país próspero e seus habitantes compassivos. A empatia faz parte do currículo padrão, ensinando às crianças dinamarquesas o significado de entender e compartilhar seus sentimentos, bem como capacitando-as a identificar e trabalhar estados emocionais.
A empatia pressupõe capacidade de perceber, sem julgar (componente cognitivo); capacidade de reagir em sintonia com a emoção do outro (componente afetivo) e expressão verbal, postura e atitude que validam o sentimento do outro (componente comportamental).
Creio que você concorda comigo, no que tange à sensação de que está faltando empatia em boa parte do planeta e que essa falta se exacerbou com o advento da pandemia, orquestrada pelo confinamento e pela insegurança diante do futuro próximo e do longínquo. Mais que mera impressão, a certeza de que insensatez é a regra complica sobremaneira um tempo já difícil de encarar.
Todos os dias somos alvo ou temos conhecimento de atrocidades cometidas contra pessoas, independentemente de sua cor, sexo, gênero, idade, estado civil, crença ou condição socioeconômica. Indiferença, pouco caso, fake news, assédios, fraudes, abusos, assaltos, estupros, assassinatos… se repetem à exaustão, aqui e ali, apavorando-nos, ao mesmo tempo em que vamos nos habituando com fatos cada vez mais hediondos, cada vez mais comuns ou mais divulgados. Sem ocitocina nas veias, o ser humano se revela (ou se supera) na sua perplexidade ou na sua omissão, diante da violência de toda natureza, inclusive sexual.
Para não sucumbir a tanta decepção e tanta tristeza, me dirijo a um hospital, a uma unidade de terapia intensiva, e observo: quanta dor, quanto sofrimento! A vida por um fio… Ao mesmo tempo, no mesmo espaço, uma contundente demonstração de empatia me devolve a crença nas pessoas e no futuro: homens e mulheres de branco, trabalhando em sobre-humano empenho para salvar seus pacientes. Homens e mulheres de branco do Brasil.
Saio, bastante aliviada, e me sento no banco de uma praça, onde crianças brincam com outras crianças, e também com seus pais. Quanta ocitocina, empatia, felicidade! Crianças e pais brasileiros.
Volto feliz para casa, recuperada do meu pessimismo, e com muita vontade de abraçar, cantar, dançar, fazer algo de bom para alguém, ou melhor, para todos. Volto, como que vacinada desse novo normal.
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(Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/nem-novo-nem-normal. Com adaptações.)
As formas verbais em destaque expressam equivalência quanto ao tempo e modo verbais em que os fatos relacionados ocorrem, EXCETO:
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Texto para responder às questões de 01 a 08.
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Nem novo, nem normal
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Considerado em 2019 o segundo país mais feliz de todos (o primeiro lugar ficou com a Finlândia), a Dinamarca ocupou esse posto em 2013 e 2016, liderando o Índice Mundial de Felicidade, segundo a Organização das Nações Unidas. O site Family Life Goals comenta que nesse país, os serviços de saúde e de educação são gratuitos. Sua geografia permite que, de qualquer ponto da Dinamarca, as pessoas estejam a uma distância máxima de 52 km do mar. Que privilégio! Além disso, são valores fundamentais para os dinamarqueses, a empatia e a afeição, o que torna o país próspero e seus habitantes compassivos. A empatia faz parte do currículo padrão, ensinando às crianças dinamarquesas o significado de entender e compartilhar seus sentimentos, bem como capacitando-as a identificar e trabalhar estados emocionais.
A empatia pressupõe capacidade de perceber, sem julgar (componente cognitivo); capacidade de reagir em sintonia com a emoção do outro (componente afetivo) e expressão verbal, postura e atitude que validam o sentimento do outro (componente comportamental).
Creio que você concorda comigo, no que tange à sensação de que está faltando empatia em boa parte do planeta e que essa falta se exacerbou com o advento da pandemia, orquestrada pelo confinamento e pela insegurança diante do futuro próximo e do longínquo. Mais que mera impressão, a certeza de que insensatez é a regra complica sobremaneira um tempo já difícil de encarar.
Todos os dias somos alvo ou temos conhecimento de atrocidades cometidas contra pessoas, independentemente de sua cor, sexo, gênero, idade, estado civil, crença ou condição socioeconômica. Indiferença, pouco caso, fake news, assédios, fraudes, abusos, assaltos, estupros, assassinatos… se repetem à exaustão, aqui e ali, apavorando-nos, ao mesmo tempo em que vamos nos habituando com fatos cada vez mais hediondos, cada vez mais comuns ou mais divulgados. Sem ocitocina nas veias, o ser humano se revela (ou se supera) na sua perplexidade ou na sua omissão, diante da violência de toda natureza, inclusive sexual.
Para não sucumbir a tanta decepção e tanta tristeza, me dirijo a um hospital, a uma unidade de terapia intensiva, e observo: quanta dor, quanto sofrimento! A vida por um fio… Ao mesmo tempo, no mesmo espaço, uma contundente demonstração de empatia me devolve a crença nas pessoas e no futuro: homens e mulheres de branco, trabalhando em sobre-humano empenho para salvar seus pacientes. Homens e mulheres de branco do Brasil.
Saio, bastante aliviada, e me sento no banco de uma praça, onde crianças brincam com outras crianças, e também com seus pais. Quanta ocitocina, empatia, felicidade! Crianças e pais brasileiros.
Volto feliz para casa, recuperada do meu pessimismo, e com muita vontade de abraçar, cantar, dançar, fazer algo de bom para alguém, ou melhor, para todos. Volto, como que vacinada desse novo normal.
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(Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/nem-novo-nem-normal. Com adaptações.)
Segundo a autora:
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Texto para responder às questões de 01 a 08.
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Nem novo, nem normal
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Considerado em 2019 o segundo país mais feliz de todos (o primeiro lugar ficou com a Finlândia), a Dinamarca ocupou esse posto em 2013 e 2016, liderando o Índice Mundial de Felicidade, segundo a Organização das Nações Unidas. O site Family Life Goals comenta que nesse país, os serviços de saúde e de educação são gratuitos. Sua geografia permite que, de qualquer ponto da Dinamarca, as pessoas estejam a uma distância máxima de 52 km do mar. Que privilégio! Além disso, são valores fundamentais para os dinamarqueses, a empatia e a afeição, o que torna o país próspero e seus habitantes compassivos. A empatia faz parte do currículo padrão, ensinando às crianças dinamarquesas o significado de entender e compartilhar seus sentimentos, bem como capacitando-as a identificar e trabalhar estados emocionais.
A empatia pressupõe capacidade de perceber, sem julgar (componente cognitivo); capacidade de reagir em sintonia com a emoção do outro (componente afetivo) e expressão verbal, postura e atitude que validam o sentimento do outro (componente comportamental).
Creio que você concorda comigo, no que tange à sensação de que está faltando empatia em boa parte do planeta e que essa falta se exacerbou com o advento da pandemia, orquestrada pelo confinamento e pela insegurança diante do futuro próximo e do longínquo. Mais que mera impressão, a certeza de que insensatez é a regra complica sobremaneira um tempo já difícil de encarar.
Todos os dias somos alvo ou temos conhecimento de atrocidades cometidas contra pessoas, independentemente de sua cor, sexo, gênero, idade, estado civil, crença ou condição socioeconômica. Indiferença, pouco caso, fake news, assédios, fraudes, abusos, assaltos, estupros, assassinatos… se repetem à exaustão, aqui e ali, apavorando-nos, ao mesmo tempo em que vamos nos habituando com fatos cada vez mais hediondos, cada vez mais comuns ou mais divulgados. Sem ocitocina nas veias, o ser humano se revela (ou se supera) na sua perplexidade ou na sua omissão, diante da violência de toda natureza, inclusive sexual.
Para não sucumbir a tanta decepção e tanta tristeza, me dirijo a um hospital, a uma unidade de terapia intensiva, e observo: quanta dor, quanto sofrimento! A vida por um fio… Ao mesmo tempo, no mesmo espaço, uma contundente demonstração de empatia me devolve a crença nas pessoas e no futuro: homens e mulheres de branco, trabalhando em sobre-humano empenho para salvar seus pacientes. Homens e mulheres de branco do Brasil.
Saio, bastante aliviada, e me sento no banco de uma praça, onde crianças brincam com outras crianças, e também com seus pais. Quanta ocitocina, empatia, felicidade! Crianças e pais brasileiros.
Volto feliz para casa, recuperada do meu pessimismo, e com muita vontade de abraçar, cantar, dançar, fazer algo de bom para alguém, ou melhor, para todos. Volto, como que vacinada desse novo normal.
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(Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/nem-novo-nem-normal. Com adaptações.)
Considerando apenas a expressão “país mais feliz de todos” (1º§), indique a alteração feita que mantém o grau superlativo de acordo com a norma padrão da língua ainda que haja alteração quanto à relação entre a qualidade expressa e a de outros elementos.
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Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
No trecho “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. (3º§), a vírgula foi utilizada para:
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- MorfologiaConjunçõesClassificação das ConjunçõesConjunções CoordenativasConjunções coordenativas adversativas
Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
Em “Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, [...]” (3º§), o termo destacado denota ideia de:
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Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
Considerando as informações textuais, é possível inferir que:
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Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
“O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia.” (2º§) Assinale, a seguir, a palavra que NÃO pode substituir o termo “explícito”.
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Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
Em “Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão.” (2º§), a expressão assinalada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
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Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
No excerto “O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia.” (2º§), a expressão “explícito” significa:
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Recado ao senhor 903
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito a repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor; é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos: apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois as 8h15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada: e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1991.)
No segmento “Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: [...]” (3º§), o uso do sinal indicativo de crase é obrigatório. Tal fato também ocorre em, EXCETO:
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