Leia o seguinte texto da pesquisadora Margarete Aparecida de Oliveira sobre a escrita de Carolina Maria de Jesus.
“Carolina Maria de Jesus faz parte de um grupo de escritores cujas narrativas foram produzidas por vozes advindas de esferas subalternas. [...] Sua expressão literária do cotidiano é direta, na qual se organiza uma forte representação da prática social urbana, vista por aqueles que foram deixados à margem. A favela foi apresentada por Carolina como um local penoso, insignificante aos olhos da sociedade: ‘Cheguei ao inferno. Devo incluir-me, porque eu também sou da favela. Sou rebotalho. Estou no quarto de despejo, e o que está no quarto de despejo ou queima-se ou joga-se no lixo.’ (JESUS, 2012, p. 38). Neste espaço, Carolina sobrevive de restos da cidade, em uma economia limite, ela, seus filhos e seus vizinhos se alimentam das sobras dessa população. O fato de sua escrita estar vinculada à sua própria experiência no espaço periférico torna esse processo, uma estratégia de ação que rompe a compreensão da literatura já estabelecida pela crítica. Dessa forma, o texto caroliniano apresentou um ambiente urbano pouco conhecido até então nas décadas de 50-60, a favela. Escrito por quem vivenciou a miséria e testemunhou a violência diária e é capaz de transformá-la em objeto de uma narrativa sob uma nova perspectiva.”
Disponível em: <encurtador.com.br/lnLNQ>.
Acesso em: 18 out. 2019.
Considere os seguintes trechos de obras de Carolina Maria de Jesus.
I. “Era papel que eu catava / Para custear o meu viver.”
II. “Um dia, ouvi de minha mãe que meu pai era de Araxá, e seu nome era João Cândido Veloso. E o nome da minha avó era Joana Veloso. Que meu pai tocava violão e não gostava de trabalhar [...].” (JESUS, 2007, p. 7).
III. “27 DE MAIO – Percebi que no Frigorífico jogam creolina no lixo, para o favelado não catar a carne para comer. Não tomei café, ia andando meio tonta. A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estomago.” (JESUS, 2012, p. 45)
IV. “13 DE MAIO – Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição.” (JESUS, 2012, p. 31)
A partir das considerações da pesquisadora, os trechos que retratam a escrita crítica e denunciante de Carolina Maria de Jesus são